Introdução

Este trabalho tem por objetivo descrever sobre frutos que em termos botânicos, é uma estrutura presente em todas as Angiospermas onde as sementes são protegidas enquanto amadurecem.

Biologicamente o fruto funciona como envoltório protetor da semente (ou sementes), assegurando a propagação e perpetuação das espécies. Fruto, segundo a definição clássica, é o ovário desenvolvido e com sementes maduras. Também pode ser conceituado como um órgão formado por um ou mais ovários desenvolvidos, aos quais podem se associar outras estruturas acessórias.

Ao decorrer do assunto será apresentado com maiores detalhes a definição de frutos, sua função, generalidade, estrutura, e classificação dos frutos, além, de relatar sobre pseudofrutos e sementes.

Origem do fruto

Os frutos derivam-se do ovário das flores. Após a fecundação dos óvulos em seu interior, o ovário inicia um crescimento, acompanhado de uma modificação de seus tecidos provocada pela influência de hormônios vegetais, que interferem na estrutura, consistência, cores e sabores, dando origem ao fruto. Os frutos mantêm-se fechados sobre as sementes até, pelo menos, o momento da maturação. Quando as sementes estão prontas para germinar, os frutos amadurecem, e podem se abrir, liberando as sementes ao solo, ou tornam-se aptos a serem ingeridos por animais, que depositarão as sementes após estas passarem por seu aparelho digestivo.

Segundo registros fósseis, os primeiros frutos não passavam de folhas carpelares, como as encontradas em Gimnospermas, porém fechadas sobre as sementes, formando folículos. Os frutos mais simples nas espécies atuais possuem estrutura similar, foliculares, mas os mais comuns são frutos formados pela combinação de vários carpelos unidos entre si.

Função do fruto

A função primordial dos frutos é a proteção da semente em desenvolvimento, e é a principal razão atribuída pelos estudiosos ao fechamento dos carpelos nas primeiras Angiospermas. Ao longo de sua evolução, as plantas com flores e frutos desenvolveram novos tipos de frutos, e novas estratégias para a dispersão das sementes contidas neles, de forma que nas espécies atuais há uma variedade imensa de cores, formas, estruturas assessórias e sabores, cada qual especializada em uma forma diferente de dispersão de sementes.

Há frutos que secam e abrem-se na maturação, simplesmente liberando as sementes sobre o solo. Outros, ao se abrir, expelem as sementes de forma explosiva, arremessando-as a grandes distâncias. Os frutos carnosos normalmente dependem de animais, que carregam os frutos para outros lugares, ou os ingerem, e carregam suas sementes no trato digestivo para serem liberadas longe do local de origem. Certos frutos armados de espinhos agarram-se à pelagem de mamíferos ou penugem de aves, e assim percorrem grandes distâncias. Há ainda frutos providos de alas e pelos, que permitem que flutuem por alguns momentos antes de atingir o solo.

Resumindo as principais funções do fruto são: Proteger a semente; Armazenar reservas nutritivas e Promover sua disseminação.

Definição de fruto

Após a polinização, ocorre a formação do tubo polínico e a fecundação. Os dois núcleos do grão de pólen descem por dentro do tubo polínico e, durante a descida, o núcleo generativo se divide, dando origem aos dois gametas masculinos do vegetal, estes, ao atingir o óvulo, fecundam a oosfera e os núcleos polares (que previamente se fundem), respectivamente. A partir deste momento, as paredes do ovário começam a se transformar no pericarpo, que é a parte externa do fruto, enquanto que o óvulo fecundado se transforma na semente.

 Fruto é, botanicamente falando, portanto, o conjunto formado pelo pericarpo, originado pelas paredes do ovário e a semente, formada a partir do óvulo fecundado.

Durante o processo de amadurecimento, frutos de muitas espécies adquirem cores chamativas e aromas agradáveis, ou se tornam suculentos, sendo seu sabor apreciado por animais que, ao se alimentarem deles, espalham suas sementes a certa distância da planta produtora. Outros, ao contrário, tornam-se secos e sua abertura, às vezes explosiva, permite a liberação das sementes que podem ser lançadas a distâncias relativamente grandes. Certos frutos apresentam características morfológicas que os torna elementos ativos na disseminação de sementes.

Estrutura dos frutos

Os frutos dividem-se basicamente em 3 camadas:

  • Pericarpo: camada externa, normalmente uma camada membranosa e fibrosa; pode ser lisa, rugosa, pilosa ou espinosa, e é popularmente conhecida como casca, camada mais externa do fruto, se origina da epiderme do carpelo.

  • Mesocarpo: camada imediatamente abaixo do epicarpo, suculenta,que pode ou não armazenar substâncias de reserva. Provém do mesofilo carpelar.

  • Endocarpo: camada mais interna, normalmente a camada mais rígida que envolve as sementes. Origina-se da epiderme interna da folha carpelar. Em certos tipos de frutos, o endocarpo apresenta-se espessado e muito resistente.

