A importância do crescer brincando - sob a ótica deum educador - brinquedista 2013 no desenvolvimentointegral da criança, durante a sua educação infantilgladis xavier maiatriunfo2003

A importância do crescer brincando - sob a ótica deum educador - brinquedista...

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TRIUNFO 2003

1 - Introdução03
1.1 Tema03
1.3.2 Objetivos Específicos 04

SUMÁRIO 1.2 Problema da Pesquisa 04 1.3 Objetivos 04 1.3.1 Objetivo Geral 04 1.4 Justificativa 05

2 - Revisão Bibliográfica 07

3 – Metodologia 13 3.1 Delimitação do Estudo 13 3.2Técnicas de Coleta de Dados 13 3.3 População e Amostragem 13 3.4 Organização e Análise dos Dados 13

4 – Cronograma 14

5 – Orçamento 15 6. Referências Bibliográficas 16

1. INTRODUÇÃO

As crianças, de maneira geral, agem e falam e/ou brincam de acordo com suas possibilidades maturativas, emocionais, cognitivas e de socialização, e é pela sua ação (ativa ou passiva) que elas exprimem suas possibilida- des , descobrindo-se a si mesmas e revelando-se aos outros.

Através do brincar a criança se exprime, conta algo de si própria, se auto-educa, consegue descobrir e aprender inúmeras coisas, se diverte – ou não – comunica-se com outras crianças e com o ambiente que a cerca.

No mundo da criança não existe um limite claro, definido, entre a brinca- deira e a vida de todo o dia. Todas as suas energias são subconscientemente devotadas à sua ocupação de separar, compreender e tornar a reunir esses dois mundos igualmente importantes, enquanto ela desenvolve gradualmente o senti- do social.

O brinquedo e o jogo são o trabalho da criança. Todas as possibilidades de desenvolvimento estão abertas à criança, se nós tivermos a compreensão certa para e o brinquedo infantil.

E é dessa compreensão, deste olhar especializado sobre o brinquedo, que queremos desenvolver e nos deter neste trabalho.

A Importância do Crescer Brincando – sob a ótica de um educador-

Brinquedista - no Desenvolvimento Integral da Criança, durante a sua Educa- ção Infantil

cos e dentistas pediatras, os escritores de Literatura Infantil?

4 1.2 PROBLEMA DA PESQUISA Por que os profissionais que atuam na Educação Infantil não são necessaria- mente educadores especializados, tais como os psicanalistas infantis, os medi-

1.3. OBJETIVOS 1.3.1. OBJETIVO GERAL: demonstrar que o brincar é o trabalho da criança – condição sine qua non para o seu desenvolvimento integral, durante a educa- ção infantil – e como tal precisa ser visto, estudado, compreendido e empreendi- do com os profissionais que atuam nesta área, que precisariam ser, além de edu- cadores, especialistas em brinquedo, com conhecimentos de ordem psicológica, sociológica, pedagógica, artística, enfim, matérias que lhe dêem uma visão de mundo clara e crítica sobre a criança, jogo, brinquedo, brinquedoteca , homem, sociedade e que – ao mesmo tempo - seja uma pessoa com sensibilidade, entusiasmo, dinamismo, que gosta de criança e do que faz, que ri, que chora e que brinca.

1.3.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

referenciais teóricos , através de uma revisão bibliográfica, que dêememba-

1.3.2 Sintetizar as principais teorias de desenvolvimento da criança, e reunir os samento histórico-psico-biológico-pedagógico-social ao uso do brinquedo duran- te a educação infantil. 1.3.3 Demonstrar o quão importante é a formação adequada dos profissionais para atuarem na educação infantil.

5 1.3.4 Registrar, com o auxílio de uma câmera de vídeo, as entrevistas e obser- vações que serão realizadas em escolas particulares de educação infantil, de Porto Alegre.

1.3.5 Analisar a amostragem obtida em dois formatos: por escrito e em lin- guagem de vídeo, através de uma edição.

1.4 JUSTIFICATIVA

Considerando-se que a partir da Revolução Industrial as mudanças econô- micas e políticas na sociedade fizeram com que a mulher assumisse o trabalho fora do lar e desde então, paulatinamente, a educação das crianças é comparti- lhada com as creches, jardins de infância e pré-escolas, que formam o que hoje em dia convencionou-se chamar Educação Infantil;

Considerando-se que a Educação Infantil em creches e pré-escolas pás- sou a ser, ao menos do ponto de vista legal, um dever do Estado e um direito da criança, pelo artigo 208, inciso IV da Constituição Brasileira;

