Metabolismo do Cálcio, Fósforo e Magnésio

Metabolismo do Cálcio, Fósforo e Magnésio

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Capítulo

13 Metabolismo do Cálcio, Fósforo e Magnésio

Marcelo Mazza do Nascimento, Miguel Carlos Riella e Marcos Alexandre Vieira

Introdução Homeostase do cálcio

Distribuição do cálcio Absorção, excreção, balanço interno

Fatores que regulam a homeostase do cálcio

PTH e vitamina D

Funções no organismo Hipocalcemia

Definição Causas de hipocalcemia Diagnóstico Quadro clínico Tratamento

Hipercalcemia

Definição Resposta adaptativa Causas de hipercalcemia Quadro clínico Diagnóstico Tratamento FÓSFORO

Introdução Homeostase do fósforo

Distribuição Absorção, excreção e balanço interno Mecanismos de transporte Fatores que regulam a excreção de fósforo Funções do fósforo no organismo Hipofosfatemia

Introdução Causas Quadro clínico Diagnóstico Formas de apresentação

Hiperfosfatemia

Introdução Causas Pseudo-hiperfosfatemia Quadro clínico Tratamento MAGNÉSIO

Homeostase do magnésio

Distribuição Unidades de medida Absorção, excreção e balanço interno Fatores que influenciam a excreção de magnésio Funções do magnésio no organismo

Hipomagnesemia

Causas Quadro clínico Diagnóstico Tratamento

Hipermagnesemia

Definição Causas de hipermagnesemia Quadro clínico Tratamento REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ENDEREÇOS RELEVANTES NA INTERNET

214Metabolismo do Cálcio, Fósforo e Magnésio absorvido no duodeno (400 mg). O suco digestivo acresce cerca de 200 mg de cálcio nas 24 horas, perfazendo no total uma absorção diária de 600 mg.

Os mecanismos de transporte do cálcio são realizados tanto de forma ativa quanto passiva. O transporte ativo se dá principalmente pela presença de sódio na luz intestinal, baixa concentração de cálcio e ação do calcitriol. O mecanismo não dependente de energia ocorre quando a concentração de cálcio no lúmen intestinal é alta (13 mg/dl).1,2,3

Rins

A filtração renal do cálcio se dá pela sua porção difusível (complexos na forma de vários sais e fração ionizável), isto é, 60% do cálcio total. A reabsorção tubular do cálcio acontece principalmente no túbulo contornado proximal, ramo ascendente espesso da alça de Henle e no túbulo contornado distal.

Ponto-chave:

•Cálculo da concentração plasmática de cálcio na presença de hipoalbuminemia [Ca] corrigido  [Ca] medido  0,8  (4,5 

[albumina]

[Ca] medido em mg/dl

Albumina medida em g/dl Exemplo: [Ca] medido 7,6 mg/dl Albumina 2,5 g/dl [Ca] corrigido  7,6  0,8  2  9,2 mg/dl

No túbulo contornado proximal, o cálcio é reabsorvido conjuntamente com o sódio, e em estados de depleção de volume extracelular a sua reabsorção é aumentada. Em situações de expansão do espaço extracelular, porém, ocorre o inverso. Cerca de 60% do cálcio filtrado é reabsorvido no túbulo contornado proximal.

No ramo espesso ascendente da alça de Henle, outros 20 a 25% do cálcio filtrado são reabsorvidos, e drogas que atuam neste segmento específico do néfron, como o furosemide, aumentam a excreção de cálcio, como se verá posteriormente.

Introdução

A manutenção da homeostase do cálcio é de fundamental importância, do ponto de vista fisiológico, metabólico e estrutural, em nosso organismo. Sua participação na cascata da coagulação, reações enzimáticas e na transmissão neuromuscular dá a dimensão de sua importância para que se mantenham níveis plasmáticos normais.

Os mecanismos fisiológicos necessários à manutenção de níveis séricos normais de cálcio, bem como as alterações deste equilíbrio (hipocalcemia, hipercalcemia), serão discutidos a seguir.

Homeostase do Cálcio

Cerca de 9% do cálcio do nosso organismo encontrase no esqueleto. Um indivíduo normal de 70 kg contém aproximadamente 1,2 kg de cálcio. Deste total, 5,3 g estão no fluido intracelular, 1,3 g no fluido extracelular (excluindo-se ossos) e mais de 1 kg encontra-se nos ossos sob a forma de cristais de hidroxiapatita.

A distribuição sanguínea do cálcio se dá da seguinte maneira: cerca de 50% na forma difusível (cálcio ionizável e na forma de complexos) e o restante, não-difusível, ligado às proteínas plasmáticas.

Como a albumina é a proteína mais abundante no plasma, 90% do cálcio ligado às proteínas encontra-se ligado a ela. Sendo assim, a diminuição dos níveis séricos de albumina determina alterações na concentração de cálcio sérico total. Por exemplo, a diminuição em 1,0 g/dl da concentração sérica de albumina diminui a concentração de cálcio total em 0,8 mg/dl. As alterações da concentração sérica de globulinas determinam menores variações na concentração de cálcio sérico (1,0 g/dl de globulina para 0,12 mg/dl de cálcio total).

A porção do cálcio difusível se divide em fração ionizável, 90% do total (ultrafiltrável), e o restante formando complexos com bicarbonato, citrato, fosfato, lactato e sulfato. A fração ionizável de cálcio varia com o pH sanguíneo, sendo que a alcalose diminui a concentração de cálcio ionizável, ao contrário da acidose. Alteração em 0,1 unidade no pH sérico modifica a ligação proteína-cálcio em 0,12 mg/dl.1,2,3

Absorção Intestinal

Um indivíduo normal ingere aproximadamente 1.0 mg de cálcio elementar ao dia (15 mg/kg/dia). Dependen- do da concentração de 1,25-diidroxivitamina D3 (calcitriol) e do conteúdo de cálcio na dieta, 20 a 40% deste total é

Ponto-chave:

•No túbulo contornado proximal o cálcio é reabsorvido conjuntamente com o sódio e na presença de depleção extracelular a sua reabsorção aumenta. Na presença de expansão extracelular, ocorre o inverso, e isto pode ser usado no tratamento da hipercalcemia capítulo 13215

A regulação da reabsorção do cálcio ocorre no túbulo contornado distal (10% do total), pela ação do PTH e do calcitriol. Estas substâncias aumentam a reabsorção local através de mecanismos ativos da bomba de cálcio e trocas de sódio por cálcio.

Fatores que Regulam a Homeostase do Cálcio

A vitamina D3 é formada a partir da dieta e da clivagem fotolítica na pele do 7-desidrocolesterol. A vitamina D2, proveniente de fonte dietética (ergosterol), juntamente com a vitamina D3, são as formas ativas da vitamina D no sangue. No fígado a vitamina D sofre a ação da 25-hidroxivita- mina D3 (calcidiol), que nos rins, pela ação da 1-hidroxi- lase diidroxivitamina D3 (1-hidroxilase), transforma-se em calcitriol.

Em situações de hipocalcemia ou em estados de demanda de cálcio, é feita a conversão de calcidiol em calcitriol, porém em estados de normocalcemia o calcitriol não é formado em grande quantidade.1,2,3

O calcitriol aumenta o transporte de cálcio no intestino, age no néfron distal aumentando a reabsorção de cálcio e nos ossos aumenta a mobilização de cálcio.

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