Apostila de Introdução à Economia - Macroeconomia

Apostila de Introdução à Economia - Macroeconomia

(Parte 1 de 13)

FACULDADE VALE DO CRICARÉ

DISCIPLINA: ECONOMIA GERAL

PARTE II - MACROECONOMIA

PROF. ESMERALDO CARVALHO FILHO

esmeraldocarvalho@yahoo.com.br

tel.: 27 – 37611875

12 AS METAS E OS INSTRUMENTOS DA POLÍTICA MACROECONÔMICA

12.1INTRODUÇÃO

A Macroeconomia trata da evolução da economia como um todo, analisando a determinação e o comportamento dos grandes agregados, como renda e produto nacionais, investimento, poupança e consumo agregados, nível geral de preços, emprego e desemprego, estoque de moeda e taxas de juros, balanço de pagamento e taxa de câmbio.

Ao estudar e procurar relacionar os grandes agregados, a macroeconomia não leva em conta o comportamento das unidades econômicas individuais, tais como famílias e firmas, a fixação de preços nos mercados específicos, os efeitos de oligopólios em mercados individuais etc. Essas são preocupações da Microeconomia. A Macroeconomia trata os mercados de forma global. Por exemplo, no mercado de bens e serviços, o conceito de Produto Nacional é um agregado de mercados agrícolas, industriais e de serviços; no mercado de trabalho, a Macroeconomia preocupa-se com a oferta e a demanda de mão-de-obra e com a determinação dos salários e nível de emprego, mas não se preocupa com diferenças em qualificação, sexo, idade, origem da forma de trabalho etc. Quando considera apenas o nível da taxa de juros, não são destacadas devidamente as diferenças entre os vários tipos de aplicações financeiras.

O custo dessa abstração é que os pormenores omitidos são muitas vezes importantes. A abstração, porém, tem a vantagem de permitir estabelecer relações entre grandes agregados e proporcionar melhor compreensão de algumas das interações mais relevantes da economia, que se estabelecem entre os mercados de bens e serviços, de trabalho e de ativos financeiros e não financeiros.

Entretanto, apesar do aparente contraste, não há um conflito básico entre a Micro e a Macroeconomia, dado que o conjunto da Economia é a soma de seus mercados individuais. A diferença é primordialmente uma questão de ênfase, de enfoque. Ao estudar a determinação de preços numa única indústria, na Microeconomia consideram-se constantes os preços das outras indústrias. Na Macroeconomia, estuda-se o nível geral de preços, ignorando-se as mudanças de preços relativos de bens das diferentes indústrias.

A teoria macroeconômica, propriamente dita, preocupa-se mais com questões conjunturais, de curto prazo o desemprego (entendido como a diferença entre a produção efetivamente realizada e a produção potencial da economia, quando todos os recursos estejam totalmente empregados) e inflação (aumento contínuo do nível geral de preços).

  • A macroeconomia busca a imagem que mostre o funcionamento da economia em seu conjunto. Seu propósito é obter uma visão simplificada do funcionamento da economia, que, porém, permita ao mesmo tempo conhecer e atuar sobre o nível da atividade econômica de um determinado país ou de um conjunto de países.

A macroeconomia preocupa-se com o comportamento da economia como um todo, estudando o que determina e o que modifica o comportamento de variáveis agregadas como o desemprego, a inflação etc. Abrange o comportamento econômico e as políticas que afetam o consumo e o investimento. Abrange também o câmbio, a balança comercial e as políticas fiscal e monetária.

São consideradas questões estruturais problemas como desenvolvimento econômico, distribuição de renda, globalização, progresso tecnológico, as quais em geral, extrapolam a análise meramente econômica, envolvendo questões políticas, históricas etc., que não são equacionadas no curto prazo.

A parte da teoria econômica que estuda o comportamento dos grandes agregados ao longo do tempo (longo prazo) é denominada teoria do crescimento e desenvolvimento econômico.

12.2 AS METAS DA POLÍTICA MACROECONÔMICA

São as seguintes as metas de política macroeconômica:

  1. Pleno emprego de recursos;

  2. Estabilidade de preços;

  3. Distribuição de renda socialmente justa;

  4. Crescimento econômico.

As questões relativas ao emprego e à inflação são consideradas como conjunturais, de curto prazo, constituindo-se nas chamadas políticas de estabilização. Alguns textos colocam também como meta o equilíbrio no balanço de pagamentos, mas consideramos que esse não é um objetivo em si mesmo, mas um meio, um instrumento para atingir as quatro metas básicas acima.

12.2.1 Pleno emprego de recursos

Pode-se dizer que a questão do desemprego, que eclodiu principalmente a partir dos anos 30, é que permitiu um aprofundamento da análise da política econômica com o objetivo de fazer a economia recuperar o nível de emprego potencial. Para se ter uma idéia, o produto nacional dos Estados Unidos caiu, entre 1929 e 1933, 30% e a taxa de desemprego chegou a 25% da força de trabalho em 1933.

