Manual de irrigaçao localizada

Manual de irrigaçao localizada

(Parte 1 de 3)

Sendo a irrigação localizada o que há de mais moderno em fornecimento de água para as plantas, a AGROJET® desenvolveu equipamentos específicos para as condições brasileiras, adequando-os ao solo, clima, materiais nacionais, qualidade da água, etc.

planta devera ser rigorosamente igual ao da última

Cada produto é fruto de pesquisas em nível de campo, que comprovam a sua eficiência e robustez. A irrigação localizada permite economia de água e proporcionam alta eficiência de aplicação. O segredo deste tipo de irrigação é que a água é aplicada normalmente à baixa pressão e pequeno volume de forma constante no pé da planta, fazendo que a água penetre no solo caminhando para os lados e para baixo, determinando um campo molhado na área das raízes. Esse molhamento tem que ser uniforme em todo o universo da cultura, ou seja, a quantidade de água oferecida à primeira

O sistema de gotejamento se baseia na distribuição de água, gota a gota, ao pé da planta, provenientes de tubulações fixas (secundárias), às quais estão fixados os gotejadores. Estes gotejadores poderão estar fixos diretamente à linha secundária, onde a mesma é aparente (não enterrada) ou ligada à linha secundária através de microtubo e adaptador, sendo que neste caso apenas os gotejadores são visíveis.

Devido ao pingamento dos gotejadores, se forma abaixo do gotejador uma zona de solo úmido ao qual se denomina “bulbo” de umidecimento.

Dentro deste “bulbo” se formam três zonas com diferentes quantidades de ar e de água: a. A zona saturada – em baixo e em torno do gotejador, forma-se uma zona onde existe um excesso de água e há deficiência de ar; b. A zona de equilíbrio – é a zona que existe uma excelente relação entre o ar e a água; c. A zona seca – é a zona onde existe um déficit de água e um máximo de ar.

O Bulbo de Umidecimento – Conforme o tipo de solo, o movimento da água assume um determinado comportamento, existindo uma relação entre o raio de umidecimento (dimensão horizontal) e a profundidade de umidecimento (dimensão vertical). Essas dimensões determinam o bulbo úmido.

Solo arenosoSolo argiloso

Distribuição de água de um gotejador

O formato do bulbo úmido depende de quatro fatores: a. O solo – O raio de umidecimento é favorecido pela capilaridade do solo, ligado à capacidade de retenção de água. A profundidade de umidecimento é dominada pela força da gravidade, ou seja, pela capacidade de drenagem do solo. Então teremos um bulbo mais achatado nos solos argilosos e mais alongado nos solos arenosos; b. A vazão do gotejador – O raio de umidecimento depende da regulagem do gotejador. Se regularmos um gotejador para uma vazão de 1 ou 2 litros de água por hora, ele produzirá um bulbo mais estreito do que quando regulamos o mesmo gotejador para 4 ou 6 litros por hora. Se analisarmos este comportamento em relação ao tipo de solo, verificaremos que será necessário regularmos o gotejador para maiores vazões em um solo arenoso e no segundo diminuirmos a vazão ou aumentarmos o espaçamento entre gotejadores; c. O tempo de gotejamento – Quanto mais prolongado for o período de gotejamento, maior será o raio de umidecimento, até um determinado limite. Uma vez atingido este limite, começa-se a perder água por lixiviação profunda, diminuindo a eficiência de irrigação; d. A freqüência de irrigação – A medida que ocorre o secamento do solo, aumenta a capacidade de retenção de água pelo solo. Tensões elevadas reduzem a velocidade do movimento da água no solo, portanto a irrigação por gotejamento em um solo seco, produzirá um bulbo demasiadamente estreito, deduzindo-se que é necessário se irrigar com maior freqüência.

