I Congresso Internacional de Bioenergia, 2004, Campo Grande-MS.
An lise da qualidade energ tica de res duos madeir veis ao longo de seis meses de armazenamento
Analysis of energetic quality of wood residues on a six-month storage Martha Andreia Brand1 Graciela In s Bolzon de Mu iz2 Matheus Amorin3 Jos Valdeci da Costa1 Eduardo Bittencourt1
Em 2001 come aram a ser feitos estudos da quantifica o e qualifica o dos res duos gerados nas ind strias do setor madeireiro, na regi o de Lages. Em um raio de 120 km, existiam 283 empresas de transforma o prim ria, secund ria e terce ria, excetuando as f bricas de celulose e papel. O volume de res duos gerados foi 26376,13 toneladas/m s, correspondendo a 33,57% da popula o amostrada. Assim, pode-se afirmar que a quantidade gerada muito maior (BRAND et al, 2001). Este estudo subsidiou a instala o de uma cogeradora em Lages, que entrou em opera o a partir do in cio do ano de 2004. Assim, surgiu a necessidade de analisar a qualidade de res duos armazenados na forma de toretes ou original de produ o na ind stria. Res duos da florestas e ind stria foram armazenados durante seis meses, analisando-se ap s sua chegada e a cada dois meses o teor de umidade e poder calor fico. Constatouse que o teor de umidade dos res duos variou de 29,5 a 67,3% na base verde, quando rec m chegados no p tio. Os res duos com melhor desempenho foram as costaneiras de Pinus e madeira de Eucalyptus. A posi o do material na pilha, sua compacta o, densidade e granulometria influenciam no comportamento do res duos ao longo do armazenamento. O poder calor fico l quido dos res duos rec m produzidos variou de
Professor da Universidade do Planalto Catarinense. Av. Castelo Branco, 170, Lages, Santa Catarina. E-mail: martha@uniplac.net; valdeci@uniplac.net; eduardo@uniplac.net 2 Professor do Departamento de Engenharia e Tecnologia Florestais da Universidade Federal do Paran . Rua Loth rio Meissner, 3400, Jardim Bot nico, Curitiba, Paran . E-mail: gbmunize@floresta.ufpr.br 3 Gerente de Projetos da Empresa Tractebel Energia. Rua Ant nio Dib Mussi, 366, Centro - Florian polis SC. E-mail: matheus@tractebelenergia.com.br
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1500 a 2500 Kcal/Kg e os res duos com melhor desempenho no armazenamento foram casca de eucalipto, eucalipto sem casca e costaneira. O tempo de armazenamento mais adequado foi dois a quatro meses para o teor de umidade e poder calor fico. Palavras chave: res duos florestais, res duos industriais, teor de umidade, poder calor fico.
In 2001 studies about quantification and qualification of residues from wood industries of Lages Region were started. In a 120 km area, there were 283 primary, sencondary and terciary transformation companies, not including the pulp and paper industries. The residue volume was 26376,13 ton/month, which corresponds to 33.57% of the determined population. Thus, it can be afirmed that the quantity produced is much bigger (BRAND et al, 2001). Because of this study an energy cogenerator was installed in Lages, beginning its activities in 2004. This way, it was important to analise the quality of residues stored as shortwood or in the original form of production at the industry. Forest and wood waste were stored for six months, and the moisture content and calorific power were analized after the residues arrival and after each two months. The moisture content varied from 29.5 to 67.3% on green basis, when recently arrived to the storage yard. The residues with best results were the Pinus side boards and the Eucalyptus wood. The material position on the pile, its compaction, density and granulometry influenced on the residues behavior during the storage. The net calorific power of the residues recently produced varied from 1500 to 2500 kcal/kg and the ones with best storage performance were bark of Eucalyptus, Pinus side board and Eucalyptus wood without bark. The best storage period, considering the moisture content and the calorific power, was between two and four months. Key-words: forest residues, wood waste, moisture content, calorific power.
