Extração de Ácido Graxos da Semente do Tucumã Açu (Astrocaryum macrocarpum Huber)

Extração de Ácido Graxos da Semente do Tucumã Açu (Astrocaryum macrocarpum...

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Rafael Macêdo Bittencourt

Extração de ácidos graxos da semente do Tucumã Açú (Astrocaryum macrocarpum Huber)

Rafael Macêdo Bittencourt

Extração de ácidos graxos da semente do Tucumã Açú (Astrocaryum macrocarpum Huber)

Trabalho de conclusão de curso para obtenção do grau de licenciado em Química.

Orientador(a): Prof. M. Sc. Ana Júlia de Aquino Silveira

Rafael Macêdo Bittencourt

Extração de ácidos graxos da semente do Tucumã Açú (Astrocaryum macrocarpum Huber)

Trabalho de conclusão de curso para obtenção do grau de licenciado em Química.

Data da apresentação: 21 / 12 / 2009

Banca Examinadora

Profª. M.Sc. Ana Júlia de Aquino Silveira Instituto de Química/ UFPA – Orientadora

Profª. Drª. Maria da Conceição Nascimento Pinheiro Núcleo de Medicina Tropical/ UFPA – Membro

Profª. M.Sc. Marcia Cristina Freitas da Silva Núcleo de Medicina Tropical/ UFPA – Membro

Primeiramente a Deus por ter me concedido a oportunidade de ingressar em uma Universidade de grande prestigio e poder obter este título que é de grande importância para mim.

As orações da minha avó Ermila Ramos que incansavelmente sempre pediu a Deus que abençoasse esta profissão que escolhi.

A professora Ana Júlia que aceitou me orientar neste trabalho. Ao pós – graduando Leyvison Rafael que analisou as amostras no laboratório de combustíveis (LAPAC) da Universidade Federal do Pará.

As minhas colegas de classe Francilena e Giselle que me cederam a semente que trabalhei nesta monografia, especialmente a Gleicy que me apoiou em todos os momentos deste trabalho.

1 – INTRODUÇÃO09
1.1 – ÓLEOS E GORDURAS10
1.1.1 – O que são óleos e gorduras?10
1.1.2 – Composição de óleos e gorduras12
1.1.3 – Ocorrência e produção de óleos e gorduras14
1.2 – ÁCIDOS GRAXOS E O ORGANISMO HUMANO15
1.2.1 – Função dos Ácidos graxos20
1.2.2 – Classificações dos Ácidos graxos2
1.2.2.1 – Ácidos Graxos Saturados2
1.2.2.2 – Ácidos Graxos Insaturados2
1.2.2.3 – Ácidos Graxos Essenciais23
1.2.3 – A importância dos Ácidos graxos essenciais24
1.2.4 – O Colesterol e a saúde humana25
1.2.5 – Os ácidos graxos ômegas 3 e 6 e seus efeitos medicinais27
2 – ASPECTOS GERAIS DO TUCUMÃ AÇÚ28
2.1 – O gênero Astrocaryum28
2.2 – Beneficiamento dos Tucumanzeiros29
2.3 – Descrição botânica das palmeiras de Tucumã Açú29
3 – MATERAIS E MÉTODOS32
3.1 – A Cromatografia gasosa36
3.2 – O método oficial AOCS Ce 1-6237
4 – RESULTADOS E DISCUSSÕES

SUMÁRIO 39

4.1 – Resultados para o óleo da polpa do Tucumã Açú40
4.2 – Resultados para a gordura da amêndoa do Tucumã Açú41
ácido graxo da polpa e amêndoa do Tucumã Açú

4.3 – Relação das quantidades determinadas para o mesmo tipo de 42

5 – CONCLUSÃO4
6 – REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS45
ANEXOS48
48

Análise do óleo fixo da polpa do Tucumã Açú Análise da gordura da amêndoa do Tucumã Açú .................................... 49

