APOSTILA APROVAR - UEA

APOSTILA VOLTADA PARA VESTIBULAR

Índice

Caro Estudante,

PALAVRA DA REITORA

É com imenso prazer que me reporto a você, neste início de mais uma edição do nosso Aprovar, pré-vestibular gratuito oferecido pelo Governo do Estado por meio da UEA, um projeto formatado para oportunizar aos concluintes do Ensino Médio e aos que já o concluíram a chance da tão sonhada vaga no ensino superior. A exemplo do que vem ocorrendo com a própria universidade, que se consolidada como uma política pública de educação superior e de apoio ao desenvolvimento do Estado, também o Aprovar se configura como importante instrumento de inclusão social na medida em que amplia seu público-alvo com iniciativas como o Aprovar na Empresa e se volta para as próprias demandas internas, contemplando a formação de turmas no âmbito dos órgãos governamentais. Dessa forma, ao adequar-se ao calendário escolar das redes pública e privada, outra nova característica do projeto, o Aprovar permite a participação de seus alunos em outros concursos, quer seja de universidades públicas ou privadas, quer seja de outras instituições. A modernização e a adequação do projeto vão ao encontro de uma nova realidade que se apresenta aos jovens diante da dinâmica do mercado de trabalho e, ainda, ao esforço da UEA em atender às demandas impulsionadas pelas vocações regionais. Uma moderna plataforma tecnológica, aliada a ferramentas pedagógicas poderosas, como a Internet, faz que o Aprovar extrapole as fronteiras do Estado. Dessa forma, o curso já ajudou a concretizar o sonho de mais de 3,5 mil alunos, que ingressaram na UEA depois de estudarem pela tevê, pela rádio ou pelas apostilas distribuídas gratuitamente em toda a rede estadual de ensino e nos Postos de Atendimento ao Cidadão da capital. A qualidade desse projeto pedagógico é assegurada pela experiência e pela competência dos seus professores e pelo empenho dos profissionais que tornam possível transmitir as aulas aos mais longínquos municípios do nosso Amazonas. É essa equipe valorosa que vai acompanhá-lo nos próximos meses rumo ao vestibular, rumo ao seu futuro. Assista às aulas, acompanhe pela rádio e não deixe de buscar sua apostila numa escola ou unidade do PAC mais próxima de você. Acrescente a essa fórmula vitoriosa do Aprovar dois ingredientes, estes sob sua responsabilidade: disciplina e perseverança. Boa sorte! Marilene Corrêa da Silva Freitas

Reitora da UEA

PORTUGUÊS

Acentuação Gráfica . Pág. 03

(aula 01)

LITERATURA

Parnasianismo . Pág. 05

(aula 02)

HISTÓRIA

Renascimento cultural e cientifico. Pág. 07

(aula 03)

HISTÓRIA

Economia colonial (Sec. XVI XVIII) . Pág. 09

(aula 04)

GEOGRAFIA

Meio ambiente da Amazônia. Pág. 11

(aula 05)

GEOGRAFIA

Hidrografia . Pág. 13

(aula 06)

BIOLOGIA

Classificação vegetal . Pág. 15

(aula 07)

BIOLOGIA

Citologia . Pág. 17

(aula 08)

QUÍMICA

Agua . Pág. 19

(aula 09)

FÍSICA

Eletrostática Força elétrica e campo eletrico . Pág. 21

(aula 10)

Programação Aprovar 2009 . Pág. 23 Referências bibliográficas . Pág. 24

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Português

Professor João BATISTA Gomes

Aula 01

Texto

CANÇÃO

Cecília Meireles Pus o meu sonho num navio e o navio em cima do mar; depois abri o mar com as mãos para o meu sonho naufragar. Minhas mãos ainda estão molhadas do azul das ondas entreabertas, e a cor que escorre dos meus dedos colore as areias desertas. O vento vem vindo de longe, a noite se curva de frio, debaixo da água vai morrendo meu sonho, dentro de um navio. Chorarei quanto for preciso, para fazer com que o mar cresça, e o meu navio chegue ao fundo e o meu sonho desapareça. Depois, tudo estará perfeito: praia lisa, águas ordenadas, meus olhos secos como pedras e as minhas duas mãos quebradas.

COMENTÁRIO: Vamos rever a definição das figuras de linguagem listadas: a) hipérbato: inversão da ordem natural das palavras numa frase ou das orações num período. Na literatura, o Barroco (movimento a que pertence Gregório de Matos) é famoso pelo uso abusivo dessa figura de linguagem. b) hipérbole: exagero ao expressar ideias. c) antítese: oposição de palavras ou de ideias. Mais uma figura comum na estética barroca. d) metonímia: consiste em empregar uma palavra ou expressão para substituir outra palavra ou expressão, numa relação de troca (substituto e substituído). Função da metonímia uma das funções da metonímia é encurtar um enunciado longo. Na prática, ela economiza palavras e torna a comunicação mais direta. No poema, Cecília Meireles troca a água pela cor da água : Minhas mãos ainda estão molhadas do azul das ondas entreabertas . Nos dois últimos versos, também se nota metonímia. Note que a autora troca novamente a água pela cor da água : E a cor que escorre dos meus dedos colore as areias desertas . e) metáfora: consiste em empregar uma palavra fora do seu sentido normal, estabelecendo uma comparação sutil entre duas coisas nem sempre afins. A frase não possui conjunções adverbiais comparativas (como, mais que, menos que, qual, etc), mas os seus elementos básicos (o termo comparado e a expressão comparante) permitem uma comparação disfarçada.

04. Observe o primeiro verso da estrofe seguinte; note que a autora escolhe palavras que se iniciam pela letra v : vento , vem , vindo . A essa sequência de sons consonantais dá-se o nome de:

O vento vem vindo de longe, a noite se curva de frio, debaixo da água vai morrendo meu sonho, dentro de um navio. a) sinestesia; d) metáfora; b) catacrese; e) antítese. c) aliteração;

Perscrutando o texto

01. Para a poetisa, o mar a que se refere simboliza:

a) b) c) d) e) Inquietação psíquica provocada pelo mundo moderno. Total desapego às coisas espirituais. Toda a sua carga sentimental, sua essência, sua alma enfim. O equivalente à terra onde vive e de onde não quer sair. O lugar para onde iria, caso pudesse viajar.

RESPOSTA: C COMENTÁRIO: A aliteração consiste em repetir, em sequência, sons consonantais. Um dos poemas mais conhecidos pela presença de aliteração é Violões que choram, do poeta simbolista Cruz e Sousa. Veja uma estrofe do poema:

Vozes veladas, veludosas vozes, volúpias dos violões, vozes veladas, vagam nos velhos vórtices velozes dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas.