1 INTRODU O Segundo BRAND et al. (2001), na regi o dos campos de Lages, em um raio de 120 km, via transporte rodovi rio desta cidade, existem 283 empresas de transforma o prim ria (serrarias e laminadoras), transforma o secund ria (f bricas
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de pain is de madeira, f sforos, elementos de constru o civil, etc), e transforma o terce ria (f bricas de m veis, artefatos de madeira, etc), excetuando as f bricas de celulose e papel. O munic pio com maior n mero de empresas Lages com 56% das empresas cadastradas na regi o, seguido dos munic pios de Bom Retiro, Curitibanos e S o Joaquim. De maneira geral, o volume total de res duos gerados nas ind strias pesquisadas de 26376,13 toneladas/m s, sendo que deste volume 20789,32 toneladas/m s s o vendidas para alguma finalidade, restando portanto uma m dia de 5586,81 toneladas/m s. Vale lembrar por m, que este montante de res duos gerados corresponde a 33,57% da popula o amostrada (283 empresas cadastradas). Lages, al m de ser o maior polo gerador de res duos tamb m o munic pio que tem maior disponibilidade dos mesmos. Curitibanos, que o segundo maior polo produtor vende mais de 80%, Bom Retiro vende praticamente 100% do que produz e S o Cristov o do Sul em torno de 80%. Os res duos gerados em maior quantidade s o a serragem verde, cavacos com e sem casca, maravalha seca, costaneira e refilo verde. Destes por m, o res duo que se encontra normalmente dispon vel para comercializa o a serragem verde. Este res duo tem alto teor de umidade, utiliza o limitada para fins mais nobres que a queima e apresenta problemas em queimadores que n o forem adaptados para o uso deste material. Outros materiais que podem ser encontrados dispon veis s o as costaneiras, refilos verdes, cavacos com casca e material proveniente de tratos silviculturais como podas e desbastes. Destes, os dois primeiros tem dimens es maiores e quando vendidos s o normalmente picados para a queima. O cavaco com casca oriundo dos res duos anteriormente citados, por m se a empresa j possui o picador, este usado para produzir material para sua pr pria caldeira ou para a venda. Com rela o ao material proveniente de podas e desbastas, estes se encontram normalmente na forma de toretes e s o vendidos assim para serrarias de pequeno porte ou outras finalidades, ou deixados na floresta para reencorpora o da mat ria org nica.
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Quando a empresa produz cavacos descascados este j tem destino certo, a produ o de celulose e papel, sendo que a maioria das empresas n o possui descascadores de toras instalados. O res duo denominado maravalha seca o mais nobre dos res duos gerados em maior quantidade na regi o. Este tamb m, normalmente vendido para produtores de aves, su nos e bovinos para a confec o de camas de avi rio ou est bulos. Os res duos gerados em menor quantidade est o normalmente dispon veis nas ind strias e muitas vezes se constituem em problemas ambientais devido ao armazenamento inadequado. Outro fator importante na an lise da quantifica o e disponibiliza o dos res duos a exist ncia de um mercado consumidor dos mesmos e os pre os m dios pagos por eles. O pre o do res duo influenciado grandemente pela sua utiliza o. Assim, pode-se perceber que a maravalha seca e o cavaco descascado que tem os maiores valores de mercado s o os que tem a utiliza o mais nobre, que s o cama de avi rio e celulose e papel, respectivamente. O esquadrejamento de painel tamb m tem um valor alto por ser um material seco, pass vel de utiliza o em pequenos objetos e para gera o de energia, com ganhos no poder calor fico. O cavaco com casca acompanha os anteriores por j ter um mercado estabelecido, o da gera o de energia. A serragem verde, por sua vez, apesar de existir em maior volume de disponibiliza o tem um valor baixo por apresentar inconvenientes na queima, devido a sua pequena granulometria. Assim, a regi o de Lages uma regi o com grande potencial gerador de res duos, que n o s o utilizados nos locais onde s o gerados, causando problemas ambientais s rios como polui o e assoreamento dos rios, polui o do ar pela queima a c u aberto e uso de locais na ind stria que poderiam ser melhor utilizados no processo produtivo. Aliado a esta informa o, a atual crise energ tica est levando os rg os p blicos e privados a investir em fontes energ ticas alternativas, preferencialmente renov veis e ambientalmente menos agressivas, o que leva a utiliza o de res duos de madeira, principalmente em processos de cogera o, onde o ganho energ tico
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aumentado devido produ o de duas formas de energia, a energia t rmica (vapor) e el trica. Al m disso, a partir do ano de 2004, entrou em opera o uma cogeradora em Lages que est utilizando res duos madeir veis para a gera o de energia el trica e vapor e como demonstrado, o potencial gerador de res duos muito grande e n o deve ser menosprezado. Assim, apesar destes resultados preliminares outros estudos precisavam ser feitos para determinar a qualidade dos res duos gerados na regi o. Portanto, este trabalho teve o objetivo de qualificar v rios tipos de res duos oriundos da floresta e ind stria, com rela o ao teor de umidade e poder calor fico, ao longo de seis meses de armazenamento.
