Extração de Ácido Graxos da Semente do Tucumã Açu (Astrocaryum macrocarpum Huber)

Extração de Ácido Graxos da Semente do Tucumã Açu (Astrocaryum macrocarpum...

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tucumã por está localizada na região Amazônica

O Tucumã Açu (Astrocaryum macrocarpum Huber) foi colhido (uma quantidade de 35 sementes) aos arredores da Rodovia Transcametá (local onde se encontram muitas palmeiras de Tucumã Açu desta espécie), município de Cametá, no Estado do Pará no dia trinta de maio de dois mil e oito, pelos moradores da área. Esse período caracteriza-se pela intensa frutificação das palmeiras de tucumã dessa espécie. Esses Tucumanzeiros apresentam estipe medindo 15 m e estão localizadas em solo seco, segundo (OLIVEIRA, 2003) se desenvolvem em diversos ambientes como igapós, terras firmes e várzeas e em climas quentes e úmidos, sendo o regime chuvoso o fator climático mais importante para o seu desenvolvimento. O município de Cametá apresenta essas características favoráveis para o desenvolvimento desta espécie de

Os frutos, depois de adquiridos pelos moradores do município onde ocorreu a coleta, foram armazenados em um saco e transportados a capital do estado. Quando chegou a Belém, isso por volta de uma semana depois, imediatamente passou por um processo de assepsia, no laboratório de química do Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Federal do Pará, no qual foi – lhe retirado qualquer espécie de impureza que viesse interferir no processo de análise. Após o processo de limpeza, o fruto foi dividido em partes, que foram: a polpa e a amêndoa do caroço.

A polpa do fruto foi retirada com auxilio de tesoura e faca e armazenada em um balão de fundo chato de 2000ml, a fim de se realizar extrações com acetona, e obter o óleo para análise de ácidos graxos. A massa da espécie trabalhada foi de 673,22g. No total foram realizadas oito extrações desta massa da polpa.

A primeira extração a frio foi realizada na mesma semana da retirada da polpa, não foi obtido óleo no momento da filtração (processo de filtração simples). A partir da segunda até a quinta extração foi que se obtive óleo, porém em quantidades mínimas. A partir da sexta extração a frio da polpa não foi obtido óleo (ver figura 19).

No momento da filtração, o óleo era separado e os extratos acetônicos eram guardados na geladeira por alguns dias, cerca de três ou quatro, e depois filtrados para reter restos de óleos sobrenadantes, pois no processo de filtração sempre se passava óleo pelo papel de filtro. Houve momentos em que a filtração do extrato acetônico da espécie de tucumã Açu trabalhada era realizada na geladeira devido à difícil retenção no papel de filtro

A semente do referido fruto (ver figura 20) foi quebrada em um torno mecânico a fim de retirar-se a amêndoa. Após o processo de retirada da amêndoa, esta foi cortada em pedaços menores e acondicionada em um erlenmeyer de 1000ml a fim de se realizar a extração com acetona (ver figura

Figura 19: Óleo obtido da extração da polpa do Tucumã Açú

21). No total foram realizadas sete extrações. Da primeira a quinta extração obteve-se somente gordura (ver figura 2), a amêndoa do tucumã não produziu óleo. O óleo da polpa e a gordura da amêndoa, depois de armazenados em pequenos vidros, foram enviados para análise.

Figura 20: Amêndoa do Tucumã Açú e extração a frio com acetona

Figura 21: Filtração da amêndoa do Tucumã Açú

A obtenção do óleo fixo de qualquer fruto também segue mediante extrações a frio ou a quente. As etapas para obter-se o óleo fixo seguem da mesma forma que o primeiro caso, porém no segundo caso há uma mudança, pois o material é armazenado em um recipiente e adicionado solvente, no qual polpa e solvente ficam em contato por alguns dias. O óleo extraído é analisado no cromatográfico e assim determinado a composição em ácidos graxos (RIBEIRO, 1978).

A composição em ácidos graxos do óleo do Tucumã Açú foi determinada por cromatografia gasosa, utilizando o método oficial AOCS Ce 1-62, Cromatográfo VARIAN CP 3800 (ver figura 23), com detector de ionização de chama FID, vale ressaltar que o óleo foi esterificado pelo método oficial AOCS Ce 2-6, pelo operador Leyvison Rafael Vieira da Conceição, no dia vinte e quatro de abril de dois mil e nove, às dez horas e vinte e oito minutos.

Figura 2: Gordura obtida da amêndoa do Tucumã Açú

3.1 – A Cromatografia gasosa

A cromatografia gás – líquido (GLC) (ver figura 24) é aplicada a misturas naturais e sintéticas de triglicerídeos e glicerídeos parciais e a ésteres de ácidos graxos, porém antes dos ácidos graxos serem identificados é necessário convertê – los em componentes que apresentam maior volatilidade. Ésteres metílicos são os derivados preferenciais utilizados nas analises de cromatografia gasosa. A GLC é um processo de partição onde a amostra é evaporada e decomposta em uma coluna de separação entre um filme líquido na coluna e um gás inerte que flui através da coluna. Quando a amostra passa pela coluna de separação, ocorre a partição de seus componentes. Na mistura com o gás inerte, os componentes separados passam pelo detector onde provoca pulsos elétricos de acordo com as concentrações dos componentes que são registrados e avaliados (MORETTO, 1998; VISENTANIER, 2006).