RESPOSTA: C COMENTÁRIO: Para a poetisa, o mar simboliza o céu. Ela confia seus sentimentos mais íntimos, a essência do seu ser, seu próprio espírito ao mar. Sobressai, nesse poema, a ligação do eu poético com a água.

05. Observe o segundo verso da estrofe seguinte; que figura de linguagem ele contém?

O vento vem vindo de longe, a noite se curva de frio, debaixo da água vai morrendo meu sonho, dentro de um navio. a) sinestesia; d) metáfora; b) catacrese; e) prosopopeia. c) aliteração;

02. Na primeira estrofe, temos:

a) A poetisa renunciando a tudo que se entende por material e prendendo-se exclusivamente ao mundo espiritual que, para ela, é o mar. b) Fuga do mundo dos vivos e mergulho no mundo da morte como solução para os problemas materiais. c) Descrença nas condições de vida delineadas na terra e mergulho definitivo na eternidade. d) Abnegação do mundo infantil e entrada completa no mundo dos adultos, que simboliza realidade. e) Renúncia ao amor dos homens e incursão na vida celibatária. RESPOSTA: A COMENTÁRIO: A maioria dos seres humanos confia seus anseios espirituais ao céu herança religiosa arraigada principalmente no mundo ocidental. A poetisa troca o céu pelo mar, numa atitude que sugere retorno às origens da vida.

RESPOSTA: E COMENTÁRIO: A prosopopeia consiste em dar vida, ação, movimento e voz a coisas inanimadas. Sinônimos: personificação, metagoge, animismo.

06. Observe a estrofe seguinte; note que a autora começa o terceiro e o quarto versos repetindo as palavras iniciais. Trata-se da figura:

Chorarei quanto for preciso, para fazer com que o mar cresça, e o meu navio chegue ao fundo e o meu sonho desapareça. a) anáfora; d) metáfora; b) catacrese; e) prosopopeia. c) aliteração;

03. Na estrofe seguinte, sobressai qual figura de linguagem?

Minhas mãos ainda estão molhadas do azul das ondas entreabertas, e a cor que escorre dos meus dedos colore as areias desertas. a) hipérbato; d) metonímia; RESPOSTA: D b) hipérbole; e) metáfora. c) antítese;

RESPOSTA: A COMENTÁRIO: A anáfora consiste na repetição de uma ou mais palavras no princípio de duas ou mais frases, de membros da mesma frase, ou de dois ou mais versos. Sinônimo: epanáfora.

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5. éu(s): céu, céus; léu (ao léu); véu, véus.

Acentuação gráfica

1. Para que serve

A língua escrita necessita, na prática, de certos sinais auxiliares para indicar a exata pronúncia das palavras. Esses sinais acessórios da escrita chamam-se notações léxicas ou sinais diacríticos. Para o caso particular de acentuação gráfica, vamos dar valor especial ao acento (agudo e circunflexo).

6. ói(s): bói, bóis; dóis, dói (de doer); móis, mói (de moer); róis, rói (de roer); rói-rói (rói-róis).

4. Acentuação das oxítonas

Oxítona (definição) Palavra cuja sílaba tônica é a última. Quanto à acentuação gráfica, vejam-se os verbetes seguintes. Oxítonas acentuadas Levam acento gráfico todos os vocábulos oxítonos terminados em: a) a, as: Sofá, sofás; cajá, cajás; ananás. Amá-la, cortejá-la, beijá-la, apresentá-la. Amá-la-ás, cortejá-la-ei, beijá-la-ás. b) e, es: Você, vocês; café, cafés; aloés. Socorrê-la, prendê-lo, entendê-la. Socorrê-la-ás, prendê-lo-á, entendê-la-á. c) o, os: Avô, avós; cipó, cipós; mocotó, mocotós. Repô-lo, transpô-lo, propô-la. Repô-la-ás, transpô-lo-emos, propô-lo-ei. d) em, ens: Armazém, armazéns; também, amém. Detém, contém, retém, intervém. Detém-no, detém-lo, retém-no, retém-lo. Oxítonas em i e u sem acento a) Oxítonas terminadas em u É quase mania nacional acentuar oxítonas terminadas em u. Nos vocábulos seguintes, o acento gráfico é proibido. angu anu babaçu belzebu baiacu bambu beiju buçu calundu candiru canguçu caracu Caramuru chuchu cru cupu cupuaçu cururu exu hindu iglu Iguaçu aracu Itaipu Itu jaburu jacu jambu jururu jus Manacapuru mandacaru menu meru nu Pacaembu pacu pacuguaçu pacuçu Paraguaçu peru pirarucu rebu surucucu sururu tatu tutu umbu uru Uruaçu urubu urucu uruçu uirapuru vodu vuvu xampu xuru zebu zulu

2. Sinais diacríticos

a) b) c) d) e) f) g) Acento agudo (saúdo). Acento circunflexo (lêvedo). Acento grave (àquele). Til (maçã). Apóstrofo (Vozes d África). cedilha (exceção). hífen (sub-reitor).

Atenção: o trema desapareceu com a Reforma Ortográfica de 2009.

3. Tipos de acento

A nossa língua dispõe de apenas três acentos gráficos: a) Acento agudo ( ) Indica que a vogal tônica possui timbre aberto: relé harém beijá-la amá-la-ás sapé aloés ádvena beijá-la-ás refém amá-la ágape álcali

b) Acento circunflexo ( ) Indica que a vogal tônica possui timbre fechado: âmago têxtil boêmia plêiade azêmola anêmona Tâmisa brâmane zênite êxodo êxul trânsfuga

c) Acento grave ( ) Usado, hoje, apenas para indicar o fenômeno da crase, cujas ocorrências mais comuns são: 1. Fusão de a (preposição) + a(s) (artigo): Fui à festa. Chegamos à noite. Fizemos referência às obras românticas. 2. Fusão do a (preposição) + o primeiro a dos demonstrativos aquele(s), aquela(s), aquilo, aqueloutro: Refiro-me àquele rapaz. Endereçamos a carta àquela moça. Prefiro isto àquilo. 3. Fusão de a (preposição) + a (pronome demonstrativo). Não me refiro a você e sim à que estava doente. Esta camisa é semelhante à que ganhei no aniversário passado. d) Aspecto prático Na prática, existem apenas dois acentos gráficos: o agudo e o circunflexo. Outro detalhe: só existe acento gráfico em sílaba tônica (sobre a vogal), mas nem toda sílaba tônica merece acento gráfico.

