Doenças ocupacionais

Doenças ocupacionais

(Parte 1 de 3)

UNIFICADOS C o l e ç ãoDoenças e Acidentes de Trabalho

Sindicato Químicos Unificados Campinas - Osasco - Vinhedo

TEMA 1

Introdução05
Como adoecem os trabalhadores06
O que são doenças do trabalho06
O que é acidente do trabalho06
O que é L.E.R. ou D.O.R.T07
Estágios da LER08
Diagnóstico09
Tratamento09
Quais os fatores de risco?10

Índice

as doenças do trabalho12
Direito dos trabalhadores14
Acidente de Trabalho14
Auxílio-doença (seguro)16
Reabilitação16
Auxílio-acidente16
Estabilidade no emprego16
LER/DORT e direitos humanos17
Conclusão: o que fazer?19

Como podemos previnir CAT- Comunicação de Aposentadoria por invalidez acidentária.. 16 2

Apresentação

O Sindicato dos Químicos Unificados de Campinas, Osasco e Vinhedo apresenta sua Coleção sobre Doenças e Acidentes de Trabalho. Este material tem o objetivo de ser um instrumento de informação para trabalhadores e trabalhadoras sobre o adoecimento no e pelo trabalho.

Este primeiro tema trata de questões relativas à LER/DORT, hoje verdadeira epidemia em nossa categoria.

rão, .................., .........

Os demais números aborda-

Você vende sua força de trabalho e não sua saúde ou sua vida para a empresa. Defenda-se. Procure o sindicato e denuncie situações irregulares ou de risco para a saúde em seu local de trabalho.

A diretoria

UNIFICADOS 3

COLEÇÃO4

As Lesões por Esforço Repetitivo

(LER) ou Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT), como são denominados pelo Ministério da Previdência e Assistência Social (MPAS) e pelo Ministério da Saúde (MS), constituem-se num dos mais sérios problemas de saúde enfrentados pelos trabalhadores e sindicatos nos últimos anos no Brasil e no mundo.

Cerca de 80% a 90% dos casos de doenças relacionadas ao trabalho conhecidos nos 10 últimos anos no país são representados pela LER/ DORT, o que evidencia a gravidade e abrangência do problema. Esse é sem dúvida um dos reflexos mais diretos das mudanças ocorridas nas condições e ambientes de trabalho, com a introdução de processos automatizados, aumento do ritmo de trabalho, novas formas de gestão com ênfase na produtividade e lucro, desencadeando maior pressão para a execução das tarefas. Isso sem mencionar a redução dos postos de trabalho, o que vem provocando cada vez mais competição entre os próprios trabalhadores.

No dia a dia do sindicato, temos ouvido que as empresas enxergam estes trabalhadores adoecidos como perigosos disseminadores de insatisfações, queixas, dores e incapacidades.

Os adoecidos geralmente tentam se esconder achando que os sintomas passarão. Adiam ao máximo a procura por auxílio e quando chegam à conclusão de que não conseguem continuar trabalhando, procuram assistência médica e suas vidas se tornam uma eterna busca de provas de seu adoecimento.

Muitos pesquisadores demonstram que os dados oficiais só declaram um número muito menor do que o real.

O Estado tem negligenciado ao não fiscalizar os ambientes de trabalho adequadamente no que toca ao grande número de riscos nos ambientes de trabalho de forma geral. Ele não exige o cumprimento da legislação, descumprindo então o seu papel social de protetor da saúde e de um meio ambiente saudável.

Por este motivo, necessitamos de soluções reais que resgatem a dignidade e a saúde do ser humano, visto atualmente somente no aspecto produtivo.

Esta publicação visa orientar os trabalhadores a identificar os primeiros sinais e sintomas da doença, a reivindicar seus direitos e garantir que eles sejam respeitados.

Cabe aos trabalhadores organizarse e lutar para mudar este quadro, pois somente dessa forma será possível mudar as situações de trabalho causadoras das LER/DORT.

Como adoecem os trabalhadores?

