Ocupaçao populacional do acre

Ocupaçao populacional do acre

OCUPAÇAO POPULACIONAL DO ACRE

A formação de povoamento nas terras acreanas, data das eras do gelo quando a Amazônia na tinha a forma como é constituído hoje, se forma a partir de povos caçadores que vieram de outros continentes, em busca de alimentos, os chamado povos indígenas hoje, podemos fazer ainda uma melhor divisão do povoamento das terras acreanas. Primeiro a chegado dos índios a cerca de 15.000 anos atrás, depois na virada do século, veio o seringueiro, “homem civilizado”, que praticamente matou todos os povos da floresta. E que a maioria dos centros de povoamento do nosso estado, inclusive aldeamentos indígenas, se desenvolveram a margens de cursos de água.

Em terceiro lugar temos o período que vai da crise da borracha em 1945 ate 1970, fase de tímido povoamento da Amazônia, em que o governo federal tenta incentivar a colonização por meio da integração. Em quarto lugar há chegada do sulista nesta região, através de incentivos do governo local, sobretudo pelo valor simbólico da terra, que era muito barata. Nesta fase ocorre à situação parecida com a que ocorreu com os índios no inicio do povoamento, só que vitima desta vez são extrativistas, que perdem espaço para os pecuaristas, são caçados, assassinados.

Os índios

A longa história do povoamento humano do Acre provavelmente começa entre 20.000 e 12.000 anos atrás, quando os primeiros grupos humanos provenientes da Ásia chegaram de sua longa migração até a América do Sul. Esses grupos humanos perseguiam as grandes manadas de animais gregários que durante a idade do gelo se espalhavam pelas vastas savanas do mundo. A Amazônia era então uma ampla extensão dessas savanas, com apenas algumas manchas de floresta ao longo dos rios que cortavam as terras baixas.

Cerca de 6 milhões de índios habitavam à Amazônia antes da chegada dos Portugueses em 1616. No Acre, na segunda metade do século XIX, viviam cerca de 150 mil índios, distribuídos em 50 povos. Em 1989, o número de índios no Acre era em de 5 mil. Em 1996, o número passou para 8.511. No ano de 2001, a FUNAI notificou a existência de 10.478 índios em todo Estado do Acre, distribuídos em 12 povos. Esse tímido aumento pode ser explicado pela atuação de organizações indigenistas.

Existem no Acre hoje, 34 terras indígenas ocupadas por mais de 12.000 índios, que representam 2% da população total do Estado. Esse contingente populacional pertence a 14 diferentes etnias, de línguas Pano, Aruak e Arawá: (Yaminawa, Manchineri, Kaxinawá, Ashaninka, Shanenawa, Katukina, Arara,Nukini, Poyanawa, Nawa, Jaminawa-Arara e Isolados). As etnias isoladas, sem contato com a sociedade, têm o seu território tradicional ao longo da fronteira internacional Brasil-Peru.

A colonização Nordestina e a borracha

A formação da população acreana se da no contexto da expansão da empresa extrativista, na segunda metade do XIX. Por esta época, a borracha se torna matéria prima indispensável à nascente da indústria de bens de consumo duráveis na Europa e nos Estados Unidos, sob forma principalmente de pneumáticos. O interesse internacional volta-se rapidamente para Amazônia Brasileira, Boliviana e Peruana, daí resultando uma serie questões referentes à fronteira.

Segundo Celso Furtado, o numero de 500.000 pessoas era uma idéia aproximada do volume de migração de nordestinos para Amazônia. Parcelas consideráveis deste fluxo de migrantes atingiram o Acre, que de acordo com Craveiro Costa, teria na passagem do século, uma população estimada de 100.000 habitantes. O Acre representava assim, uma das áreas principais do extrativismo da borracha e sua produção, já em 1905, coloca-se em primeiro lugar entre a regiões produtoras do Brasil.

A partir de 1880 grandes levas de imigrantes nordestinos penetraram livremente nas terras acreanas. Os rios Purus e Juruá, como afluentes do rio Amazonas, davam acesso direto aos Navios provenientes de Belém e Manaus, trazendo milhares de brasileiros e levando toneladas de borracha. Já os bolivianos possuíam contra eles a direção de seus rios mais explorados que levavam para o rio Madeira e não para as terras acreanas, caminhos que passavam por grupos indígenas, Panos muito aguerridos na defesa de seu território e uma sociedade andina que apresentava grandes dificuldades de povoamento na planície amazônica. Ao surgirem às primeiras proclamações bolivianas de posse do Acre, em 1895, os brasileiros já estavam ali situados há pelo menos 15 anos. Com grandes e produtivos seringais que comerciavam sua borracha com as casas aviadoras de Manaus e Belém e através destas, com os centros consumidores mundiais na Inglaterra, França, Alemanha, Holanda e Estados Unidos. O povoamento brasileiro dos altos rios Purus e Juruá era já um fato consumado.