4. Acentuação dos monossílabos tônicos

Definição Palavra formada de uma só sílaba. Monossílabos acentuados Levam acento gráfico todos os monossílabos tônicos terminados em: 1. a, as: má, más; pá, pás; trás. fá-lo, trá-lo. 2. e, es: fé, fés; pé, pés; ré, rés. pê, pês; tê, tês. fê-lo, tê-lo, vê-la, vê-lo. 3. o, os: dó, dós; nó, nós; pó, pós; vó, vós. pô (interjeição); vô. pô-lo. 4. éis: féis (plural de fel); méis (plural de mel); réis (plural de real).

b) Oxítonas terminadas em i Veja a relação de palavras em que o acento gráfico é proibido. haiti halali haraquiri igaci jaraqui javali Jeni juriti jurupari Kali macis macuxi mandi mapinguari maqui mari Marli nasci pequi quati rali rami rani rubi Saci sagui sapoti somali tambaqui tapiri xixi xiri agredi-la ali aqui bagdali bem-te-vi caqui Darci Derci esqui feri-la frenesi gari gris guri Gurupi zumbi

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Literatura

Professor João BATISTA Gomes

Aula 02

b) CONCEPTISMO É o aspecto construtivo do Barroco, voltado para o jogo das ideias e dos conceitos. É a preocupação com as associações inesperadas, seguindo um raciocínio lógico, racionalista. O principal conceptista do barroco mundial é o espanhol Francisco de Quevedo. No Brasil, padre Antônio Vieira. c) TEOCENTRISMO x ANTROPOCENTRISMO O rebuscamento da arte barroca é reflexo do dilema em que vive o homem do seiscentismo (os anos de 1600). Daí as preferências por temas opostos: espírito e matéria, perdão e pecado, bem e mal, céu e inferno. Tudo isso gera a preocupação com a brevidade da vida (carpe diem).

BARROCO (1601 1768)

1. INTRODUÇÃO

a) Duração no Brasil: 1601 a 1768 (todo o século XVII e mais da metade do século XVIII). b) Obra inauguradora: Prosopopeia, poema épico de Bento Teixeira. c) Outros nomes para o movimento: Seiscentismo: em homenagem aos anos de 1600 no Brasil. Grupo Baiano: no Brasil, o Barroco literário desenvolve-se na Bahia (Salvador). Gongorismo: em homenagem ao poeta espanhol Luiz de Gôngora; é também a denominação do Barroco na Espanha. Marinismo: denominação do Barroco na Itália, pela influência de Giovanni Battista Marino. Efuísmo: denominação do Barroco na Inglaterra. Preciosismo: denominação do Barroco na França. d) Origem: movimento fundado na Espanha para combater a simplicidade do Classicismo; adota, assim, uma arte rebuscada, sobrecarregada de figuras de linguagem.

4. AUTORES DO BARROCO BRASILEIRO

1. BENTO TEIXEIRA Inicia o Barroco no Brasil com o poema épico Prosopopeia (1601). 2. GREGÓRIO DE MATOS É o Boca do Inferno , poeta maior do Barroco brasileiro. 3. PADRE ANTÔNIO VIEIRA É o maior orador sacro de nossa literatura. 4. MANUEL BOTELHO DE OLIVEIRA É o autor de Música do Parnaso (1705), primeira obra publicada por um autor brasileiro.

BENTO TEIXEIRA

Origem e formação Vem jovem de Portugal para o Brasil; forma-se no Colégio da Bahia, tornando-se professor de primeiras letras. Crime Alegando adultério, assassina a esposa (1594); fugindo à prisão, refugia-se em Pernambuco, no convento dos beneditinos, em Olinda. Intenção laudatória A redação de Prosopopeia acontece durante o isolamento no convento. Tudo indica que o motivo não é outro senão o de agradar os poderosos, principalmente Jorge de Albuquerque Coelho, donatário da Capitania de Pernambuco.

2. PAINEL HISTÓRICO-CULTURAL DO BARROCO

a) O Barroco é conhecido como a arte da Contrarreforma. b) A reação da Igreja Católica ao protestantismo luterano e calvinista principia com a convenção do Concílio de Trento, realizado entre 1544 e 1563, na localidade de Trento, norte da Itália. c) A cúpula da Igreja Católica, reunida em Trento, resolve iniciar uma Contrarreforma, que atua por meio de um órgão executivo: a Santa Inquisição, sistema eclesiástico, ideológico-administrativo, de censura, que, por intermédio do Tribunal do Santo Ofício, investiga, leva a julgamento e condena aqueles que não contribuem para a preservação, a defesa e a manutenção da Doutrina Católica. d) Três vítimas famosas da perseguição da Contrarreforma: Galileu Galilei, Giordano Bruno e Copérnico. e) Assim, a época barroca é marcada pela contradição: de um lado, o Humanismo clássico e o Renascimento, com apelos ao racionalismo, ao prazer e ao apego aos bens materiais (é o Antropocentrismo). De outro, o homem é pressionado pela Igreja Católica a um regresso ao Teocentrismo medieval, à renúncia aos prazeres, à mortificação da carne. f) O Barroco literário convive, pois, com valores opostos: fé x razão, alma x corpo, bem x mal, perdão x pecado, espírito x matéria, Deus x homem, virtude x prazer. g) O ensino, em Portugal e no Brasil, é profundamente verbal e religioso, voltado para os dogmas da Igreja Católica. h) A capital do Brasil é Salvador, Bahia. Lá vivem a elite intelectual e política brasileira. i) Na sociedade brasileira dos séculos XVII e XVIII, ainda não há um público leitor para consumir obras literárias. O movimento barroco não pode, pois, espalhar-se pelo Brasil inteiro, de norte a sul. Fica restrito a dois núcleos culturais da época: Pernambuco (onde nasce, com Prosopopeia, poema épico de Bento Teixeira) e Salvador (onde vive o poeta Gregório de Matos).

PROSOPOPEIA

Epopeia Poemeto épico, em 94 estâncias (o mesmo que estrofes) de oitava-rima (as estrofes de oito versos têm os dois últimos rimando entre si), em versos decassílabos (dez sílabas métricas), conforme ensina Camões, em Os Lusíadas. Enredo O livro conta os feitos históricos de Jorge de Albuquerque Coelho, governador de Pernambuco, a quem o autor pretende agradar. Plágio A imitação de Os Lusíadas é frequente, desde a estrutura até as construções sintáticas. Isso tira da obra o valor literário pretendido, ficando a fama histórica de ser o livro inaugurador do Barroco brasileiro. CLASSIFICAÇÕES: a) Primeiro poema épico de nossa literatura. b) Poema laudatório (que contém louvor). PERSONAGENS: a) Proteu (narrador). Na mitologia grega, Proteu é deus marinho, capaz de se transformar em animais, em água e em fogo. b) Jorge de Albuquerque (herói).

