A IMPORTÂNCIA DA GESTÃO DO FLUXO DE CAIXA COMO INSTRUMENTO DE GERENCIAMENTO DAS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS (MPE s): UM ESTUDO DE CASO DAS MPE s INSTALADAS NO ENTORNO DO DISTRITO INDUSTRIAL DE MARACANÁU.
Felipe de Sousa Mota 1
RESUMO: O presente trabalho tem como objetivo geral investigar e analisar a importância da gestão do fluxo de caixa como instrumento de gerenciamento das micro e pequenas empresas instaladas no entorno do Distrito Industrial de Maracanaú, e como objetivos específicos: caracterizar o contexto econômico a que estão inseridas as micro e pequenas empresas no Brasil, analisar a importância do fluxo de caixa no processo de tomada de decisões das micro e pequenas empresas, bem como revisar as principais linhas teóricas com respeito ao assunto proposto. O referencial teórico do presente artigo esta fundamentado em farto conteúdo acadêmico, em fontes como artigos, periódicos, literatura técnica, legislação, entre outras; além de inúmeros autores citados: Zdanowicz, Silva, Assaf Neto, Padovese, Gitman, Frezatti, Santos, Sanvicente, sempre com o objetivo de esclarecer o problema proposto. A metodologia empregada consiste numa pesquisa exploratória e descritiva, tendo sido realizada pesquisa documental e bibliográfica, e um estudo de caso, com a aplicação de questionário com perguntas fechadas e entrevista semi-aberta em 05 (cinco) micro e pequenas empresas instaladas no entorno do Distrito Industrial de Maracanaú. Após a análise dos resultados concluiu-se que o fluxo de caixa é um importante instrumento para o planejamento financeiro das micro e pequenas empresas, e que vem sendo utilizado pelas MPE s do entorno do Distrito Industrial de Maracanaú apenas como cronograma de recebimentos e pagamentos, desconhecendo as demais aplicações do fluxo de caixa.
Palavras-Chave: Gestão Financeira. Fluxo de Caixa. Micro e Pequena Empresa.
1 INTRODUÇÃO
O presente trabalho procura analisar, de forma sintética e acadêmica, a utilização do fluxo de caixa no gerenciamento das micro e pequenas empresas instaladas no entorno do Distrito Industrial de Maracanaú, considerando as relações existentes entre o fluxo de caixa com a gestão do capital de giro, planejamento e controle financeiro. Nesse propósito, questiona-se: qual a importância da gestão do fluxo de caixa como instrumento de gerenciamento das micro e pequenas empresas instaladas no entorno do Distrito Industrial de Maracanaú?
Para o desenvolvimento da pesquisa fixou-se como objetivo geral a proposta de investigar e analisar a importância do fluxo de caixa como instrumento de gerenciamento das micro e pequenas empresas instaladas no entorno do Distrito Industrial de Maracanaú, e os seguintes objetivos específicos: caracterizar o contexto econômico a que estão inseridas as micro e pequenas empresas no Brasil; analisar a importância do fluxo de caixa no processo de tomada de decisões das micro e pequenas empresas e revisar as principais linhas teóricas da gestão de fluxo de caixa.
O tema proposto justifica-se pela carência de conhecimento dos micros e pequenos empresários na análise financeira de seus negócios, sobretudo na utilização do fluxo de caixa como uma ferramenta gerencial no processo de tomada de decisões, planejamento e controle financeiro das empresas. O assunto abordado também é de fundamental importância para o entendimento do fluxo de caixa conforme a visão sistêmica, com relações nas várias áreas da empresa. Para isso, busca-se a compreensão do que é gestão do fluxo de caixa e como esta pode ser enquadrada na realidade das micro e pequenas empresas instaladas no entorno do Distrito Industrial de Maracanaú.
A metodologia empregada na pesquisa caracteriza-se, quanto aos fins, por ser de natureza exploratório-descritiva, pois se preocupou em identificar, analisar e caracterizar as empresas objeto do estudo e os aspectos relacionados à utilização do fluxo de caixa no processo de tomada de decisões, planejamento e controle financeiro. Quanto aos meios, realizou-se um estudo de caso, sendo utilizado para levantamento dos dados um questionário com perguntas fechadas, com o objetivo de coletar dados para caracterização das empresas pesquisadas e verificar se estas se utilizam do fluxo de caixa; e entrevista semi-aberta, mediante roteiro, para coleta de dados a respeito dos aspectos gerenciais, referente à análise financeira, especificamente quanto à utilização do fluxo de caixa.
A amostra utilizada caracterizou-se por ser intencional e não-probabilística, levando em consideração uma série de critérios previamente definidos (localização, atividade econômica, pessoal ocupado, etc.), que resultou na seleção de 05 (cinco) empresas, instaladas no entorno do Distrito Industrial de Maracanaú e do segmento de comércio varejista de confecções e acessórios.
2 CONTEXTO DAS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS NO BRASIL
No contexto econômico atual as micro e pequenas empresas (MPEs) representam importante pilar de sustentação para a economia brasileira, devido a capacidade de geração de emprego e renda (KOTESKI, 2004). Segundo dados de 2004 do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), as MPEs são responsáveis por 25% do Produto Interno Bruto (PIB) e geram 14 milhões de empregos, representando 60% dos empregos formais do país.
O estabelecimento de políticas públicas pelo Governo tem contribuído para o fortalecimento das MPE s, mediante a criação do Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte (Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, publicado no DOU de 15.12.2006), garantindo a diminuição da burocracia, maior agilidade na abertura das empresas, a concessão de mercados e tratamento tributário diferenciado.
É importante ressaltar a disponibilização de recursos subsidiados e linhas específicas de financiamento ofertadas às micro e pequenas empresas por meio das instituições financeiras estatais (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social - BNDES, Banco do Brasil - BB, Caixa Econômica Federal - CEF e Banco do Nordeste - BNB), demais bancos da iniciativa privada, as associações e cooperativas de crédito.
Entretanto, para Koteski (2004), as políticas adotadas pelo Governo são insuficientes para atender a demanda do número crescente de micros e pequenos empreendimentos no país. Muitos outros fatores limitam o desempenho das MPE s, desde a tecnologia obsoleta, passando pela gestão inapropriada, até a dificuldade na inserção de novos mercados (LEVISTKY, 1996 apud LA ROVERE, 2001). Tais fatores associados à dificuldade de acesso ao crédito e ao despreparo dos micros e pequenos empreendedores na análise financeira de seus negócios (KASSAI; CASA NOVA, 2006) resultam no alto índice de mortalidade das MPEs nos primeiros anos de constituição das empresas.
