Gerenciamento de Obras

Gerenciamento de Obras

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Os recursos têm que estar distribuídos de maneira racional. Toda atividade consome recursos de mão-de-obra, de materiais e de equipamentos em maior ou menor quantidade. A alocação de recursos serve para saber em que quantidade e quando um determinado tipo de insumo será necessário durante uma obra.

Pode-se manter a duração do projeto e nivelar o recurso com a utilização das folgas das atividades não críticas, que consomem o recurso considerado e disponível nas quantidades necessárias. Ou ainda, disponibilizar uma quantidade de recursos inferior ao consumo previsto e mesmo com a utilização das folgas das atividades não-críticas, o limite estabelecido é ultrapassado. Neste caso, aumenta-se a duração total do projeto.

Sua distribuição no tempo pode ser observada na figura 1. No exemplo, ela representa a distribuição da mão-de-obra durante o período total do empreendimento. A distribuição trapezoidal é a mais recomendada, mas é a beta a que ocorre comumente em obra. Nela se observa o crescimento dos recursos nas fases iniciais (fundações, início das estruturas), sua estabilização (obra bruta) e seu decréscimo (fim da obra fina).

Figura 1: Curva de distribuição de recursos, Limmer (1997).

Esta curva pode ser traçada para qualquer tipo de recurso utilizado em canteiro (materiais, mão-de-obra e equipamentos).

3) Histogramas e Curva S

A representação gráfica da correlação entre variáveis é um dos recursos amplamente usados no planejamento, pela sua facilidade de visualização e de entendimento.

A curva beta de distribuição contínua, mostrada na figura 1, também pode ser representada sob a forma de valores discretizados por intervalo de duração da atividade, ou seja, sob a forma de histogramas.

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O histograma mostra, de forma acessível, a distribuição de um recurso ao longo do tempo de sua utilização, como mão-de-obra, materiais e equipamentos de construção necessários à execução do projeto (figura 12).

Figura 12: Exemplo de histograma, Limmer (1997).

Cada barra no gráfico Gantt, figura 08, recebe a quantidade de recursos consumido em cada período e sua duração. Ao final somam-se os recursos por período.

Pode-se também traçar os valores acumulados período a período, conforme exemplo da figura 13. A este gráfico denomina-se curva S, por lembrar a configuração dessa letra. Esta é amplamente utilizada no planejamento, programação e controle de projetos.

Figura 13: Exemplo de histograma acumulado, Limmer (1997).

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A curva S representa o projeto como um todo em termos de h ou de mão-de-obra necessários a sua execução e também permite visualizar o ritmo de andamento previsto para a sua implementação. Existem tabelas de curva S. Porém, a curva é característica da individualidade de cada projeto.

A figura 14 apresenta exemplo de cronograma de barras com a curva S sobrepostos. A figura 14 (a) apresenta o cronograma com a curva S e a (b) insere ainda o histograma acumulado.

Figura 14: Exemplo de curvas sobrepostas – cronograma de barras, histograma curva S, Limmer (1997).

4) Cronogramas

É a representação gráfica da execução de um projeto, indicando os prazos em que deverão ser executadas as atividades necessárias, mostradas de forma lógica, para que o projeto termine dentro de condições previamente estabelecidas.

Pode ser apresentado como rede (gráficos PERT/CPM ou Roy) ou como gráfico de barras (gráfico de Gantt), sendo estes mais usados para mostrar partes detalhadas que aqueles.

É interessante mostrar através de cronogramas de recursos como mão-de-obra, materiais e equipamentos, em que medida cada tipo de tais recursos será necessário durante a execução do projeto.

4.1) Cronograma de mão-de-obra

Para elaborar este tipo de cronograma precisa-se de: levantamento de tipos e quantidades de serviços para cada atividade; elaboração de quadro de cálculo de efetivo de mão-de-obra; e

Profa. Débora de Gois Santos 17 disposição de um cronograma de execução de projeto detalhado, apresentado na forma de gráfico de barras, mostrando os prazos de execução das atividades e respectivos serviços.

