Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial

Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial

(Parte 2 de 20)

1. Epidemiologia da Hipertensão Arterial5
2. Diagnóstico e Classificação7
3. Investigação Clínico-Laboratorial e Decisão Terapêutica14
4. Abordagem Multiprofissional17
5. Tratamento Não-Medicamentoso20
6. Tratamento Medicamentoso23
7. Situações Especiais31
8. Hipertensão Arterial Secundária35
9. Prevenção Primária da Hipertensão e dos Fatores de Risco Associados41

Sumário Referências Bibliográficas ............................................................................................................................... 43

1.1. Hipertensão Arterial: A Importância do Problema

A elevação da pressão arterial representa um fator de risco independente, linear e contínuo para doença cardiovascular1. A hipertensão arterial apresenta custos médicos e socioeconômicos elevados, decorrentes principalmente das suas complicações, tais como: doença cerebrovascular, doença arterial coronariana, insuficiência cardíaca, insuficiência renal crônica e doença vascular de extremidades.

1.2. Mortalidade

Entre os fatores de risco para mortalidade, hipertensão arterial explica 40% das mortes por acidente vascular cerebral e 25% daquelas por doença coronariana4. A mortalidade por doença cardiovascular aumenta progressivamente com a elevação da pressão arterial, a partir de 115/75 mmHg1.

1.3. Prevalência

Inquéritos de base populacional realizados em algumas cidades do Brasil mostram prevalência de hipertensão arterial (≥140/90 mmHg) de 2,3% a 43,9% (Figura 2)5-7.

1. Epidemiologia da Hipertensão Arterial

Doença do coração em homens Doenças do coração em m�lheresAcidente vasc�lar cerebral em homens Acidente vasc�lar cerebral em m�lheres

2�0 • 200 • ��0 •

�0 •

�0 • 0 •

1.4. Hospitalizações

A hipertensão arterial e as doenças relacionadas à pressão arterial são responsáveis por alta freqüência de internações (Figura 3). Insuficiência cardíaca é a principal causa de hospitalização entre as doenças cardiovasculares, sendo duas vezes mais freqüente que as internações por acidente vascular cerebral. Em 2005 ocorreram 1.180.184 internações por doenças cardiovasculares, com custo global de R$ 1.323.775.008,283.

4� • 40 • 3� • 30 • 2� • 20 • �� •

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Araraq � ara ����

Piracicaba ������

Cotia ����

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Cavenge 2003

�Rio Grande do S

Figura 1. Evol�ção temporal das taxas de mortalidade aj�stadas pela idade �padrão OMS� no período de ��80 a 2003 para doença cerebrovasc�lar e doenças do coração �coronariana, ins�ficiência cardíaca e miocardiopatia hipertensiva� para ambos os gêneros no Brasil

1.5. Fatores de Risco para Hipertensão Arterial

Idade

Sexo e Etnia

A prevalência global de hipertensão entre homens (26,6%; IC 95% 26,0- 27,2%) e mulheres (26,1%; IC 95% 25,5-26,6%) insinua que sexo não é um fator de risco para hipertensão. Estimativas globais sugerem taxas de hipertensão mais elevadas para homens até os 50 anos e para mulheres a partir da sexta década11. Hipertensão é mais prevalente em mulheres afrodescendentes com excesso de risco de hipertensão de até 130% em relação às mulheres brancas12.

Fatores Socioeconômicos

Nível socioeconômico mais baixo está associado a maior prevalência de hipertensão arterial e de fatores de risco para elevação da pressão arterial, além de maior risco de lesão em órgãos-alvo e eventos cardiovasculares. Hábitos dietéticos, incluindo consumo de sal e ingestão de álcool, índice de massa corpórea aumentado, estresse psicossocial, menor acesso aos cuidados de saúde e nível educacional são possíveis fatores associados13.

Sal

Epidemiologia da Hipertensão Arterial

Figura 3. Número de hospitalizações por doença cardiovasc�lar no Brasil �2000�2004�

O�tras Ins�ficiênciacardíaca

Acidente vasc�larcerebral Doença arterialcoronariana Hipertensão arterial

Obesidade

Álcool

Sedentarismo

1.6. Outros Fatores de Risco Cardiovascular

1.7. Taxas de Conhecimento, Controle e Tratamento da Hipertensão Arterial

Estudo brasileiro revelou que, em indivíduos adultos, 50,8% sabiam ser hipertensos, 40,5% estavam em tratamento e apenas 10,4% tinham pressão arterial controlada (< 140/90 mmHg)6. Idade avançada, obesidade e baixo nível educacional mostraram-se associados a menores taxas de controle10.

A medida da pressão arterial é o elemento-chave para o estabelecimento do diagnóstico da hipertensão arterial e a avaliação da eficácia do tratamento.

2.1. Medida da Pressão Arterial

A medida da pressão arterial deve ser realizada em toda avaliação de saúde, por médicos das diferentes especialidades e demais profissionais da área de saúde, todos devidamente treinados.

2.2. Rotina de Diagnóstico e Seguimento

Na primeira avaliação, as medidas devem ser obtidas em ambos os membros superiores e, em caso de diferença, utiliza-se sempre o braço com o maior valor de pressão para as medidas subseqüentes (D). O indivíduo deverá ser investigado para doenças arteriais se apresentar diferenças de pressão entre os membros superiores maiores de 20/10 mmHg para a pressão sistólica/diastólica40 (D).

Em cada consulta, deverão ser realizadas pelo menos três medidas, com intervalo de um minuto entre elas, sendo a média das duas últimas considerada a pressão arterial do indivíduo (D). Caso as pressões sistólicas e/ou diastólicas obtidas apresentem diferença maior que 4 mmHg entre elas, deverão ser realizadas novas medidas até que se obtenham medidas com diferença inferior ou igual a 4 mmHg, utilizando-se a média das duas últimas medidas como a pressão arterial do indivíduo37 (D).

2. Diagnóstico e Classificação

Preparo do paciente para a medida da pressão arterial

��� Explicar o procedimento ao paciente 2�� Repo�so de pelo menos � min�tos em ambiente calmo 3�� Evitar bexiga cheia 4�� Não praticar exercícios físicos ��0 a �0 min�tos antes ��� Não ingerir bebidas alcoólicas, café o� alimentos e não f�mar 30 min�tos antes

���� Manter pernas descr�zadas, pés apoiados no chão, dorso recostado na cadeira e relaxado

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