Destacou-se então o trabalho do economista inglês John Maynard Keynes, cujo livro A teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda (1936) representa um marco na história econômica e foi, principalmente, a partir de sua colaboração que a teoria e política macroeconômica começou a evoluir.

12.2.2 Estabilidade de preços

Define-se inflação como um aumento contínuo e generalizado no nível geral de preços. Por que a inflação é um problema? Porque a inflação acarreta distorções principalmente sobre a distribuição de renda, expectativas empresariais, mercado de capitais e sobre o Balanço de Pagamentos.

Costuma-se aceitar que um pouco de inflação é inerente aos ajustes de uma sociedade dinâmica, em crescimento. Efetivamente, a experiência histórica mostra que existem algumas condições inflacionárias inerentes ao próprio processo de crescimento econômico. Isso porque a tentativa de os países subdesenvolvidos alcançarem, de forma rápida, estágios mais avançados de desenvolvimento econômico dificilmente se faz sem que, também, ocorram tensões de custos que provocam aumentos no nível geral de preços.

Mesmos em países desenvolvidos, mostra-se que, quanto maior o nível de atividade econômica, mais os recursos produtivos tendem a ficar no limite de sua utilização, o que gera normalmente tensões inflacionárias. Daí a necessidade de políticas econômicas que tenham por objetivo a estabilidade do comportamento do nível de preços.

12.2.3 Distribuição de renda socialmente justa

A economia brasileira cresceu bastante entre o fim dos anos 60 e a maior parte da década de 70. Apesar disso, observou-se um aumento da disparidade de renda entre as classes de sociais. No Brasil, os críticos do chamado “milagre econômico” argumentam que piorou a concentração de renda no país nos anos 67/73 devido a uma política deliberada do Governo (a chamada “Teoria do Bolo”): primeiro crescer, para depois pensar em repartição da renda.

A posição oficial era a de que certo grau de aumento de concentração de renda seria inerente ao próprio desenvolvimento capitalista, que traz transformações estruturais (êxodo rural, com trabalhadores de pequena qualificação, aumento da proporção de jovens etc.). O economista Carlos Geraldo Langoni, da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro, naquela época, defendia a tese de que, no desenvolvimento capitalista gera-se uma demanda por mão-de-obra qualificada, a qual, por ser escassa, obtém ganhos extras. Assim, o fator educacional seria a principal causa da piora distributiva. Mário Henrique Simonsen argumentava que havia “desigualdade com mobilidade”, isto é, o indivíduo permanece pouco tempo na mesma faixa salarial e tinha facilidade de ascensão. Isso seria um fator importante para a convivência com a má distribuição de renda.

É curioso observar que, naquele período, ocorreu maior concentração de renda, mas a renda média de todas as classes aumentou. O problema é que embora os pobres tenham se tornado menos pobres, os ricos ficaram relativamente mais ricos. Houve um aumento geral do padrão de vida, com todos melhorando, mas os “ricos” ficaram com a maior parte desta riqueza.

12.2.4 Crescimento Econômico

Quando ocorre o desemprego e a capacidade ociosa, pode-se aumentar o produto nacional por meio de políticas econômicas que estimulem a atividade produtiva. No entanto, feito isso, há um limite à quantidade que se pode produzir com os recursos disponíveis. Aumentar o produto além desse limite exigirá:

  • Ou aumento nos recursos disponíveis.

  • Ou avanço tecnológico (ou seja, tecnologia mais avançada, novas maneiras de organizar a produção).

Quando falamos em crescimento econômico, estamos pensando no crescimento da renda nacional per capita, isto é, de que seja colocada à disposição da coletividade uma quantidade de mercadorias e serviços que supere o crescimento populacional. A renda per capita é considerada o melhor indicador, o mais operacional, para se aferir a melhoria do bem-estar, do padrão de vida da população, embora possa apresentar falhas (os países árabes, por exemplo, estão entre os países com maiores rendas per capita, mas não apresentam o melhor padrão de vida do mundo).

O fato de o país estar aumentando sua renda real per capita não necessariamente significa que está tendo uma melhoria do seu padrão de vida. O conceito de crescimento econômico capta apenas o crescimento da renda per capita. Um país está realmente melhorando seu nível de desenvolvimento econômico e social se, juntamente com o aumento da renda per capita, estiver também melhorando os indicadores sociais (pobreza, desemprego, meio ambiente, moradia etc.)

Vimos que a microeconomia refere-se à análise do comportamento individual das unidades econômicas: as famílias ou consumidores e as empresas. Até agora vimos, estudando isso, junto com a instituição do mercado, onde operam os demandantes e ofertantes de bens e serviços. Assim, quando analisamos as conseqüências de um aumento de preços sobre a demanda de automóveis, estamos levantando uma questão tipicamente microeconômica.

A macroeconomia, pelo contrário, estuda o comportamento global do sistema econômico; não se detém em reações individuais, mas pretende estudar a realidade econômica de forma global.