GREGÓRIO DE MATOS

Nascimento e morte Gregório de Matos Guerra nasce em Salvador, Bahia, em 7 de abril de 1636. Falece em Pernambuco, em 1696. Viagem a Portugal De família abastada, Gregório estuda com os jesuítas de Salvador. Em 1650, com 14 anos, embarca para Portugal (Lisboa), aonde vai com o propósito de estudar Direito. Juiz em Portugal Matricula-se na Universidade de Coimbra, onde se forma em julho de 1661 e passa a exercer a magistratura. Volta ao Brasil Interrompe a carreira de juiz para voltar ao Brasil (por volta de 1680). Nessa altura, já tem seu talento de repentista e zombeteiro reconhecido. Poesia satírica Apesar de exercer funções religiosas e de ter um irmão padre (Eusébio de Matos), Gregório não perdoa a Igreja Católica baiana: faz sátiras ferinas contra padres e freiras, chegando mesmo a usar palavrões em pleno século XVII, como se pode constatar nas duas estrofes seguintes:

3. CARACTERÍSTICAS DO BARROCO

a) CULTISMO ou GONGORISMO É o jogo de palavras; é o rebuscamento da forma, é a obsessão pela linguagem culta, erudita. Viram moda a inversão da frase (hipérbato) e o uso de palavras difíceis. É o abuso no emprego de três figuras de linguagem: a metáfora, a antítese e o hipérbato. O principal cultista do barroco mundial é o espanhol Luiz de Gôngora. No Brasil, Gregório de Matos.

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E nos frades há manqueiras?. Freiras. E que ocupam os serões?. Sermões. Não se ocupam em disputas?. Putas. Com palavras dissolutas Me concluís, na verdade, Que as lidas todas de um frade São freiras, sermões e putas. Veja o que diz o poeta sobre a Sé da Bahia, órgão central da Igreja Católica no Brasil: A nossa Sé da Bahia, com ser um mapa de festas, é um presepe de bestas, se não for estrebaria. Sátiras políticas Depois de ridicularizar a Igreja Católica, Gregório volta sua pena satírica contra o governador-geral da Bahia, Antônio de Sousa Meneses, que esteve à frente do governo de maio de 1682 a junho de 1684. Nariz de embono Agressão sem igual sofre Antônio Luiz Gonçalves da Câmara Coutinho, governador-geral do Brasil entre outubro de 1690 e maio de 1694; dizem que o ilustre político tem o maior nariz da História do Brasil, e que aceita ser xingado de tudo, menos de narigudo . Contra ele, Gregório dirige a seguinte quadra: Nariz de embono, Com tal sacada, Que entra na escada Duas horas primeiro que o dono. Caramurus: alvos prediletos A verdade é que ninguém escapa à língua ferina do Boca do Inferno: autoridades, comerciantes, padres, freiras, juízes, militares, brancos, pretos, mulatos, índios. Mas há dois alvos prediletos: o relaxamento moral da Bahia e os caramurus (primeiros colonos nascidos no Brasil e que aspiram à condição de fidalgos). O soneto cujo excerto apresentamos a seguir é famoso por tratar de tal questão. A cada canto um grande conselheiro, Que nos quer governar cabana e vinha, Não sabem governar sua cozinha, E podem governar o mundo inteiro. Exílio Tantas apronta o poeta baiano que é exilado do Brasil, para Angola. Dizem que uma das causas do exílio são estes versos que acusam o governador-geral de pederasta e amante dos seus criados: Mandou-vos acaso El-Rei Com as fêmeas não dormir, Senão com vosso criado, Que é bomba dos vossos rins? Poesia lírico-amorosa Gregório produz também poesia lírico-amorosa, considerada a de melhor teor literário. Cultismo A poesia sacra de Gregório de Matos às vezes é simples pretexto para exercício do cultismo. Veja o jogo de palavras na estrofe a seguir. O todo sem parte não é todo, A parte sem o todo não é parte, Mas se a parte o faz todo, sendo parte, Não se diga que é parte, sendo todo. OBRAS DE GREGÓRIO DE MATOS Manuscritos Enquanto vive, os seus poemas circulam de mão em mão, de forma manuscrita, ou oralmente, de boca em boca Obras publicadas As obras de Gregório de Matos somente são publicadas no século XX, entre 1923 e 1933, pela Academia Brasileira de Letras, em seis volumes: I. Sacra (contém todos os poemas religiosos). II. Lírica (contém todos os poemas lírico-amorosos). III. Graciosa (contém poemas que exploram o humor). IV e V. Satírica (contém todos os poemas que exploram a sátira). VI. Última (contém poemas misturados).

Testes

01. Julgue o que se afirma sobre a estética barroca.

a. ( ) O cultismo é um é um requinte formal que consiste em elaborar um intrincado jogo de palavras. No Brasil, Gregório de Matos faz uso desse recurso. ) O conceptismo consiste em um jogo apurado de raciocínio lógico, por meio do qual o escritor barroco tenta mostrar a veracidade de seu ponto de vista. No Brasil, Antônio Vieira faz uso desse recurso. ) O livro que inaugurou o Barroco no Brasil foi Prosopopeia, poema épico de Manuel Botelho de Oliveira publicado em 1601. ) A obra de Gregório de Matos, graças ao empenho da igreja católica, circulou pelas principais ilhas culturais do Brasil Colônia.

b. (

c. ( d. (

RESPOSTAS: a(V) b(V) c(F) d(F) COMENTÁRIO: c) Prosopopeia é poema épico de Bento Teixeira; d) A obra de Gregório de Matos somente foi publicada a partir de 1923, pela Academia Brasileira de Letras.

02. Assinale o item verdadeiro sobre a poesia de Gregório de Matos.

a) Escreveu somente poesias satíricas. b) Satirizou duramente os ricos e os poderosos, mas defendeu os pobres e os oprimidos da sociedade baiana e brasileira. c) Fez poesia satírica, lírico-amorosa e sacra, mas notabilizou-se na poesia satírica. d) Fez poesia satírica, lírico-amorosa e sacra, mas só a poesia satírica possui qualidades literárias. e) Fez poesia satírica, lírico-amorosa e sacra, mas somente a poseia sacra possui qualidades literárias. RESPOSTAS: C

03. Indique a correlação errada.

a) b) c) d) e) Arcadismo: apoia-se nos ideais do Iluminismo. Arcadismo: prega o racionalismo. Arcadismo: prega o anticlassicismo. Barroco: apoia-se na Contrarreforma. Quinhentismo: apoia-se no Classicismo.