2 REVIS O DE LITERATURA Segundo a REVISTA REFER NCIA (2003b) algumas defini es para a palavra res duos n o carregavam um significado positivo at pouco tempo. Segundo alguns ambientalistas, res duo pode ser definido com qualquer sobra ap s uma a o ou processo produtivo. Esses materiais passam a ser descartados e acumulados no meio ambiente, causando n o somente problemas de polui o, como caracterizando um desperd cio da mat ria-prima originalmente utilizada. Mas empres rios brasileiros que utilizam este material para movimentar a economia e gerar empregos, est o mudando esta defini o. Antigamente, o local preferido para montar uma serraria era ao lado de um rio. Isto, porque os res duos do processamento das toras e t buas eram atirados na gua, gerando polui o e matando boa parte da vida aqu tica. Atualmente este tipo de pr tica considerada puro desperd cio. Os propriet rios das empresas preferem utilizar o "lixo" de seu trabalho como combust vel (REVISTA REFER NCIA, 2003 (a)). O rendimento propiciado pela sobra, j um dos motivos para o empres rio estar observando com bons olhos o aproveitamento dos res duos de madeira. Segundo DORIVAL ZOTZ, citado por REVISTA REFER NCIA (2003b), esta atividade n o serve somente para diminuir o lixo das madeireiras, mas diminuir o consumo da mat ria-prima e o impacto ambiental.
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Al m disso, nos ltimos anos, tem sido chamada aten o para o uso deste tipo de fonte energ tica como favor vel ambientalmente, pois polu menos que os combust veis f sseis. Sendo que, esta mudan a de vis o do uso da madeira para a gera o de energia t m promovido a cria o de pol ticas setoriais para o incentivo do desenvolvimento de tecnologias mais eficientes para a convers o da biomassa em energia t rmica e el trica (FAO, 1999). Em muitas localidades espalhadas pelo Brasil, a falta de energia el trica a principal preocupa o. Entre os motivos para o problema est a falta de infra-estrutura e de recursos naturais para a gera o de energia. Para evitar que parte da popula o ainda enfrente a dura rotina de recorrer s velas para obter luz, entre in meros transtornos, o governo e ind strias privadas est o elaborando projetos para a cria o de centrais el tricas que funcionem a base de res duo de madeira e restos de vegetais (REVISTA REFER NCIA, 2003 (a)). Por m, o problema de suprimento energ tico n o atinge somente reas remotas do pa s. O apag o ocorrido nos anos de 2001 e 2002 foi um exemplo disso. Este fator fez com que os empres rios e governo despertassem para o uso de outras fontes renov veis de energia, o que est fazendo com que a cogera o de energia esteja em alta nos meios de divulga o do setor madeireiro brasileiro. Revistas do setor, como a Revista da Madeira e Revista Refer ncia, mais importantes atualmente, est o dedicando n meros especiais para este tema. Um exemplo disso, o n mero 24 da Revista Refer ncia, de julho de 2003, que traz uma reportagem mencionando o empreendimento realizado pela TRACTEBEL Energia em Lages. A reportagem cita os benef cios que a implanta o do primeiro projeto de termel trica utilizando biomassa (res duos de madeira), como combust vel trar . Podese ler que o projeto beneficiar cerca de 178 mil resid ncias com a energia el trica produzida, trazendo benef cios para o meio ambiente, j que evita que o subproduto das ind strias madeireiras seja entulhado ou queimado a c u aberto. J existem parcerias entre empres rios e governo para colocar em pr tica o trabalho de gera o de energia alternativa principalmente nas reas que sofrem com a falta de luz, como no norte do Brasil. O munic pio de Ulian polis (PA), por exemplo, chega a ficar 24 horas sem energia. A queima de res duos de madeira tem sido um problema para a
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popula o que sofre com um n mero elevado de doen as respirat rias. Para reverter o quadro, o Cenbio (Centro Nacional de Refer ncia em Biomassa), entidade vinculada ao MCT (Minist rio da Ci ncia e Tecnologia), recomendou a implanta o de um projeto alternativo para gera o de energia a partir de res duos de serrarias. Assim, o que j foi por muitos anos considerado lixo, o res duo de madeira, agora uma grande alternativa na gera o de energia e na diminui o do nus que a falta de usinas el tricas causa a todos os consumidores (REVISTA REFER NCIA, 2003 (a)).