O cotidiano dos micro e pequenos empresários é enfrentar a dificuldade de manter a liquidez e o caixa operacional de seus negócios, sobretudo na tarefa de levantar recursos financeiros de terceiros, para o complemento do capital de giro ou para aplicação em novos investimentos, em virtude das altas taxas de juros, impraticáveis à realidade das pequenas organizações. Para Kassai e Casa Nova:
De uma hora para outra, uma empresa pode se encontrar em uma situação incontrolável, devido ao saldo negativo do fluxo de caixa financiado por altas taxas de juros e aos saldos devedores rolados para os meses seguintes. Aí começa uma caminhada árdua com destino às agências bancárias (2006, p. 03).
Contudo, em pesquisa divulgada pelo SEBRAE (2008), a taxa de sobrevivência das MPE s no Brasil teve significativa elevação de 27,4% no período de 2002 a 2005. Segundo a pesquisa se atribui esse resultado a dois importantes fatores: a maior qualidade empresarial e melhoria do ambiente econômico, no referido período. De acordo com a pesquisa, a taxa de preocupação do micro e pequeno empresário com a análise financeira era de 7% no triênio de 2000/2002, passando para 36% no triênio de 2003/2005. Para Luiz Carlos Barboza, diretor técnico do SEBRAE (2008, p. 5), essa nova conjuntura é conseqüência de empresários mais bem qualificados, [no qual] passaram a cuidar melhor das empresas (.) .
Percebe-se a importância do empresário deter conhecimentos sobre gestão de negócios, principalmente no momento da tomada das decisões na organização, pois circunstancialmente, a tomada errônea de uma decisão pode colocar em dificuldade a estabilidade da empresa. Segundo Antonik (2004, p. 37): No momento de tomar decisões, não valem os achismos . As decisões devem sempre se basear em informações armazenadas, comprovadas e tabuladas nos sistemas integrados que compreendem a gestão de negócios . Na área de finanças, conforme Kassai e Casa Nova (2006), a habilidade e os conhecimentos dos micros e pequenos empresários são limitados, sobretudo na hora de buscar crédito nas instituições financeiras.
Por conseguinte, torna-se fundamental ao desenvolvimento de qualquer empreendimento o empresário conhecer ferramentas que auxiliem na gestão financeira e do capital de giro, com o objetivo de evitar a tomada de decisões equivocadas e o endividamento da empresa (OTTOBONE; PAMPLONA, 2001). Um importante instrumento de análise financeira consiste no fluxo de caixa, no qual possibilita ao micro e pequeno empresário a visualização financeira de seu negócio em determinado instante e eventualmente a melhor decisão a ser tomada, desempenhando fundamental papel no apoio gerencial.
3 ASPECTOS RELEVANTES SOBRE O CAPITAL DE GIRO
Na concepção de Assaf Neto e Silva (2002, pág. 14) O termo giro refere-se aos recursos correntes (curto prazo) da empresa, geralmente identificados como aqueles capazes de serem convertidos em caixa no prazo máximo de ano . Na análise dos autores citados, o capital de giro tem importante participação no desempenho operacional das empresas, já que os recursos do capital de giro geralmente cobrem mais da metade dos ativos totais investidos nas organizações. A administração ineficiente do capital de giro acarreta sérios problemas financeiros para a organização, principalmente relacionados à liquidez (ASSAF NETO; SILVA, 2002, p. 13). Por exemplo, a política de concessão de crédito incriteriosa ocasiona a elevação da inadimplência e o não recebimento das vendas, afetando a liquidez da empresa.
A administração do capital de giro está diretamente relacionada ao gerenciamento dos ativos e passivos correntes com decisões interdependentes. Para Assaf Neto e Silva (2002, p. 13) a importância e o volume de capital de giro para uma empresa são determinados principalmente por fatores como: o volume de vendas, identificado pelo volume de estoques, contas a receber e geração de caixa; sazonalidade dos negócios, determinando a necessidade de recursos financeiros para financiar a operação da empresa ao longo do período; contexto econômico, variações de mercado e recessão econômica; tecnologia, englobando custos e tempo de produção; e política de negócios, centradas em alterações de vendas, de crédito, produção, entre outros.
Esses fatores são contextualizados à realidade da organização através do estudo do nível de estoques adequados à empresa, a política de concessão de crédito aos clientes, critérios na gestão de caixa e a estrutura dos passivos correntes, com o objetivo de obter a consistência na operação dos negócios da empresa, de forma a manter um nível desejado de liquidez e rentabilidade.
3.1 CAPITAL CIRCULANTE LÍQUIDO
De acordo com Assaf Neto e Silva (2002, p. 16) o Capital Circulante Líquido (CCL): Reflete a folga financeira da empresa e, dentro de um conceito mais rigoroso, o CCL representa o volume de recursos de longo prazo (exigibilidades e patrimônio líquido) que se encontra financiando os ativos correntes (de curto prazo) . O CCL é obtido por meio da diferença entre o ativo circulante ou corrente e o passivo circulante ou corrente, a seguir se ilustra o cálculo do capital circulante líquido.
Ou:
Analisando a Figura (1), a seguir, observa-se que o capital circulante líquido é considerado positivo à medida que a aplicação no ativo circulante é financiada por créditos de curto prazo (passivo circulante) e o capital de giro líquido é oriundo dos recursos de longo prazo (exigível de longo prazo e patrimônio líquido), ou seja, do recurso captado em longo prazo, parte está aplicado no ativo também de longo prazo (ativo permanente) e o excedente é direcionado para financiar o capital de giro da empresa, apontando certa folga financeira (ASSAF NETO; SILVA, 2002, p. 17).
. Comportamento do capital de giro líquido numa empresa.
Fonte: adaptado de Assaf Neto e Silva (2002).
Na maioria das empresas o comportamento positivo do CCL é a condição básica aos seus negócios, principalmente quando são verificadas que as saídas de caixa (pagamentos) são eventos relativamente previstos, já as entradas de caixa (recebimentos) são de difícil previsão (ASSAF NETO; SILVA, 2002; GITMAN, 2004).
Observa-se na Figura (1), que a empresa com o capital de giro líquido negativo, ou seja, com o passivo circulante maior que o ativo circulante, não possui recursos de longo prazo suficientes para financiar suas aplicações de longo prazo, sendo necessário se utilizar dos recursos do passivo circulante para os investimentos a longo prazo.
Em síntese, o CCL negativo demonstra que a organização utiliza seus recursos passivos correntes para financiar os investimentos permanentes, isto significa diminuição ou perca de liquidez para empresa, no entanto há a necessidade de considerar a estrutura financeira da empresa em questão, uma vez que esta posição pode ser uma preferência na relação risco/retorno. Empresas com fluxos de caixa previsíveis podem operar com o nível baixo de capital circulante líquido, chegando até mesmo a ser negativo, exemplo disso são empresas prestadoras de serviços públicos (ASSAF NETO; SILVA, 2002, p. 17 e 18).