Considerando-se que a nova LDB, promulgada em dezembro de 1996, estabelece, de forma incisiva, o vínculo entre o atendimento às crianças de zero a seis anos e determina também que a instituição da Educação Infantil deverá ter um plano pedagógico elaborado pela escola com a participação dos educadores;

Considerando-se que uma escola de Educação Infantil qualificada deve constituir-se num lugar para a emoção, para o desenvolvimento da sensibilidade e das habilidades sociais, propiciando situações que contribuam para o desenvolvi- vimento das capacidades infantis, para que a criança torne-se cada vez mais independente e autônoma;

suas concepções sobre as coisas e aspessoas; por auxiliarem na elaboração de
mesmo física é que decidimo-nos por realizar este projeto cujo assunto aqui

Considerando-se que as atividades lúdicas deveriam, na nossa concep- ção, embasada em vários teóricos, ser eleitas na pauta diária desta instituição de Educação Infantil, por constituírem-se em atividades de grande complexidade; por desencadearem a imaginação criadora; enriquecerem a identidade da criança, através da experimentação de outra forma de ser e de pensar; por ampliarem hipóteses para a resolução de seus problemas e na criação e recriação das situa- ções que ajudam a satisfazer alguma necessidade presente em seu interior, bem como na resolução de situações conflitantes, que a criança vivencia no seu dia, numa vivência reestruturante , que supera o sofrimento de alguma dor psíquica ou enaltecido vem no bojo de seu tema.

7 2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

tidas vezesFreud percebeu que o neto brincava de ir embora e voltar, era a ma-
fazer o que os adultos fazemSegundo Freud , é na situação do brinquedo que a

O ludo simboliza para a criança o manejo de suas forças na luta de adaptação e conquista do mundo. Foi Freud o primeiro estudioso a descobrir a função da atividade lúdica infantil, quando interpretou a brincadeira de seu neto de 18 meses, que brincava com um carretel amarrado num barbante. Ele o lançava por cima do berço, cercado por uma cortina, que o fazia desaparecer de sua visão. Dian- te de sua ausência, a criança exclamava “fort” (fora). Puxando o barbante e tirando o carretel para dentro do berço , saudava seu aparecimento com um alegre “da” (aqui) . O menino fazia o carretel desaparecer e aparecer de seu campo visual repe- neira que ele encontrara de controlar a angústia da ausência da mãe, simbolizada no carretel. Além de estar se divertindo,a criança estava dominando uma situação que, de outra forma era impossível. Assim, para Freud (1976), as crianças repetem nas suas brincadeiras tudo que a vida lhes causou profunda impressão e, brincando se tornam senhoras da situação. Brincam para fazer alguma coisa que na realidade fizeram com elas, porque através do brinquedo têm a possibilidade de realizar o de – sejo dominante( para sua faixa etária). Por exemplo, o desejo de ser grande e de criança procura relacionar o real, experimentando-o , a seu modo, procurando cons- truir e recriar essa realidade. ]

O brinquedo é então um meio de comunicação, é a ponte que permite ligar o mundo externo e o interno, a realidade e a fantasia. Pode-se pois dizer que Freud estabeleceu as marcas referenciais da técnica do jogo, demonstrando que o brincar não é só um passatempo para viver situações prazerosas, mas também uma .

8 maneira de elaboração circunstâncias terapêuticas.

Uma das fundadoras da psicanálise infantil, Melaine Klein, colocou o brin- quedo num lugar de destaque na luta contra a angústia mobilizada pelas pulsões se- xuais. Segundo Klein (1980) , ao brincar a criança domina realidades dolorosas e controla medos instintivos, projetando-os ao exterior, nos brinquedos. Mecanismo viável porque, desde a tenra idade, a criança tem a capacidade de simbolizar. Para a autora, o brincar é a linguagem típica da criança; a linguagem lúdica da criança é por ela equiparada à associação livre e aos sonhos dos adultos, trabalhados na psicanálise.