Há muitas variações na aparência e na consistência destas camadas. Em frutos capsulares, secos, é comum o mesocarpo ou o epicarpo estarem suprimidos, enquanto a camada restante assume consistência lenhosa. Já em alguns frutos, como ameixas e pêssegos, o mesocarpo é grande e suculento, enquanto o "caroço" corresponde ao endocarpo lenhoso envolvendo a semente, ou amêndoa. Nas melancias, o mesocarpo e uma camada espessa e resistente, e o endocarpo corresponde à polpa vermelha em seu interior. Enfim, todos os frutos partem do mesmo plano básico de 3 camadas, cada um derivando-se de uma maneira ou de outra em direção a características próprias.

Classificação

Os tipos de frutos são vários, e podem ser classificados de diversas maneiras, seguindo diferentes critérios.

  • Quanto à consistência do mesocarpo:

  • Carnoso: apresenta acúmulo de substâncias de reserva.

  • Seco: não apresenta acúmulo de substâncias de reserva

  • Quanto à composição:

  • Frutos simples: quando os carpelos são unidos entre si, ao menos nos primeiros estágios de desenvolvimento. Ex.: a maior parte dos frutos conhecidos apresentam-se desta forma, como limões, pêras, maracujás, mamões, pepinos e goiabas.

  • Frutos compostos: os carpelos são separados desde a flor, e desenvolvem-se separadamente. Ex.: morango, magnólia.

Existem infrutescências, como o abacaxi, consideradas pelos leigos como um único fruto, ou um fruto composto. Na verdade, cada "gomo" do abacaxi corresponde a um fruto, originado de um ovário de uma flor. Estas flores são agrupadas de forma compressa em um eixo, de forma que seus ovários aderem-se uns aos outros, formando uma estrutura compacta.

  • Quanto à deiscência (os frutos carnosos e secos podem apresentar deiscência):

  • Indeiscente: frutos que não se abrem espontaneamente. Podem ser secos, lenhosos, ou carnosos. Ex.: maçãs, laranjas, melões.

    Sâmara

    Disâmara

    Noz

    Glande

  • Deiscentes: frutos que abrem-se na maturação, normalmente secos. Ex.: castanha e a maior parte das leguminosas.

Folículo

Legume

Vagem

Cápsula

  • Quanto ao tipo:

  • Simples: são frutos derivados de um único ovário (súpero ou ínfero) de uma única flor. Podem ser secos ou carnosos, uni a multicarpelares, mas neste caso sincárpicos, deiscentes ou indeiscentes na maturidade.

Exemplos: cereja e tomate.

  • Baga: é um tipo de fruto carnoso e com muitas sementes. Alguns autores consideram como bagas também alguns frutos com uma semente apenas, desde que a superfície desta semente não esteja aderida ao endocarpo.

O pericarpo da baga, normalmente comestível, é composto do exterior para o interior por um epicarpo muito fino, um mesocarpo carnoso (chamado sarcocarpo) e de um endocarpo carnoso, o que a diferencia da drupa, na qual o endocarpo é lenhoso.

Exemplos de bagas com múltiplas sementes : uva, goiaba, tomate, banana, laranja (bagas provenientes de ovários com múltiplos carpelos). Exemplos de bagas com uma só semente (monocárpicas) : pimenta, tâmara, abacate.

  • Folículo: é um tipo de fruto seco, deiscente, com apenas uma folha carpelar que se abre em apenas um lado. É o modelo mais simples de fruto, e possivelmente o mais primitivo. Os fósseis de Angiospermas mais antigos em conhecimento apresentavam frutos deste tipo.

  • Drupa: é um tipo de fruto carnoso, com apenas uma semente. Certos autores restringem ainda mais o termo a apenas frutos carnosos com uma semente, sendo esta aderida ao endocarpo de maneira que só pode ser separada mecanicamente. Um exemplo deste tipo de fruto é o pêssego, mas também ocorre em famílias como Chrysobalanaceae.

  • Cápsula: são frutos secos e deiscentes, composto por mais de um carpelo. De todas as categorias de frutos, esta é a mais variável, tanto no número de carpelos como no tipo de deiscência. Alguns denominam primeiramente como cápsula alguns tipos de frutos secos, como pixídios, mas outros autores determinam estes como entidades diferentes.

  • Sâmara: é um tipo de fruto identificado pela sua forma, mais do que pela sua estrutura carpelar (ao contrário de outros frutos, como legume, aquênio, ou folículo, determinados pelo número de carpelos envolvidos, não só pelo tipo de abertura). São frutos normalmente secos, indeiscentes, com uma ou duas alas membranosas associadas à região do lóculo, onde encontra-se uma só semente. As sâmaras, por causa destas alas, exercem um movimento helicoidal enquanto em queda, possibilitanto que mesmo frutos e sementes de tamanho considerável possam ser deslocados pelo vento antes de tocar o solo.