Ao final do século XIX houve no Acre, provocado pelo início da demanda das indústrias norte-americanas e européias pela borracha, o primeiro movimento de imigração vindo do nordeste do Brasil, o chamado primeiro surto da borracha, o que alavancou o processo de colonização e povoamento destas regiões. Os novos Seringalistas se apropriaram de áreas enormes de Floresta para extrair a matéria prima para a borracha - o Látex das Seringas. Os índios nas áreas de Juruá e Purus tentaram defender as terras deles, mas, tendo só arco e flecha não conseguiram. Os novos imigrantes fizeram as chamadas Correrias, eles se juntavam em grupos de homens armados com espingardas e assaltavam as aldeias indígenas. Eles matavam só os homens e raptavam as mulheres indígenas para conviver com eles.

Assim foram extintos a maioria dos índios. Muitos também morreram das doenças como tuberculose e sarampo, os quais não existiam antes entre os índios e foram trazidos pelos novos imigrantes. A mão de obra dos índios submetidos foi explorada para recolher o Látex e construir estradas. Este surto da borracha que fez enriquecer as cidades de Manaus e Belém foi terminado pela produção Inglesa de borracha na Malásia. No ano 1913 a produção Inglesa - Malásica superou pela primeira vez a do Brasil. Em seguida muitos Seringais foram abandonados e muitos seringueiros voltaram ao nordeste.

Houve um segundo surto da borracha durante a segunda guerra mundial, quando os Japoneses, que eram aliados com os Alemães ocuparam as plantações de Seringas na Malásia. Os países aliados contra a Alemanha tinham que achar outra fonte para adquirir a borracha, que era indispensável para fazer guerra. Assim aconteceu a segunda vaga de imigração do nordeste. Desta vez eram os chamados soldados da borracha, sujeitos ao serviço militar que tinham que escolher entre lutar na guerra ou trabalhar como seringueiro. Estes novos seringueiros já tinham dívidas antes mesmo de começar a trabalhar. Eles tinham que entregar borracha em troca do equipamento e dos alimentos que precisavam. Este "Sistema de Aviamento" ditado pelos seringalistas fez com que eles nunca chegassem a obter dinheiro e assim eles não poderiam voltar a terra deles nem pagar as dividas depois da guerra. A borracha foi um dos principais elementos que incentivaram o povoamento dessa região.

O ponto principal a ser estabelecido e que vai refletir-se sobre a futura historia de vida da população, que é toda esta mobilização de população ocorreu sob o controle predominante do capital mercantil, enquanto integrante da cadeia de interesses do próprio capital.

Durante toda a etapa histórica que vai da derrocada da borracha na década de 1910 ate fina da década de 60, o crescimento e reprodução da população e da força-de-trabalho acreana ocorreu fundamentalmente nos marcos de uma organização econômica voltada internamente para atividades mercantis e de subsistência. Não se registraram, salvo no período da II Guerra Mundial, deslocamento populacionais significativos de fora do para o Acre, os movimentos internos foram reduzidos, implicando num crescimento populacional muito leve nesse período.

Chegado dos Sulistas no Acre

Na virada da década de 70, estão maduras as condições de integração do Acre ao novo ciclo de expansão nacional do modo de produção capitalista. As diversas fronteiras nacionais já vinham sendo atingidas por variadas frentes demográficas e econômicas e a Amazônia já estava plenamente identificada como um valioso espaço a ser ocupado. Desde a transferência da capital federal para Brasília que esta tendência delineava-se irreversivelmente e a retificação política econômica de meados da década de 60, fornecera elementos institucionais e financeiros para um novo ciclo de expansão capitalista, no qual figurava a necessidade de penetração intensiva de relações capitalistas no campo.

O processo da chegada do grande e do médio capital do Acre difere em linhas gerais de processo semelhantes em outras áreas amazônicas. Predominantemente, a formação de grandes projetos agropecuários, madeireiros ou de extração mineral, avançou sobre áreas de vazio demográfico e econômico ou sobre áreas em que as populações migrantes (frente camponesa) vinham se instalando ao longo dos anos recentes. No Acre, a chegada do capital, sob a forma de projetos de agropecuários, sobrepõe-se especialmente a uma organização econômica e demográfica pré-existente há pelo menos meio século e esta não é uma questão de simples modernização ou algo semelhante, em que as formas de organização da economia extrativa atrasada, são substituídas por formas superiores de organização econômica e progresso material.

A chegada de grandes grupos capitalistas ao Acre e o difundido modelo de constituição de empresas agropecuárias, representou a trágica desarticulação de relações econômicas e sociais, em que, bem ou mal, a população acreana havia criado laços de identificação, a partir do afrouxamento das condições de subordinação da força-de-trabalho nos antigos seringais. E essa desarticulação na foi, em nenhum momento, reconstituída pelos novos donos de terra, pelo contrario, paralisaram a produção extrativa e expulsaram violenta ou pacificamente e com ou sem indenização os trabalhadores, seringueiros, colonos ou posseiros que residiam nas áreas ocupadas.