A conceituada psicanalista Argentina Aberastury (1982) foi pioneira ao evidenciar o valor da entrevista lúdica para fins diagnósticos.

os objetos que a rodeiamCada objeto , próximo ou distante, adquire vida e a

AberasturY (1992) relata que o brinquedo possui muitas características dos objetos reais, mas por seu tamanho diminuto e pelo fato da criança exercer domínio sobre ele – pois o adulto outorga-lhe as qualidades de algo próprio e per- rmitido – transforma-se no instrumento para domínio de situações penosas, difí- ceis, traumáticas, que se engendram na relação com os objetos reais. Nesta o- bra, Aberastury demonstra como a criança normal brinca, à medida que se de- senvolve. Em torno de 4 meses inicia-se a atividade lúdica fundada na vida mental da criança, quando os objetos funcionam como símbolos. Entre 4 e 6 meses tornando-se capaz de sentar, modifica –se sua relação com estimula a novas experiências. Brincar de esconder é sua primeira atividade lúdica e com ela a criança elabora a angústia do desprendimento. .

tambor e isso lhe serve às suas necessidades de descargamotriz, além do que,

Aos 4 meses brinca com seu corpo e com objetos. Entre 4 e 6 meses, adquire diversos modos de elaborar a angústia da perda. Atra- vés de seus brinquedos intui, sente e elabora que as pessoas e os objetos podem aparecer e desaparecer, expressando isto em seu mundo lúdico. Paradoxalmente a esta elaboração, exige com urgência incontrolável, a presença de seus verdadeiros objetos: os pais. Na segunda metade do primeiro ano, surge novo interesse em seu brincar: descobre que algo oco pode conter objetos, que algo penetrante pode entrar em objetos ocos. Uma vez realizados esses jogos – com seu corpo e com o das pés- soas que a cercam, passa a brincar com as coisas inanimadas: o buraco do banhei- ro, a fechadura, etc. Entre 8 e 12 meses, as diferenças anatômicas dos sexos se manifestam nos brin- quedos. A menina prefere colocar objetos num lugar oco e seus brinquedos repe- tirão esta experiência. O menino, ao contrário, escolhe objetos como os quais possa penetrar. Ambos começam a engatinhar e seus campos de ação se ampliam.Come- ça uma consciente e paciente exploração dos objetos. Ao fim do primeiro ano, o pôr-se de pé e o caminhar lhe permitem afastar-se voluntariamente dos objetos e reencontrá-los. Entre 8 e 18 meses, a criança usa uma tampa e uma colher para percutir como sendo inquebráveis, facilitam esta descarga, pois percebendo a realidade de que os objetos não se destroem, diminui na criança o temor de suas tendências destrutivas e, por conseguinte, sua culpa. Ao final do primeiro ano, o globo, e depois a bola , constituirão o centro de seu interesses. Começam as brincadeiras e jogos com bo- necas e animais, que corporificam os filhos imaginários e que são bem – ou mal - .

alimentados, tratados

10 Aproximadamente em torno dos dois anos, começam a interessar-lhe os recepi- Entes para derramar substancias de um lugar para outro. Em paralelo, surge o controle dos esfíncteres.

Por volta dos três anos, descobre que pode recuar e reter a imagem através do desenho. O corpo é seu primeiro interesse, A casa, que simboliza o corpo, será o objeto central de suas paisagens. Neste período, os carros e as locomotivas são a paixão do menino , compartilhada pelas meninas. Ambos sentem-se impelidos à exploração genital e à sublimação através dos brinquedos. Ao brincar, representam suas fantasias de vida amorosa dos pais e de si próprios, o nascimento do filho; as atividades masturbatórias começam a ter lugar neste momento. Começam a valorizar gavetas, armários. A destruição e a desordem lhes produz angústia, surge o interesse pela limpeza e pela ordem. A simbologia de vida genital é muito rica, entre 3 e 5 anos. O brinquedo amplia-se e complica-se. A intensidade de brincar e a riqueza da fantasia permitem a avaliação da harmonia mental. Os objetos reais e fantásticos passam a aparecer nos seus de- senhos. A imagem é fugidia e o desenho retém e a imobiliza. Essa capacidade de recriar objetos em imagens imóveis é uma nova forma de lutar contra a angústia da perda. As imagens entram também por outro caminho no mundo dos seus brinque- dos: aparece com o livro e nas múltiplas vezes que nos pedem para que repitamos suas pequenas histórias, e mostremos seus desenhos novamente. Os desejos genitais adquirem pujança entre os 3 e os 5 anos , e se expressam em vários tipos de atividades. As brincadeiras sexuais entre crianças são a norma. Não são negativas, e contribuem para o seu bom desenvolvimento. Brincam de mamãe

1 e papai, de médico e enfermeira, de namorados, de casados e, com esses brinque- dos, satisfazem suas necessidades de tocar, de se mostrar, de serem vistas e de se verem. Aos 5 anos, o menino brinca de mistério, conquista, ação ( súper-homem) e a me- nina de boneca, casinha, finge relações sociais e entra na aprendizagem das carac- terísticas femininas, através das quais procura se identificar com sua mãe. A entrada no colégio modifica profundamente o mundo do brinquedo e as letras e os números convertem-se em brinquedos para as crianças.O amor pelo conhecimento é a conti- nuação da curiosidade que sentiram pelo mundo circundante até 5, 6 anos de idade.