3.2 CICLO OPERACIONAL E CICLO FINANCEIRO
O ciclo operacional conceitualmente trata-se do intervalo de tempo gasto para a execução das atividades operacionais da empresa. No entendimento de Assaf Neto e Silva (2002, p. 19) (.) o ciclo operacional incorpora seqüencialmente todas as fases operacionais presentes no processo empresarial de produção-venda-recebimento .
Entende-se por processo operacional de uma empresa industrial como sendo o conjunto de atividades desde a aquisição de matéria-prima, pagamento dos fornecedores, produção, estocagem, vendas até o recebimento destas. Já no caso de uma empresa comercial o processo operacional engloba as atividades de aquisição de mercadorias ou produtos, estocagem, comercialização e recebimento das vendas.
O ciclo operacional representa o número de dias transcorridos desde a aquisição das matérias-primas ou mercadorias até o recebimento das vendas dos produtos fabricados ou comercializados (SANTOS, 2001). Assaf Neto e Silva (2002, p. 19) acrescentam que nesse período de tempo, cada fase operacional da organização apresenta determinada duração. Então, na aquisição de matérias-primas, implica em um prazo médio de estocagem; com a produção, o prazo médio de fabricação; aos produtos acabados, o prazo médio de venda; para o recebimento das vendas efetuadas a prazo, o prazo médio de cobrança. Ressalta-se que as fases se ajustam de acordo com a realidade da empresa, podendo ou não existir.
Santos (2001) observa que a duração do ciclo operacional está intimamente relacionada aos processos de produção e operação da organização, e com as políticas de estoque, comercial e financeira da empresa, envolvendo os prazos dos pagamentos aos fornecedores, estocagem e recebimentos das vendas. Assim, a duração de cada processo componente do ciclo operacional influência diretamente no volume de recursos financeiros, utilizados para financiar o estoque de matérias-primas ou mercadorias e as vendas a prazo.
Ampliando-se esta abordagem, Assaf Neto e Silva (2002, p. 19) defendem que Uma boa administração do capital de giro envolve imprimir alta rotação (giro) ao circulante, tornando mais dinâmico seu fluxo de operações . A conseqüência direta deste princípio é o incentivo ao aumento da rentabilidade da empresa, por meio da menor necessidade de imobilização do capital no ativo circulante.
O ciclo financeiro, também denominado ciclo de caixa, é obtido por meio do ciclo operacional, compreendendo as fases com real movimentação de caixa, ou seja, os desembolsos efetuados para pagamentos das matérias-primas até os recebimentos das vendas realizadas (ASSAF NETO; SILVA, 2002). O ciclo financeiro consiste no intervalo de tempo entre as atividades financeiras acontecidas ao longo do ciclo operacional, representado pelo o pagamento a fornecedores e pelo recebimento das vendas (SANTOS, 2001).
Nas empresas industriais o ciclo financeiro ou ciclo de caixa é obtido por meio do cálculo dos prazos de fabricação, pagamento dos fornecedores de matérias-primas e recebimentos da vendas efetuadas. Para empresas comerciais, o ciclo financeiro é calculado a partir dos prazos de estocagem, pagamento dos fornecedores de mercadorias ou produtos e recebimentos das vendas. Já nas empresas prestadoras de serviços o ciclo financeiro é constituído apenas pelos prazos de pagamentos e recebimentos (SANTOS, 2001).
Para Santos (2001) existe a necessidade de se avaliar a realidade de cada organização a fim de se definir os prazos de fabricação, estocagem, pagamentos e recebimentos. Utiliza-se, como regra geral para o cálculo do ciclo financeiro, os prazos médios de fabricação, estocagem, pagamentos e recebimentos, de acordo as práticas da empresa, o tipo de negócio ou segmento de atividade.
A Figura (2) a seguir, ilustra o conceito de ciclo operacional e financeiro de uma empresa industrial e seus componentes. Não será possível o aprofundamento conceitual dos componentes do ciclo operacional e financeiro, visto que não constitui o objetivo deste trabalho e foge a delimitação do tema proposto.
PME (Mp) prazo médio de estocagem de matérias-primas;
PMF prazo médio de fabricação;
PMV prazo médio de venda (prazo médio de estocagem dos produtos acabados);
PMC prazo médio de cobrança (prazo médio de recebimento);
PMPF prazo médio de pagamento de fornecedores.
. Ciclo operacional e financeiro de uma empresa industrial.
Fonte: adaptado de Assaf Neto e Silva (2002).
3.4 EQUILÍBRIO FINANCEIRO
O objetivo fundamental da administração financeira de curto prazo é gerir cada item do ativo circulante: estoques, contas a receber e aplicações de curto prazo; e do passivo circulante: contas, despesas e instituições financeiras a pagar (GITMAN, 2004). É por esta razão que as organizações, através da administração dos ativos e passivos de curto prazo, inseridas nas decisões financeiras, procuram manter certo nível de capital de giro para garantir a atividade operacional da empresa (ASSAF NETO; SILVA, 2002).
O equilíbrio financeiro de uma organização se encontra vinculado com a liquidez dos ativos circulantes no mesmo prazo com que vencem as obrigações dos passivos circulantes. Os estoques da empresa se convertem em contas a receber e estas em caixa, que consiste na fonte de recursos para saldar as obrigações dos passivos circulantes. Assim é fundamental que empresa possua mecanismos de previsão do fluxo de caixa, relativamente simples para as saídas de caixa, já que a organização tem ciência dos prazos dos desembolsos no momento em que assume os compromissos. Segundo Gitman (2004, p. 510): A dificuldade está em predizer as entradas de caixa a conversão dos ativos circulantes em formas mais líquidas .
Na compreensão de Assaf Neto e Silva (2002, p. 24 e 25) o equilíbrio financeiro não é garantido apenas pelo capital circulante líquido positivo. Nesse caso, os recursos de longo prazo (permanentes) e as variáveis sazonais devem ser identificados nos ativos circulantes, elas compõem o ativo permanente da organização, e será utilizado para lastrear os passivos circulantes, ou seja, as necessidades financeiras permanentes da empresa.
Zdanowicz (2002, p. 43) ressalta que as organizações equilibradas financeiramente, apresentam, entre outras, as seguintes características:
O contínuo equilíbrio entre entradas e saídas de caixa;
Aumento da participação do capital próprio, em relação ao capital de terceiros;
A rentabilidade do capital investido é sobre maneira satisfatória;
Menor necessidade de capital de giro;
Aumento no índice de rotação de estoques.
