Pesquisa sobre doenças ocupacionais

Pesquisa sobre doenças ocupacionais

  • Doenças Ocupacionais

Todos os anos, centenas de trabalhadores são atingidos por diversas doenças que, geralmente, tem origem no seu trabalho. Denominadas de doenças ocupacionais, esta datam o aparecimento após a primeira Revolução Industrial. Ocorrida em meados do séc. XVIII, o mundo todo sofreu inúmeras modificações. Movidos por um grande mercado consumidor em expansão, os produtores viram-se obrigados a abandonar seus métodos tradicionais de produção industrial e arriscar seu capital em novos e revolucionários métodos, capazes de ampliar, em proporções nunca imaginadas, sua produção. As mudanças trazidas pelo avanço tecnológico ocorrido nesta fase foram sensivelmente sentidas e se estendem até nossos dias. Os antigos artesãos, habituados a controlar o seu próprio ritmo de trabalho, agora tinham que se submeter à disciplina da fábrica, muito mais rígido, com claro enfoque na produção.

Rapidamente, visando alcançar resultados mais expressivos em termos numéricos, os proprietários das empresas elevaram suas exigências em relação ao trabalhador, aumentando o ritmo de trabalho, intensificando a pressão, o nível de exigência quanto aos resultados e aumentando a jornada de trabalho.

Conseqüentemente, com os novos objetivos traçados pela elite burguesa, remetendo diretamente ao crescimento do capital e ao rendimento, a manutenção do corpo foi sendo colocada em segundo plano. Porém, naturalmente e como resposta a um enfoque menos humano e mais mecanicista em relação ao trabalho, o ônus causado pela despreocupação com o corpo começou a aparecer. Para atender às exigências da empresa, o trabalhador, por muitas vezes, era como que obrigado a sacrificar seu corpo em busca de um bem maior. O uso inadequado do corpo, através de posturas indevidas, da manutenção da posição sentada ou em pé por longo período, da falta de cuidado no ajuste do ambiente de trabalho, fez com que surgissem problemas advindos do trabalho. Sintomas patológicos foram sendo detectados com crescente freqüência, relacionados ao trabalho.

Doenças Trabalhistas e a Legislação Brasileira

Desta forma, as doenças relacionadas ao ambiente de trabalho tornaram-se mais freqüentes e a preocupação com elas foi cada vez mais acentuada. Inclusive, por sua grande incidência em trabalhadores, foram incluídas também na legislação brasileira. Segundo a Legislação Previdenciária, na Lei nº 8213/91, art.20º, doença trabalhista é “a adquirida ou desencadeada em função de condições especiais em que o trabalho é realizado e com ele se relacione diretamente”..

No entanto, existem ainda grandes lacunas quanto às formas de lidar com este problema, sendo que as leis ainda parecem, em muitas vezes, omissas ou incompletas em relação ao assunto. A relação da doença com o trabalho é mais claramente discriminada pelo Ministério da Previdência Social na Lei n.10683, de 28.05.2003.

Programas de Promoção da Saúde

A grande preocupação com as doenças ocupacionais está fortemente ligada à sua maior e crescente incidência. No estado de São Paulo, a Previdência Social registrou 6.382 casos em 1987 e 20.646 em 1995 (IRIE, 2003, p.35). Ainda que tenha havido problemas para mensurar o número de casos em 1987, tornando o crescimento dos índices questionável, o índice alcançado em 1995 é altamente alarmante. Além do mais, segundo dados da Previdência Social (BRASIL, 2002), o número de casos de doenças ocupacionais de 1995 se mantém semelhante atualmente, com o índice de 2002 sendo de 20.886 trabalhadores. Dessa forma, um dos questionamentos mais pertinentes é sobre a forma de prevenção destas doenças, que é um desafio para empresas, especialmente em vista das planilhas de custo tornarem-se cada vez maior, infladas pelo tratamento destas doenças.

A partir destes mesmos resultados, mesmo com a diferença de tempo, pode-se inferir que os cuidados tomados atualmente em relação a segurança do trabalhador são os mesmos. O que reforça a idéia de insegurança e um alto grau de periculosidade ao trabalhador, dependendo é claro do trabalho que este possui.

Proporcionalmente às doenças do trabalho emergem também os custos com afastamentos de funcionários por problemas de saúde. Em vista disso, surgiram os Programas de Promoção da Saúde, propondo acrescentar ao trabalho atividades que diminuíssem as doenças ocupacionais, geralmente, munidas de exercícios físicos, alterações ergonômicas ou dicas para o bem estar, por exemplo. Shepard (1999) indica que estes “são vistos como um caminho para ajudar a manter os trabalhadores saudáveis e, necessariamente, diminuir os custos com a saúde dos mesmos”.