. Como refere Bettelhein (1989, p. 168) outro reconhecido psicanalista infantil

mentar, de como chegar a um consenso”
aprender isso tudo é infinitamente mais relevante para o

“ brincar é muito importante porque simula o desenvo- lvimento intelectual da criança, também ensina, sem que ela perceba , os hábitos necessários a esse crescimento. As brin- cadeiras e jogos que vão surgindo gradativamente na vida das crianças – desde as mais simples, funcionais, até as de regras, mais elaboradas – possibilitam à criança a conquista de sua identidade. As crianças, através dos jogos e brincadeiras de- senvolvem sua capacidade de raciocinar, de julgar, de argu- E mais adiante: desenvolvimento da criança do que qualquer capacidade que possa ser desenvolvida no jogo em si.” (Bettelheim, 1989, p. 248)

O psicanalista ressalta ainda que os brinquedos e brincadeiras com as quais as crianças brincam não costumam ser determinados de forma consciente pela mesma. Embora possamos vê-la entretida numa determinada brincadeira, os motivos que a levaram a brincar com determinado brinquedo ou brincadeira são da ordem .

inconscienteSão seus processos mentais que a impulsionam, a fazê-lo, baseados

12 em processos internos, problemas, expectativas, desejos e ansiedades, que a asse- diam . Dessa forma, mesmo sem ter consciência, a criança estará representando sim- bolicamente suas dificuldades e conseguirá dominá-las mediante a brincadeira. Sendo assim, por mais incompreensível que uma brincadeira possa parecer aos olhos do adulto, é necessário que a criança possa desenvolvê-las, sem interrupções ou críticas.

Bettelhein (1989, p.200) , afirma que é de importância crucial para o desenvolvimento da criança “ a liberdade de transformar um acontecimento do qual foi sujeito passivo, em outro em que ela é o provocador e o controlador ativo”. Segundo o autor, a criança adquire domínio de um fato ou situação, através da brincadeira, e da fantasia. Provocando nos bonecos os processos que sofreu como sujeito passivo, a criança começa a entender que não precisa ser ela sempre a vítima desamparada, mas pode também fazer aos outros o que lhe foi feito. Assim, pela brincadeira, o sofrimento torna-se um domínio e os acontecimentos traumáticos podem ser melhor dominados. Quanto mais intensa for a impressão que o fato provoque na criança, maior será o nú- mero de vezes que ela repetirá, em sua brincadeira o tema, pois , de uma forma pro- gressiva, ela se familiariza com o evento que vivenciou, enfrenta as emoções que este acontecimento desencadeou, adquirindo tolerância, posteriormente domínio, por inter- imédio do controle ativo do mesmo. É baseado nestas características do brinquedo sim- bólico, que se desenvolve a técnica psicanalítica conhecida como ludoterapia, onde o terapeuta interpreta o brincar da criança.

3. METODOLOGIA

O método a ser utilizado neste projeto será a dialética, já que o recorte da realidade a ser tratado na investigação planejada é o do campo da Educação infantil, que encontra-se, a olhos vistos, em pleno processo de transformação pedagógica, vi- visando sua adaptação à nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação, LDB.

serem coletados nos campos sócio-psico-político-econômicofilosófico, além de, evi-

Também porque o trabalho envolverá a interpretação qualitativa dos dados a dentemente, o pedagógico, nos quais a instituição escola de Educação Infantil se insere.

3.1 DELIMITAÇÃO DO ESTUDO Escolas particulares de Educação Infantil de Porto Alegre, RS.

3.2 TÉCNICAS DE COLETA DE DADOS 3.2.1 Entrevistas semi-estruturadas, gravadas em vídeo, das quais a mais representa- tativa será escolhida pra constituir-se numa história de vida daquela escola de Edução Infantil. 3.2.2 Observações gravadas em vídeo.

3.3 POPULAÇÃO E AMOSTRAGEM

Crianças e profissionais , nos diversos níveis de Educação Infantil, interagindo ,

Em plena atividade, assim como diretores e outros profissionais da equipe diretiva e técnica das escolas escolhidas para representar o universo - de preferência que tenham linhas pedagógicas diversas - a serem entrevistados e observados.

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