Interpretação de Exames Laboratoriais

Interpretação de Exames Laboratoriais

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Interpretação de Exames Laboratoriais

Exame de Urina

O exame de urina proporciona ao clinico informações preciosas sobre patologia renal e do trato urinário, bem como sobre algumas moléstias extras renais. Pela sua simplicidade, baixo custo e pela facilidade na obtenção da amostra para análise. È o exame de rotina, já utilizado desde a mais remota antiguidade; talvez aquele a que mais se recorre.

O exame de urina compreende em exame físico, exame químico, exame microscópico, identificação de cálculos e exame bacteriológico.

Colheita

Para se processar o exame completo de urina, deve ser recolhido o jato médio, desprezando o que esta no canal da uretra. Esse cuidado é necessário para se obterem dados quanto à composição quantitativa da urina, como a eliminação da uréia, cloretos, glicose. Para o exame microscópico do sedimento urinário, deve-se utilizar urina recentemente emitida ou conservada em refrigerador.

Para obter a urina de 24h, precede-se da seguinte maneira: esvazia-se a bexiga a dada hora (oito da manha, por exemplo), desprezando-se essa micção; daí por diante coleciona-se toda a urina emitida ate o dia seguinte inclusive à micção das oito horas, (ou da hora que iniciou a colheita do dia anterior).

 A colheita em crianças pode ser feita por meio de coletor de plástico ou da punção suprapúbica.

EXAME FÍSICO

Volume

A unidade funcional do rim é o néfron, cada rim contém cerca de um milhão de néfrons. Aproximadamente 1.200 ml de sangue circula nos rins por minuto e são filtrados. Desde total, aproximadamente 1 ml de urina é formado por minuto. Cerca de 150 litros do filtrado glomerular são reabsorvidos pelos túbulos em 24h.

 

O volume excretado varia com alimentação, com exercícios físicos, com a temperatura ambiente, e particularmente com o volume de liquido ingerido. Em crianças a diurese é proporcionalmente maior do que do adulto.

Nas seguintes condições o volume urinário é aumentado (poliúria): diabetes mellitus, certas afecções do sistema nervoso, amiloidose renal, rim contraído, emoções, frio e ingestão excessiva de líquidos.

Nota-se diminuição de volume (oligúria): nefrite aguda, febre, diarréia, vômito, choque, desidratação, nefropatia tubular tóxica, enfarte hemorrágico do rim, moléstias cardíacas e pulmonares.

Cor

A cor da urina é variável e depende da maior ou menor concentração dos pigmentos urinários, de medicamentos ou elementos patológicos nela eliminados e de certos alimentos.

Normalmente tem coloração entre amarelo-citrino e amarelo-avermelhado. O urocromo é o principal responsável pela cor amarela, e a uroeritrina, pela vermelha.

Em condições patológicas (estado febril, por exemplo) o teor de uroeritrina aumenta e a urina torna-se acentuadamente vermelha. As urinas ácidas em geral são mais escuras do que as alcalinas. Em estados patológicos a urina pode apresentar diversas colorações.

Os glóbulos vermelhos serão verificados ao microscópio, após centrifugação, ou mesmo pela sedimentação espontânea. A hematúria de origem glomerular (glomerulonefrite aguda) jamais apresenta coágulos, ao passo que, em outros tipos de hematúria, como no traumatismo ou tumor, eles frequentemente estão presentes. A urina de aspecto leitoso pode resultar da presença de pus, ou grandes quantidades de cristais de fosfato.

O uso de certos medicamentos (fenazopiridina, pyridium, azul de metileno e outros) e a ingestão de determinados alimentos como a beterraba, fazem com que a urina fique vermelha, azul ou outras.

A coloração amarela-esverdeada geralmente é produzida pela presença de pigmentos biliares, principalmente a bilirrubina.

 

Aspecto

Geralmente a urina recentemente emitida é límpida. Deixada em repouso por algum tempo, pode haver formação de pequeno depósito (constituído por leucócitos) denominado nubécula. Esta é mais acentuada nas mulheres.

As substâncias que mais frequentemente turvam a urina são as seguintes: fosfatos amorfos, uratos amorfos, pus e germes.

Odor

O cheiro característico da urina recentemente emitida tem sido atribuído a ácidos orgânicos voláteis que ela contêm. Com o envelhecimento, o cheiro se torna amonical. Sob a influência de alguns medicamentos a urina adquire odor particular.

Reação de pH

A reação da urina é verificada pelo papel de tornassol ou outro. A urina de reação ácida torna o papel tornassol azul de cor vermelha, inversamente a urina alcalina torna o papel vermelho em azul. Se a cor tanto de um como o outro não se alterar a reação é neutra.

Densidade

É obtida por meio de densímetros, no caso chamado de urinômetro, de refratômetro ou mesmo verificada na própria fita.

Interpretação: normalmente a densidade da urina de um nictêmero oscila entre 1,015 e 1,025. O rim normalmente é capaz de diluir ou concentrar a urina conforme a ingestão de líquidos, se maior ou menor, podendo a densidade variar entre 1,001 e 1,030 ou mais.

A densidade da urina varia também em enfermidades extra renais: diabetes mellitus, diabete insípido e estados febris.

Tornou-se hábito, em nossos meios expressar a densidade da urina em milhar- 1.015 ou 1.020, por exemplo-quando o correto é 1,015 ou 1,020 (um vírgula zero quinze ou um vírgula zero vinte).

