Apostila sobre impermeabilização

Apostila sobre impermeabilização

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Onde ficam os dispositivos

TIRA-DÚVIDASComo faço para instalar iluminação depois que a piscina ficou pronta?

Quem cometeu a falha grave de não prever antes os pontos de iluminação deverá esvaziar a piscina, retirar o revestimento nos pontos da no a instalação e cavar a argamassa até encontrar a impermeabilização. “Elimine a proteção num raio de 5 cm ao redor do local onde o dispositivo será instalado. Encaixe os tubos e reimpermeabilize com os mesmos produtos da impermeabilização original”, recomenda o engenheiro civil André Fornasaro, de São Paulo. Não se esqueça dos mastiques.

O nível da água está baixando. Como se localizam os vazamentos?

Observe em que altura o vazamento se estabiliza. “Na maior parte dos casos, o problema se situa ao redor dos pontos de tubulação ou de iluminação”, diz o engenheiro civil Danilo Oliveira, da Sika, de São Paulo. Se a estrutura de concreto do berço tiver sido mal executada e trincar, principalmente nos encontros entre pisos e paredes, também podem ocorrer vazamentos que a impermeabilização não conseguiria deter. Nesse caso, será preciso consertar a estrutura e reimpermeabilizar.

Os azulejos estão descolando. Isso é culpa da impermeabilização?

Nem sempre. “Até dez anos atrás, não tínhamos os rejuntes flexíveis e, por isso, é relativamente comum encontrar piscinas antigas com os azulejos descolando ”, conta o engenheiro paulistano Gilmar Camera. As argamassas utilizadas eram rígidas e não acompanha movimentação dos acabamentos. Mas também é possível que a proteção mecânica das paredes não tenha sido estruturada e esteja caindo ou, ainda, que tenha havido falha na impermeabilização e a umidade do solo esteja empurrando a manta.

ÁGUA DE CHUVA

Sua idéia é fazer um tanque para armazená-la?

Recomenda-se que ele seja de concreto, com tampa. Normalmente fica na laje de cobertura, pois assim a gravidade manda água até as torneiras, dispensando bomba. Deve ser impermeabilizado com argamassa polimérica, que acompanha eventuais fissuras da estrutura. Três demãos desse produto, aplicadas em sentidos cruzados, garantem a proteção.

ÁGUA BEM PROTEGIDA NOS PRÉDIOS

Prédios têm reservatórios no subsolo que garantem o abastecimento por até dois dias. Esses tanques costumam ser de concreto e sua construção segue a norma NBR 5626/98 – ele deve ser erguido como uma caixa sem tampa com duas pequenas janelinhas. É por elas que o instalador entra para aplicar membranas de polímeros e cimento flexíveis, passadas com broxa. Usar manta é uma opção. Porém, como o instalador trabalha enclausurado, há necessidade de garantir a renovação do oxigênio durante a instalação no interior do reservatório com uma espécie de ventilador .“As emulsões asfálticas podem contaminar a água, por isso estão descartadas ”, diz Rolando Infanti, da Betumat, de Salvador.

POR DENTRO DO RESERVATÓRIO

  1. Telhado e laje de Cobertura.

FIQUE LIVRE DAS GOTEIRAS

Como é a cobertura da sua casa? Se você tem laje, mesmo que protegida por um belo telhado, precisa investir em impermeabilização. Assim, ainda que a água infiltre por uma telha trincada ou desencaixada, as gotículas não vão passar da laje – e você estará livre de manchas de bolor e pinga-pinga. Se você usa a laje de cobertura como terraço ou solário – e, portanto, ela fica descoberta –, redobre a atenção. A água vai incidir diretamente sobre a superfície e, nesse caso, além das indesejáveis goteiras, a umidade pode penetrar na estrutura, corroer o ferro e colocar a obra em risco. Embora o concreto tenha aquele aspecto forte e impenetrável, ele sempre apresenta fissuras – a maioria nem se vê a olho nu. “A laje também protege outras estruturas da casa, como as paredes”, completa o engenheiro civil carioca João Jordy. Vimos que o sistema mais indicado para impermeabilização de superfícies que se movimentam, como as lajes, é o flexível, porque ele acompanha esse vai-e-vem. Uma alternativa são as mantas, indicadas para áreas com mais de 20 m² – há alguns tipos com diferentes características. Já as emulsões são de fácil aplicação. Dependendo do produto, você terá de assentar argamassa para salvaguardá-lo das intempéries (proteção mecânica).

A LAJE SE MOVIMENTA

Expostas a frio e calor, laje e parede se mexem. Com isso, o concreto pode rachar. Aí, o caminho está livre para a água.

MANTA ASFÁLTICANo caso de áreas com mais de 20m², as mantas têm bom rendimento na aplicação. Avalie se há muitos ralos e antenas, pois seus arremates tomam tempo. Pede camada de proteção mecânica.