13 A CONTABILIDAE SOCIAL

Observamos anteriormente que a macroeconomia trata da evolução de toda a economia. O que distingue a macroeconomia da microecomia é o fato de a macroeconomia analisar o comportamento dos grandes agregados, sem preocupar-se com questões específicas dos mercados e agentes que compõem esses agregados. Rigorosamente, para avaliar o resultado da atividade econômica global, e aferir a riqueza de uma nação, deveríamos explicitar o quanto foi produzido de cada uma dentre milhões de mercadorias, o que seria não operacional e não ilustrativo para uma análise mais abrangente. Desse modo, devemos buscar medidas que permitam de forma simplificada mostrar o quanto a economia produziu, consumiu, poupou, exportou etc.

A necessidade de obter cifras ordenadas que, tornassem possível uma visão agregada dos fenômenos econômicos ficou mais patente a partir da grande Depressão dos anos 30, quando, evidenciou-se a necessidade da intervenção do Governo para recuperar o nível de atividade e de emprego. Foi necessário o desenvolvimento da chamada Contabilidade Social ou Contabilidade Nacional, ou seja, um mecanismo que permitisse medir a totalidade das atividades econômicas. Os que mais se popularizaram foram: o Sistema de Contas Nacionais e a Matriz Insumo-Produto.

Pressupostos básicos da Contabilidade Social

    1. As contas procuram medir a produção corrente. Assim, não são considerados bens de segunda mão, produzidos em período anterior. Nas transações com esses bens, só se considera como parte da renda nacional a remuneração do vendedor (que é remuneração a um serviço corrente) e não o valor da mercadoria vendida.

    2. As contas referem-se a um fluxo, normalmente de um ano. Assim, os agregados correspondem à variáveis fluxo, cujos valores são considerados ao longo de um período, isto é, têm dimensão temporal. Por exemplo: valor das Exportações em 1999, Consumo Agregado em 1999, Produto Nacional em 1999. Elas diferem das chamadas variáveis estoque, que se referem aos valores tomados em determinado ponto de tempo. Como exemplo, temos o nível de emprego, o saldo dos meios de pagamentos, ao final de um dado mês ou ano. A Contabilidade Social só trabalha com fluxos, não apresentando um balanço patrimonial, de estoques, como aparece na Contabilidade privada.

    3. A moeda é neutra, no sentido de que é considerada apenas como unidade de medida (padrão para agregação de bens e serviços fisicamente diferentes) e instrumento de trocas. A moeda tem o papel de servir de padrão para a agregação de bens e serviços. A Contabilidade Social não se preocupa com o registro dos chamados agregados monetários, como meios de pagamento (oferta de moeda), empréstimos, depósitos, open market, aplicações financeiras etc., mas apenas com os agregados reais, que representam diretamente alterações da produção e da renda e são tratados nesse capítulo. As transações financeiras são registradas à parte no balanço do sistema Monetário e serão discutidos quando tratarmos tema referente à moeda.

13.1 PRINCIPAIS AGREGADOS MACROECONÔMICOS – O FLUXO CIRCULAR DE RENDA

O objetivo do estudo da Macroeconomia consiste na formação e na distribuição de produto e renda gerados pela atividade econômica. É o chamado fluxo circular de renda. A partir do fluxo circular de renda, estabelecemos os conceitos dos principais agregados macroecnômicos. Começaremos supondo uma economia simplificada, fechada e sem governo.

13.1.2 Economia a dois setores sem formação de capital

Nessa economia simplificada, supõe-se que os únicos agentes são as empresas (que produzem bens e serviços) e as famílias (que auferem rendimentos pela prestação de serviços). Todas as decisões partem das famílias. As empresas, que são de propriedade de seus acionistas (que pertencem ao setor família) são abstrações jurídicas, representando o local onde se organiza a produção.

Vamos imaginar uma economia estacionária, que não se expande. Isso corresponde a supor que não existe o setor de formação de capital (poupança, investimentos e depreciação). Não consideramos por enquanto os setores governo e resto do mundo.

Os bens intermediários, como matérias-primas, componentes, energia, são insumos que entram no processamento de outros bens, ou seja, são transações de empresas a empresas, que se compensam na agregação das unidades produtoras. Assim, só se consideram os bens finais, e os custos de produção das empresas, no sistema agregado, não incluem o custo dos insumos intermediários. O fluxo circular da renda, para uma economia a dois setores, pode ser ilustrado como na Figura abaixo:

MERCADO DE BENS E SERVIÇOS

Despesas de consumo de Bens e Serviços

DN = C

Fornecimento de Bens e Serviços PN = pi qi

(alimentos, viagens etc.)

FAMILIAS UNIDADES PRODUTORAS

Fornecimento dos Serviços produção

(Terra, trabalho, capital)

RN= w + j + a + l

Remuneração aos Serviços dos Fatores de Produção

(Salários, juros, Lucros etc.)

MERCADO DE FATORES DE PRODUÇÃO

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