O processo de adoecimento dos trabalhadores tem relação com o modo de trabalhar, principalmente em função das exigências do mercado. De olho nos lucros, o capital prioriza a diminuição dos custos de produção, redução do emprego e o aumento da produtividade, aumentando muito a pressão por produção sobre os trabalhadores. Para isso, introduz novas formas de gestão, de organização do trabalho, tecnologia e equipamentos, desprezando as consequências da saúde de quem trabalha. Na prática, isso tem significado a limitação da autonomia dos trabalhadores sobre os movimentos do próprio corpo, redução de sua criatividade e liberdade de expressão com a execução de atividades repetitivas por tempo prolongado.

As LER/DORT e as doenças mentais, entre outras, são a consequência mais evidente de todo esse processo nos dias atuais.

O que são doenças do trabalho?

São doenças geradas pelo exercício de algumas atividades ou profissão e tem relação direta com as condições de trabalho.

O que é acidente de trabalho?

É o infortúnio relacionado a saúde e a vida que ocorre pela realização do trabalho, podendo provocar lesão corporal ou distúrbio psicológico, morte, perda, redução temporária ou permanente da capacidade para o trabalho.

LER- Lesões por Esforço Repetitivo/ DORT – Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho

7 O qUE é LER OU DORT?

A sigla LER foi criada para identificar um conjunto de doenças que atingem músculos, tendões e nervos, geralmen- te em membros superiores (dedos, mãos, punhos, antebraços, braços e pescoço) e tem relação direta com as condições de trabalho. Pode ocorrer também em membros inferiores (pernas) e coluna vertebral.

São inflamações e lesões provocadas por atividades do trabalho, que exigem do trabalhador realizar suas tarefas em condições que não são ergonômicas (por exemplo, trabalhar fazendo força física, posições incômodas e inadequadas, repetitividade entre outros fatores). A partir da Instrução Normativa 98 do INSS (IN 98), este fenômeno é chamado de LER/DORT.

Assim, as LER/DORT abrangem doenças relacionadas a estrutura músculo esquelético cuja ocorrência é decorrente de sobrecarga no trabalho.

Abaixo relacionamos algumas doenças que podem ter relação com o trabalho e podem ser consideradas LER/DORT, conforme avaliação médica:

l Tenossinovite : inflamação de tecido que reveste os tendões.

l Tendinite : inflamação dos tendões.

l Epicondilite: inflamação de tendões do cotovelo.

l Bursite: inflamação das bursas (pequenas bolsas que se situam entre os ossos e tendões das articulações do ombro).

l Miosites: inflamação de grupos musculares em várias regiões do corpo.

l Síndrome do Túnel do Carpo: compressão do nervo mediano ao nível do punho.

l Síndrome Cervicobraquial: dor difusa em membros superiores e região da coluna cervical.

l Síndrome do Ombro Doloroso: compressão de nervos e vasos na região do ombro l Cisto Sinovial: tumoração esférica no tecido perto da articulação ou tendão.

l Doença de Quervain: Inflamação da bainha de tendões do polegar.

Estágios da LER:

As LER podem ser controladas se forem diagnosticadas no seu início e tiverem o tratamento adequado. É bom ressaltar que temos casos inclusive de cura se o caso for diagnosticado e tratado corretamente logo no começo, além, é claro, de ser afastado das condições de risco que ocasionaram o caso. Entretanto, a grande maioria dos casos que conhecemos já são crônicos, sem possibilidade de cura, uma vez que foram diagnosticados tardiamente.

Diagnóstico:

O diagnóstico desta doença, segundo as normativas da Previdên- cia Social e do Ministério de Saúde é clínico. Isto significa dizer que basta um médico especializado, que conheça sobre a doença, examinar as pessoas corretamente, para que se tenha um diagnóstico. Os exames subsidiários, como por exemplo, ultra-som, radiografia, eletroneuromiografia ou ressonância magnética podem auxiliar neste processo de diagnóstico. Atualmente, um novo exame conhecido como termografia cutânea tem apresentado grandes perspectivas de tornar o diagnóstico mais preciso, melhorando com isto as possibilidades de dar um tratamento de saúde mais adequado.

Tratamento:

(Parte 1 de 3)

Comentários