Educação Ambiental

Educação Ambiental

(Parte 1 de 3)

EstratégiasparaoDesenvolvimentoemEducaçãoAmbiental–ETECGuaracySilveira

Elaborada pela Profa Dra Maria de Lourdes Silva Serodio

ETE Guaracy Silveira

Estratégias para o Desenvolvimento da Educação Ambiental

Disciplina do Curso Técnico em Meio Ambiente ministrada pela Profª Drª Maria de Lourdes Silva Serodio

a Educação Ambiental deve capacitar ao pleno exercício da cidadania, através

da formação de uma base conceitual abrangente, técnica e culturalmente capaz de permitir a superação de obstáculos à utilização sustentada do meio. O direito à informação e o acesso às tecnologias capazes de viabilizar o desenvolvimento sustentável constituem, assim, um dos pilares deste processo de formação de uma nova consciência em nível planetário, sem perder a ótica local, regional e nacional. O desafio da educação, neste particular, é o de criar as bases para a compreensão holística da realidade.”

(Comissão Interministerial para a Preparação da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento. “Educação Ambiental no Brasil”. Subsídios Técnicos para a Elaboração do Relatório Nacional do Brasil para a CNUMAD, 1991).

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Elaborada pela Profa Dra Maria de Lourdes Silva Serodio

1. Introdução

A palavra educação vem do verbo educare, que em latim significa “criar (uma criança), nutrir, fazer crescer, ou seja, “trazer à luz a idéia”. Hoje educar seria: “formar a inteligência, o coração e o espírito, desenvolver a eficiência e a beleza”, “ministrar a educação, instruir ou desenvolver as faculdades de” ou ainda “aclimar, plantar e cultivar empregando todos os recurso da arte e da experiência”.

Educação Ambiental (EA) é tudo isso, mudar um conceito, um hábito e formar uma nova inteligência, coração e espírito para o ambiente, desenvolver as faculdades de sustentabilidade e desenvolvimento sustentável, criar, nutrir e fazer crescer o amor pelo planeta. É mudar hábitos antigos de destruição, degradação e desvalorização e criar novos hábitos para deixar nossa vida e a vida dos outros habitantes do planeta um pouco melhor, criando assim expectativas de vida futura com qualidade de vida.

A EA não deve ser vista como uma disciplina, mas sim como uma filosofia de vida, como um novo hábito, uma nova maneira de viver, como uma nova base de EDUCAÇÃO implantada na sociedade. EA é uma mudança de atitude, é o pensar global e não individual.

No ambiente urbano a população está cada vez mais envolvida com as novas tecnologias e com cenários urbanos, perdendo desta maneira a relação com a natureza, com a terra e suas culturas. Os cenários, tipo “shoppings”, passam a ser normais na vida dos jovens e os valores relacionados com a natureza e com o ambiente passam desapercebidos, sem pontos de referência. Não se sabe mais distinguir o inverno do outono, tampouco qual a estação das flores e dos frutos, ou ainda porque o dia está mais longo, o clima mais seco ou de onde vem o alimento que são ingeridos no dia-a-dia.

A educação ambiental se constitui numa forma abrangente de educação, que propõe atingir todos os cidadãos, através de um processo pedagógico participativo permanente procurando incutir uma consciência crítica sobre a problemática ambiental, compreendendo-se como crítica a capacidade de captar a gênese e a evolução de problemas ambientais. O relacionamento da humanidade com a natureza, que teve início com um mínimo de interferência nos ecossistemas, tem hoje culminado numa forte pressão exercida sobre os recursos naturais.

Atualmente, a agressão ao meio ambiente passa desapercebida pela maioria da população mundial. A contaminação dos cursos de água, a poluição atmosférica, a devastação das florestas, a caça indiscriminada e a redução ou mesmo destruição de alguns habitats são comuns e acontecem sem maiores alardes.

Dentro deste contexto, é clara a necessidade de mudar o comportamento do homem em relação à natureza e ao ambiente, no sentido de promover sob um modelo de desenvolvimento sustentável (processo que assegura uma gestão responsável dos recursos do planeta de forma a preservar os interesses das gerações futuras e, ao mesmo tempo atender as necessidades das gerações atuais), a compatibilização de práticas econômicas e conservacionistas, com reflexos positivos evidentes junto à qualidade de vida de todos.

Problemas ambientais se manifestam em nível local e em muitos casos, os residentes de um determinado local são, ao mesmo tempo, causadores e vítimas desses problemas. São também essas pessoas quem mais têm condições de diagnosticar a situação, pois convivem com o problema, sendo os maiores interessados em resolvê-los.

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Por isso grupos locais podem ser muito mais eficientes que o Estado na “fiscalização” do cumprimento de um determinado acordo e no controle do uso de bens públicos ou dos recursos naturais. A maior parte dos problemas ambientais somente serão efetivamente resolvidos se a população local assim desejar.