O Sistema Radicular pode ser influenciado, nas irrigações por gotejamento, em três situações: a. O solo – Nos solos mais argilosos existe uma tendência natural das plantas em desenvolverem sistemas radiculares mais superficiais. O gotejamento agrava esta tendência. Aconselha-se então aumentar a densidade de semeadura nos cultivos de campo; b. A planta – Em cultivos de campo, como o milho, algodão ou mesmo café adensado, é comum colocarmos uma linha secundária em cada par de linhas de plantio, ou no caso do café um gotejador para cada duas plantas alternadamente. Portanto a distribuição de água provém de um só lado das plantas, e o sistema radicular não é somente limitado, como também assimétrico. Por isso é recomendado que na instalação da cultura se faça o molhamento da forma convencional, ou na impossibilidade deste, use-se gotejadores simetricamente distribuídos. No Brasil, com raras exceções, o sistema de gotejamento é utilizado apenas nos períodos de estiagem, minimizando os efeitos deste problema; c. A sustentação - A extensão restrita e superficial das raízes conduz à falta de sustentação e de equilíbrio de algumas culturas como o milho e algumas frutíferas. A falta de equilíbrio depende da altura da planta e do peso dos frutos. O resultado é o acamamento ou o tombamento das plantas. A solução nestes casos é plantar as culturas susceptíveis ao tombamento em épocas chuvosas ou utilizando-se inicialmente, a irrigação por aspersão.

Zonas de salinização – Em algumas regiões brasileiras, entre elas no Nordeste brasileiro, é comum a presença maciça de sais no solo que inviabilizam o plantio, mesmo se utilizando técnicas de irrigação convencional. Com a irrigação por gotejamento, vão se formar zonas com diferentes concentrações salinas, que tornam perfeitamente possíveis boas colheitas.

sais lavados das zonas anteriores se concentram aqui

A concentração dos sais é diferente em cada uma das três zonas do bulbo úmido conforme apresentado abaixo: a. A zona saturada – Durante o gotejamento, esta zona se encontra em estado de lavagem contínua, com o movimento da água para a segunda zona, à qual leva os sais dissolvidos; b. A zona de equilíbrio – Esta zona contém a água em nível de “Capacidade de campo”, com o movimento da água para a terceira zona. Existe um perfeito equilíbrio entre ar e água e é essa a zona mais importante para o desenvolvimento das raízes. Os sais são lavados para fora. Esta zona termina no perímetro molhado do bulbo; c. A zona seca – Aqui se detém o movimento da água. Os

Zona onde a lavagem dos sais é permanente

Zona de maior concentração. Zona de equilíbrio entre todos os componentes.

Gotejador Distribuição de sais em volta de um gotejador

A eficiência da irrigação por gotejamento é regida por três fatores principais: a. O fator operacional – O elevado número de gotejadores por unidade de área, assegura em princípio, uma ampla e exata distribuição localizada de água, mesmo quando ocorram entupimentos parciais.

- Como não existe o turno de rega, a freqüência da irrigação impede que a água chegue a uma elevada tensão no solo e se previne a flutuação extrema entre umidade e seca.

- A baixa precipitação horária assegura 100% de infiltração, evitando-se o problema do deflúvio superficial, fator decisivo na eficiência da irrigação.

- Com a adição de fertilizantes à água de irrigação cada gota vem misturada com os nutrientes, proporcionando uma perfeita nutrição das plantas; b. O fator ambiente – No gotejamento a água quase não entra em contato com o ar, portanto o vento não tem influência alguma sobre a eficiência da irrigação.

- A umidade relativa do ar influi somente sobre a planta, no tocante a evapotranspiração, não exercendo qualquer influência sobre a gota, ao contrário da aspersão convencional, onde ocorrem grandes perdas por evaporação.

- A temperatura influi da mesma maneira que a umidade, porém seu impacto sobre a eficiência de irrigação é mais pronunciado; c. O fator dimensional - Ao contrário dos fatores anteriores, a relação entre o movimento lateral e o movimento vertical da água no solo, é um fator limitante que influi negativamente sobre a eficiência da irrigação por gotejamento. Desde o momento em que a gota sai do gotejador, esta depende totalmente da força de atração capilar do solo e da força da gravidade.

