Funcionamento e Principio do Metodo de Irrigação por Superficie enfocando os tipos: Sulco e Inundação.
Irrigação por Sulcos



A irrigação por sulcos é um método que consiste na distribuição de água através de pequenos canais (os sulcos), paralelos às fileiras de plantas.
A irrigação por sulcos é um método que consiste na distribuição de água através de pequenos canais (os sulcos), paralelos às fileiras de plantas.
Considera-se que:
O tempo em que a água escoa e infiltra deve ser suficiente para umedecer a zona do perfil do solo onde estão as raízes da espécie cultivada.
Utilizado para irrigar espécies plantadas em linha;
Utilizado para irrigar espécies plantadas em linha;
Não molha toda a superfície do solo (30 a 80% apenas), o que contribui para reduzir as perdas por evaporação;
Necessita mais mão de obra por unidade de área que outros métodos;
Exige experiência dos irrigantes para derivar água do canal aos sulcos e para controlar a vazão durante a irrigação;
Exige experiência dos irrigantes para derivar água do canal aos sulcos e para controlar a vazão durante a irrigação;
Requer pequenas declividades e relevo da superfície uniforme;
Se o terreno não exigir sistematização, é o método de menor custo (US$ 400 a 800/ha);
O solo deve ser homogêneo ao longo do comprimento do sulco (textura);
Necessita grandes vazões para evitar desuniformidade na lâmina de irrigação aplicada ao longo do sulco;
Necessita grandes vazões para evitar desuniformidade na lâmina de irrigação aplicada ao longo do sulco;
Não exige água limpa;
Não é afetado pelo vento;
O espaçamento entre sulcos deve ser escolhido para que:
O espaçamento entre sulcos deve ser escolhido para que:
“o movimento lateral da água entre sulcos adjacentes”
permita umedecer toda a zona radicular antes de umedecer regiões abaixo dela.
RECOMENDAÇÃO 1:
RECOMENDAÇÃO 1:
Aplica-se inicialmente a maior vazão que o sulco pode conduzir sem que ocorra transbordamento ou erosão (vazão máxima não erosiva).
O OBJETIVO É FORMAR UM ESPELHO D’ÁGUA QUE CUBRA TODO O COMPRIMENTO DO SULCO COM RAPIDEZ, POIS AÍ A ÁGUA ESTARÁ INFILTRANDO EM TODOS OS PONTOS AO MESMO TEMPO.
RECOMENDAÇÃO 2:
RECOMENDAÇÃO 2:
Quando a água atingir o final do sulco, a vazão inicial pode ser reduzida para a menor quantidade capaz de manter o espelho de água em todo o comprimento do sulco.
(A água deve continuar escoando por algum tempo depois de alcançar o final do sulco)
Observação:
Observação:
Se for mantida uma vazão alta durante todo o tempo de irrigação, haverá perdas por escoamento além do final do sulco (água que vai para o canal de drenagem);
Se for mantida uma vazão baixa durante todo o tempo da irrigação, haverá perdas por percolação profunda (infiltração abaixo da zona das raízes) no início do sulco.
Com o uso de sifões é muito fácil realizar a redução de vazão:
Com o uso de sifões é muito fácil realizar a redução de vazão:
Quando houver mais de um sifão, basta reduzir seu número para que a água permaneça escoando pelo sulco sem grandes perdas no final.
5.1. FASE DE AVANÇO
5.1. FASE DE AVANÇO
Esta fase começa com a entrada de água no início do sulco e termina quando a água chega ao final do sulco.
5.2. FASE DE REPOSIÇÃO DE ÁGUA NO SOLO
Depois que o espelho d’água está totalmente formado (final do tempo de avanço), começa a fase de reposição da água no solo, na qual a água permanece escoando até que que a frente de molhamento atinja toda a zona radicular no final do sulco.
5.3. FASE DE RECESSÃO VERTICAL
5.3. FASE DE RECESSÃO VERTICAL
Após o encerramento da reposição da água no solo, o fornecimento de água é interrompido e tem início a fase de recessão vertical, em que a água permanece escoando e infiltrando até que apareça a primeira porção de superfície do sulco sem água fluindo.
5.4. FASE DE RECESSÃO HORIZONTAL
Esta fase termina quando toda a superfície do sulco apresenta-se drenada.