RESPOSTAS: C COMENTÁRIO: Por retornar ao Classicismo português, o Arcadismo foi chamado de Neoclassicismo.

04. Tomando por base a estrofe seguinte, assinale a afirmativa errada.

Nasce o Sol e não dura mais que um dia, Depois da Luz se segue a noite escura, Em tristes sombras morre a formosura, Em contínuas tristezas, a alegria.

(Gregório de Matos)

a) b) c) d) e)

A A A A A

estrofe estrofe estrofe estrofe estrofe

contém contém contém contém contém

zeugma. elipse. antítese. anáfora. rima masculina.

RESPOSTAS: E COMENTÁRIO: A rima masculina ocorre entre palavas oxítonas ou monossílabas. A estrofe contém rimas femininas (entre palavras paroxítonas).

05. Identifique a autoria do texto seguinte:

A vós correndo vou, braços sagrados, Nessa cruz sacrossanta descobertos, Que, para receber-me, estais abertos, E, por não castigar-me, estais cravados. a) b) c) d) e) Antônio Vieira Manuel Botelho de Oliveira José de Anchieta Gregório de Matos Bento Teixeira

RESPOSTAS: D

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História

Professor Francisco MELO de Souza

Aula 03

Renascimento cultural e científico

Durante os séculos XV e XVI intensificou-se, na Europa, a produção artística e científica. Esse período ficou conhecido como Renascimento ou Renascença. As conquistas marítimas e o contato mercantil com a Ásia ampliaram o comércio e a diversificação dos produtos de consumo na Europa a partir do século XV. Com o aumento do comércio, principalmente com o Oriente, muitos comerciantes europeus fizeram riquezas e acumularam fortunas. Com isso, eles dispunham de condições financeiras para investir na produção artística de escultores, pintores, músicos, arquitetos, escritores, etc. Os governantes europeus e o clero passaram a dar proteção e ajuda financeira aos artistas e intelectuais da época. Essa ajuda, conhecida como mecenato, tinha por objetivo fazer com que esses mecenas (governantes e burgueses) se tornassem mais populares entre as populações das regiões onde atuavam. Neste período, era muito comum as famílias nobres encomendarem pinturas (retratos) e esculturas junto aos artistas. Foi na Península Itálica que o comércio mais se desenvolveu neste período, dando origem a uma grande quantidade de locais de produção artística. Cidades como, por exemplo, Veneza, Florença e Gênova tiveram um expressivo movimento artístico e intelectual. Por este motivo, a Itália passou a ser conhecida como o berço do Renascimento. Características: a) Valorização da cultura greco-romana. Para os artistas da época renascentista, os gregos e romanos possuíam uma visão completa e humana da natureza, ao contrário dos homens medievais; b) As qualidades mais valorizadas no ser humano passaram a ser a inteligência, o conhecimento e o dom artístico; c) Enquanto na Idade Média a vida do homem devia estar centrada em Deus (teocentrismo ), nos séculos XV e XVI o homem passa a ser o principal personagem (antropocentrismo); d) A razão e a natureza passam a ser valorizadas com grande intensidade. O homem renascentista, principalmente os cientistas, passam a utilizar métodos experimentais e de observação da natureza e universo. Durante os séculos XIV e XV, as cidades italianas como, por exemplo, Gênova, Veneza e Florença, passaram a acumular grandes riquezas provenientes do comércio. Estes ricos comerciantes, conhecidos como mecenas, começaram a investir nas artes, aumentando assim o desenvolvimento artístico e cultural. Por isso, a Itália é conhecida como o berço do Renascentismo. Porém, este movimento cultural não se limitou à Península Itálica. Espalhou-se para outros países europeus como, por exemplo, Inglaterra, Espanha, Portugal, França e Países Baixos. O Renascimento e as fases O Renascimento foi um importante movimento de ordem artística, cultural e científica que se deflagrou na passagem da Idade Média para a Moderna. Em um quadro de sensíveis transformações que não mais correspondiam ao conjunto de valores apregoados pelo pensamento medieval, o renascimento apresentou um novo conjunto de temas e interesses aos meios científicos e culturais de sua época. Ao contrário do que possa parecer, o renascimento não pode ser visto como uma radical ruptura com o mundo medieval. A razão, de acordo com o pensamento da renascença, era uma manifestação do espírito humano que colocava o indivíduo mais próximo de Deus. Ao exercer sua capacidade de questionar o mundo, o homem simplesmente dava vazão a um dom concedido por Deus (neoplatonismo). Outro aspecto fundamental das obras renascentistas era o privilégio dado às ações humanas ou humanismo. Tal característica representava-se na reprodução de situações do cotidiano e na rigorosa reprodução dos traços e formas humanas (naturalismo). Esse aspecto humanista inspirava-se em outro ponto-chave do Renascimento: o elogio às concepções artísticas da Antiguidade Clássica ou Classicismo. Essa valorização das ações humanas abriu um diálogo com a burguesia que floresceu desde a Baixa Idade Média. Suas ações pelo mundo, a circulação por diferentes espaços e seu ímpeto individualista ganharam atenção dos homens que viveram todo esse processo de transformação privilegiado pelo Renascimento. Ainda é interessante ressaltar que muitos burgueses, ao entusiasmarem-se com as temáticas do Renascimento, financiavam muitos artistas e cientistas surgidos entre os séculos XIV e XVI. Além disso, podemos ainda destacar a busca por prazeres (hedonismo) como outro aspecto fundamental que colocava o individualismo da modernidade em voga. A aproximação do Renascimento com a burguesia foi claramente percebida