- O movimento lateral depende, sobretudo, da porcentagem de argila no solo. Em solos mais pesados, a expansão lateral é mais pronunciada e, portanto, há uma relação mais favorável entre as dimensões do bulbo.

- O movimento vertical depende da porcentagem de areia no solo. Solos arenosos facilitam a drenagem, a qual conduz a perdas por lixiviação profunda. O sistema de irrigação por gotejamento, que tem uma eficiência próxima a 100% na parte aérea e sobre a superfície do solo, perde uma elevada porcentagem de sua eficiência por este motivo. A redução da eficiência depende do tipo de solo, da distribuição das raízes, da freqüência da irrigação, da vazão do gotejador, etc. Porém, nenhum sistema consome menos água por unidade de superfície, quando se compara a irrigação por gotejo com a aspersão.

As vantagens do sistema de irrigação por gotejamento –

O gotejamento se pratica essencialmente com equipamento fixo, o qual garante um perfeito domínio sobre o cronograma de irrigação e uma enorme economia de mão-de-obra. A permanência do equipamento depende basicamente do tipo de cultura. Veja abaixo: a. Culturas perenes – Equipamento fixo durante toda a vida da plantação; b. Culturas anuais – Permanência durante o ciclo vegetativo e retirada do equipamento antes ou depois da colheita. c. Distribuição exata da água – A irrigação por gotejamento emprega uma grande quantidade de gotejadores por unidade de área, distribuindo a água em cada ponto do terreno. Cada gotejador trabalha com uma tolerância máxima de ± 8%, o qual assegura uma distribuição uniforme da água. Como trabalhamos com tubulações herméticas, com velocidades da água muito baixas, praticamente não existe perda de carga na tubulação dimensionada, raramente ocorrem desconexões nas tubulações e não ocorrem flutuações de pressão que possam influenciar na uniformidade da aplicação. - Flexibilidade de Aplicação – Podemos variar à nossa vontade:

- O intervalo entre as irrigações.

- E aumentar o número de gotejadores nas linhas secundárias.

- Fixar os intervalos de irrigação e variar a lâmina de água aplicada de acordo com déficit diário (ou viceversa, fixar a lâmina e variar o intervalo).

A diferença da irrigação por gotejamento e a aspersão com equipamento móvel, que nos obriga a adotar o turno de rega, é a possibilidade de basear as decisões em considerações agronômicas e/ou hidráulicas.

- Adaptação às condições do vento – Uma das vantagens mais pronunciadas da irrigação por gotejamento é a sua indiferença á intensidade do vento. A possibilidade de poder irrigar durante horas, onde o vento é mais forte, vem revolucionando o planejamento da irrigação nas zonas onde se irrigava exclusivamente por aspersão. São quatro os benefícios obtidos: a. Melhoria significativa no balanço hídrico entre o dia e a noite; b. Economia no consumo de energia no bombeamento; c. Eliminação dos picos de consumo de água.

- Exploração de solos problemáticos – Em função do molhamento localizado, e devido à sua capacidade de levar os sais para a periferia do bulbo úmido, solos antes desprezados por serem salinos, calcários, pedregosos ou pouco profundos, tornam-se perfeitamente agricultáveis, com produções altamente rentáveis, como segue a baixo: a. Solos salinos impróprios para a produção economicamente viável, se tornam próprios devido à eliminação dos sais na região das raízes durante todo o tempo em que se irriga por gotejamento; b. Solos calcários – As cloroses provocadas pelo excesso de cálcio são quase imperceptíveis, o crescimento vegetativo é praticamente normal e o rendimento simplesmente dobra; c. Solos pouco profundos – Camadas de 30 centímetros de solo já se mostram aptas à irrigação por gotejamento, sempre e quando se aplicarem lâminas de irrigação pequenas em intervalos curtos; d. Solos pedregosos – A semelhança com o anterior, tem-se conseguido resultados surpreendentes com a aplicação conjunta de fertilizantes; e. O uso de águas salinas - é possível fazer o uso das águas salinas em solos comuns, desde que a salinidade não ultrapasse 2.0 micromho, com grandes benefícios para o cultivo; f. Falta de pressão – A pressão da água não cumpre a mesma função quando comparada com o sistema de irrigação por aspersão, onde o rendimento do aspersor, o diâmetro de molhamento, a uniformidade da aplicação dependem da pressão do sistema. O gotejamento requer menos energia que a aspersão e., portanto, pode ser a solução em locais onde a pressão é demasiadamente baixa para a aspersão.