O avanço da água no sulco também é denominado de Velocidade de deslocamento lateral da água no sulco.
O avanço da água no sulco também é denominado de Velocidade de deslocamento lateral da água no sulco.
Isto se dá para podermos diferenciar o avanço da velocidade de deslocamento vertical da água no sulco, que é quando se dá a INFILTRAÇÃO.
A velocidade de deslocamento lateral da água depende dos seguintes fatores:
A velocidade de deslocamento lateral da água depende dos seguintes fatores:
Vazão aplicada no início do sulco;
Infiltrabilidade do solo;
Declividade ao longo do sulco;
Rugosidade e comprimento do sulco.
As etapas da determinação da curva de avanço da água no sulco são apresentadas a seguir:
As etapas da determinação da curva de avanço da água no sulco são apresentadas a seguir:
No campo, construir o sulco com as características desejadas (declividade e comprimento, );
Realizar duas ou três irrigações iniciais para que o sulco possa ficar com a forma e a rugosidade definitivas
Colocar estacas para marcar o avanço da água a cada 20 ou 40 metros;
Colocar estacas para marcar o avanço da água a cada 20 ou 40 metros;
Aplicar a vazão máxima não erosiva na cabeceira do sulco (fórmula de Gardner) e outras vazões menores e maiores que essa;
Anotar o tempo que a frente de avanço leva para chegar em cada estaca ao longo do sulco, até o final do sulco;
Anotar o tempo que a frente de avanço leva para chegar em cada estaca ao longo do sulco, até o final do sulco;
Com os dados de distância entre as estacas e tempo que a água leva para atingir estas estacas, construir a curva de avanço da água no sulco.
Sulcos muito longos ou muito curtos têm inconvenientes:
Sulcos muito longos ou muito curtos têm inconvenientes:
Sulcos longos causam maior perda por percolação profunda, (água que infiltra abaixo da zona das raízes) gerando menor uniformidade de irrigação;
Apresentam também maior possibilidade de acumulação da água das chuvas causando erosão.
Inconvenientes de sulcos curtos:
Inconvenientes de sulcos curtos:
Tornam o processo de irrigação mais trabalhoso (maior número de sulcos exige mais mão de obra para irrigação;
Exigem a construção de mais canais de condução, o que gera maior custo de manutenção e maior perda de área de cultivo;
Dificulta a mecanização da área.
FORMA E TAMANHO DA ÁREA:
FORMA E TAMANHO DA ÁREA:
Para facilitar o manejo, o comprimento dos sulcos deve ser igual em toda a área, desta maneira a vazão e o tempo de aplicação da vazão serão os mesmos para todos os sulcos.
Se a área é pequena, o comprimento do sulco deve ser igual ao comprimento de um dos lados da lavoura.
Se a área é grande, o comprimento dos sulcos deve ser submúltiplo do comprimento total da área. Exemplo área de 400 metros, 2 sulcos de 200 metros.
TIPO DE SOLO:
TIPO DE SOLO:
Em solos argilosos os sulcos podem ser mais longos pois a taxa de infiltração é menor, resultando em menor perda por percolação profunda. Em solos arenosos os sulcos devem ser mais curtos, pela razão oposta.
DECLIVIDADE:
Em terrenos com grande declividade devemos ter sulcos mais curtos para evitar erosão.
ESPÉCIE CULTIVADA:
ESPÉCIE CULTIVADA:
Espécies com sistema radicular profundo permitem sulcos mais longos, pois a maior quantidade de água que está infiltrando no início do sulco será aproveitada pelo sistema radicular da cultura.
PROCURA-SE CONSTRUIR SULCOS COM O MAIOR COMPRIMENTO POSSÍVEL.
O ideal seria determinar o comprimento através de testes realizados no terreno:
O ideal seria determinar o comprimento através de testes realizados no terreno:
Recomenda-se construir sulcos de diferentes comprimentos, verificando depois da irrigação, como aconteceu a distribuição da água ao longo do sulco (perfil de umedecimento do solo) através de trincheiras perpendiculares.
Método de Criddle:
Método de Criddle:
O comprimento máximo do sulco deve ser tal que permita um tempo de avanço da água até o final do sulco igual a ¼ do tempo necessário para aplicar a lâmina d’água desejada no sulco.