1 – Triacilglicerol10
2 – Um óleo1
3 – Uma gordura1
4 – Ácido Esteárico12
5 – Síntese do glicerídeo a partir do glicerol e ácido graxo12
6 – Lecitina13
7 – Ácidos graxos16
8 – Prostaglandina E216
9 – Prostaglandinas F1α16
10 – Síntese de ácidos graxos21
1 – Ácido Palmítico2
12 – Ácido Mirístico2
13 – Ácido Palmitoléico23
14 – Ácido Oléico23
15 – Ácido Linoléico24
16 – Ácido Linolênico24
17 – Palmeira de Tucumã Açú30
18 – Fruto de Tucumã Açú31
19 – Óleo obtido da extração da polpa do Tucumã Açú3
20 – Amêndoa do Tucumã Açú e extração a frio com acetona34
21 – Filtração da amêndoa do Tucumã Açú34
2 – Gordura obtida da amêndoa do Tucumã Açú35
23 – Cromatografo VARIAN CP 380036
gás – liquido

ÍNDICE DE FIGURAS 24 – Representação esquemática do equipamento para cromatografia 37

1 – Composição em ácidos graxos de alguns óleos e gorduras17
2 – Ácidos graxos que ocorrem nos óleos e gorduras comestíveis19
3 – Conteúdo em gramas de gordura em 100 gramas de alimento26
tucumã

ÍNDICE DE TABELAS 4 – Percentual de ácidos graxos encontrados no óleo da polpa do 40

do tucumã

5 – Percentual de ácidos graxos encontrados na gordura da amêndoa 41

polpa e amêndoa do Tucumã Açú

6 – Relação entre a composição do mesmo tipo de ácido graxo para 42

óleo

1 – Principais vegetais oleaginosos e seu respectivo conteúdo de 14

2 – Composição em ácidos graxos de alguns óleos e gorduras18
3 – Quantidade percentual dos ácidos graxos no óleo do Tucumã40
polpa e amêndoa do Tucumã Açú

4 – Quantidade percentual dos ácidos graxos na gordura do Tucumã . 41 5 – Relação entre a composição do mesmo tipo de ácido graxo para 42

Neste trabalho foram abordados os ácidos graxos analisados a partir da obtenção do óleo fixo da polpa desta semente, Tucumã Açú (Astrocaryum macrocarpum Huber), também chamada de Jabarana. O fruto foi colhido aos arredores da Rodovia Transcametá pelos moradores da área. A assepsia do fruto ocorreu de forma que pudesse ser realizada a extração a frio. A analise do óleo fixo da polpa e da gordura da amêndoa foi determinada por cromatografia gasosa, utilizando o método oficial AOCS Ce 1-62, no laboratório de pesquisa da UFPA – LAPAC (Laboratório de Pesquisas e Analises de Combustíveis). Entre os ácidos graxos determinados no óleo da polpa encontram-se os ômegas 3 (Ácido Linolênico), 6 (Ácido Linoléico) e 9 (Ácido Oléico), ácido Palmitoleico, Margarico e Araquidico, dos quais o ômega 9 foi o que apresentou maior quantidade. Na análise da gordura da amêndoa foram determinados os ácidos Linolênico, Margarico, Heneicosanoico, Oleico, Palmitico, Miristico e Laurico, sendo que o último ácido apresentou maior quantidade percentual na composição. Este trabalho demonstrou a importância da polpa deste fruto em fazer parte da dieta da população local por apresentar em sua constituição um grande quantidade de ácido oléico, também chamado de ômega 9 e que o ácido Láurico, principal constituinte da amêndoa, também pode ser utilizado para fins alimentares.

9 1 – INTRODUÇÃO

O Tucumanzeiro é uma palmeira do tropico úmido e sua grande importância está no uso de seus frutos, cuja polpa é consumida natural ou como na elaboração de diversos produtos. O tucumã de uma forma geral esta despertando interesse devido à procura intensa por seus frutos, em Manaus a polpa é utilizada em lanchonete na elaboração de sanduíches que são consumidos pela população local ou turistas (OLIVEIRA, 2003; LIMA, 1986).

As palmeiras de Tucumã Açu (Astrocaryum macrocarpum Huber) são oleaginosas cujos frutos são amarelos alaranjados e são maiores e mais carnudos que os tucumãs comuns (LE COINTRE, 1931).

Espécies de Tucumã Açú tem se destacado em alguns estudos científicos como a produção do biodiesel com a amêndoa e a polpa do fruto e também o aproveitamento da casca da semente para produção de carvão ecológico, isto é, um material menos agressor para o meio ambiente. Estes estudos tem se revelado no Estado do Amazônas principalmente com as espécies Astrocaryum tucuma Martius e Astrocaryum aculeatum, devido à riqueza destas nas florestas do Estado. Do Tucumã pode-se aproveitar tudo, desde a polpa para consumo, até a amêndoa para produção de alimentos, como a margarina (BAHIA, 1982; CAVALCANTE, 1996; LIMA, 1986).

