Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial

Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial

(Parte 7 de 20)

A dieta preconizada pelo estudo DASH (Dietary Approachs to Stop

Hypertension) mostrou benefícios no controle da pressão arterial, inclusive em pacientes fazendo uso de anti-hipertensivos. Enfatiza o consumo de frutas, verduras, alimentos integrais, leite desnatado e derivados, quantidade reduzida de gorduras saturadas e colesterol, maior quantidade de fibras, potássio, cálcio e magnésio107. Associada à redução no consumo de sal, mostra benefícios ainda mais evidentes, sendo, portanto, fortemente recomendada para hipertensos108. Compõe-se de quatro a cinco porções de frutas, quatro a cinco porções de vegetais e duas a três porções de laticínios desnatados por dia, com menos de 25% de gordura107.

5. Tratamento Não-Medicamentoso

Tabela 1. Modificações do estilo de vida no controle da pressão arterial �adaptado do JNC VII�*

ModificaçãoRecomendaçãoRedução aproximada na PAS**

� a 20 mmHg para cada

�0 kg de peso red�zido

Padrão alimentarCons�mir dieta rica em fr�tas e vegetais e alimentos com baixa densidade calórica e baixo teor de gord�ras sat�radas e totais�� Adotar dieta DASH

8 a �4 mmHg

Red�ção do cons�mo de salRed�zir a ingestão de sódio para não mais de �0 mmol/dia = 2,4 g de sódio ��� g de sal/dia = 4 colheres de café rasas de sal = 4 g + 2 g de sal próprio dos alimentos�

2 a 8 mmHg

Moderação no cons�mo de álcoolLimitar o cons�mo a 30 g/dia de etanol para os homens e �� g/dia para m�lheres 2 a 4 mmHg

Exercício físicoHabit�ar�se à prática reg�lar de atividade física aeróbica, como caminhadas por, pelo menos, 30 min�tos por dia, 3 a � vezes/semana

4 a � mmHg

o consumo de bebidas açucaradas e dando preferência a adoçantes não calóricos (C); inclusão de, pelo menos, cinco porções de frutas/verduras no plano alimentar diário, com ênfase em vegetais ou frutas cítricas e cereais integrais (A); opção por alimentos com reduzido teor de gordura, eliminando as gorduras hidrogenadas (“trans”) e preferindo as do tipo mono ou poliinsaturadas, presentes nas fontes de origem vegetal, exceto dendê e coco (A); ingestão adequada de cálcio pelo uso de produtos lácteos, de preferência, desnatados (B); busca de forma prazerosa e palatável de preparo dos alimentos: assados, crus e grelhados (D); plano alimentar que atenda às exigências de uma alimentação saudável, do controle do peso corporal, das preferências pessoais e do poder aquisitivo do indivíduo/família (D).

Suplementação de potássio

Suplementação de cálcio e magnésio

5.3. Redução do Consumo de Sal

Inúmeras evidências mostram benefícios na restrição do consumo de sal116-120: a) redução da pressão arterial (A); b) menor prevalência de complicações cardiovasculares (B); c) menor incremento da pressão arterial com o envelhecimento (B); d) possibilidade de prevenir a elevação da pressão arterial (B); e) regressão de hipertrofia miocárdica B.

Estudos randomizados comparando dieta hipossódica com a dieta habitual, com ou sem redução de peso, demonstram efeito favorável, embora modesto, na redução da pressão arterial com a restrição de sal121. Há evidências de que a pressão arterial varia diretamente com o consumo de sal tanto em normotensos como em hipertensos. Portanto, mesmo reduções modestas no consumo diário podem produzir benefícios.

A dieta habitual contém de 10 a 12 g/dia de sal (A)122. É saudável uma pessoa ingerir até 6 g de sal por dia (100 mmol ou 2,4 g/dia de sódio), correspondente a quatro colheres de café (4 g) rasas de sal adicionadas aos alimentos, que contêm 2 g de sal. Para tanto, recomenda-se reduzir o sal adicionado aos alimentos, evitar o saleiro à mesa e reduzir ou abolir os alimentos industrializados, como enlatados, conservas, frios, embutidos, sopas, temperos, molhos prontos e salgadinhos123. Por outro lado, a redução excessiva do consumo de sal também deve ser evitada, principalmente em pacientes em uso de diuréticos, podendo provocar hiponatremia, hipovolemia e hemoconcentração.

5.4. Moderação no Consumo de Bebidas Alcoólicas

5.5. Exercício Físico

A prática regular de exercícios físicos124-127 é recomendada para todos os hipertensos, inclusive aqueles sob tratamento medicamentoso, porque reduz a pressão arterial sistólica/diastólica em 6,9/4,9 mmHg

* Densidade do etanol

Bebida% de etanol (º GL Gay Lussac)Quantidade de etanol (g) em 100 ml Volume para 30 g de etanolConsumo máximo tolerado

� taça de 300 ml

Uísq�e, vodka, ag�ardente~ 40% �30��0� 40 g/�0 ml x 0,8* = 32 g�3,7 ml~ 2 doses de �0 ml o� 3 doses de 30 ml

Tabela 2. Características das bebidas alcoólicas mais com�ns

Tratamento Não-Medicamentoso

(Tabela 3). Além disso, o exercício físico pode reduzir o risco de doença arterial coronária, acidentes vasculares cerebrais e mortalidade geral128 (A).