3 MATERIAL E M TODOS O material que foi analisado constituiu-se de: Madeira de Pinus com dimens es de 2,4 m de comprimento m dio ou comprimento vari vel. Madeira de Eucalyptus com comprimento m dio de 2,4 m e com di metros variados. Costaneira de Pinus, proveniente da transforma o de toras em serrarias, com comprimento de 2,0 m, normalmente contendo casca. L minas verdes provenientes de laminadora de Pinus. Madeira atacada por vespa da madeira, com comprimento de 2,40 m e que n o tem utiliza o no processo de celulose e papel ou na transforma o mec nica. Foi realizada 1 coleta de material vindo da floresta e da ind stria, cujo destino foi o armazenamento em p tio. A partir do momento que o material chegou no p tio, foram realizadas 4 coletas de material para an lise. A primeira coleta foi feita no material rec m chegado ao p tio. A segunda coleta no material com um m s de armazenamento, a terceira com quatro meses de armazenamento e a quarta com seis meses de armazenamento. As coletas foram iniciadas em outubro de 2003 e se estenderam at maio de 2004. O volume trazido para o p tio de armazenamento para cada tipo de res duo foi de aproximadamente 10 m3. Todo o material coletado foi disposto em pilhas no p tio cedido pela Battistella Ind stria e Com rcio Ltda., localizada na rea industrial da cidade de Lages, pr xima da planta de cogera o da empresa TRACTEBEL Energia.
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Foram coletadas 2 toras de cada tipo de material na base das pilhas, 2 toras no meio da pilha e 2 toras no topo da pilha, para a verifica o da varia o das propriedades energ ticas em fun o da posi o do material na pilha. Do material que n o se apresentou na forma de toras (l minas e costaneiras) foi coletado um volume equivalente ao das toras. Para facilitar a retirada do material foram utilizados separadores. Todo o material disposto no p tio foi empilhado. A primeira coleta, com exce o da serragem e cavaco para energia, foram s testemunhas, para a avalia o da varia o da qualidade energ tica ao longo do tempo. Assim que o material coletado em campo chegava ao laborat rio, o mesmo era preparado para as an lises. De cada posi o de coleta metade do material era mantido com casca e a outra metade era descascada. O material descascado foi madeira de Pinus de 2,4 m e o Eucalyptus. Todo o material coletado foi passado no picador, para a redu o em cavacos. Mesmo a casca retirada das toras, tamb m foi passada no picador. De todo material obtido no picador, foi feita uma amostragem, sendo recolhido em um saco de lixo, com capacidade para 50 litros, cavacos de cada tipo de material picado (um saco para cada tipo de res duo). Estando o material preparado foram iniciadas as an lises de laborat rio, relacionadas ao teor de umidade e poder calor fico. 3.1 Teor de umidade O teor de umidade foi obtido por diferen a de peso antes e ap s a secagem do material em estufa a 103 2 C, utilizando-se a f rmula: TU Base verde (%) = Peso verde Peso seco x 100 Peso verde 3.2 Poder calor fico O poder calor fico superior foi determinado em calor metro (Norma DIN 51 749). A partir desta informa o foram obtidos os poderes calor ficos inferior e l quido de cada res duo avaliado. O poder calor fico inferior foi obtido atrav s da f rmula: Poder calor fico inferior (PCI) = Poder calor fico superior (PCS) 324
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O poder calor fico l quido foi calculado pela f rmula: Poder calor fico l quido (PCL) = PCI x (100-teor de umidade na base verde (TU))/100)-6*TU.
4 RESULTADOS E DISCUSS O 4.1 Teor de umidade Os resultados relativos ao teor de umidade do material obtidos nas quatro coletas realizadas s o apresentados no Quadro 1.