no interior das grandes cidades comerciais italianas do período. Gênova, Veneza, Milão, Florença e Roma eram grandes centros de comércio onde a intensa circulação de riquezas e ideias promoveram a ascensão de uma notória classe artística italiana. Até mesmo algumas famílias comerciantes da época, como os Médici e os Sforza, realizaram o mecenato, ou seja, o patrocínio às obras e estudos renascentistas. A profissionalização desses renascentistas foi responsável por um conjunto extenso de obras que acabou dividindo o movimento em três períodos: o Trecento, o Quatrocento e Cinquecento. Cada período abrangia respectivamente uma parte do período que vai do século XIV ao XVI. Durante o Trecento, podemos destacar o legado literário de Petrarca ( De África e Odes a Laura ) e Dante Alighieri ( Divina Comédia ), bem como as pinturas de Giotto di Bondoni ( O beijo de Judas , Juízo Final , A lamentação e Lamento ante Cristo Morto ). Já no Quatrocento, com representantes dentro e fora da Itália, o Renascimento contou com a obra artística do italiano Leonardo da Vinci (Mona Lisa) e as críticas ácidas do escritor holandês Erasmo de Roterdã (Elogio à Loucura). Na fase final do Renascimento, o Cinquecento, movimento ganhou grandes proporções dominando várias regiões do continente europeu. Em Portugal podemos destacar a literatura de Gil Vicente (Auto da Barca do Inferno) e Luís de Camões (Os Lusíadas). Na Alemanha, os quadros de Albercht Dürer ( Adão e Eva e Melancolia ) e Hans Holbein ( Cristo morto e A virgem do burgomestre Meyer ). A literatura francesa teve como seu grande representante François Rabelais ( Gargântua e Pantagruel ). No campo científico devemos destacar o rebuliço da teoria heliocêntrica defendida pelos estudiosos Nicolau Copérnico, Galileu Galilei e Giordano Bruno. Tal concepção abalou o monopólio dos saberes desde então controlados pela Igreja. Ao abrir o mundo à intervenção do homem, o Renascimento sugeriu uma mudança da posição a ser ocupada pelo homem no mundo. Ao longo dos séculos posteriores ao Renascimento, os valores por ele empreendidos vigoraram ainda por diversos campos da arte, da cultura e da ciência. Graças a essa preocupação em revelar o mundo, o Renascimento suscitou valores e questões que ainda se fizeram presentes em outros movimentos concebidos ao logo da história ocidental. Nicolau Copérnico Nicolau Copérnico é considerado o pai da Astronomia moderna. Nascido em Thorn, na Polônia, em 19 de fevereiro de 1473, era filho de um próspero comerciante também chamado Nicolau e de Bárbara, irmã do cônego e depois bispo polonês Lucas Wacsenrode. Seu pai morre quando tinha somente 10 anos de idade, e Copérnico vai morar com o tio. Aos 19 anos ingressa na Universidade de Cracóvia, famosa na época pelos currículos de Astronomia, Matemática e Filosofia. Em 1496 se recusa a ser nomeado cônego de Frauemburg, onde seu tio era bispo, e viaja para a Itália, onde ingressa nas Universidades de Bolonha e Ferrara para cursar Direito e Medicina. Costumava trabalhar sozinho, observando o céu a olho nu (a luneta astronômica só seria inventada um século mais tarde). Em 1530, já se dedicando inteiramente a Astronomia, termina sua grande obra, De revolutionibus orbium coelestium (Sobre as revoluções das esferas celestes), onde afirma que a Terra gira em torno de seu próprio eixo uma vez por dia e viaja ao redor do Sol uma vez por ano. Nascia assim o sistema heliocêntrico, uma ideia fantástica para a época. No tempo de Copérnico, papas, imperadores e o povo em geral tinham como certo que a Terra estava absolutamente parada no centro do Universo, e ao nosso redor desfilavam todos os corpos celestes. Também não eram poucos os que acreditavam que a Terra era chata. E desafiar tais crenças poderia ser considerado heresia. Sobre as esferas De revolutionibus orbium coelestium foi publicada somente 30 anos após ser escrita, no ano da morte do próprio Copérnico, que nunca tomou conhecimento da grande controvérsia que havia ajudado a criar. Conta a história que ele faleceu uma hora depois de por as mãos no primeiro exemplar de seu livro, em 24 de maio de 1543. O sistema de Copérnico, embora revolucionário para a época, também sofria sérias imperfeições. Uma delas era supor as órbitas dos planetas rigorosamente circulares. Sem dúvida, seu grande mérito foi a defesa e desenvolvimento do heliocêntrismo durante boa parte da vida. Entre os ferozes opositores estavam tanto os doutores da Igreja Católica quanto ardorosos reformadores protestantes, como Lutero e Calvino. O orgulho humano sofreu um duro golpe com o sistema de Copérnico, e mesmo anos após sua morte, durante o processo de condenação a Galileu em 1616, a Igreja colocou a obra de Copérnico na lista dos escritos proibidos, condição a qual permaneceu até o ano de 1835, ainda que cento e cinquenta anos antes já tivesse sido reconhecida como verdadeira. Pelos dogmas religiosos da época, se Deus havia criado a Terra e o Homem para povoá-la, sendo a criatura imagem do Criador, seríamos portanto

