Módulo de Princípios deEpidemiologia para o Controle deEnfermidades

Módulo de Princípios deEpidemiologia para o Controle deEnfermidades

(Parte 6 de 7)

Os efeitos do estado nutricional e as infecções estão intimamente relacionados e com frequência são potencializados entre si. A desnutrição grave provoca uma deterioração na resposta imune e isto leva ao aumento da suscetibilidade às doenças bacterianas. Quando uma criança sofre de desnutrição protéico-calórica, aumenta a probabilidade de que algumas doenças surjam na sua forma mais grave e, com isso, aumente seu risco de complicações, sequelas e deficiência permanente. A epidemia de neuropatia em Cuba, no início dos anos noventa, ilustra as consequências da supressão brusca de nutrientes e o papel dos macrodeterminantes socioeconômicos na produção de doenças na população, bem como a utilidade da epidemiologia para controlar oportunamente os problemas de saúde. Além disso, problemas nutricionais como a obesidade são considerados fatores do hospedeiro que o tornam mais suscetível às doenças crônicas como a hipertensão arterial, doenças cardiovasculares, diabetes e a redução da esperança de vida.

No âmbito das doenças transmissíveis, as consequências da interação entre o hospedeiro e o agente são extremamente variáveis e é importante considerar, além do que foi ressaltado, outras características do hospedeiro que contribuem para essa grande variabilidade. Entre elas, a suscetibilidade e a resistência são de especial relevância.

A suscetibilidade do hospedeiro depende de fatores genéticos, de fatores gerais de resistência às doenças e das condições de imunidade específica para cada doença.

Os fatores genéticos, que são denominados imunidade genética, constituem uma “memória celular” herdada através de gerações. Isso facilitaria a produção de anticorpos, enquanto que naqueles grupos humanos carentes desta experiência, não se produziria esta reação específica ante determinada doença. São bem conhecidos os exemplos acerca do impacto que tiveram a varíola, o sarampo, a tuberculose e a influenza naqueles grupos indígenas que se mantiveram isolados das populações e civilizações onde essas doenças ocorreram através de gerações.

A imunidade. A pessoa imune possui anticorpos protetores específicos e/ou imunidade celular, como consequência de uma infecção ou imunização anterior. Desse modo, ela pode estar preparada para responder eficazmente à doença, produzindo anticorpos suficientes.

Uma classificação muito usada da imunidade indica dois tipos: imunidade ativa e imunidade passiva (Figura 2.8).

Imunidade Ativa

Passiva

(Doença) (Vacina)

(Transplacentária)

A imunidade passiva, de curta duração (de alguns dias a vários meses) é obtida naturalmente por transmissão materna (através da placenta) ou artificialmente por inoculação de anticorpos protetores específicos (soro de convalescente ou de pessoa imune ou soroglobulina imune humana, soro antitetânico, soro antidiftérico, gamaglobulina, etc).

A imunidade ativa, que costuma durar anos, é adquirida naturalmente como consequência de uma infecção, clínica ou subclínica, ou artificialmente por inoculação de frações ou produtos de um agente infeccioso, ou do mesmo agente, morto, atenuado ou recombinado a partir de técnicas da engenharia genética.

A acumulação de suscetíveis é uma parte importante do processo da doença na população. Logicamente, a proporção de suscetíveis em uma comunidade varia com as condições de vida e saúde dessa comunidade, assim como com cada tipo de doença.