Quadro 1 Valores de teor de umidade, na base verde, dos res duos ao longo de seis meses de armazenamento. Coleta 2 Coleta 4 Coleta 6 Amostra 1 m s 4 meses 6 meses Rec m coletado armazenamento armazenamento armazenamento 48,98 25,49 14,08 23,12 C 56,23 30,98 15,02 21,83 CE 44,11 49,77 43,49 48,43 CP 52,73 43,72 32,54 28,15 ECC 47,39 43,59 9,55 26,38 ESC 52,30 54,32 31,62 40,04 L 55,80 62,11 25,20 50,19 PCC 60,00 56,37 47,64 50,92 PSC 29,49 38,46 32,84 35,11 PV Legenda: C costaneira; CE casca de eucalipto; CP casca de pinus; ECC eucalipto com casca; ESC eucalipto sem casca; L l mina; PCC pinus com casca; PSC pinus sem casca e PV pinus vespa. Para melhor visualiza o dos resultados, os mesmos ser o apresentados na forma de Figuras. Desta forma, para visualizar a varia o do teor de umidade ao longo de seis meses de armazenamento apresentada a . Coleta 1
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Varia o do teor de umidade ao longo de seis meses de armazenamento para diferentes tipos de res duos 68,00 63,00 58,00 53,00 48,00 43,00 38,00 33,00 28,00 23,00 18,00 13,00 8,00 ECC PCC C ESC PSC CE CP L PV Teor de umidade (%) BV
Tipo de res duo rec m coletado 4 meses de armazenamento 1 m s de armazenamento 6 meses de armazenamento
Varia o do teor de umidade ao longo de seis meses de armazenamento para diferentes tipos de res duos
Analisando-se a pode-se concluir que os materiais armazenados com melhor comportamento durante a armazenagem foram a costaneira, e a casca de eucalipto, seguidos do eucalipto sem casca. Os piores comportamentos foram para os materiais pinus sem casca, pinus atacado por vespa de madeira e casca de pinus. O comportamento destes materiais podem ser explicados. A costaneira perde maior quantidade de umidade por ser um material com menores dimens es, mas maior rea superficial para a perda de umidade. O pinus se mostrou com pior comportamento provavelmente devido a maior susceptibilidade a biodegrada o, o que torna o material mais poroso, aumentado sua permeabilidade. A madeira atacada por vespa da madeira n o tem bom desempenho durante o armazenamento, devido ao aumento da permeabilidade da madeira pelo ataque do inseto e fungos associados, o que permite que a madeira adquiria umidade do ambiente com grande facilidade. Assim o teste demonstrou que a secagem n o diretamente proporcional absor o de umidade, e portanto prefer vel que este tipo de material seja trazido para a ind stria e utilizado sem que ocorra armazenamento. O tempo de armazenamento mais adequado entre um e quatro meses, sendo que o per odo de um m s muito reduzido e o de seis meses muito elevado. Com um m s o material n o perdeu a quantidade de umidade necess ria para o uso em energia e
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com seis meses a madeira j est entrando em processo de degrada o e portanto, tornando-se mais perme vel. Todos os res duos utilizados na an lise chegam ao local de experimento com alto teor de umidade, em m dia 50%, com exce o do pinus atacado por vespa da madeira, com em torno de 30% de umidade. Como foram realizadas coletas em tr s posi es nas pilhas (base, meio e topo), os resultados obtidos podem ser visualizados nas Figuras 2, 3 e 4.
Varia o do teor de umidade na altura da pilha (1 m s de armazenamento) 65,00 60,00 55,00 50,00 45,00 40,00 35,00 30,00 25,00 20,00 15,00 10,00 5,00 C CE CP ECC ESC L PCC PSC PV Tipo de res duo
Teor de umidade (%) BV
Base Meio Topo
- Varia o do teor de umidade na altura da pilha (1 m s de armazenamento)
Atrav s da pode-se concluir que os res duos que apresentam varia o no teor de umidade ao longo da altura da pilha s o a costaneira, casca de pinus, casca de eucalipto, pinus atacado por vespa e l mina. Este comportamento explicado pelos mesmos fatores que explicam a varia o de umidade ao longo do tempo, sendo que aqui se inclu a l mina, que por se constituir em uma pilha compacta ter teor de umidade menor no topo e maior no interior da pilha. Apesar de haver varia o do teor de umidade ao longo da altura, esta varia o pequena, para um m s de armazenamento. Resultados obtidos para dois meses de armazenamento se aproximam mais do comportamento de um m s de armazenamento que de quatro meses. Para um m s de armazenamento percebe-se que existe a tend ncia do teor de umidade na base e meio da pilha serem maiores que no topo.