Na mesma abordagem, Zdanowicz (2002, p. 42-49) atribui o equilíbrio financeiro nas organizações ao conjunto de medidas compreendidas na administração financeira e do capital de giro, através do planejamento das atividades financeiras, por meio da utilização do fluxo de caixa, possibilitando prever a escassez de recursos financeiros na empresa ou alterações nos saldos de caixa e a adoção de medidas saneadoras. Para isso o gestor financeiro precisa considerar fatores internos e externos impactantes na posição de caixa da organização (política de vendas, inadimplência, etc.).
4 FUNDAMENTANDO FLUXO DE CAIXA
Para Assaf Neto e Silva (2002, p. 39) o fluxo de caixa consiste (.) numa indispensável sinalização dos rumos financeiros dos negócios. De acordo com Zdanowicz (2002) as organizações necessitam conhecer o volume de entradas e saídas dos recursos financeiros, para isso é preciso manter atualizado o fluxo de caixa, possibilitando mensurar e estabelecer, com uma maior facilidade, os níveis de caixa para períodos futuros. Nessa proposição, Zdanowicz (2002, p. 54) define o fluxo de caixa como sendo (.) o instrumento mais preciso e útil para levantamentos financeiros a curto e longo prazo .
Inicialmente necessita-se da compreensão conceitual de caixa e suas características.
4.1 CONCEITO E CARACTERÍSTICAS DO CAIXA
As empresas necessitam manter certo nível de recursos financeiros líquidos para efetuar pagamentos imediatos. Tais obrigações emanam da atividade operacional das empresas ou circunstancialmente se tratam de eventuais obrigações incomuns a rotina das empresas, que necessitam de uma reserva constante líquida de capital para cumprir frente às obrigações.
De acordo com Assaf Neto e Silva (2002, p. 39): Para se manterem em operação, as empresas devem liquidar corretamente seus vários compromissos, devendo como condição básica apresentar o respectivo saldo em seu caixa nos momentos dos vencimentos . A essa disponibilidade de recursos denomina-se caixa .
No entendimento de Frezatti (1997, p. 13) (.) o caixa representa o objetivo final dos investidores ao optarem por uma alternativa de alocação de recursos, (.), caixa é o ativo mais líquido disponível na empresa, encontrado em espécie, nos bancos e no mercado de curtíssimo prazo . O caixa nada mais é do que o dinheiro em espécie na empresa ou nos bancos, oriundo das atividades operacionais ou extra-operacionais da empresa, disponível para saldar compromissos com fornecedores, amortizações bancárias, pagamentos de impostos, salários, etc., garantindo a continuidade operacional da organização.
Observa-se na prática das empresas que o caixa subdivide-se em duas contas interdependentes: o dinheiro em espécie na empresa e os saldos bancários, estes podendo ainda está aplicados no mercado financeiro de curto prazo, com a compensação imediata em conta corrente da empresa, caso seja necessário. Segundo Sanvicente (1987, p. 140) (.) Caixa representa o dinheiro vivo , em notas de papel-moeda e moedas metálicas, enquanto o item Bancos refere-se aos saldos mantidos em contas bancárias movimentáveis à vista contra a emissão de cheque . A interdependência das duas contas, em que se subdivide o caixa, se dá em virtude da operacionalidade por parte das organizações, ao efetuarem saques nas contas bancárias para compor o montante de dinheiro em espécie na empresa ou realizando depósitos nestas dos recebimentos com origem na própria empresa.
4.2 LUCRO VERSUS CAIXA
É importante diferenciar lucro contábil de caixa. O caixa gera lucro a partir do momento em que, havendo excedente de caixa disponível para aplicação, existe o recebimento dos juros auferidos. Em contra partida, a escassez de caixa influi diretamente no resultado contábil, em virtude do pagamento dos juros sobre a contratação de recursos de terceiros (FREZATTI, 1997).
A movimentação de caixa é registrada no Demonstrativo de Fluxo de Caixa (DFC). Segundo Gitman (2004, p. 86): A demonstração de fluxo de caixa sintetiza o fluxo de caixa da empresa em certo período . O DFC consiste numa ferramenta fundamental ao administrador, concedendo suporte ao processo de tomada de decisões, que necessitem da análise financeira, tendo em vista que possibilita a visualização da real situação financeira da empresa. Este instrumento considera o regime de competência de caixa e não a do exercício social e registra apenas os ingressos e desembolsos efetivos do caixa do período. Já o Demonstrativo de Resultado do Exercício (DRE) tem por finalidade evidenciar o lucro líquido operacional do exercício social (ZDANOWICZ, 2002).
Para Zdanowicz (2002, p. 224) as diferenças básicas do Demonstrativo do Fluxo de Caixa (DFC) e do Demonstrativo de Resultado do Exercício (DRE) podem ser enumeradas da seguinte forma:
O DRE reconhece as vendas e compras realizadas durante o exercício, indiferente às condições de recebimento e pagamento, enquanto o fluxo de caixa reconhece as entradas e saídas, das vendas e compras, independente do período em que estas tiveram origem;
Não pontualidade dos pagamentos e recebimentos da empresa, incorrendo juros e multas, impactando apenas o fluxo de caixa;
As provisões (imposto de renda, contingências, etc.) afetam o DRE, no entanto, não constituem desembolsos no fluxo de caixa;
Receitas reconhecidas pelo DRE e não recebidas, portanto não constituindo ingressos no fluxo de caixa.
Assaf Neto e Silva (2002) complementam que as informações provenientes do registro da movimentação de caixa contribuem para que o gestor financeiro possa elaborar o planejamento financeiro da empresa, prognosticando cenários futuros. A seguir essa temática será abordada por este trabalho.
4.3 COMPREENDENDO O FLUXO DE CAIXA
Segundo a definição de Zdanowicz (2002, p. 40) o fluxo de caixa consiste no (.) instrumento de programação financeira, que corresponde às estimativas de entradas e saídas de caixa em certo período de tempo projetado . O referido autor (2002) destaca que, no âmbito prático das organizações, a denominação fluxo de caixa é consagrada pelo uso e pela prática, sendo que o termo fluxo de caixa, também denominado pela expressão inglesa cash flow , possui diversas outras nomenclaturas, tais como: orçamento de caixa, fluxo de recursos financeiros, fluxos monetários, entre outras.
Para os autores Assaf Neto e Silva (2002, p. 39) o fluxo de caixa conceitua-se como sendo (.) o instrumento que relaciona os ingressos e saídas (desembolsos) de recursos monetários no âmbito de uma empresa em determinado intervalo de tempo . Pela perspectiva de Zdanowicz (2002, p. 41) o fluxo de caixa tem por objetivo primordial possibilitar a visualização das atividades desenvolvidas, enfocando as operações financeiras, realizadas diariamente, integrantes do ativo circulante, e que representam o índice de liquidez da organização. Na análise do referido autor (ZDANOWICZ, 2002) o fluxo de caixa permite visualizar o deslocamento dos recursos monetários através da empresa, identificando o caminho percorrido por eles, o que possibilita a observação das operações que aumentam ou diminuem o saldo de caixa.