Antes de iniciarem programas regulares de exercício físico, os hipertensos devem ser submetidos a avaliação clínica especializada, exame pré-participação (para eventual ajuste da medicação) e recomendações médicas relacionadas aos exercícios. Hipertensos em estágio 3 só devem iniciar o exercício após controle da pressão arterial129.

5.6. Abandono do Tabagismo

Tabela 3. Recomendação de atividade física

5.7. Controle do Estresse Psicoemocional

Estudos experimentais demonstram elevação transitória da pressão arterial em situações de estresse, como o estresse mental, ou elevações mais prolongadas, como nas técnicas de privação do sono. Estudos mais recentes evidenciam o efeito do estresse psicoemocional na reatividade cardiovascular e da pressão arterial135 (B), podendo contribuir para hipertensão arterial sustentada136 (B). Estudos com treinamento para controle do estresse emocional com diferentes técnicas mostraram benefícios no controle91 (B) e na redução da variabilidade da pressão arterial (C), podendo ser utilizado como medida adicional na abordagem não-farmacológica de pacientes hipertensos137 (C). Além disso, a abordagem de aspectos piscoemocionais e psicossociais pode ser útil na melhora da adesão do paciente a medidas terapêuticas nãomedicamentosas e medicamentosas.

Tratamento Não-Medicamentoso

Recomendação populacional Todo ad�lto deve realizar pelo menos 30 min�tos de atividades físicas moderadas de forma contín�a o� ac�m�lada em pelo menos � dias da semana �A��� Recomendação individual

• Realizar exercício em intensidade moderada �B�, estabelecida�� a� pela respiração�� sem ficar ofegante �conseg�ir falar frases compridas sem interr�pção� �D��� b� pelo cansaço s�bjetivo�� sentir�se moderadamente cansado no exercício �C��� c� pela freqüência cardíaca �FC� medida d�rante o exercício �forma mais precisa�, q�e deve se manter dentro da faixa de freqüência cardíaca de treinamento �FC treino� �B�, c�jo cálc�lo é feito da seg�inte forma�� FC = �FC – FC� x % + FC, em q�e�� FC�� deve ser preferencialmente estabelecida em �m teste ergométrico máximo�� Na s�a impossibilidade, pode�se �sar a fórm�la�� FC = 220 – idade, exceto em indivíd�os em �so de betabloq�eadores e/o� inibidores de canais de cálcio não�diidropiridínicos��

FC�� medida após � min�tos de repo�so deitado�� %�� são �tilizadas d�as porcentagens, �ma para o limite inferior e o�tra para o s�perior da faixa de treinamento�� Assim, para sedentários�� �0% e 70%�� para condicionados�� ��0% e 80%, respectivamente��

• Realizar também exercícios resistidos �m�sc�lação� �B��� No caso dos hipertensos, estes devem ser feitos com sobrecarga de até �0% a ��0% de � repetição máxima �� RM = carga máxima q�e se conseg�e levantar �ma única vez� e o exercício deve ser interrompido q�ando a velocidade de movimento dimin�ir �antes da fadiga concêntrica, momento q�e o indivíd�o não conseg�e mais realizar o movimento� �C���

O objetivo primordial do tratamento da hipertensão arterial é a redução da morbidade e da mortalidade cardiovasculares138,139. Assim, os antihipertensivos devem não só reduzir a pressão arterial, mas também os eventos cardiovasculares fatais e não-fatais. As evidências provenientes de estudos de desfechos clinicamente relevantes, com duração relativamente curta, de três a quatro anos, demonstram redução de morbidade e mortalidade em maior número de estudos com diuréticos140-142 (A), mas também com betabloqueadores140,141,143,144 (A), inibidores da ECA144-149 (A), bloqueadores do receptor AT1150,151 (A) e com bloqueadores dos canais de cálcio145,149,152-154 (A), embora a maioria dos estudos utilize, no final, associação de anti-hipertensivos.

O tratamento medicamentoso associado ao não-medicamentoso objetiva a redução da pressão arterial para valores inferiores a 140 mmHg de pressão sistólica e 90 mmHg de pressão diastólica138,139,155 (A), respeitando-se as características individuais, a presença de doenças ou condições associadas ou características peculiares e a qualidade de vida dos pacientes. Reduções da pressão arterial para níveis inferiores a 130/80 mmHg podem ser úteis em situações específicas, como em pacientes de alto risco cardiovascular79,156,157 (A), diabéticos – principalmente com microalbuminúria156-160 (A), insuficiência cardíaca161 (A), com comprometimento renal160 (A) e na prevenção de acidente vascular cerebral148,162 (A).

6.2. Princípios Gerais do Tratamento Medicamentoso

6.3. Escolha do Medicamento

6. Tratamento Medicamentoso

• Ser iniciado com as menores doses efetivas preconizadas para cada sit�ação clínica, podendo ser a�mentadas gradativamente, pois q�anto maior a dose, maiores serão as probabilidades de efeitos adversos��

• Não ser obtido por meio de manip�lação, pela inexistência de informações adeq�adas de controle de q�alidade, bioeq�ivalência e/o� de interação q�ímica dos compostos��

• Ser �tilizado por �m período mínimo de 4 semanas, salvo em sit�ações especiais, para a�mento de dose, s�bstit�ição da monoterapia o� m�dança das associações em �so��

Tabela 1. Características importantes do anti�hipertensivo

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