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Varia o do teor de umidade na altura da pilha (4 meses de armazenamento) 65,00 60,00 55,00 50,00 45,00 40,00 35,00 30,00 25,00 20,00 15,00 10,00 5,00 C CE CP ECC ESC L PCC PSC PV Tipo de res duo
Teor de umidade (%) BV
Base Meio Topo
- Varia o do teor de umidade na altura da pilha (4 meses de armazenamento)
Com quatro meses de armazenamento, percebe-se que os res duos costaneira e casca de eucalipto n o apresentam mais varia o em rela o altura. No caso da costaneira isso devido ao tipo de empilhamento, que permite maior aera o no interior da pilha. O res duo com comportamento mais diferenciado a costaneira, pois a base da pilha fica muito compacta, o que acarreta maior ac mulo no teor de umidade nesta posi o. Os demais res duos n o apresentaram um comportamento padr o, mas tiveram grande varia o no teor de umidade em rela o altura da pilha. Com seis meses de armazenamento, os res duos com melhor comportamento foram a costaneira e eucalipto (casca de eucalipto, eucalipto com casca e sem casca), tento em termos de manuten o de teores de umidade baixos como menor varia o ao longo da altura. Os demais tipos de res duos tiveram varia o consider vel em termos de altura da pilha. De forma geral, pode-se constatar que existe varia o no teor de umidade dentro de uma pilha de madeira ao longo do tempo de armazenamento. Al m disso, quanto mais compacta for a pilha, maior ser a diferen a de teor de umidade entre as posi es.
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Varia o do teor de umidade na altura da pilha (6 meses de armazenamento) 65,00 60,00 55,00 50,00 45,00 40,00 35,00 30,00 25,00 20,00 15,00 10,00 5,00 C CE CP ECC ESC L PCC PSC PV Tipo de res duo
Teor de umidade (%) BV
Base Meio Topo
- Varia o do teor de umidade na altura da pilha (6 meses de armazenamento)
4.2 Poder calor fico Os resultados do poder calor fico superior podem ser visualizados no Quadro 2.
Quadro 2 Poder calor fico superior dos res duos, em fun o do tempo de armazenamento. Tipo de res duo C CE CP ECC ESC L PCC PSC PV Poder calor fico superior (Kcal/Kg) 1 m s de 4 meses de armazenamento armazenamento Rec m chegado 4753 4663 4634 4636 4662 4728 4773 4654 4591 4749 4560 4651 4750 4639 4691 4412 4670 4633 4843 4517 4607 4735 4641 4526 4145 4672 4620
Os res duos que tiveram menores valores de poder calor fico foram a l mina e o pinus atacado por vespa da madeira, quando rec m chegados. Isto devido ao cozimento das toras para a obten o das l minas, o que causa a perda dos extrativos e
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a biodegrada o no caso do pinus atacado por vespa da madeira. Ap s um ou quatro meses de armazenamento a varia o entre os tipos de res duo tornou-se insignificante. De maneira geral, n o houve grande varia o do poder calor fico entre os quatro meses de armazenamento realizado. O nico res duo que apresentou varia o significativa (mais de 300 Kcal/Kg) foi a madeira atacada por vespa, sendo que houve um aumento no poder calor fico superior ao longo do armazenamento. Calculando-se o poder calor fico l quido foram obtidos os resultados apresentados no Quadro 3.
Quadro 3 Poder calor fico l quido (PCL) de res duos armazenados por quatro meses 1 m s de 4 meses de Rec m chegado armazenamento armazenamento Tipo de res duo TU BV PCL TU BV PCL TU BV PCL (%) (Kcal/Kg) (%) (Kcal/Kg) (%) (Kcal/Kg) 25 3618 14 1966 49 3080 C 31 3653 15 1550 56 2808 CE 2222 44 1876 50 2150 43 CP 1776 53 2122 44 2724 33 ECC 2044 47 2172 44 3893 10 ESC 1636 52 1659 54 2757 32 L 1663 56 1216 62 3052 25 PCC 1404 60 1545 56 1914 48 PSC 2517 29 2445 38 2688 33 PV TU BV = teor de umidade na base verde
O poder calor fico superior dos res duos variou de 4100 a 4800 Kcal/Kg, e o poder calor fico l quido de 1500 a 2500 Kcal/Kg para o material rec m produzido, normalmente com alto teor de umidade. Com um m s de armazenamento, o poder calor fico l quido variou de 1200 a 3000 Kcal/Kcal, e com quatro meses de 2100 a 3900 Kcal/Kg, significando que o per odo de armazenamento propiciou um ganho significativo no poder calor fico l quido do material. Como esperado, a medida que o teor de umidade do res duo diminui, seu poder calor fico dispon vel aumenta.
