" o trabalho como principio educativo"

" o trabalho como principio educativo"

O TRABALHO COMO PRINCIPIO EDUCATIVO

O trabalho é um processo inerente da formação e realização humana, não é somente a venda da força de trabalho que se configura no sistema capitalista, onde a dimensão do trabalho é subsumida à lógica de mercadoria. Nos moldes atuais o trabalho é visto como exploração e obrigação, onde o excedente produzido pela classe trabalhadora passa para os donos dos meios de produção, gerando desigualdade de renda, e a educação como principio educativo se expressa em termo de finalidade formativa para o mercado de trabalho, provocando divisão do conhecimento e uma formação fragmentada do trabalhador.

Quando educamos nos propomos a construir qual sociedade? Estamos olhando o trabalho pela ótica do trabalho, ou estamos olhando o trabalho pela ótica do Capital?

Pode-se formar profissional competente, mas é importante a formação da pessoa para além do exercício daquela atividade. O trabalho é a ação humana de interação com a realidade para satisfação das necessidades e produção de liberdade. Nesse sentido, trabalho não é emprego, não é ação econômica especifica. Trabalho é produção, criação e realizações humanas. Compreender o trabalho nessa perspectiva é compreender a história da humanidade.

O trabalho como principio na perspectiva do trabalhador, como diz Frigotto (1989), implica superar a visão utilitarista, reducionista do trabalho. Esse processo é coletivo, organizado, de busca prática de transformação das realizações sociais desumanizadoras e, portanto, desedificativas. A consciência critica é o primeiro elemento desse processo que permite perceber que é dentro destas velhas e adversas relações, onde o trabalho se torna expressão de vida e, portanto educativo (Frigotto, 1989, p.8).

O trabalho é a mediação entre a ciência e produção, compreendida como a forma concreta pela qual se realiza historicamente a produção e a reprodução do material e espiritual da existência humana. Compreender assim o trabalho como meio de ação social da existência, possibilita compreender que, para que a humanidade exista todos precisam acesso ao conhecimento, à cultura e as condições necessárias para trabalhar e produzir a existência e a riqueza social. Um tipo de escola que não seja dual, ao contrário, seja unitária, que garanta a todos os direitos de conhecimento e que possibilite o acesso à cultura, ao trabalho, por meio de uma educação básica e profissional, onde o filho da zeladora possa ter a mesma qualidade de ensino do filho do rico.

REFERÊNCIAS:

SIMPÓSIO DE ENSINO MÉDIO INTEGRADO. FOZ DO IGUAÇU. DIA 10/05 A 14/05 DE 2010.

FRIGOTTO, Gaudêncio. Educação e a Crise do Capitalismo Real. São Paulo:Cortez Editora, 1989.

RAMOS, Marise N. Possibilidades e Desafios na Organização do Currículo Integrado. In: In:

RAMOS, Marise, N. (Org); Frigotto, Gaudencio (Org); Ciavata, Maria (Org). Ensino Integrado: Concepções e Contradições. 1ª. Ed. São Paulo: Cortez, 2005.

ALDACIR CASAGRANDE

Professor e Administrador

Especialização em Gestão Estratégica de Pessoas e Negócios pela Fae Business School

Formação Pedagógica pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná

WWW.aldacircasagrande.blogspot.com

aldacircasagrande@yahoo.com.br

aldacircasagrande@seed.pr.gov.br

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