Atuação do Enfermeiro no PSF

Atuação do Enfermeiro no PSF

ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO NO PSF

Valença - BA

2010

JULIANA LAYTYNHER RIBEIRO

MÍDDIAN SILVA MEIRELES

CAROLINE NASCIMENTO

ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO NO PSF

Trabalho sobre Atuação do Enfermeiro no PSF da disciplina Políticas Públicas de Saúde do curso de Enfermagem da Faculdade Zacarias de Góes sob a orientação da professora Daniela Santiago.

Valença – BA

2010

INTRODUÇÃO

Programa Saúde da Família - PSF - já atingiu mais de 50 milhões de brasileiros ao longo dos seus 8 anos de existência. Um dos motivos do sucesso e crescimento deste programa é a educação que visa a promoção da saúde.

Neste contexto abordamos a participação do enfermeiro na tarefa educativa que consiste em “aprender a aprender”, de forma que os profissionais não visem apenas ensinar técnicas, mas tenham senso crítico, sensibilidade e consciência do dever de educar.

O enfermeiro pode interferir no processo de orientação da comunidade de diversas formas. O PSF. tem sido um meio extremamente eficaz para que esse objetivo seja alcançado, proporcionando ao enfermeiro a oportunidade de acompanhar mais diretamente a comunidade.

ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO NO PSF

A origem do Programa Saúde da Família ou PSF, teve início, em 1994, como um dos programas propostos pelo governo federal aos municípios para implementar a atenção básica a saúde. O PSF é tido como uma das principais estratégias de reorganização dos serviços e de reorientação das práticas profissionais neste nível de assistência, promoção da saúde , prevenção de doenças e reabilitação. Traz, portanto, muitos e complexos desafios a serem superados para consolidar-se enquanto tal. No âmbito da reorganização dos serviços de saúde, a estratégia da saúde da família vai ao encontro dos debates e análises referentes ao processo de mudança do paradigma que orienta o modelo de atenção à saúde vigente e que vem sendo enfrentada, desde a década de 1970, pelo conjunto de atores e sujeitos sociais comprometidos com um novo modelo que valorize as ações de promoção e proteção da saúde, prevenção das doenças e atenção integral às pessoas. Estes pressupostos, tidos como capazes de produzir um impacto positivo na orientação do novo modelo e na superação do anterior, calcado na supervalorização das práticas da medicina curativa, especializada e hospitalar, e que induz ao excesso de procedimentos tecnológicos e medicamentosos e, sobretudo, na fragmentação do cuidado, encontra, em relação aos recursos humanos para o Sistema Único de Saúde (SUS), um outro desafio. Tema também recorrente nos debates sobre a reforma sanitária brasileira, verifica-se que, ao longo do tempo, tem sido unânime o reconhecimento acerca da importância de se criar um "novo modo de fazer saúde".

Atualmente, o PSF é definido com Estratégia Saúde da Família (ESF), ao invés de programa, visto que o termo programa aponta para uma atividade com início, desenvolvimento e finalização. O PSF é uma estratégia de reorganização da atenção primária e não prevê um tempo para finalizar esta reorganização.

No Brasil a origem do PSF remonta criação do PACS em 1991, como parte do processo de reforma do setor da saúde, desde a Constituição, com intenção de aumentar a acessibilidade ao sistema de saúde e incrementar as ações de prevenção e promoção da saúde. Em 1994 o Ministério da Saúde, lançou o PSF como política nacional de atenção básica, com caráter organizativo e substitutivo, fazendo frente ao modelo tradicional de assistência primária baseada em profissionais médicos especialistas focais. Atualmente, reconhece-se que não é mais um programa e sim uma Estratégia para uma Atenção Primária à Saúde qualificada e resolutiva.

Percebendo a expansão do Programa Saúde da Família que se consolidou como estratégia prioritária para a reorganização da Atenção Básica no Brasil, o governo emitiu a Portaria Nº 648, de 28 de Março de 2006, onde ficava estabelecido que o PSF é a estratégia prioritária do Ministério da Saúde para organizar a Atenção Básica — que tem como um dos seus fundamentos possibilitar o acesso universal e contínuo a serviços de saúde de qualidade, reafirmando os princípios básicos do SUS: universalização, descentralização, integralidade e participação da comunidade - mediante o cadastramento e a vinculação dos usuários. 

Como conseqüência de um processo de des-hospitalização e humanização do Sistema Único de Saúde, o programa tem como ponto positivo a valorização dos aspectos que influenciam a saúde das pessoas fora do ambiente hospitalar.