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superior as demais criaturas. O Universo existia apenas para que o contemplássemos. O Filho de Deus estava no centro do cosmos, no centro de todas as coisas. Alicerce do pensamento na verdade nosso planeta se move em torno de uma estrela anã que está na periferia da galáxia uma entre bilhões de outras ilhas de estrelas do cosmos. A Terra surgiu há 4,6 bilhões de anos e nossa espécie começou a evoluir há menos de 2 milhões de anos, tendo sido sendo precedida de muitas outras. A grande sabedoria está em conceber nosso íntimo parentesco com todos os outros seres deste mundo e na humildade de aceitar que Universo vai continuar depois de nós. A obra de Copérnico foi o alicerce no qual se apoiaram outros grandes pensadores da humanidade, como Galileu, Kepler, Newton e mais recentemente Albert Einstein. A REFORMA E A CONTRARREFORMA A Reforma Protestante Foi um movimento religioso, econômico e político de contestação à Igreja Católica, que resultou na fragmentação da unidade cristã e na origem do protestantismo. Motivação alemã No início do século XVI, a Alemanha era a região europeia mais propensa a um rompimento definitivo com a Igreja. Entre os alemães, as motivações econômicas, sociais e políticas que os afastavam da Igreja Católica eram mais fortes do que em qualquer outro povo da Europa. Avidez material da Igreja Expressa-se na venda de indulgências, na exploração servil dos trabalhadores em suas terras e na cobrança de impostos. As imoralidades e a corrupção do clero afetavam o espírito religioso do povo, que, preocupado com a salvação da alma, não podia acreditar que uma Igreja desmoralizada fosse capaz de salvar os fiéis do inferno. Coragem de Lutero Martim Lutero, alemão, monge agostiniano e professor na Universidade de Wittenberg, iniciou sua luta reformista em 1517, quando fixou, na porta da catedral daquela cidade, as suas 95 teses, nas quais denunciava os abusos do clero e condenava a venda de indulgências. Por esse motivo, Lutero foi excomungado e convocado a comparecer a uma Assembleia de príncipes para ser julgado por heresia. Absolvição Lutero rasgou publicamente a carta de excomungação e foi absolvido pelos príncipes, que apoiavam suas ideias, notadamente as que defendiam a tomada das terras da Igreja pela nobreza. O monge foi responsável pela primeira tradução da Bíblia para o alemão. Lutas armadas No processo de propagação das ideias luteranas, na Alemanha, ocorreram algumas lutas armadas significativas, como a Revolta da Pequena Nobreza (1522 1523) e a Revolta dos Camponeses (1524 1525). A Contrarreforma: Era necessário combater a propagação do protestantismo e reafirmar os dogmas católicos, negados pelos protestantes. Por isso, tornou-se urgente a reformulação moral, política e econômica da Igreja Católica. Para o sucesso da Contrarreforma, muito contribuíram as ações de alguns papas reformistas, como Paulo III; o apoio dado à Igreja por algumas ordens religiosas, como a Companhia de Jesus e o Tribunal do Santo Ofício. O papa Paulo III foi o organizador do Concílio de Trento, onde foi reafirmada a doutrina católica. Dentre as principais medidas podemos destacar: a proibição da venda de indulgências, a organização do Índex dos Livros Proibidos, etc. O ABSOLUTISMO Características O Absolutismo é o regime político que se caracteriza pela suprema autoridade do Estado e pela excessiva concentração de poderes nas mãos do rei. Esse regime predominou na maioria dos países europeus entre os séculos XVI e XVIII. As ações do rei não sofrem nenhum controle e, na prática, a autoridade real é ilimitada. O rei é o juiz supremo e tem direito de impor sua vontade a toda a população do reino. Foi de fundamental importância para a concentração do poder real a aliança entre o rei e a burguesia, que já vinha ocorrendo desde a Baixa Idade Média. Essa aliança foi fundamental para a centralização política na medida em que, apoiados no capital da burguesia, os reis puderam formar exércitos mercenários para combater os exércitos particulares da nobreza, fortalecendo, assim, seu poder pessoal. No Estado absolutista, a sociedade estava organizada em três ordens sociais ou estados: Primeiro Estado Composto pelo clero. Segundo Estado Composto pela nobreza. Terceiro Estado Composto pela burguesia e pelo povo em geral. Os reis controlavam a nobreza e a burguesia com a finalidade de manter definitivamente assegurada a concentração de poderes em suas mãos, mantendo o equilíbrio de forças entre as duas ordens sociais. Por sua vez, os reis reservavam para a nobreza as funções administrativas, os comandos militares, as pensões, etc., garantindo-lhes uma vida faustosa sob a proteção real. Além disso, na sua constante luta contra a burguesia, a nobreza precisava do apoio e dos favores reais para manter seu status.

Os teóricos do Absolutismo No plano teórico, o Absolutismo foi defendido e justificado pôr alguns pensadores e políticos, entre os quais destacamos: 1. Jean Bodin Defendia a ideia de que a autoridade do rei vem de Deus, e que a obrigação do povo é obedecer a ela passivamente. 2. Jacques Bossuet Foi um dos defensores da teoria do direito divino dos reis. Afirmava que não podia haver público sem a vontade de Deus; todo governo, seja qual for sua origem, justo ou injusto, pacífico ou violento, é legítimo; revoltar-se contra o governo é cometer um sacrilégio. 3. Hugo Grotius Não se interessava com a forma como Estado nasceu, se por imposição ou pela vontade do povo. O importante era que, depois de criado o governo, todos os indivíduos, sem exceção, tinham de obedecerlhe cegamente. 4. Maquiavel Em O príncipe, defendia a centralização política e o absolutismo para consolidação do Estado moderno. 5. Thomas Hobbes Defendia a tese de que o Estado nasce de um contrato, por meio do qual o povo abre mão dos seus direitos naturais e cede plenos poderes a um soberano. O absolutismo na França Na segunda metade do século XVI, na França, houve conflitos religiosos entre católicos e calvinistas. Desses conflitos religiosos, emergiu vitoriosa a família dos Bourbon, que assumiu o poder em 1589, tendo Henrique IV como rei, e o duque de Sully foi posto no cargo de ministro das finanças. Após a morte de Henrique IV, seu filho Luís XIII assumiu o poder. No seu reinado, Luis XIII, nomeou o Cardeal Richelieu como ministro das finanças, o qual procurou consolidar o poder do monarca e transformar a França na potência hegemônica da Europa. O maior de todos os reis absolutistas na Europa foi Luis XIV. Encarnando a suprema autoridade do reino, Luís XIV submeteu completamente a nobreza, transformando-a em instrumento de bajulação do rei e sua serviçal. Colbert foi o ministro das finanças que estimulou o desenvolvimento das manufaturas francesas. O absolutismo na Inglaterra Os iniciadores do absolutismo inglês foram os Tudor, que assumiram o trono com o fim da Guerra das Duas Rosas . Henrique VIII aumentou o poder do Estado, principalmente devido à Reforma anglicana. Com Elizabeth I, o absolutismo inglês atingiu sua máxima expressão. Houve também um grande crescimento econômico em função do desenvolvimento do comércio marítimo, da indústria de mineração e do comércio de lã.

EXERCÍCIO COMENTADO

O texto baixo de John Locke (1632 1704) revela algumas características de uma determinada corrente de pensamento.

Se o homem no estado de natureza é tão livre, conforme dissemos, se é absoluto da sua própria pessoa e posses, igual ao maior e a ninguém sujeito, por que abrirá ele mão dessa liberdade, por que abandonará o seu o seu império e sujeitar-se ao domínio e controle de qualquer outro poder? Ao que é óbvio responder que, embora no estado natureza tenha tal direito, a utilização do mesmo é muito incerta e está constantemente exposta à invasão de terceiros, porque, sendo todos senhores tanto quanto ele, todo homem igual a ele e, na maior parte, pouco observadores da equidade e da justiça, o proveito da propriedade que possui nesse estado é muito inseguro e muito arriscado. Estas circunstância obrigamno a abandonar uma condição que, embora livre, está cheia de temores e perigos constantes; e não é sem razão que procura de boa vontade juntarse em sociedade com outros que estão já unidos, ou pretendem unir-se, para a mútua conservação da vida, da liberdade e dos bens a que chamo de propriedade .

Do ponto de vista político, podemos considerar o texto como uma tentativa de justificar:

a) b) c) d) a existência do governo como um poder oriundo da natureza; a origem do governo como um poder oriundo da natureza; o absolutismo monárquico como uma propriedade do rei; a origem do governo como uma proteção à vida, aos bens e aos direitos; e) o poder dos governantes, colocando a liberdade individual acima da propriedade. Gabarito: Letra D. O texto de John Locke deixa transparecer que a origem do governo justifica entre outras coisas a propriedade privada, o direito natural e a proteção à vida, como um bem inalienável. Locke defende o liberalismo econômico e a monarquia constitucional. Condena, contudo o absolutismo.