No cotidiano das organizações o fluxo de caixa é de responsabilidade do setor financeiro, constituindo-se peça fundamental na gestão financeira. Essa constatação está intimamente relacionada à necessidade, por parte dos gestores, das informações, de forma imediata e consistentes (PADOVESE, 2000).
Para Assaf Neto e Silva (2002, p. 86) consideram-se três motivos para que uma empresa mantenha um valor mínimo de caixa: a transação, no qual, decorre da necessidade da empresa de honrar seus compromissos; a precaução, devido o fluxo de pagamentos futuros nem sempre previsíveis; e por último a especulação, observando a perspectiva de uma oportunidade futura de fazer negócios.
Na concepção de Silva (2008) é importante frisar que o fluxo de caixa não se limita apenas na conta caixa, de acordo com o entendimento contábil, no moderno ambiente empresarial os pagamentos e recebimentos são realizados via Internet (através do home bank) ou por meio de transferências eletrônicas de crédito, sem necessariamente o dinheiro tenha transitado no caixa da empresa, em seu sentido contábil.
4.3.1 Subdivisão do fluxo de caixa
Na abordagem de Assaf Neto e Silva (2002, p. 56) e Padovese (2000, p. 73), o fluxo de caixa pode se subdividi de acordo com a sua utilização e objetivo estabelecido. Nesses termos, os autores referidos classificam o fluxo de caixa em (1) fluxo das atividades operacionais, (2) fluxo das atividades de investimentos e (3) fluxo das atividades de financiamentos.
Gitman (2004, p. 86) compartilha o mesmo posicionamento, observando que o fluxo operacional tem origem nas entradas e saídas provenientes da produção e venda de bens e serviços pela organização; já o fluxo de investimento representa à venda e compra de ativos imobilizados e a participação em outras empresas; por conseguinte, o fluxo de financiamento é resultado das operações de captação de recursos de terceiros e de capital próprio.
Para Zdanowicz (2002) o fluxo de caixa deve ser estruturado segundo o planejamento das previsões de entradas e saídas dos recursos financeiros da empresa, sendo utilizado nas organizações para o planejamento, análise e controle financeiro das atividades operacionais, de financiamento e investimento. O autor supracitado (ZDANOWICZ, 2002) entende que o fluxo de caixa pode ser dividido em fluxo operacional e fluxo extra-operacional de caixa.
O fluxo de caixa operacional tem origem nas atividades operacionais desenvolvidas pela organização, ou seja, são entradas e saídas de recursos financeiros em decorrência das atividades fins da empresa. As entradas operacionais no caixa de uma empresa são representadas pelas vendas realizadas à vista e pelos recebimentos ocasionados pela cobrança das vendas efetuadas a prazo (promissórias, cheques, duplicatas, etc.). Já no caso das saídas operacionais de caixa, são representadas pelas compras de matérias-primas (pagamento de fornecedores, tanto à vista como a prazo), pagamentos de salários, dos encargos sociais e trabalhistas, dos custos indiretos de fabricação, das despesas administrativas, financeiras e tributárias, sendo estas classificadas como despesas operacionais (ASSAF NETO; SILVA, 2002; ZDANOWICZ, 2002).
Deve-se considerar na apuração do caixa operacional os descontos concedidos nas vendas, as devoluções de mercadorias vendidas, as perdas com os valores incobráveis e os atrasos inerentes as vendas realizadas a prazo.
Segundo Zdanowicz (2002) o fluxo de caixa extra-operacional resulta dos ingressos e desembolsos de itens que não sejam provenientes da atividade principal da empresa. Portanto, considera-se fluxo de caixa extra-operacional as imobilizações, vendas de itens do ativo permanente, receitas financeiras, aluguéis pagos ou recebidos, amortizações de empréstimos ou financiamentos bancários e prestações recebidas ou pagas inerentes a contratos de leasing.
4.4 ORÇAMENTO DE CAIXA
Na visão de Zdanowicz (2002, p. 244): O orçamento é o instrumento que descreve um plano geral de operações e/ou capital, orientado pelos objetivos e pelas metas traçadas pela cúpula diretiva para um dado período de tempo . Nesses termos, o orçamento empresarial compõe-se pelos orçamentos operacionais e de capital ou investimento.
Considerando a visão de médio a longo prazo, em função das atividades operacionais das empresas, busca-se instrumentos de planejamento e controle financeiro que possibilitem a flexibilidade na análise e projeção para o futuro. Sendo assim, o administrador financeiro vislumbra o orçamento de caixa como uma referência na projeção da situação financeira da empresa, o que facilita o controle e a tomada de decisões inerentes a execução do plano financeiro estabelecido pela organização (ZDANOWICZ, 2002).
A complexidade do plano orçamentário de caixa e seus detalhes variam de acordo com a empresa e sua necessidade, Zdanowicz (2002, p. 244) destaca que (.) as grandes e médias empresas terão a preocupação com todo o sistema orçamentário, enquanto as micro e pequenas empresas, por suas necessidades prementes de disponibilidades, concentrar-se-ão no orçamento de caixa.
Dependendo do porte da empresa o orçamento de caixa pode está estruturado em três estágios principais, sendo estágio estratégico, tático e operacional, em síntese, respectivamente caracterizados por (ZDANOWICZ, 2002, p. 245):
O ESTÁGIO ESTRATÉGICO, incorporado ao planejamento de curto prazo, compreende os objetivos, metas da empresa, bem como os recursos necessários ao para que se alcance o almejado. O objetivo do estágio estratégico é manter um nível de caixa desejado, que possam cobrir os riscos inerentes ao empreendimento estabelecido, ou seja, uma margem de segurança, sendo que as decisões nesse nível afetam o capital de giro da empresa, como a captação de recursos de longo prazo e investimentos em itens do ativo imobilizado.
O ESTÁGIO TÁTICO é etapa de execução do orçamento de caixa, pois preocupa-se realmente com a manutenção do caixa positivo, através da sincronização dos fluxos de ingressos e desembolsos, contratando empréstimos e realizando aplicações de curto prazo.
O ESTÁGIO OPERACIONAL constitui-se na etapa de elaboração dos orçamentos componentes do Plano Geral de Operações (vendas, produção, despesas operacionais, caixa, DRE e Balanço Patrimonial), bem como suas variações, no qual impactam no capital de giro da empresa.