- Nutrição das plantas – A aplicação freqüente de fertilizantes dissolvidos na água de irrigação cria condições ótimas para o desenvolvimento da cultura. A dosagem controlada da água e dos fertilizantes se manifesta em rendimentos elevados, aumentando ao máximo o potencial produtivo da cultura.

- Limitações do volume de água horário – A área irrigada por meio de gotejamento é muito maior do que a área molhada por aspersão quando consideramos um volume definido de água. Tomemos como exemplo uma disponibilidade de água horária de 10,5 m3/h, e utilizando-se aspersores com vazão de 1,5 m3/h e molhamento de 250 m2, então poderemos acionar 7 aspersores de cada vez (10,5 m3/h ÷ 1,5 m3/h = 7), então a área molhada será de 7 x 250 m2 = 1.750 m2.

Com o gotejamento neste mesmo volume de água poderemos acionar 5.250 gotejadores regulados para deixar cair 2 litros/hora (10.500 l/h ÷ 2 litros). Em uma cultura de café com espaçamento de 0,5 metro entre plantas e 2 metro entre linhas, necessitará de 5.0 gotejadores por ha, portanto, poderemos com o mesmo volume de água molhar 10.500 m2, ou seja, uma área 6 vezes maior que a área ocupada pela aspersão.

- Erro humano – Sempre existe a possibilidade de esquecimentos, atrasos ou demora justificada, acarretando tempo de irrigação excessivo. Na cultura de campo sob aspersão a precipitação chega a 6 – 8 m/hora, enquanto que com os gotejadores a precipitação é de aproximadamente 1 m/hora. Em uma hora de irrigação a aspersão coloca no solo de 60 a 80 m3/ha., enquanto o gotejamento apenas 10 m3/há, portanto a demora na interrupção da irrigação será bem menos traumática na irrigação por gotejamento.

- Lotes irregulares – O problema de lotes assimétricos é geralmente reconhecido e representa um problema para qualquer tipo de irrigação. A solução prática é se instalar sistemas de irrigação por gotejamento, onde cada linha secundária tenha o comprimento da linha plantada.

- Cultivos altos – Os problemas de transporte de equipamentos e a sua colocação acima da cultura são praticamente eliminados com a irrigação por gotejamento.

- Problemas fitopatológicos – É fato consumado que a chuva ou irrigação por aspersão umedecem a folhagem, o que constitui um grave problema para algumas culturas. Uma solução seria adotar o sistema de irrigação por sulcos, porém a irrigação por gotejamento tem levado vantagem pela possibilidade de se aplicar defensivos e fertilizantes na água de irrigação, algo quase impossível na irrigação por sulcos. As principais culturas sensíveis às doenças das folhas são as Uvas, Tomate, Pepino, Pimentão e Melão.

- Acesso de maquinários e transporte – Como o sistema de gotejamento não causa escorrimento superficial ou drenagem, isso facilita enormemente a conservação de estradas e carreadores. Além disso, são perfeitamente viáveis os tratos culturais durante o período de irrigação, pois grande parte da superfície se mantém seca e permite a passagem das máquinas agrícolas durante ou imediatamente depois da irrigação.

(Parte 1 de 3)

Comentários