A escolha da semente do Tucumã Açú (Astrocaryum macrocarpum

Huber) se deu pelo fato de a região Amazônica ser caracterizada por espécies que quase não se conhece em termos de analise cientifica, com o Tucumã Açú não é diferente, pois a literatura sobre esta é quase inexistente, isto é, não se tem trabalhos sobre o óleo e a gordura desta espécie Astrocaryum macrocarpum Huber.

O trabalho tem por objetivo investigar a composição de ácidos graxos que compõem esta semente, detalhar o método de extração que foi utilizado e o método de determinação do Ester metílico de tal forma que esta monografia se torne uma contribuição para futuras investigações cientificas nesta área. Ao longo do trabalho será realizada uma abordagem sobre o beneficio da ação dos ácidos graxos no organismo do homem, os aspectos biológicos dos tucumanzeiros (Astrocaryum macrocarpum Huber), assim como relatar alguns aspectos referentes a óleos e gorduras e despertar futuras pesquisas com essa oleaginosa que tem, sem dúvida, um potencial muito grande e benéfico para o Estado do Pará.

1.1 – ÓLEOS E GORDURAS

1.1.1 – O que são óleos e gorduras?

Os óleos e gorduras são substâncias insolúveis em água (hidrofóbicas), de origem animal ou vegetal, formados predominantemente por ésteres de triacilgliceróis, produtos resultantes da esterificação entre o glicerol e ácidos graxos. Os triacilgliceróis (ver figura 1) são compostos insolúveis em água e a temperatura ambiente e possuem uma consistência de líquido para sólido. Quando estão sob forma sólida são chamados de gorduras e quando estão sob forma líquida são chamados de óleos. Além de triacilgliceróis, os óleos contêm vários componentes em menor proporção, como mono e diglicerídeos; ácidos graxos livres; proteínas, esteróis e vitaminas (SOLOMONS, 2002).

Figura 1: Um triacilglicerol (Fonte: Berg, 2008)

Os óleos vegetais possuem de uma a quatro insaturações, isto é são caracterizados por apresentar ao longo da sua estrutura carbono sp2 ou sp (ligações duplas ou triplas), sendo líquidos à temperatura ambiente (ver figura 2); as gorduras são sólidas à temperatura ambiente, devido a sua constituição em ácidos graxos saturados, ou seja, apresentam ao logo da cadeia carbono sp3 (ver figura 3) (ALTANAN, 1958).

As gorduras animais como a banha, o sebo comestível e a manteiga, são constituídas por misturas de triacilgliceróis, que contém um número de saturações maior do que o de insaturações, conferindo-lhes maior ponto de fusão (sólidos à temperatura ambiente). De maneira análoga, os óleos por possuírem um número maior de insaturações, expressam menor ponto de fusão (líquidos à temperatura ambiente). A maioria dos ácidos graxos de óleos comestíveis possui uma cadeia carbônica de 16 a 18 carbonos (ver figura 4) (FERNANDES, 2007; FENNEMA, 2000).

Figura 2: Um óleo (Fonte: Solomons, 2006)

Figura 3: Uma gordura (Fonte: Solomons, 2006)

1.1.2 – Composição de óleos e gorduras

Os óleos e gorduras apresentam como componentes substâncias que podem ser reunidas em duas grandes categorias:

a) glicerídeos b) não-glicerídeos.

a) glicerídeos: são definidos como produtos da esterificação de uma molécula de glicerol com até três moléculas de ácidos graxos (ver figura 5).

Figura 4: Ácido Esteárico (Ácido Octadecanóico) (Fonte: Solomons, 2006)

Figura 5: Síntese de Glicerídeo a partir do Glicerol e ácido graxo (Fonte: Vianne, 1995)

Os ácidos graxos são ácidos carboxílicos de cadeia longa, livres ou esterificados, constituindo os óleos e gorduras. Quando saturados possuem apenas ligações simples entre os carbonos e possuem pouca reatividade química. Já os ácidos graxos insaturados, contêm uma ou mais ligações duplas no seu esqueleto carbônico; são mais reativos e mais suscetíveis a termooxidação.

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