Participação implica envolver, ativa e democraticamente, a população local em todas as fases do processo: discussão do problema, diagnóstico da situação local, identificação de possíveis soluções, até a implementação das alternativas e avaliação dos resultados.

“A educação ambiental é uma das ferramentas existentes para a sensibilização e capacitação da população em geral sobre os problemas ambientais. Com ela, busca-se desenvolver técnicas e métodos que facilitem o processo de tomada de consciência sobre a gravidade dos problemas ambientais e a necessidade urgente de nos debruçarmos seriamente sobre eles.” (Marcatto, 2002)

2. O que é Educação Ambiental?

Existem várias definições de educação ambiental. O Congresso de Belgrado, promovido pela UNESCO em 1975, definiu a Educação Ambiental como sendo um processo que visa: “(...) formar uma população mundial consciente e preocupada com o ambiente e com os problemas que lhe dizem respeito, uma população que tenha os conhecimentos, as competências, o estado de espírito, as motivações e o sentido de participação e engajamento que lhe permita trabalhar individualmente e coletivamente para resolver os problemas atuais e impedir que se repitam (...)” (citado por SEARA FILHO, G. 1987).

No Capítulo 36 da Agenda 21, a Educação Ambiental é definida como o processo que busca: “(...) desenvolver uma população que seja consciente e preocupada com o meio ambiente e com os problemas que lhes são associados. Uma população que tenha conhecimentos, habilidades, atitudes, motivações e compromissos para trabalhar, individual e coletivamente, na busca de soluções para os problemas existentes e para a prevenção dos novos (...)” (Capítulo 36 da Agenda 21).

“A educação, seja formal, informal, familiar ou ambiental, só é completa quando a pessoa pode chegar nos principais momentos de sua vida a pensar por si próprio, agir conforme os seus princípios, viver segundo seus critérios” (Reigota, 1997).

Tendo essa premissa básica como referência, propõe-se que a Educação

Ambiental seja um processo de formação dinâmico, permanente e participativo, no qual as pessoas envolvidas passem a ser agentes transformadores, participando ativamente da busca de alternativas para a redução de impactos ambientais e para o controle social do uso dos recursos naturais.

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Vale ressaltar que a missão da EA segundo o Pronea é: “A educação ambiental contribuindo para a construção de sociedades sustentáveis com pessoas atuantes e felizes em todo o Brasil.”

3. Breve Histórico da Educação Ambiental

Meados de 1863: autores que tratavam do assunto relacionado ao Meio

Ambiente restringia-se a um pequeno número de estudiosos e apreciadores da natureza, espiritualistas naturalistas e outros. Preocupação era voltada para botânica e zoomorfologia. O termo Ecologia é proposto por Ernest Haeckel em 1869 para o estudo das espécies e destas com o Meio Ambiente.

1872: criado o primeiro parque nacional do mundo -Yellowstone National Park

(Estados Unidos), em prol da preservação ambiental. No Brasil, em contra partida, era permitido a exploração do Pau-Brasil, por empresas privadas, com aprovação da Princesa Isabel. Essa exploração ocorreu até o período de 1875; com o desgaste e o desmatamento em 1920, o Pau-Brasil foi considerado extinto.

Revolução industrial em 1779: na Inglaterra, ocorre perda da qualidade ambiental e no Brasil, os problemas ambientais eram tratados por poucos intelectuais responsáveis pelo assunto. André Rebouças propõe a criação dos parques nacionais da ilha do Bananal e de Sete Quedas.

1891: a demagogia política anunciava a criação de unidades de conservações, sem efetivá-las posteriormente. No Decreto 8843 de 1891, cria-se a Reserva Florestal do Acre, com 2,8 milhões de hectares, cuja implantação não ocorreu até hoje.

1945: A expressão “estudos ambientais” é despertada, resultando em publicações de artigos nos EUA, criando movimentos ambientalistas.

1952: primeiros sinais de catástrofes ambientais, com o ar extremamente poluído de Londres (smog), e a morte de 1600 pessoas na Inglaterra. O resultado culminou na sensibilização sobre a qualidade ambiental com aprovação da Lei do Ar Puro, em 1956. Esse fato levou uma série de debates, aquecendo o ambientalismo nos EUA, a partir de 1960.

A década de 60: no Brasil, naturalistas, escritores e estadistas já falavam em

Educação Ambiental (EA). No mundo, exibe-se o quadro de desenvolvimento econômico dos países desenvolvidos e a conseqüência na qualidade de vida nos grandes centros urbanos, refletida nos impactos ambientais. Tais fatores incentivaram jornalistas a debaterem o assunto, com a publicação de um grande clássico da jornalista americana Rachel Carson (Primavera Silenciosa, 1962, 4 edições).

1965: surgiu o termo “Educação Ambiental”, na conferência em educação na Universidade de Keele, Grã-Bretanha.