Na compreensão de Zdanowicz (2002) o orçamento de caixa tem por objetivo primordial dimensionar, em determinado instante, se a empresa dispõe de recursos suficientes para suprir as necessidades de caixa. Dessa forma, é possível analisar, antecipadamente, o volume de recursos que deverão ser captados e as melhores condições de mercado, junto a terceiros, caso a empresa não disponha de recursos suficientes no respectivo período.
O orçamento de caixa caracteriza-se pela flexibilidade na aplicação, sendo adaptado conforme as flutuações da economia, em função do controle orçamentário; outra característica é a projeção financeira, que consiste na projeção do nível de caixa desejado para o futuro, tendo por base o caixa presente, a partir da análise da liquidez e do capital de giro da empresa. (ZDANOWICZ, 2002).
5 PLANEJAMENTO E CONTROLE DO FLUXO DE CAIXA
Alguns autores (SILVA, 2008; ZDANOWICZ, 2002) defendem ser menos prejudicial à empresa contabilizar prejuízos, do que apresentar insuficiência de caixa, ou baixa capacidade de geração de caixa, realidade esta mais nítida nas micro e pequenas empresas.
Todavia, para a empresa possuí um nível de caixa satisfatório é importante realizar o planejamento do fluxo de caixa, essa medida irá permitir que o administrador financeiro verifique antecipadamente as necessidades de recursos financeiros, no qual, irão atender os compromissos assumidos pela empresa, conforme os prazos de pagamentos acordados. Outra importante função, atribuída ao planejamento do fluxo de caixa, é evitar que em períodos com menor entrada de receitas, por conseqüência de sazonalidade da atividade ou questão de mercado, sejam programados desembolsos vultosos, sobrecarregando o caixa do período (ZDANOWICZ, 2002).
Assaf Neto e Silva (2002) entendem que o fluxo de caixa sofre influências de todos os setores da empresa, os saldos de caixa podem sofrer alterações significativas decorrentes das medidas adotadas nas operações de compra, produção e venda. O administrador financeiro da empresa pode esclarecer como ocorrem tais influências através da observação do ciclo operacional. Por exemplo, o prazo médio de recebimento de duplicatas não poderá ser maior que prazo médio de pagamento, pois em um dado momento a empresa não terá fundos para saldar os compromissos devido à concessão do prazo maior aos clientes.
Portanto, a utilização dos recursos de caixa devem se enquadrar dentro de planejamento financeiro prévio, com a finalidade de que o caixa gerado tenha o melhor aproveitamento possível. A empresa deve dispor de recursos financeiros suficientes no momento certo, em que precise saldar seus compromissos ou realizar investimentos que julgue necessários. Ponderando essas observações, a empresa deve realizar o planejamento e implantação do fluxo de caixa, estabelecendo medidas prévias de controle para o acompanhamento no decorre do período, sem contudo, comprometer a flexibilidade desse instrumento.
5.1 PLANEJAMENTO DO FLUXO DE CAIXA
Segundo a abordagem de Zdanowicz (2002), para a empresa realizar o planejamento do fluxo de caixa deve-se observar, dentre outros, os seguintes requisitos: o levantamento dos dados econômico-financeiros da empresa, que se constitui da principal premissa para o planejamento do fluxo de caixa; assegurar o nível de caixa desejado a partir das contas do disponível da empresa e da constituição de reservas; fixar limites mínimos de caixa, levando tendo por base a experiência adquirida pela empresa; e garantir que as aplicações de excedentes de caixa no mercado financeiro sejam de maior liquidez possível.
Essas medidas devem ser somadas ao levantamento das informações dos diversos setores e departamentos da empresa, que dentre outras, devem constar: as projeções de vendas, detalhando as prováveis proporções das vendas à vista e a prazo; as estimativas de compra e as condições de pagamento acordadas; o levantamento das contas a receber e das cobranças realizadas; definição da periodicidade do fluxo de caixa, que venha a atender a necessidades da empresa e por último eventuais outros orçamentos do período que se julgue necessário. Para implantação do fluxo de caixa apropriam-se todos os valores apurados nos diversos setores da empresa, segundo o regime de caixa, ou seja, o período que realmente deverá acontecer os ingressos e desembolsos (ZDANOWICZ, 2002).
Na definição de Zdanowicz:
A implantação do fluxo de caixa consiste essencialmente em estruturar as estimativas de cada unidade monetária em dois grandes itens: o planejamento dos ingressos e o planejamento dos desembolsos, que poderão ser subdivididos em fluxo operacional e fluxo extra-operacional (2002, p. 133).
Zdanowicz (2002) propõe um modelo de fluxo de caixa onde os itens apurados podem ser agrupados como fluxo de caixa operacional ou fluxo de caixa extra-operacional, conforme o que já foi abordado por este trabalho. O autor defende que o modelo apresenta a vantagem de ser flexível, além de possibilitar o acompanhamento da posição diária de caixa, permitindo a simulação de várias situações financeira para a empresa.
No modelo proposto por Zdanowicz (2002), apresentam-se três colunas para análise, sendo a primeira com os valores projetados, a segunda com os valores efetivamente realizados e terceira com o cálculo da defasagem entre o projetado e o realizado. Acrescenta-se a recomendação de Zdanowicz (2002) para a empresa detenha o controle individual dos contratos das amortizações de empréstimos e financiamentos, mediante planilha própria, com as projeções dos valores devidos e as respectivas datas de vencimentos.
Na a seguir, demonstra-se o fluxo de caixa segundo o modelo de Zdanowicz (2002):
ITENS
Período de apuração . . .
Projeções para os próximos períodos . . .
(O)
(R)
(D)
.
.
.
Saldo inicial de caixa
OPERACIONAL
INGRESSOS
Vendas à vista
Cobranças simples
Cobranças bancárias
Descontos de duplicatas
Descontos / Cauções
(-) Reembolsos
Outros ingressos operacionais
TOTAL
DESEMBOLSOS
Compras à vista
Fornecedores
Energia elétrica
Telefone
Salários com encargos sociais
Despesas gerais de fabricação
Despesas administrativas
Despesas com vendas
Despesas tributárias
Despesas financeiras
Outros desembolsos operacionais
TOTAL
SALDO OPERACIONAL
EXTRA-OPERACIONAL
INGRESSOS
Vendas de itens do ativo imobilizado
Aluguéis recebidos
Aumentos de capital social
Empréstimos/financiamentos
Receitas financeiras
Outros ingressos estra-operacionais
TOTAL
DESEMBOLSOS
Amortizações
Imobilizações
Aluguéis a pagar
Gratificações a pagar
Outros desembolsos extra-operacionais
TOTAL
SALDO EXTRA-OPERACIONAL
SALDO APURADO
Pagamento de compromissos vencidos
Empréstimos/suprimentos de caixa
Aplicações no mercado financeiro de curto prazo
Pagamentos de empréstimos/suprimentos de caixa
Resgate de aplicações no mercado financeiro
Reserva de caixa
SALDO FINAL DE CAIXA
Fornecedores em atraso
Outros compromissos vencidos
Total de Compromissos Vencidos
P = Projetado; R = Realizado; D = Defasagem
. Modelo de fluxo de caixa.