Com a expropriação deste surgira um novo movimento migratório. A expulsão das terras, na década de 70, provocou o surgimento de um grande êxodo populacional no Acre, mas de caráter profundamente diferente daquele ocorrido no inicio do século, na época com crise muita gente voltou para terras, agora os dos que ficaram vão para cidade, expulsos pelos grandes fazendeiros.

Rio Branco, capital do Estado desde 1920, tinha na década de 50 aproximadamente 10.000 habitantes em seu perímetro urbano, com perspectivas com integração com centro-sul foram feitas algumas adequações administrativas na cidade. Em 1970, a parte urbana do município já registrava um total de 35.000 habitantes, com uma taxa de crescimento anual na década 60/70 de 6.8%, a mais alta do Estado, que em media crescia nesse período a uma taxa de 3%. E a partir desse período que Rio Branco vai começar a crescer populacionalmente, em 1979 estimava-se que a população residente na área urbana atingiria 90.000 habitantes.

Essa grande expansão do crescimento populacional de chegada de Paulistas nas terras acreanas começa com incentivos produzidos pelo Governo Militar com a criação de vários órgãos com a SUDAM, o BASA, o INCRA, a SUFRAMA, o PROJETO RADAM e a FUNAI, alem do programas POLOAMAZONIA, o PROTERRA, o PIN e outros. Outro fator importante para que a frente de expansão agropecuária se instalasse no Acre foi a política adotada pelo governador acreano Francisco Wanderlei Dantas, no de 1971 a 1974, Dantas abriu as portas aos empresários do centro sul do Brasil que compraram terras baratas vendidas pelos seringalistas falidos. Alem disso, Dantas oferecia aos empresários os seus incentivos estaduais utilizando-se do dinheiro do BANACRE para financiar a criação de gado, colocando a disposição de fazendeiros serviços de setores do governo e etc.

Evolução demográfica

Evolução demográfica do estado do Acre.

Gráfico 01. Fonte: Wikipédia. 28/09/2009.

Principais centros urbanos

Outros municípios mais populosos são (IBGE 2006): Feijó, com 39.365 habitantes; Sena Madureira, com 33.614 habitantes; Tarauacá, com 30.711 habitantes; Senador Guiomard com 21.000 habitantes e Brasiléia, com 18.056 habitantes.

Etnias

Cor/Raça (IBGE 2006) [3]

Porcentagem

Pardos

66,5%

Brancos

26,0%

Negros

6,8%

Amarelos ou indígenas

0,7%

Fonte: PNAD (dados obtidos por meio de pesquisa de autodeclaração).

No longo dessa historio e bem evidente um processo migratório muito grande para esta região desde milhares de anos atrás, até décadas mais recentes, e, sobretudo de povos diversos que para cá vierem, primeiros índios, depois nordestinos em especial os cearenses, em seguida uma corrente migratória do centro-sul, que chega por ultima com um poder capital muito forte, desapropriando muitos que aqui ficaram dos períodos áureos da borracha.

Na formação da população acreana entraram além dos índios, os nordestinos - principalmente cearenses - que aí chegaram maciçamente durante o período de ouro da borracha (1880-1913), também vieram paulistas, gaúchos, mato-grossenses e etc.

O que fica bem claro no processo de povoamento doa Acre são a três fases de chegada de povos, primeiro os índios, logo depois os nordestinos e por ultimo uma frente povoadora vinda do centro-sul. E desta forma que se consolida a ocupação e formação da população acreana.

REFERÊNCIAS.

POVOS DO ACRE. História Indígena da Amazônia Ocidental. Publicado pela Fundação de Culturae Comunicação Elias Mansour (FEM).

WIKIPÉDIA, disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Acre. Acessado em 28/09/2009.

OLIVEIRA, Luiz Antonio Pinto de. EXPANSÃO DA FRONTEIRA, MIGRAÇÃO E REPRODUÇÃO URBANA: O CASO DO ACRE. Fundação IBGE.

MARTINELLO, Pedro. A “Batalha da Borracha” na Segunda Guerra Mundial e suas Conseqüências para o Vale da Amazônia. São Paulo, USP, 1985.

Universidade Federal do Acre Centro de Filosofia e Ciências Humanas Curso Geografia Bacharelado

OCUPAÇÃO POPULACIONAL DO ACRE

Discente: Mário Sérgio Meirelles

Sávio Pereira Cruz

Trabalho elaborado na disciplina Geografia do Acre, sob Orientação do Prof. Dr. Silvio Simione.

Rio Branco - AC, 14 de outubro de 2009

Comentários