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1968: Nasce o Conselho para Educação Ambiental, no Reino Unido. Um grupo de cientistas e empresários reúne-se com o objetivo de tentar encontrar novos caminhos para a questão do desenvolvimento econômico. Esse grupo ficou conhecido como Clube de Roma e as propostas resultantes desse encontro foram publicadas em livro (1972) que causou polêmicas, intitulado: Limites do Crescimento, onde se fazia uma previsão bastante pessimista do futuro da humanidade, caso as bases do modelo de exploração não fossem modificadas.

Unesco (United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization) realizou estudo comparativo onde 79 países responderam uma pesquisa, e este estudo serviu para postular as seguintes proposições:

⇒ E.A. não deve constituir uma disciplina.

⇒ por ambiente entende-se não apenas o entorno físico, mas também os aspectos sociais, culturais, econômico e político inter-relacionados.

A Educação Ambiental foi aceita como disciplina obrigatória para todo cidadão, no ano de 1869. Schwitzer ganharia o Prêmio Nobel da Paz, em reconhecimento ao seu trabalho de popularização da ética ambiental; neste mesmo ano foi fundada a “Sociedade para Educação Ambienta”, que movimentou a mídia e mobilizou vários artistas e políticos nas causas ambientais, resultando o primeiro jornal de Educação Ambiental.

No Brasil a década de 60 e 70 é contraditória, em relação ao meio ambiente, enquanto os países desenvolvidos procuravam soluções para o meio ambiente, é acelerado o processo de degradação ambiental para o crescimento do PIB.

Início dos anos 70: movimento de ambientalismo no Brasil ⇒ professores, estudantes e escolas com atividades educacionais relacionadas às ações de recuperação, melhoria e conservação do meio ambiente. Temos os primeiros cursos de especialização em Educação Ambiental. Entidade relacionada à revista britânica The Ecologist elabora o “Manifesto para Sobrevivência” onde insistiam que um aumento indefinido de demanda não pode ser sustentado por recursos finitos.

1972: em Estocolmo (Suécia), primeira conferência da ONU reunindo representantes de 113 países inclusive do Brasil ⇒ Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente Humano ou Conferência de Estocolmo ⇒ “Plano de Ação Mundial” e a “Declaração sobre o Ambiente Humano”: defini-se pela primeira vez a importância da ação educativa nas questões ambientais gerando o denominado Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente - PNUMA, sediado em Nairobi.

Decisiva para o surgimento de política para o gerenciamento ambiental. O objetivo dessa conferência foi estabelecer uma visão global e atitudes comuns. As conclusões desta Conferência foram publicadas em um documento com dezenas de recomendações, entre elas a de que se deve educar o cidadão para a solução dos problemas ambientais. Podemos então considerar que aí surgiu o que se convencionou chamar de Educação Ambiental, pois a recomendação número 19 diz o seguinte:

“É indispensável um trabalho de educação em questões ambientais, visando tanto as gerações jovens quanto aos adultos, dispensando a devida atenção ao setor das populações menos privilegiadas, para assentar as bases de uma opinião pública bem informada e de uma conduta responsável dos indivíduos, das empresas e das comunidades, inspirada no sentido de sua responsabilidade com

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Elaborada pela Profa Dra Maria de Lourdes Silva Serodio relação à proteção e melhoramento do meio ambiente, em toda sua dimensão humana”.

1975: em Belgrado, a Unesco realiza a primeira reunião mundial de especialistas em: educação, biologia, geografia, história, entre outros, dedicada especificamente à Educação Ambiental. Consolidou o PIEA. Essa reunião deu origem ao documento conhecido como “Carta de Belgrado”, na qual podemos ler:

“...devem ser lançadas as bases para um programa mundial de educação ambiental que possa tornar possível o desenvolvimento de novos conhecimentos e habilidades, valores e atitudes, visando à melhoria da qualidade ambiental e, efetivamente, a elevação da qualidade de vida para as gerações futuras”.

1977: em Tbilisi (Geórgia – URSS) ⇒ Primeira Conferência

Intergovernamental sobre Educação Ambiental, promovida pela Unesco e pelo Programa da ONU para o Ambiente (PNUMA). O documento final denominado “Declaração de Tbilisi” constituiu um ponto de partida para implantação de Programas Nacionais de Educação Ambiental. No Brasil, escolas e entidades adotam programas, algumas universidades criam cursos de pós-graduação.

Definiu objetivos da EA: “uma dimensão dada ao conceito e a prática da educação, orientada para a resolução dos problemas concretos do meio ambiente por intermédio de enfoques interdisciplinares e de uma participação ativa e responsável de cada indivíduo e da coletividade”.

1979: Realização do Seminário de Educação Ambiental para América Latina realizado pela UNESCO e PNUMA na Costa Rica.

1987: Conferência Internacional sobre Educação e Formação Ambiental

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