Fonte: adaptado de Zdanowicz (2002, p. 145 e 166).
O fluxo de caixa, segundo o modelo de Zdanowicz (2002), pode perfeitamente atender as necessidades das micros e pequenas empresas. Assim, observam-se os seguintes itens que compõem o fluxo de caixa:
O saldo inicial de caixa consiste no saldo final de caixa no período anterior de apuração;
Os ingressos operacionais são resultados das vendas à vista, das cobranças em carteira e bancárias, dos descontos de duplicatas e os cauções depois de deduzidos os reembolsos;
Os desembolsos operacionais são decorrentes das compras efetuadas á vista, dos pagamentos de fornecedores e despesas gerais atreladas a atividade principal da empresa;
O saldo operacional é o resultado da diferença entre os ingressos e desembolsos operacionais do mesmo período de apuração;
Os ingressos extra-operacionais representam as entradas de caixa ocorridas que não tem origem na atividade principal da empresa, dessa forma, são apurados neste item os valores com aluguéis recebidos, os empréstimos captados, entradas de capital social, dentre outros;
Os desembolsos extra-operacionais decorrem das saídas de caixa efetuadas no período em virtude de compromissos assumidos pela empresa, no qual não estejam atrelados a sua atividade principal, ou investimentos no imobilizados;
O saldo extra-operacional, de igual modo, resulta na diferença entre os ingressos e desembolsos do caixa extra-operacional no mesmo período de apuração;
O saldo apurado é obtido por meio da adição dos saldos operacionais e extra-operacionais apurados no mesmo período;
Os pagamentos e apurações de compromissos vencidos resultam da preocupação com o controle dos pagamentos em atrasos remanescentes do período anterior, acumulando para o período apurado e subseqüente, em virtude, por exemplo, de uma insuficiência de caixa ou renegociação dos pagamentos;
Os empréstimos são captados para suprir a necessidade de caixa no período, enquanto as amortizações são as devoluções do valor tomado emprestado às instituições financeiras;
As aplicações no mercado financeiro devem ser efetuadas quando existe saldo excedente de caixa, desde que não comprometa a liquidez, assim a empresa poderá efetuar o resgate do valor aplicado, acrescidos dos juros auferidos, caso seja necessário;
Dependendo da política da empresa pode-se manter uma reserva de caixa para as despesas não previstas, podendo ainda o valor está aplicado no mercado financeiro de curtíssimo prazo;
O saldo final de caixa, analisando segundo o fluxo de caixa projetado, consiste no nível desejado de caixa para o período seguinte, observando que será o saldo inicial do período subseqüente.
Zdanowicz (2002) aconselha a utilização de mapas auxiliares na elaboração do fluxo de caixa, sendo os mais utilizados os mapas de recebimentos das vendas a prazo, de recebimentos das vendas a prazo com atraso e dos pagamentos de compras a prazo. A quantidade de mapas para auxílio à elaboração do fluxo de caixa provém das características da empresa, quanto ao seu porte e o tipo de atividade econômica explorada.
5.2 CONTROLE DO FLUXO DE CAIXA
Segundo a análise de Zdanowicz (2002) o controle do fluxo de caixa tem como finalidade principal o controle das atividades financeiras e operacionais da empresa. O autor se refere ao controle das atividades financeiras e operacionais nos seguintes termos:
(.) controlar a atividade financeira, pois a noção de responsabilidade relaciona-se com todas as operações da empresa. O nível de caixa fixado deve fazer frente às necessidades correntes da empresa, sem que haja a preocupação de captar em fontes de longo prazo, que poderá representar alto custo financeiro. Assim, toda vez que a empresa capta grandes somas de empréstimos às pressas, ou apresenta disponibilidades sem uso, evidencia, a princípio, a falta de controle (.) controlar a atividade da empresa, em geral, quando as faltas, antes relacionadas, não são apenas imputáveis às atividades financeiras; deve-se analisar todo sistema operacional da empresa. (ZDANOWICZ, 2002, p. 179)
Em outras palavras, as variações de caixa podem está vinculados as atividades operacionais da empresa, nessas circunstâncias, na função de controle do fluxo de caixa, deve-se analisar os fatores internos ou externos à empresa, em busca de possíveis disfunções e adotar, respectivamente, medidas corretivas cabíveis. Por exemplo, a diminuição dos ingressos de caixa, circunstancialmente, devem estar associados à queda nas vendas, que por conseguinte, sejam ocasionadas pela ineficiência dos vendedores ou sazonalidade do mercado. A manutenção de saldo reserva de caixa consiste numa medida preventiva ao quadro descrito.
Na concepção de Frezatti (1997) o acompanhamento do fluxo de caixa deverá ser realizado diariamente. Visão comungada por Zdanowicz (2002, p. 174) ao referir-se que: O controle diário diminui a margem de erros e permite acompanhar a performance, em tempo de aplicar eventuais medidas corretivas . O controle diário do fluxo de caixa permite o administrador financeiro visualizar, com certa antecedência, erros de projeção ou insuficiência de recursos de caixa, em determinado período, a tempo para que sejam adotadas medidas saneadoras, sem maiores transtornos à empresa.
Acrescenta-se que o controle de caixa pode ser fixado de acordo com período projetado, podendo ser de curto prazo, vislumbrando a diminuição dos encargos financeiros sobre as necessidades de créditos da empresa e do custo oportunidade de fundos ociosos; ou de longo prazo, quando associadas às projeções de custos operacionais e de capital (expansão, modernização, relocalização ou novas instalações) e nas decisões de financiamentos, por meio de linhas de crédito adequadas a longo prazo (ZDANOWICZ, 2002).
6 ANÁLISE DE ALTERNATIVAS DE IVESTIMENTOS POR MEIO DO FLUXO DE CAIXA PROJETADO
As empresas precisam analisar as alternativas de investimentos, conforme o dilema liquidez versus rentabilidade da teoria de finanças. O administrador financeiro deve estabelecer a política de investimentos da organização, mediante a análise de viabilidade econômico-financeiro, por meio da projeção dos futuros ingressos e desembolsos de recursos (GITMAN, 2004; ZDANOWICZ, 2002).
Zdanowicz (2002, p. 290) instrui que (.) o fluxo de caixa projetado será útil como instrumento de análise e tomada de decisão entre alternativas de investimento que o administrador financeiro pretende realizar.