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História

Professor DILTON Lima

Aula 04

Economia colonial (Sec. XVI XVIII)

Papel secundário Nos primeiros trinta anos do século XVI, o Brasil ocupou um papel secundário no conjunto de prioridades portuguesas. Não se encontraram riquezas aparentes que pudessem concorrer com os enormes lucros provenientes do comércio com o Oriente ou somar-se a eles. Rota de passagem A nova terra não possuía, também, uma população organizada que pudesse ser subjugada para render tributo pelo simples direito de viver. Assim, o Brasil tornou-se apenas uma rota de passagem, quase que obrigatória, para as embarcações que praticavam o comércio indiano; aqui, elas realizavam abastecimentos e faziam reparos, quando necessários. A EXPLORAÇAO DO PAU-BRASIL O pau-brasil foi colocado, desde o início da colonização, sob o monopólio do Estado (estanco), e sua exploração foi arrendada, em 1502, a um dos comerciantes portugueses liderados pelo cristão-novo, Fernando de Noronha, por um prazo inicial de três anos. Se os portugueses, entretidos com o comércio oriental, não valorizavam suficientemente o pau-brasil a ibirapitanga dos indígenas , o mesmo não se pode dizer de mercadores de outros países, sobretudo franceses. Desde 1504, há noticias de comerciantes franceses traficando essa madeira diretamente com o indígena brasileiro. Os lucros eram grandes, uma vez que nada se pagava à Coroa portuguesa, que, para combater o contrabando, armou duas expedições comandadas por Cristóvão Jacques: a primeira em 1516 e a segunda em 1526. Tanto os franceses como os portugueses utilizaram a mão-de-obra indígena nos trabalhos de exploração dos recursos naturais, sobretudo do paubrasil. Os selvagens, em troca de quinquilharias (produtos de baixo custo para os europeus), cortavam, serravam e carregavam o pau-brasil, transportando-o, nos ombros nus (às vezes duas ou três léguas de distância), por montes e sítios escabrosos até a costa. Essa relação com os indígenas denomina-se escambo. A COLONIZAÇAO BRASILEIRA O primeiro passo, no sentido de ocupar as terras brasileiras, foi o envio da expedição de Martim Afonso de Souza, que deixou Lisboa em 3 de dezembro de 1531, com a incumbência primordial de varrer os franceses da costa do pau-brasil e desenvolver, ao máximo, a exploração da nova terra, fazendo-lhe reconhecimento, preparando-a para empreendimentos futuros que garantissem o seu domínio aos portugueses. A expedição aportou em janeiro de 1532, em São Vicente, onde Martim Afonso instalou o que seria a primeira vila do Brasil. Esse primeiro núcleo oficial foi instalado no litoral sul, local de fácil acesso ao Prata, o que demonstrava o interesse mercantilista pelo domínio dessa região. As informações enviadas à Metrópole relatavam a ausência de metais preciosos e a existência de um solo com grande potencial para investimentos agrícolas. Valorizando tais informações, o Estado português tomou a iniciativa de inaugurar uma nova estratégia colonial: o desenvolvimento da agricultura voltada para exportação, possibilitando a ocupação, o povoamento e a valorização econômica dessas terras. Isso é o que se denomina colonização. O início da efetiva ocupação territorial da colônia fez que Portugal estabelecesse sua primeira empresa colonial em terras brasileiras. Em conformidade com sua ação exploratória, Portugal viu na produção do açúcar uma grande possibilidade de ganho comercial. A ausência de metais preciosos e o anterior desenvolvimento de técnicas de plantio nas Ilhas do Atlântico ofereciam condições propícias para a adoção dessa atividade. A ECONOMIA AÇUCAREIRA (XVI-XVII) Durante os séculos XVI e XVII, a colonização brasileira esteve ligada ao

cultivo da cana e ao preparo do açúcar. Para a montagem da custosa agroindústria açucareira o engenho , recorreu-se, inicialmente, aos recursos particulares, por meio de concessões das sesmarias. As sesmarias foram distribuídas não só a portugueses, como também a estrangeiros, desde que professassem a fé católica. Mas presume-se que muitas vezes se recorreu ao capital externo, sobretudo flamengo (holandês), que já se encontrava amplamente envolvido nos negócios do açúcar na Europa. Os portugueses eram os mais experientes na produção do açúcar, desde o século XV introduzida nas Ilhas do Atlântico, enquanto a comercialização era feita pelos flamengos (holandeses). A grande propriedade era monocultora e voltada para o mercado externo, utilizando mão-de-obra escrava, no início com os índios e, posteriormente, com os negros africanos. A sociedade açucareira que se organizou era o reflexo da economia agrária, escravista. No engenho, havia uns poucos trabalhadores assalariados o feitor, o mestre de açúcar e mesmo o capelão ou padre que se sujeitavam ao poder e à influencia do grande proprietário. Os escravos viviam nas senzalas habitações de um único compartimento , na maior promiscuidade; eram responsáveis por todos os trabalhos nos canaviais, nas oficinas e na casa-grande. Qualquer reação contra o sistema de escravidão era reprimida violentamente. Os negros, entretanto, não permaneceram de braços cruzados diante dessa realidade opressiva. Enquanto existiu escravidão, ocorreu também reação. O símbolo da resistência foi a formação dos quilombos, aldeamentos de negros fugitivos. Eles surgiram por toda parte onde imperou a escravidão: Alagoas, Sergipe, Bahia, Mato Grosso, Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo. O mais conhecido foi, sem dúvida, o Quilombo dos Palmares, situado no atual Estado de Alagoas, cuja resistência durou cerca de 65 anos. Seus mocambos pequenos casebres cobertos com folhas de palmeiras chegaram a se estender por 27 mil km . Assim, Palmares constituía-se em constante chamamento, um estímulo, uma bandeira para os negros escravos das vizinhanças um constante apelo à rebelião, à fuga para o mato, à luta pela liberdade. O Quilombo dos Palmares foi destruído em 1695, atacado pela expedição chefiada pelo bandeirante Domingos Jorge Velho. Zumbi, grande chefe de Palmares, conseguiu fugir com algumas dezenas de homens, mas, no dia 20 de novembro de 1695, foi aprisionado e decapitado, sua cabeça foi colocada num poste, em praça pública, para servir de exemplo aos que o consideravam imortal. A data da morte de Zumbi ficou registrada nos anais da História como o Dia da Consciê

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RENATO TONAY
18/05/2010

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