Figura 23: Cromatografo VARIAN CP 3800

1. cilindro pressurizador para gás de arraste – 2. válvula redutora de pressão – 3. válvula de controle de fluxo – 4. medidor de fluxo – 5. manômetro – 6. injetor com termostato – 7. coluna de separação com programação de temperatura ou termostato – 8. detector de termostato – 9. amplificador – 10. integrador 1. registrador – 12. divisor de amostra

Quando o cromatograma é obtido, faz-se a integração dos sinais, que tem por objetivo transformar a intensidade do sinal transmitido pelo detector em uma medida relacionada com a quantidade de éster metílico existente na amostra. Existem diferentes técnicas para integração de picos cromatográficos que são: integração manual (altura do pico e área do pico), a mecânica (integrador tipo bola) e a integração eletrônica: realizada pelo computador. Neste último os resultados são mais precisos e rápidos além de características cromatográficas dos picos que podem ser obtidas, tais como número de picos, tempo de retenção, área e porcentagem de cada pico (VISENTANIER, 2006).

3.2 – O método oficial AOCS Ce 1-62

O método oficial AOCS Ce 1-62 é utilizado para transformar o triacilglicerol em éster metílico, nesta forma é determinado a composição em ácidos graxos no óleo ou gordura. No processo experimental de esterificação coloca-se em um balão de fundo redondo cerca de 100 – 250mg de óleo ou gordura (dissolvida em banho maria) juntamente com 4ml de uma solução 0,5N de Hidróxido de sódio metílico com agitação constante e sob refluxo durante

Figura 24: Representação esquemática do equipamento para cromatografia gás – liquido (Fonte: Moretto, 1998)

10min. Após o processo de refluxo é adicionado 5ml de uma solução de trifluoreto de boro em metanol, deixando em contato cerca de 3min e depois adiciona-se 3ml heptano na mistura reacional com o tempo de mais 3min, a seguir adiciona-se solução saturada de cloreto de sódio (cerca de 50 ml, ou mais, dependendo da capacidade do balão) a fim de que as fases possam se separar e o Ester metílico seja separado mais facilmente. A seguir a amostra é injetada na coluna do aparelho do tipo CP WAX 52 CB (30 m X 0,32 m), com a temperatura do injetor de 200°C e do detector de 250°C com hélio, que é o gás de arraste, cujo fluxo é de 1,0ml/min (ver figura 25).

Figura 25: Rampa de aquecimento – Cromatógrafo CP Varian 3800

39 4 – RESULTADOS E DISCUSSÕES

A análise do óleo fixo da polpa do Tucumã Açu (Astrocaryum macrocarpum Huber) por cromatografia gasosa nos mostrou resultados de quais ácidos graxos estão presentes no fruto e da quantidade que estão presentes: O Ômega 3 ou Ácido Linolênico, apresentou 1,7368% em quantidade; o Ômega 6 (Ácido Linoléico), 8,9921%; e o 9 (Ácido Oléico), 80,163%; o Ácido Palmitoleico, 6,6202%; Margarico, 0,4334% e Araquidico, 0,3020%. A análise nos mostrou que essa espécie de tucumã (Astrocaryum macrocarpum Huber) apresentou em grande quantidade o ácido graxo ômega 9 que é uma gordura saudavel para o homem, assim como o ômega 6 e 3, porém a quantidade muito elevada de ômega 9 direciona a atenção para essa oleaginosa. Não foram obtidos resultados para analise da gordura da polpa.

O resultado da análise de ácidos graxos para a gordura da amendoa apresentou os seguintes ácidos graxos: Ácido Linolenico, que apresentou 0,5176%; Margarico com 1,5562%; Heneicosanoico, 1,5937%; Oléico, 3,2034%; Palmítico, 7,1091%; Mirístico, 38,9873% e ácido Laurico com 45,3120%. A gordura da amêndoa apresentou a maior porcentagem em ácido Láurico. Nos resultados para o óleo da polpa e a gordura da amêndoa, podemos observar que ambas apresentaram ácido Margárico e os ômegas 3 e 9, os ácidos graxos essenciais, porém a amêndoa desta espécie não apresentou em sua composição ômega 6, o que já foi observado na polpa. Há também os ácidos graxos que são específicos somente da polpa e da amêndoa do fruto, como os ácidos Heneicosanoico, Palmítico, Mirístico e Láurico na amêndoa e os ácidos Araquidico, Palmitoleico, Linoléico na polpa. Segue abaixo uma tabela (ver tabela 4) e um grafico (ver grafico 3) mostrando o resultado da análise para o óleo da polpa e uma tabela (ver tabela 5) e um grafico (ver gráfico 4) para o resultado da análise da gordura da amendoa, logo em seguida uma mais tabela (ver tabela 6) e um grafico (ver gráfico 5) para mostrar a relação quantificada dos ácidos graxos do mesmo tipo encontrados nas analises da polpa e amêndoa.