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Como o poder calor fico l quido considera o teor de umidade da madeira, a varia o do poder calor fico dispon vel nos res duos bastante grande, como pode ser visto na .
Varia o do poder calor fico l quido ao longo do armazenamento 4000 3700 Poder calor fico (Kcal/Kg) 3400 3100 2800 2500 2200 1900 1600 1300 1000 C CE CP ECC ESC L PCC PSC PV Tipo de res duo Rec m chegado 1 m s de armazenamento 4 meses de armazenamento
- Varia o do poder calor fico l quido ao longo do tempo de armazenamento
5 CONCLUS ES 5.1 Quanto ao teor de umidade Todos os res duos apresentam teor de umidade alto quando rec m produzidos, com exce o da madeira atacada por vespa da madeira. O teor de umidade dos res duos varia de 29,5 a 67,3% de umidade na base verde, quando rec m chegado no p tio. Ap s um m s de armazenamento o teor de umidade varia de 25,5 a 62,1 % e ap s quatro meses de 9,5 a 47,6% de umidade. A madeira atacada por vespa da madeira ter melhor desempenho energ tico se utilizada logo ap s o abate das rvores, se as mesmas j estiverem mortas em p . Este res duo n o tem bom desempenho no armazenamento devido a biodegrada o pr via do material vivo. Os res duos com melhor desempenho no armazenamento foram as costaneiras e a madeira de eucalipto
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I Congresso Internacional de Bioenergia, 2004, Campo Grande-MS.
Os res duos com maior densidade e menor granulometria (dimens es) apresentam varia o do teor de umidade em fun o da posi o na pilha, diminuindo o teor de umidade da base para o topo. O tipo de empilhamento tamb m influencia na varia o do teor de umidade na altura da pilha, sendo que quanto mais compacta a pilha, maior a varia o do teor de umidade. 5.4 Quanto ao poder calor fico Quando rec m produzido, os res duos com maior poder calor fico l quido foram pinus atacado por vespa da madeira, casca de pinus e eucalipto sem casca. Com um m s de armazenamento, os res duos com maior poder calor fico l quido foram a costaneira, a casca de eucalipto, o pinus vespa. Com quatro meses, o eucalipto sem casca, casca de eucalipto e costaneira. O poder calor fico tem rela o inversamente proporcional ao teor de umidade do res duo, sendo mais importante que o tipo de res duo ou material analisado. De maneira geral, os res duos com melhor desempenho durante o armazenamento foram o eucalipto sem casca, a casca de eucalipto e a costaneira. Os res duos com pior desempenho foram o pinus sem casca e a casca de pinus.
6 REFER NCIAS BIBLIOGR FICAS BRAND, M.A.; SIMIONI, F.J.; ROTTA, D.N.H; ARRUDA, L.G.P. Caracteriza o da produ o e uso dos res duos madeir veis gerados na ind stria de base florestal da regi o serrana catarinense. 2001. Relat rio t cnico. Universidade do Planalto Catarinense, Lages, 2001.23 p. FAO. Contribution of woodfuels to energy sector. State of the world's forests. Editoral Group FAO Information Division. Rome: FAO, 1999. p 37-40. REVISTA REFER NCIA. Res duos de madeira: Parte 2. A "sobra" que vale ouro. Revista Refer ncia, Curitiba, Ano V, n. 25, pg. 28-38, 2003 (a). REVISTA REFER NCIA. Res duos de madeira: Parte 1. A "sobra" que vale ouro. Revista Refer ncia, Curitiba, Ano V, n. 24, 2003 (b). Dispon vel em html://www.revistareferencia@revistareferencia.com.br . Acesso em 16 de set. 2003.
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