Extração em extrator de soxhlet e percolação a temperatura ambiente das substâncias contidas nas amêndoas do bacuri

Extração em extrator de soxhlet e percolação a temperatura ambiente das...

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Existem duas técnicas de extração: contínua ou descontínua. Se a substância for mais solúvel no solvente orgânico do que na água, recorre-se ao método descontínuo. Caso contrário, utiliza-se o método contínuo. A escolha do solvente é feita a partir da facilidade de dissolução da substância (polaridade) e da facilidade com que se pode isolar o soluto extraído, isto é, do baixo ponto de ebulição do solvente para sua posterior evaporação.

Este trabalho teve por objetivo efetuar a extração de substâncias contidas nas sementes do fruto de bacuri, por meio da Extração de Soxhlet e Extração por percolação à temperatura ambiente utilizando dois tipos de solventes: metanol e hexano. Na escala de polaridade trabalhou-se com os extremos, no caso com o hexano que é muito apolar e com o metanol que é muito polar. Irá se efetuar desde o processamento de retirada das amêndoas até as extrações e se verificar o rendimento percentual das extrações a quente e a frio, bem como o tempo das extrações utilizando estes solventes.

A planta Platonia insignis, pertencente à família Clusiaceae é popularmente chamada bacurizeiro, é uma espécie frutífera e madeireira, com centro de origem na Amazônia Oriental Brasileira, mais precisamente no Estado do Pará. Ocorre espontaneamente em todos os estados da Região Norte do Brasil e no Mato Grosso, Maranhão e Piauí. Assume importância econômica nos Estados do Pará, Maranhão, Tocantins e Piauí, onde se concentram densas e diversificadas populações naturais, em áreas de vegetação secundária. (LIMA et al.,2007).

O bacuri é um fruto do tamanho de uma laranja, redondo, com casca grossa e de cor amarelo-citrina, contendo polpa viscosa e muito saborosa. Quando maduro, exala um perfume suave e fragrante, que se assemelha ao jasmim (FONSECA, 1954).

Figura 1- Bacuri (Fonte: Site 01)

O fruto do bacuri é muito apreciado na forma de suco, creme, sorvete, geléia, doce, pudim, tortas, iogurte, picolé e fermentados. O óleo das sementes é usado para fazer sabão, tratar doenças de pele e fazer remédios cicatrizantes para ferimentos de animais. O látex amarelo da árvore em algumas regiões é utilizado para o tratamento de eczemas, vírus da herpes e outros problemas de pele (SHANLEY e MEDINA, 2005).

A produção de bacuri é comercializada principalmente na Central de Abastecimento do

Pará S.A. (CEASA) e feiras livres de Belém - PA, São Luís - MA e Teresina - PI, e não tem sido suficiente para atender à demanda crescente do mercado consumidor dessas capitais. Na forma de polpa congelada, a comercialização é feita principalmente nas grandes redes de supermercados dessas capitais a preços superiores aos de outras frutas tropicais como o cupuaçu, o cajá, a goiaba e a graviola, por exemplo. Portanto, a médio ou longo prazo, essa espécie pode se estabelecer como uma nova e excelente alternativa para os mercados interno e externo de frutas exóticas (SOUZA et al.,2001).

As substâncias que se encontram nas sementes do fruto de bacuri podem ser extraídas por dois principais tipos de extrações: Extração de Soxhlet e Percolação a temperatura ambiente.

O extrator de Soxhlet é comumente usado para extrações de amostras sólidas por um solvente quente. A amostra é colocada em um cilindro poroso, confeccionado de papel de filtro resistente, que por sua vez é colocado no interior do aparelho de Soxlet; logo após conecta-se um balão contendo o solvente de extração e um condensador de refluxo. Depois da montagem do aparato inicia-se o aquecimento o balão com solvente de extração, cujo vapor sobe pela conexão e ao entrar em contato com o condensador se liquefaz caindo no cilindro, no qual a amostra se encontra, e lentamente enche-o. Ao preencher totalmente o cilindro, o solvente, já com a substância a ser extraída, é sifonado para o balão onde o solvente encontrava-se inicialmente, e o processo se reinicia até que a extração seja completa. (SILVA et al.,2009).