40 4.1 – Resultados para o óleo da polpa do Tucumã Açú

Tabela 4 – Percentual de ácidos graxos encontrados no óleo da polpa do tucumã

Gráfico 3 – Quantidade percentual dos ácidos graxos no óleo do tucumã

Ácidos graxos Quantidade Percentual Ácido Araquidico 0,3020% Ácido Margarico 0,4334% Ácido Linolênico 1,7368% Ácido Palmitoleico 6,6202%

41 4.2 – Resultados para a gordura da amêndoa do Tucumã Açú

Tabela 5 – Percentual de ácidos graxos encontrados na gordura da amêndoa do tucumã

Gráfico 4 – Quantidade percentual dos ácidos graxos na gordura do tucumã

Ácidos graxos Quantidade Percentual

Ácido Linolenico 0,5176% Ácido Margarico 1,5562%

Ácido Heneicosanoico 1,5937%

4.3 – Relação das quantidades determinadas para o mesmo tipo de ácido graxo da polpa e amêndoa do Tucumã Açú

Tabela 6 – Relação entre a composição do mesmo tipo de ácido graxo para polpa e amêndoa do tucumã

Ácidos graxos Quantidade Percentual

Ácido Margarico - Polpa 0,43%

Ácido Margarico - Amêndoa 1,56%

Ácido Linolênico - Polpa 1,74%

Ácido Linolenico - Amêndoa 0,52%

Ácido Oléico - Polpa 80,16% Ácido Oleico - Amendoa 3,20%

Gráfico 5 – Relação entre a composição do mesmo tipo de ácido graxo para polpa e amêndoa do tucumã

Segundo (LIMA, 1986) a análise de ácidos graxos da espécie do tucumã comum Astrocaryum vulgare Mart mostra a seguinte composição em ácidos graxos no óleo da polpa: Cáprico 0,8%; Palmítico 2,90%; Esteárico 2,95%; Oléico 67,62%; Linoléico 1,15%. O resultado obtido neste estudo indica que o óleo extraído da parte do epicarpo-mesocarpo do fruto de tucumã apresenta média de 29% de ácidos graxos saturados e 68% de monoinsaturados. O ácido oléico mostrou-se majoritário no óleo de tucumã desta espécie, representando valor médio de 67,6%. O ácido palmítico foi o principal representante dos ácidos saturados, com média de 2,9% da composição total.

Os resultados para a espécie de tucumã açú Astrocaryum tucuma depois da analise apresentou a seguinte composição: Oléico 65,67%; Linoléico 3,65%; Palmítico 25,70%; Linolênico 4,97%. O resultado para o óleo da polpa desta espécie de tucumã indica que a maior parte dos ácidos graxos são insaturados, tendo como principal representante também o ácido oléico e o ácido palmítico como único saturado (MENDONÇA, 1996).

Os resultados obtidos se comparado com o da espécie Astrocaryum macrocarpum Huber obtidos nesta monografia são muito semelhantes, pois as espécies de tucumãs analisadas possuem o ômega 9 como principal ácido graxo constituinte da polpa, o que chama a atenção para que essa oleaginosa seja incluída na dieta alimentar das comunidades que residem nas proximidades destes Tucumanzeiros. Por ser uma gordura essencial poliinsaturada que o organismo humano não pode sintetizar, o ômega 9 causa vários benefícios ao organismo quando consumido de forma equilibrada.

4 5 – CONCLUSÃO

O Tucumã Açú (Astrocaryum macrocarpum Huber), também conhecido popularmente como jabarana é um fruto que apresentou na análise da composição da polpa os ácidos graxos que são essenciais a saúde do homem, os ômegas 3, 6 e 9. Esta espécie é muito importante para os moradores da rodovia transcametá, pois sua constituição em ácidos graxos essenciais tornase um fator fundamental na dieta da população local visto que trata-se de um fruto que está disponível para os habitantes e que o seu consumo equilibrado causam efeitos benéficos para o organismo, pois segundo (BAHIA, 1982) já se provou através de estudos científicos que esses ácidos graxos são elementares para um bom equilíbrio do organismo e que alguns efeitos deles são a diminuição do triglicerídeo no sangue, prevenção de batimento cardíaco irregular, a diminuição da pressão sanguínea e o aumento dos níveis de HDL que se encarregam principalmente de retirar o excesso de LDL dos tecidos, equilibrando a alimentação. A atenção ainda é redobrada, pois a composição da polpa apresentou o ômega 9, um dos ácidos graxos essenciais como o principal constituinte. A analise da gordura da amêndoa também mostrou os ácidos graxos essenciais, exceto o ômega 6 e o principais constituintes nessa análise foram os ácidos láurico e mirístico. De acordo com (CAVALCANTE, 1996) o ácido Láurico da amêndoa do Tucumã Açú é usado utilizado como matéria-prima na fabricação de shortenings (um tipo especial de margarina), filled milks (leite com gordura butírica e margarina), sucedâneos do leite natural e cremes batidos utilizados em lanchonetes para milk shake.

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