O indivíduo não pode se desligar do coletivo humano, motivo pelo qual é importante considerar o fenômeno de resistência e suscetibilidade da comunidade em seu conjunto. Ainda assim, sem levar em conta o tipo de agente patógeno ou a fonte de infecção, a proporção de suscetíveis em uma população é um fator determinante da incidência da infecção e doença, principalmente nas situações onde ocorre transmissão de pessoa a pessoa. Quando a proporção da população imune é alta, o agente tem menor probabilidade de disseminação. Essa propriedade se aplica às populações tanto humanas como de animais vertebrados e se denomina imunidade de massa ou no caso de animais, “imunidade de rebanho”. Desde o ponto de vista do controle de doenças específicas, como o sarampo no ser humano ou a raiva no cão, seria desejável saber exatamente que proporção da população deve ser imune para que a disseminação de uma infecção seja altamente improvável. Ainda que não seja fácil contar com informação precisa a esse respeito, se dispõe de estimativas razoáveis para algumas doenças. Por exemplo, estimase que para interromper a transmissão da difteria na população se requer 75 a 85% de população imune. Essa informação é de grande valor para os programas de eliminação e erradicação de doenças, como a poliomielite, o sarampo, o tétano neonatal, entre outros. Por outro lado, essa característica populacional ilustra o conceito dinâmico e interativo que tem a presença ou ausência da doença na população. Os modelos matemáticos e a análise de epidemias demonstram que a proporção da população imune não precisa ser de 100% para que a disseminação da doença na população se detenha ou seja evitada.

Pergunta 1. Qual(quais) é(são) os fatores do hospedeiro?

a) A resistência ou suscetibilidade à doença. b) As características antigênicas do agente.

c) As portas de entrada e saída do agente.

d) O modo de transmissão da doença.

Pergunta 2. Qual dos seguintes não é um fator geral de resistência à infecção?

a) O ácido gástrico. b) Os corpos ciliados do trato respiratório.

c) O reflexo da tosse.

d) As antitoxinas.

e) As membranas mucosas.

Pergunta 3. Quais das seguintes condições aumentam a suscetibilidade à infecção?

a) Má nutrição. b) Doença preexistente.

c) Mecanismos imunogênicos deprimidos por drogas.

d) Nenhuma das anteriores.

Pergunta 4. Que tipo de imunidade confere a passagem de anticorpos maternos para o feto?

d) Passiva artificial.

e) Resistência geral.

Pergunta 5. Que tipo de imunidade confere uma vacina?

d) Passiva artificial.

e) Resistência geral.

Pergunta 6. A única explicação possível da ocorrência de vários casos de uma doença transmissível em uma mesma família reside nas características genéticas comuns a essa família.

Verdadeiro _ Falso _

Pergunta 7. Quais das seguintes afirmações estão corretas?

a) Há infecções virais benignas que podem contribuir para a introdução de uma doença bacteriana grave. b) As pessoas diabéticas apresentam uma maior resistência às infecções.

c) As bactérias estimulam uma reação inflamatória da pele no lugar da invasão. d) O estímulo à formação de anticorpos específicos ocorre na convalescência do doente. e) As expressões culturais dos grupos étnicos e familiares são tão importantes como seus traços genéticos comuns para determinar sua suscetibilidade ou resistência às doenças.

A. Selecione, por meio de uma discussão de grupo, uma doença infecciosa de importância no seu país, região ou localidade, e justifique a escolha

Doença selecionada: _

B. De forma sintética, identifique coletivamente os principais elementos da cadeia epidemiológica da doença selecionada pelo grupo.

C. Liste alguns dos fatores causais ou determinantes relacionados com a doença selecionada, de acordo com o Modelo de Determinantes da Saúde apresentado na Módulo 1.

Fatores.biológicos

Serviços.de.

Referências.bibliográficas

Abbasi K. The World Bank and world health: under fire. British Medical Journal 1999;318:1003- 1006.

Benenson AS [Editor]. Manual para o controle das enfermidades transmissíveis. 16a Edição. Relatório Oficial de da Associação Estadunidense de Saúde Pública. Organização Panamericana da Saúde; Washington DC, 1997.

Centers for Disease Control and Prevention. Addressing emerging infectious disease threats: a prevention strategy for the United States. Executive Summary. Mortality and Morbidity Weekly Report April 15, 1994:43(R-5):1-18.

Centers for Disease Control and Prevention. Preventing emerging infectious diseases: a strategy for the 21st century. Overview of the updated CDC Plan. Mortality and Morbidity Weekly Report September 1, 1998:47(R-15):1-14.

Division of Disease Prevention and Control. PAHO Regional Plan for Emerging Diseases. Pan American Health Organization; Washington DC, 1997.

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