O tempo que a água leva para chegar até o final do sulco é denominado tempo de avanço.
Durante o teste de avanço é importante medir também a infiltração da água no sulco.
Durante o teste de avanço é importante medir também a infiltração da água no sulco.
Usa-se medidores apropriados para determinar a vazão de entrada e de saída no sulco.
Os medidores WSC podem ser construídos em plástico, madeira, chapas finas de metal ou concreto.
Os medidores WSC podem ser construídos em plástico, madeira, chapas finas de metal ou concreto.
Esses medidores tem quatro partes: seção de entrada, seção convergente, seção contraída e seção divergente. Baseiam-se no princípio de Venturi.
Existe uma relação entre a altura de água medida na seção de entrada e a vazão escoada.
A Velocidade de deslocamento vertical no sulco é a velocidade de infiltração da água no sulco. Esta velocidade depende basicamente das características do solo (textura e estrutura) e pode ser estimada por diferentes métodos.
A Velocidade de deslocamento vertical no sulco é a velocidade de infiltração da água no sulco. Esta velocidade depende basicamente das características do solo (textura e estrutura) e pode ser estimada por diferentes métodos.
Um dos métodos mais indicados para estimar este parâmetro é o método que mede a vazão de entrada e de saída da água, utilizando o medidor WSC.
– A primeira leitura é feita na estaca A quando a água chegar à metade da distância entre as estacas A e B; a segunda leitura será feita quando a água alcançar a estaca B e as demais leituras a cada cinco minutos, até notar-se que VI está constante.
– A primeira leitura é feita na estaca A quando a água chegar à metade da distância entre as estacas A e B; a segunda leitura será feita quando a água alcançar a estaca B e as demais leituras a cada cinco minutos, até notar-se que VI está constante.
- É o tempo acumulado que será plotado no gráfico (eixo x) contra a coluna (8).
(3) e (5) – São as cargas nos medidores de vazão instalados nas estacas A e B.
(3) e (5) – São as cargas nos medidores de vazão instalados nas estacas A e B.
(4) e (6) – Vazões escoadas nos medidores nas estacas A e B.
(7) – Diferença entre a vazão de entrada (coluna 4) e a vazão de saída (coluna 6).
(8) – Transformação de VI para a unidade mm/h.
A Velocidade de Infiltração dada em l/min por 40m de sulco foi transformada para a unidade mm/h, pela seguinte fórmula:
A Velocidade de Infiltração dada em l/min por 40m de sulco foi transformada para a unidade mm/h, pela seguinte fórmula:
O valor estabilizado da Velocidade de Infiltração será utilizado para determinar a vazão reduzida.
O valor estabilizado da Velocidade de Infiltração será utilizado para determinar a vazão reduzida.
VAZÃO REDUZIDA: é aquela que garante que não haverá escoamento superficial no fim do sulco, pois a água será totalmente infiltrada ao longo do trecho.
A velocidade de Infiltração da água no sulco pode ser ajustada a uma equação do tipo
A velocidade de Infiltração da água no sulco pode ser ajustada a uma equação do tipo
VI = ntm
Em que:
VI é a velocidade de infiltração (mm/h);
t é o tempo de oportunidade que a água tem de infiltrar no sulco, em minutos (cada trecho do sulco terá um tempo diferente);
n e m são parâmetros do solo.
Para o exemplo, a equação ajustada foi:
Para o exemplo, a equação ajustada foi:
VI = 50,669.t-0,3727
Esta equação pode ser transformada na equação da infiltração acumulada, mediante integração:
I = n’.tm’
Em que I é a Infiltração acumulada, em mm.
n’ = n/60.(m+1)
n’ = n/60.(m+1)
m’ = m + 1
A equação fica:
I = 1,346.t0,6723
Ex.: Quanto tempo a água deve permanecer escoando para aplicarmos uma lâmina de 40mm?
Resposta: t = 155,2 minutos.
t = 155,2 min 160 min (tempo de irrigação)
t = 155,2 min 160 min (tempo de irrigação)
Pelo critério de Criddle:
O comprimento máximo do sulco deve ser tal que permita um tempo de avanço da água até o final do sulco igual a ¼ do tempo necessário para aplicar a lâmina d’água desejada no sulco.
Portanto, o tempo de avanço será de 40 min