A percolação a temperatura ambiente é um método de extração de substâncias por meio da solubilização dessas em solventes orgânicos apropriados. Baseia-se no princípio de que semelhante dissolve semelhante.

1- Materiais:

- Material botânico (bacuri): As amêndoas foram extraídas de frutos de Platonia insignis (Bacuri), oriundos do Mercado do Ver-o-Peso, Belém – PA, no mês de Março de 2010.

- Béquer;
- Garras de madeira;
- Erlenmeyer;

- Suporte Universal;

- Papel de filtro;

- Bastão de vidro;

- Aparelho de destilação a vácuo;

- Frascos de vidro;

- Espátula;

- Extrator de Soxhlet;

- Pedras de porcelana;

- Manta aquecedora;

- Água destilada;

- Metanol;

-Hexano.

2- Métodos:

Inicialmente foi feita a extração das amêndoas que se encontram dentro dos caroços do bacuri. Foram utilizados 20 caroços,os quais foram abertos e as amêndoas foram retiradas e levadas ao liquidificador para maceração das mesmas. Deixou-se o material botânico secar ao ar livre durante 6 horas para retirada da umidade. As amêndoas foram submetidas a dois diferentes métodos de extração de substâncias: Extração por Soxhlet (solvente: Hexano) e Extração por percolação à temperatura ambiente (Solventes: Hexano e Metanol).

O método de extração por Soxhlet consiste na recirculação de Hexano durante 1 hora e 40 minutos. O método de extração por percolação à temperatura ambiente consiste no repouso do material botânico com o solvente, hexano e/ou metanol, durante alguns dias. Para os dois métodos de extração foram realizadas filtrações simples e à vácuo e uma posterior concentração do solvente em evaporador rotativo. Para o cálculo do rendimento, foram consideradas as massas dos extratos Hexânico e Metanólico obtidas após a evaporação do solvente e a massa de amêndoa inicial.

ar livre para retirada da umidade

Inicialmente foi feita a extração das amêndoas que se encontram dentro dos caroços do bacuri. Foram utilizados 20 caroços, os quais foram abertos e as amêndoas foram retiradas e levadas ao liquidificador para maceração das mesmas. Deixou-se o material botânico secar ao

Depois de seco, pesou-se uma quantidade do material botânico para extração em Soxhlet e outra para extração a frio.

Extração em Soxhlet

Com o auxilio do papel de filtro, foi feito um cartucho com diâmetro inferior ao do copo do extrator, a altura inferior à do sifão.

Colocou-se no cartucho 51g do material botânico triturado e seco. Dobrou-se o papel de filtro de maneira a fechar o cartucho. O cartucho foi introduzido no extrator e pedras de porcelana foram colocadas no balão para evitar ebulição branda. Em seguida foram feitas as adaptações balão/copo e copo/condensador, e verificado os tubos de borracha e o fluxo de água no condensador.

Em seguida foi adicionado o solvente orgânico, hexano , no copo do extrator num volume de cerca de 1,5 a 2 vezes o volume do sifão. Ligou-se o aquecimento e deixou-se o sistema entrar em regime por aproximadamente 1 hora e 40 minutos, conforme mostra a figura 2. Depois de terminada a extração desligou-se o aquecimento, e deixou-se o sistema esfriar mantendo o fluxo de água no condensador.

Em seguida a torta foi envolta em papel alumínio e colocada na geladeira, caso se precise de mais material, e a mistura contida no balão foi adicionada em um frasco de vidro e também foi colocada na geladeira. Após 24 horas o frasco foi retirado do refrigerador. Observou-se que houve a formação de um precipitado verde claro.