Exemplo 4:

Dada a necessidade de operários, segundo categorias profissionais, trace o histograma simples e o acumulado. Considere todos os operários juntos.

Período de tempo Categoria 1 2 3 4 5 6

Carpinteiro de fôrmas 4 4 12 18 15 7 Ajudante de carpinteiro 4 10 15 7 2 Armador 8 14 10 7 Ajudante de armador 8 14 10 7 Pedreiro 1 3 3 2 1 1 Auxiliar de pedreiro 2 2 1 1 1 Encanador 1 2 3 1 Ajudante de encanador 1 2 3 1 Servente 10 18 20 2 20 18 Efetivo/período 15 49 79 83 60 29

Obs.: 44h semanais 8,8h/dia 2 dias x 8,8 = 194 h, considerando apenas os dias úteis em um mês.

Período Homem-hora (Hh) simples Homem-hora (Hh) acumulado 1 2 3 4 5 6

4.2) Cronograma de materiais e de equipamentos incorporados ao projeto

Para a elaboração desses cronogramas (figura 15), os passos a serem seguidos são: relacionar todas as atividades dessa fase de projeto; relacionar todos os tipos de materiais e respectivas quantidades por atividade; distribuir a quantidade de cada tipo linearmente, trapezoidalmente ou percentualmente segundo uma distribuição do tipo beta semelhante ao cronograma da mão-de-obra; analisar se há necessidade de nivelamento dos consumos previstos; montar o cronograma, indicando por período de consumo ou pela data de entrega dos lotes, a quantidade de material necessária.

Datas de entrega Material (insumo)

Código de insumo

Requisição n. Unidade Quantidade

Lote 1 Lote 2 Lote 3

Figura 15: Cronograma de materiais (Limmer, 1997).

4.3) Cronograma de equipamentos de construção

No cronograma de equipamentos de construção (figura 16), ou seja, os que auxiliam a construção, levanta-se no cronograma físico o tempo que cada equipamento será utilizado. Neste momento, devem estar definidos o método e os processos de execução, para viabilizar a

Profa. Débora de Gois Santos 18 alocação de equipamentos e operadores. As informações são separadas por tipo de equipamentos mobilizados.

Esta elaboração é auxiliada por lista de serviços, levantamento de quantidades, orçamento e projetos.

1 Equipamento Tipo 1
2 Equipamento Tipo 2
3 Equipamento Tipo 3
4 Equipamento Tipo 4
5 Equipamento Tipo 5

Item Equipamento/Período 1 2 3 4 5 Figura 16: Cronograma de equipamentos (Limmer, 1997).

5) Programação

Os cronogramas elaborados devem ter seus períodos em dias convertidos para as datas do calendário gregoriano, indicando as datas de inicio e de fim, mais cedo ou mais tarde, de cada atividade e no conjunto de atividades as datas de início e de fim do projeto. Assim, eles vão constituir as programações, apresentadas na forma de gráfico de Gantt, considerando os dias não trabalháveis, como fins de semana e feriados.

Em termos gerais, quando fazemos a programação da obra, assunto a ser visto mais adiante, os resultados são apresentados na forma de cronograma de redes, de barras, de mãode-obra, de materiais, de equipamentos e físico-financeiro. A serem elaborados manualmente, no caso da linha de balanço, ou gerados por algum software (ex: MSProject).

O cronograma é uma ferramenta de planejamento que permite acompanhar o desenvolvimento físico dos serviços e efetuar previsões de quantitativos de mão-de-obra, materiais e equipamentos, tanto os incorporados à obra construída quanto aqueles usados na construção, além de permitir que se determine o faturamento a ser feito ao longo da execução da obra, constituindo-se no chamado cronograma físico-financeiro.

A mão-de-obra será sempre o fator predominante para o correto dimensionamento do prazo de execução de uma obra, qualquer que seja a etapa de execução.

Ao trabalhar com a mão-de-obra de forma a elevar sua produtividade, reduz-se os custos diretos e indiretos.

6) Considerações

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