Uma equipe de saúde da família é formada por, no mínimo, um enfermeiro, um auxiliar de enfermagem, de 4 a 6 agentes comunitários de saúde e um médico. É responsável pelo atendimento de 2.400 a 4.500 pessoas. Profissionais como assistentes sociais, psicólogos, nutricionistas e farmacêuticos poderão ser incorporados de acordo com as possibilidades e necessidades locais.

A Enfermagem e o PSF têm íntima ligação já que este profissional desenvolve um papel fundamental nesta modalidade de assistência à saúde.

Cada membro da equipe do PSF tem atribuições específicas. A seguir listaremos algumas atribuições específicas do enfermeiro que tem em seu trabalho o objeto deste estudo:

Atribuições específicas do enfermeiro

  • Realizar cuidados diretos de enfermagem nas urgências e emergências clínicas, fazendo a indicação para a continuidade da assistência prestada;

  • Realizar consulta de enfermagem, solicitar exames complementares, prescrever/transcrever medicações, conforme protocolos estabelecidos nos Programas do Ministério da Saúde e as Disposições legais da profissão;

  • Planejar, gerenciar, coordenar, executar e avaliar a USF;

  • Executar as ações de assistência integral em todas as fases do ciclo de vida: criança, adolescente, mulher, adulto, e idoso;

  • No nível de suas competências, executar assistência básica e ações de vigilância epidemiológica e sanitária;

  • Realizar ações de saúde em diferentes ambientes, na USF e, quando necessário, no domicílio;

  • Realizar as atividades corretamente às áreas prioritárias de intervenção na Atenção Básica, definidas na Norma Operacional da Assistência à Saúde - NOAS 2001;

  • Aliar a atuação clínica à prática da saúde coletiva;

  • Organizar e coordenar a criação de grupos de patologias específicas, como de hipertensos, de diabéticos, de saúde mental, etc;

  • Supervisionar e coordenar ações para capacitação dos Agentes Comunitários  de Saúde e de auxiliares de enfermagem, com vistas ao desempenho de suas funções.

Como se pode perceber, o enfermeiro atua no PSF. muito da realidade da comunidade,

desenvolvendo ações educativas para enfrentar os problemas de saúde identificados. Seu trabalho consiste numa relação de amizade e compreensão com a família assistida, buscando integrar valores culturais e dificuldades financeiras a um estado de saúde que compreende bem-estar físico, mental e social.

Leis que regem a Atuação do Enfermeiro no PSF

 

"Do Enfermeiro:

*I - realizar assistência integral às pessoas e famílias na USF e, quando indicado ou necessário, no domicílio e/ou nos demais espaços comunitários.

*II - realizar consultas de enfermagem, solicitar exames complementares e prescrever medicações, observadas as disposições legais da profissão e conforme os protocolos ou outras normativas técnicas estabelecidas pelo Ministério da Saúde, os gestores estaduais, os municipais ou os do Distrito Federal." (NR)

**III - planejar, gerenciar, coordenar e avaliar as ações desenvolvidas pelos ACS;

 

**IV - supervisionar, coordenar e realizar atividades de educação permanente dos ACS e da equipe de enfermagem;

 

**V - contribuir e participar das atividades de Educação Permanente do Auxiliar de Enfermagem, ACD e THD; e

 

**VI - participar do gerenciamento dos insumos necessários para o adequado funcionamento da USF.

 

*Portaria GM nº 1.625/2007

**Portaria GM nº 648/2006

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O enfermeiro ocupa uma oposição de destaque não só com ações educativas e prevenções que englobam toda a comunidade, mas também desempenham um papel fundamental para o acompanhamento e supervisão do trabalho do PSF., promoção das capacitações e educação continuada dos A.C.S e auxiliares de enfermagem. É importante lembrar que sozinho um enfermeiro não promove saúde, sendo necessário um engajamento com a equipe.

O que impulsiona o trabalho no PSF. é a possibilidade de conhecer de perto a realidade das famílias, conhecer bem seus integrantes podendo determinar as reais causas de uma eventual doença.

Assim, a qualidade de vida da população melhora e tendem a diminuir os gastos com procedimentos de média e alta complexidade já que busca-se solucionar a “raiz” do problema, evitando-se que ele se generalize, dificultando seu tratamento.

Portanto, os ganhos profissionais e humanos constituem a maior recompensa e, sem dúvidas, são requisitos fundamentais para a formação de verdadeiros profissionais na área da saúde.

REFERÊNCIAS

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Guia Prático do PSF. Departamento de atenção básica. Brasília 2001.

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Revista Brasileira de Saúde da Família. Ano II. Nº 04. São Paulo 2002.

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Gestão Municipal de Saúde. textos básicos. Rio de Janeiro 2001.

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