Para as empresas, existem diversas formas de subsidiar um investimento, dentre as mais comuns, cita-se os empréstimos, os financiamentos de instituições de crédito e o arrendamento mercantil. Os modelos matemáticos aplicados ao fluxo de caixa projetado permitem ao administrador financeiro decidir a melhor alternativa de investimento para empresa (ZDANOWICZ, 2002).
As alternativas de investimentos poderão ser estudadas, utilizando-se do fluxo de caixa, através de vários métodos de análise, não aprofundado neste trabalho por fugir a delimitação do tema proposto e em virtude da complexidade de conceitos a serem abordadas. Dentre os mais usualmente utilizados, destacam-se (ZDANOWICZ, 2002, p. 299):
Método do valor presente líquido irá calcular o valor atual do fluxo da alternativa de investimento, através do uso de uma taxa mínima de atratividade, no qual, o administrador financeiro julgue satisfatório;
Método da taxa interna de retorno do investimento pode ser realizado pela taxa de juros que irá tornar equivalente ao fluxo de caixa gerado pelo investimento inicial;
Pay Back do projeto evidencia o prazo de recuperação do capital investido.
7 METODOLOGIA
Na metodologia procurou-se observar a coerência e a coesão com o problema proposto, com o objetivo geral e os objetivos específicos, bem como com a fundamentação teórica, estabelecendo o nexo teoria e prática. Ressalta-se a importância de descaracterizar as empresas submetidas ao estudo de caso, com o objetivo de resguardar o sigilo dos dados apurados e citados neste trabalho. Com o objetivo de solucionar a questão/problema deste estudo a pesquisa apresenta-se da seguinte forma:
(a)Quanto aos fins: pesquisa exploratória / descritiva. Para Vergara (2007, p. 47) a pesquisa exploratória é realizada em área na qual a pouco conhecimento acumu
Bom material, agregou bastante.
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A Importância da Gestão do Fluxo de Caixa nas Micro e Pequenas Empresas
A Importância da Gestão do Fluxo de Caixa nas Micro e Pequenas Empresas
Balanced Scorecard é uma metodologia de medição e gestão de desempenho desenvolvida pelos professores da Harvard Business School, Robert Kaplan e David Norton, em 1992. Os métodos usados na gestão do negócio, dos serviços e da infra-estrutura, baseiam-se normalmente em metodologias consagradas que podem utilizar a TI (tecnologia da informação) e os softwares de ERP como soluções de apoio, relacionando-a à gerência de serviços e garantia de resultados do negócio. Os passos dessas metodologias incluem: definição da estratégia empresarial, gerência do negócio, gerência de serviços e gestão da qualidade; passos estes implementados através de indicadores de desempenho. O BSC (Balanced Scorecard) foi apresentado inicialmente como um modelo de avaliação e performance empresarial, porém, a aplicação em empresas proporcionou seu desenvolvimento para uma metodologia de gestão estratégica. Os requisitos para definição desses indicadores tratam dos processos de um modelo da administração de serviços e busca da maximização dos resultados baseados em quatro perspectivas que refletem a visão e estratégia empresarial: financeira; clientes; processos internos; aprendizado e crescimento. É um projeto lógico de um sistema de gestão genérico para organizações, onde o administrador de empresas deve definir e implementar (através de um Sistema de informação de gestão, por exemplo) variáveis de controle, metas e interpretações para que a organização apresente desempenho positivo e crescimento ao longo do tempo. BSC (Balanced Scorecard) é uma sigla que pode ser traduzida para Indicadores Balanceados de Desempenho, ou ainda para Campos (1998), Cenário Balanceado. O termo ?Indicadores Balanceados? se dá ao fato da escolha dos indicadores de uma organização não se restringirem unicamente no foco econômico-financeiro, as organizações também se utilizam de indicadores focados em ativos intangíveis como: desempenho de mercado junto a clientes, desempenhos dos processos internos e pessoas, inovação e tecnologia. Isto porque a somatória destes fatores alavancará o desempenho desejado pelas organizações, conseqüentemente criando valor futuro. Segundo Kaplan e Norton (1997, p.25), o Balanced Scorecard reflete o equilíbrio entre objetivos de curto e longo prazo, entre medidas financeiras e não-financeiras, entre indicadores de tendências e ocorrências e, ainda, entre as perspectivas interna e externa de desempenho. Este conjunto abrangente de medidas serve de base para o sistema de medição e gestão estratégica por meio do qual o desempenho organizacional é mensurado de maneira equilibrada sob as quatro perspectivas. Dessa forma contribui para que as empresas acompanhem o desempenho financeiro, monitorando, ao mesmo tempo, o progresso na construção de capacidades e na aquisição dos ativos intangíveis necessários para o crescimento futuro. Portanto, a partir de uma visão balanceada e integrada de uma organização, o BSC permite descrever a estratégia de forma muito clara, por intermédio de quatro perspectivas: financeira; clientes; processos internos; aprendizado e crescimento. Sendo que todos se interligam entre si, formando uma relação de causa e efeito. Desde que foi criado, o BSC vem sendo utilizado por centenas de organizações do setor privado, público e em ONG?s no mundo inteiro e foi escolhido pela renomada revista Harvard Business Review como uma das práticas de gestão mais importantes e revolucionárias dos últimos 75 anos.
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A resenha tem como base as principais inovações trazidas pela Lei da falência e recuperação de empresa do advogado Pinheiro Neto, na edição especial.
Toda organização opera como um sistema, ou seja, um conjunto de processos inter-relacionados que interagem para o alcance de determinados fins. Eles são executados continuamente pelas pessoas integrantes da sua força de trabalho. Os produtos, que são bens ou serviços provenientes de um processo, constituem a entrada para outro ou para outros processos até sua chegada ao consumidor para o uso. A figura 1 ilustra o inter-relacionamento dos diversos processos da organização formando um sistema e mostra o posicionamento das diversas partes interessadas: ? fornecedores, ? clientes internos e externos, ? colaboradores, ? acionistas e ? sociedade: Fig. 1 ? Inter-relacionamento dos processos e posicionamento das Partes Interessadas. O Critério Processos no Modelo ?Rumo à Excelência? aborda a forma como a organização identifica os requisitos para projetar, e como gerencia e melhora seus processos principais, de apoio, de relacionamento com os fornecedores e os processos econômico-financeiros. Considera como os processos são organizados para assegurar o atendimento das necessidades e expectativas dos clientes e demais partes interessadas. Todo processo deve,
1° modulo do curso de APF do Sebrae
apostila do primeiro módulo do Curso de Análise e Planejamento Financeiro do Sebrae.