Depois o sólido foi separado por filtração a vácuo, e a fase liquida foi colocada novamente na geladeira. Observa-se que novamente ocorre a formação de precipitado. Separou-se o sólido agora por filtração simples. O liquido foi concentrado em aparelho de evaporador rotativo. O extrato obtido foi colocado em um frasco de massa definida (massa frasco = 113,1g) e coberto com papel alumínio com pequenos furos, para retirada do excesso de solvente, e armazenado na capela. Os sólidos contidos no papel de filtro resultante da filtração a vácuo e da filtração simples foram colocados na capela para retirada de solvente. Foi pesado o extrato liquido obtido e a massa de sólido obtida. Os dados estão relacionados abaixo.

Observação: uma aluna derramou a metade do extrato obtido.

Massa do sólido = 2,5g ( filtração à vácuo ) + 9,5g ( filtração simples) = 12g

Massa do extrato líquido = 118g (massa do frasco mais o extrato) - 113,1g (massa do frasco) = 4,9g

Figura 2 - Extrator de Soxhlet

Foi transferido para um fraco aproximadamente 225g de material botânico seco e triturado. Foi adicionado solvente orgânico, hexano, de maneira que este fique acima do nível do material botânico. Foi realizada uma agitação e em seguida o frasco foi tampado e posto em repouso por 8 dias.

Separou-se a fase líquida por filtração simples. O material sólido contido no papel de filtro foi descartado. O filtrado foi concentrado no evaporador rotativo. Depois de concentrado o líquido foi colocado em um frasco de massa definida (massa frasco = 154,4g), e tampado com papel alumínio contendo alguns furos para se retirar o excesso de hexano e colocado na capela. Em seguida foi determinada a massa de extrato hexanólico obtido:

168g (massa do frasco mais o extrato) – 154,4g (massa do frasco) = 13,6g

Após a extração com hexano, sobre o material botânico foi adicionado metanol. Foi realizada uma agitação e em seguida o frasco foi tampado e posto em repouso por 1 dia.

Decorrido esse tempo, foi realizada uma filtração simples. O material sólido contido no papel de filtro foi descartado e o líquido foi armazenado em um frasco e colocado na capela. Ao material botânico foi adicionado novamente metanol. O frasco foi tampado com papel alumínio e rosca. A mistura foi posta em repouso por 7 dias. Depois desse período, foi realizada uma segunda filtração simples. O material sólido contido no papel de filtro foi descartado e o líquido foi armazenado ao frasco que continha o material líquido resultante da primeira filtração. O filtrado foi concentrado no aparelho de evaporador rotativo.

Depois de concentrado o líquido foi colocado em um frasco de massa definida, e tampado com papel alumínio contendo alguns furos para se retirar o excesso de álcool e colocado na capela. Em seguida foi determinada a massa de extrato metanólico obtida :

Massa de extrato metanólico = 309,2g (massa do frasco + extrato) - 225,6g (massa do frasco ) = 83,6g

Extração em Soxhlet

A extração em Soxhlet foi realizada somente com Hexano. Essa extração está baseada no princípio da solubilidade das substâncias orgânicas contidas nos caroços do bacuri em solvente orgânico à quente, hexano. Da extração obteve-se duais frações: uma sólida e uma líquida. A sólida foi obtida do resfriamento em geladeira do material contido no balão, seguido de filtrações (simples e à vácuo). A substância extraída foi a tripalmitina, que é um triacilglicerol de coloração verde claro. A massa de tripalmitina obtida foi de aproximadamente 12g. Pode-se calcular o rendimento percentual de tripalmitina extraída em 51 g de material botânico em extrator de Soxhlet.

A fração líquida, de coloração verde escuro, foi obtida a partir da retirada do Hexano, em aparelho de destilação a vácuo, do material contido no balão. Depois de concentrada e retirada o excesso de solvente em capela, pode-se determinar a massa de extrato hexanólico à quente extraída em extrator de Soxhlet, que foi 4,9g. Pode-se calcular o rendimento percentual de extrato em 51 g de material botânico extraída em extrator de Soxhlet.

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