  • Legume: um fruto seco simples, que se desenvolve de um único carpelo e usualmente deiscente pela abertura da sutura da folha carpelar e da nervura oposta. Um nome comum para este tipo de fruto é uma cápsula, embora este termo seja aplicado principalmente aos frutos secos provenientes de vários carpelos. Plantas bem-conhecidas que têm legumes ou vagens incluem a alfafa, os trevos, as ervilhas, os feijões, e os amendoins. O amendoim é um caso especial, pois o seu fruto, que se desenvolve subterraneamente, é indeiscente, isto é, não abre espontaneamente para libertar as sementes.

  • Síliqua: é um tipo de fruto seco e deiscente, constituído por 2 carpelos. Em seu interior há um septo plano, onde inserem-se as sementes, em ambas as suas faces (encerrando-as em cada um dos dois lóculos formados). Este septo, na abertura do fruto, destaca-se de ambos os carpelos, expondo as sementes ao vento. Este tipo de fruto não é muito comum, ocorrendo especialmente em alguns gêneros de Bignoniaceae, como exemplo em Tabebuia e Tecoma, conhecidos popularmente como ipês.

  • Cariopse: é fruto com uma semente presa ao pericarpo em toda a extensão.Os grãos são chamados de cariopse.É típico das gramíneas. Exemplo: grão de milho, de trigo ou de arroz.A estrutura anatômica é basicamente a mesma. Alguns ipos de cariopse:

Cariopse nua: frutos que possuem somente germe, endosperma e membrana da semente. Por ex.: milho, trigo e centeio.

Cariopse vestida: frutos que possuem fusão de glumos que formam a casca. Por exemplo: arroz,aveia e cevada.

  • Pixídio: é um fruto seco e deiscente, com um tipo de abertura bastante particular: a parte superior do ovário (ou a parte correspondente ao estigma e ao estilete) destaca-se do restante do fruto na maturação, como uma tampa. Usualmente esses frutos são pêndulos, e ao abrir a "tampa" as sementes são liberadas pela força da gravidade.

Pseudofrutos

Muitas vezes aquilo que vulgarmente se chama de "fruta" não corresponde ao conceito botânico de fruto, que é o produto do ovário da flor após a fecundação. É comum, por exemplo, que a parte comestível da fruta seja formada não pelo ovário, mas pelo receptáculo da flor, ou mesmo por diversos frutos fundidos, dando origem a diversos falsos frutos.

Assim, poderemos ter:

  • Pseudofrutos simples: Provenientes do receptáculo de uma única flor, que incha, envolvendo o fruto verdadeiro total ou parcialmente. Ex: maçã e caju.

  • Pseudofrutos múltiplos: Produzidos a partir de uma inflorescência que dá origem a diversos frutos que, por nascerem muito próximos se desenvolvem agregados. Ex: abacaxi e amora, onde diversos frutos nascem agregados em torno do eixo de uma inflorescência, e figo, onde diversos frutos são produzidos a partir de uma inflorescência em forma de capítulo côncavo (sicônio). Neste último caso, após a fecundação, o receptáculo se fecha e se torna suculento.

  • Pseudofruto composto: Formado a partir de uma flor com gineceu apocárpico (diversos carpelos não fundidos) em que cada carpelo produz um fruto (aquênio). Após a fecundação o receptáculo se expande, tornando-se carnoso e suculento, ficando os pequenos frutos distribuídos ao seu redor.

Conclusão

Como pode ser verificado no assunto apresentando, queos frutos são órgãos gerado, a partir do desenvolvimento do ovário de plantas superiores, com ou sem sementes. O termo se diferencia de "fruta", pois este, tem maior abrangência, envolvendo também frutos não comestíveis. De maneira geral, o fruto é composto pela parede (pericarpo), que se divide em endocarpo (parede interna), epicarpo (parede externa) e mesocarpo (parede intermediária).

A função primordial dos frutos é a proteção da semente em desenvolvimento. As grandes diversidades na organização das flores das angiospermas, especialmente a variação do número, arranjo, grau de fusão e estrutura dos pistilos que formam o gineceu, propicia uma ampla gama de variação no tamanho, forma, textura e anatomia dos frutos.

Referências Bibliográficas

www.herbario.com.br

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www.portalsaofrancisco.com.br

www.anatomiavegetal.ib.ufu.br/pdf-recursos-didaticos/morfvegetalorgaFRUTO.pdf

UNIVERSIDADE ESTADUAL DO SUDOESTE DA BAHIA – UESB

DEPARTAMENTO DE FITOTECNIA E ZOOTECNIA – DFZ

DISCIPLINA: TAXONOMIA VEGETAL III

PROFESSOR: ARISTONILDO CÉZAR DA SILVA

FRUTOS

Discentes:

Vitória da Conquista, maio de 2010

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