 

EXAME QUÍMICO QUALITATIVO

Tiras reagentes

Nos últimos anos, numerosos tipos de tiras reagentes, tem sido idealizado, objetivando tomar a pesquisa e mesmo a dosagem de elementos da urina mais rápida, mais simples e mais econômica. Dispensam conhecimentos teóricos e preparo básico do técnico nos laboratórios de patologia clinica.

Com elas se pesquisam: glicose, corpos cetônicos, bilirrubina, urobilinogênio, proteína, hemoglobina, determinam pH. Algumas indicam a densidade, mas com a precisão discutível.

A Boehringer lançou a tira de reagente para detecção de hCG (gonadotropina coriônica humana) que é o exame de gravidez, na urina, com sensibilidade, segundo os produtores, de 300 UI de hCG/1 e especificidade de 99%. Os resultados são obtidos entre cinco e dez minutos.

Há aparelhos computadorizados, que medem a absorbância nas tiras reagentes e fornecem as diversas taxas dos elementos eliminados na urina. Tais aparelhos, entretanto, são muito dispendiosos.

Proteína (albumina)

Pelo ácido sulfossalicilico (ASS); com cerca de 5 ml de urina, em tubo de ensaio, adicionar algumas gotas de solução de acido sulfossalicilico a 20%. O aparecimento de nuvem branca ou de precipitado, também branco, denuncia a presença de albumina.Cada Interpretação: no estado normal, o glomérulo impede a passagem das moléculas de proteína para a urina. Entretanto, diminutas quantidades são eliminadas, parte é reabsorvida pelo túbulo e pequena porção (na ordem de 100 mg/24 horas; 300 mg, após exercício físico violento) é eliminada na urina, mas em taxas mínimas não reveláveis pelos métodos de pesquisa rotineiramente empregados. Na gravidez normal, pode haver albuminúria; é de pequena intensidade, ocasional e interminente.  

A proteinúria orgânica, é subdividida em: 

1) pré-renal; encontrada nos estados febris; na congestão venosa (insuficiência cardíaca); no mixedema; no mielo múltiplo (proteína Bence Jones); 

2) renal: glomerulonefrite, nefrite lúpica, síndrome nefrótica, toxemia gravídica, nefropatias tóxicas (por chumbo, fósforo, bismuto);  

3) pós renal: (cistite, prostatite, uretrite, infecções da pelve renal ou dos ureteres). Ocorre em 20 a 30% dos casos de macroglobulinemia (doença de Waldenstrom).

Glicose/Bilirrubina/Urobilinogênio

Glicose

Vários hidratos de carbono (glicose, lactose, galactose, frutose) podem ocasionalmente estar presentes na urina. O mais freqüente é a glicose, constituindo a glicosúria

Pesquisa

Tiras Reagentes: estas tiras fornecem rapidamente o resultado da pesquisa. Está prova é específica, uma vez que se baseia na ação de uma enzima (glicoseoxidase) que remove dois íons hidrogênio da molécula da glicose, com formação de ácido glicônico. A vitamina C em grandes doses interfere na reação. Os produtores de tiras reagentes fornecem, junto com o estojo, as instruções e tabela de cores para avaliação do resultado.

Reativo de Benedict: colocar 1,0 ml de reativo de Benedict (qualitativo) em um tubo de ensaio e, adicionar 0,1 ml de urina. Ferver com auxílio de bico de gás ou lamparina a álcool por pelo menos 1 minuto. Caso a urina contenha glicose, processsar-se-á mudança de cor do reativo. Conforme a coloração obtida, pode-se avaliar aproximadamente o teor de glicose presente: solução azul (límpida) - 0 de glicose; precipitado esverdeado - traços de glicose; precipitado amarelado - 10 g de glicose por mil; precipitado vermelho - 20 g por mil ou mais.

Interpretação: a presença de glicose na urina revelada pela tira reagente ou pelo reativo de Benedict, denuncia a condição patológica. A glicosúria persistente indica, na grande maioria dos casos, tratar-se de diabete sacarino.

Bilirrubina

Tiras Reagentes: a urina deve ser recente. As diversas tiras existentes no mercado se baseiam na mudança da coloração, quando imergidas rapidamente na urina.

Interpretação: pelos métodos habituais de pesquisa, a urina normal não encerra bilirrubina. É oriunda do metabolismo da hemoglobina, formada pelas células do sistema retículo-histocitário do baço, da medula óssea. Encontra-se no sangue sob as formas livres (não-conjugada) e combinada (conjugada ao ácido glicurônico). A bilirrubina é observada quando a bilirrubinemia se acha acima de 2 mg/dl, à custa da bilirrubina conjugada, e pode ser notada antes da coloração amarela da pele e mucosas.

Urobilinogênio

Tiras Reagentes: imergir a tira reagente (que é impregnado com p-dimetil-benzaldeído, produz coloração marrom-avermelhada com urobilinogênio), e comparar a coloração obtida com a tabela que acompanha as tiras.

Reativo de Ehrlich: colocar 5 ml de urina em um tubo de ensaio, adicioner 5 ml do reativo. Adicionar 10 ml da solução saturada de acetato de sódio e misturar. O desenvolvimento da coloração rósea ou vermelha indica a presença de urobilinogênio ou de porfobilinogênio.

Interpretação: a urina normalmente encerra traços de urobilinogênio, que rapidamente se oxida para urobilina. A taxa está elevada quando há hemólise (anemia hemolítica) ou em hepatopatias. Acha-se elevada também na policitemia, no cisto hemorrágico do ovário, na doença hemolítica perinatal, em alguns estágios da malária, na insuficiência cardíaca e na cirrose hepática.

EXAME MICROSCÓPICO

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