Diante da atuação desses programas, mudanças começaram a ocorrer dentro das empresas. Ainda que os estudos desta área sejam recentes, apontam resultados interessantes, como os apresentados pelo Movimento Esportes Qualidade de Vida Ltda, empresa que trabalha com a implantação e manutenção de programas de promoção da saúde.

Ginástica Laboral

Existe várias formas de atuação dentro de um programa de promoção da saúde aplicado em empresas, que adotam como ferramentas a favor da qualidade de vida programas de treinamento em equipe, ergonomia e práticas de atividade física dentro do ambiente de trabalho, condicionamento físico em academias internas, massagens rápidas, entre outras.

Uma forma específica de atividade física tem se consolidado, nos últimos anos, como um meio altamente eficaz para o bem estar dos funcionários de uma empresa: a ginástica laboral (GL). Ainda que pareça uma atividade nova no mundo, tem registros de implantação no Japão já em 1928. Ainda aparecem outros registros da ginástica de pausa para operários na Polônia, na Holanda, na Rússia, na Bulgária, na Alemanha Oriental e em outros países.

Esta modalidade de ginástica também pode ser denominada de ginástica laboral compensatória, ginástica do trabalho ou ginástica de pausa e caracteriza-se por ser aplicada dentro do ambiente de trabalho, visando a melhoria da saúde do trabalhador, o aumento do desempenho profissional, a redução de custos com despesas médicas e absenteísmo , é leve e de curta duração, visa prevenirdoenças originadas por traumas cumulativos, prevenir a fadiga muscular, corrigir vícios posturais. Além do mais, de forma indireta, facilita a promoção do bem-estar do funcionário, à medida que este se sente cada vez menos indisposto fisicamente para o trabalho. A GL também pretende aumentar a disposição do funcionário ao iniciar e retornar ao serviço e promover maior integração no ambiente de trabalho.

A ginástica laboral é dividida segundo dois critérios: o momento em que o exercício é realizado ou o objetivo por que é realizado. Segundo o momento em que é ela feita, pode ser classificada como:

a) preparatória: realizada antes do início do expediente, logo após o funcionário ter “batido o cartão”, durando cerca de 20 minutos;

b) compensatória: aquela aplicada ao trabalhador no meio do expediente. Popularmente e até no meio acadêmico, a ginástica laboral compensatória é conhecida como ginástica de pausa, visto que as empresas que trabalham com a GL compensatória geralmente aplicam uma pausa ativa após 3 ou 4 horas do início do serviço para a realização dos exercícios;

c) Relaxante: a realizada ao final do expediente, normalmente iniciando 10 a 15 minutos antes do final do expediente. A classificação através dos objetivos ainda encontra algumas variações na literatura, mas, de forma geral, está dividida em: corretiva (visando equilibrar o antagonismo muscular), compensatória (prevenção na fixação de vícios posturais), de conservação

Lista de Doenças relacionadas ao trabalho do Ministério da Saúde

A importância da listagem de doenças que são originadas pela condição do trabalho é para a implementação de medidas de proteção a elas e para que o trabalhador seja compensado através de indenizações e de uma possível aposentadoria. São diversas as doenças que são listadas segundo a Lei 8.080/90 - inciso VII, parágrafo 3º do artigo 6º - disposta segundo a taxonomia, nomenclatura e codificação da CID-10). Observem abaixo algumas delas:

AGENTES ETIOLÓGICOS OU FATORES DE RISCO DE NATUREZA OCUPACIONAL

DOENÇAS CAUSALMENTE RELACIONADAS COM OS RESPECTIVOS AGENTES OU FATORES DE RISCO (DENOMINADAS E CODIFICADAS SEGUNDO A CID-10)

Arsênio e seus compostos arsênicos

Conjuntivite, Ulceração ou Necrose do Septo Nasal.

Asbesto ou Amianto

Asbestose, Neoplasia maligna do estômago e etc.

Benzeno e seus homólogos tóxicos

Leucemias, Síndromes Mielodisplásicas e etc.

Berílio e seus compostos tóxicos

Neoplasia maligna dos brônquios e do pulmão, Berilose e etc..

Bromo

Faringite Aguda (“Angina Aguda”, “Dor de Garganta”)

Chumbo ou seus compostos tóxicos

Outras anemias devidas a transtornos enzimáticos

Cromo ou seus compostos tóxicos

Dermatite Alérgica de Contato

Considerações FinaisA partir das informações apresentadas depreende-se que existem várias doenças ocupacionais e atualmente há um alto custo para tratá-las sendo necessário então um planejamento de promoção da saúde que é uma ferramenta essencial para garantir o bem-estar dos trabalhadores, proporcionando um ambiente mais agradável de trabalho e garantindo a produtividade da empresa.

Bibliografia

http://www.inovesempre.com.br/artigos.php?id=149 acessado em 18/04/10 ás 15h19min.

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