MANTA ASFÁLTICA COM GRÂNULOS MINERAISIndicada para lajes sem trânsito de pessoas. Os grãos de granita ou ardósia protegem a massa asfáltica do sol, dispensando a argamassa de proteção mecânica.

MANTA ASFÁLTICA ALUMINIZADAO alumínio reflete os raios solares, livrando a manta desse desgaste. Por tabela, melhora o conforto térmico da casa. Também não requer proteção.

MEMBRANA ASFÁLTICAA FRIOAplicadas como se fossem pintura, as emulsões e soluções são práticas em lajes pequenas ou se há interferências, como antenas. Sobre elas, é preciso argamassa de proteção.

MEMBRANA ASFÁLTICAA QUENTERequer time bem treinado para executar o serviço, pois pede uso de caldeira. Oferece melhor proteção que os tipos a frio e vai bem em áreas pequenas. Exige proteção.

MEMBRANA ACRÍLICAAplicada como tinta, é indicada para lajes sem trânsito de pessoas. Como não resiste a empoçamento de água, o caimento da superfície deve ser de 2% em direção ao ralo. Não pede proteção.

RESTO DE MATERIAL

Após a aplicação, os produtos que sobrarem podem ser guardados para eventuais emendas e reaplicações – mas isso só enquanto eles estiverem dentro da data de validade. Vencido esse prazo, descarte-os. No caso das mantas asfálticas, o cuidado é com o armazenamento. As bobinas devem ficar em pé para evitar deformações.

MANTAS ASFÁLTICAS: NÃO TEM ERRO

No quesito confiabilidade, elas ocupam o topo da lista. É que, pré-fabricadas, oferecem maior garantia de qualidade e de uniformidade. Por exemplo, ao comprar um modelo de 4 mm, certamente toda a extensão do pano terá a mesma espessura. Outra vantagem é o rendimento do serviço. A aplicação de uma bobina cobre 8,70 m² e é feita em 30 minutos, por dois aplicadores experientes, numa laje sem interferências. Além disso, não é preciso esperar a secagem do material, como no caso das membranas. Mas o sistema tem um calcanhar-de-aquiles: a mão-de-obra deve ser bem treinada. Como escolher? Peça indicação aos fabricantes ou busque os filiados ao Instituto Brasileiro de Impermeabilização (www.ibibrasil.org.br). A garantia do serviço é de pelo menos cinco anos. Mas a vida útil da proteção com manta pode completar 25 primaveras, dependendo da quantidade de camadas e do tipo de produto especificado, segundo a arquiteta Leonilda Ferme, da Denver Global, de Suzano, SP. Muita atenção ao acabamento dos ralos – o reforço deve ser feito antes da aplicação completa da manta.

ANTENADOAntes de impermeabilizar, deixe a tubulação de metal (por onde passará o fio da antena de TV ou o pára-raios) chumbada na laje e reforce com dupla camada de manta ao seu redor, como na ilustração.DETALHES DE ACABAMENTO

A manta deve subir 30 cm e ficar embutida na parede. Depois, recebe argamassa estruturada. O topo da platibanda (mureta) pede proteção: se escorrer água por trás da manta, o produto descola.

PRIMEIRO CUIDE DOS RALOS

PASSO 1Enrola-se um canudo de manta, que deve ficar 10 cm para dentro do cano e outros 10 cm para fora. Com uma colher de pedreiro aquecida, coleta manta da parte inferior (processo de biselamento).

PASSO 2Com um estilete, cortam-se tiras na porção da manta que ficou na superfície e faz-se o biselamento. Nessa etapa, a manta se parece com uma flor, por isso o arremate é chamado de margarida.

PASSO 3Recortar mais um quadra do de manta (40 cm), e sobrepô-lo ao ralo. Com estilete, divide-se o centro como se fossem fatias de pizza. O diâmetro da área trabalhada deve coincidir com a abertura do ralo.

PASSO 4Empurram-se as pontas (fatias de pizza) para dentro do cano e faz-se o seu biselamento com a colher de pedreiro aquecida. Só então pode-se iniciar a impermeabilização do resto da laje.

CANTOS ARREDONDADOS E PRIMER

Na hora de regularizar a laje,peça ao pedreiro que deixe um caimento de 1% em direção ao ralo. No encontro entre laje e mureta, o canto precisa ficar arredondado. Quando a superfície estiver lisa e limpa, passe o primer, essencial para a manta aderir ao concreto. Prefira aqueles à base de solvente, que costumam trazer melhor resultado.

A TODA PROVA

Como nas piscinas, aqui também tem teste de estanquidade. Cola-se um pedaço de asfalto nas aberturas dos ralos, enche-se a laje com uma lâmina de 5 cm de água e esperam-se 72 horas. Se o nível da água descer, é sinal de vazamento. Também vale procurar manchas de umidade no teto pelo interior da casa. “Assim se detectam falhas nas emendas ”,explica a engenheira civil Eliene Ventura, da Otto Baumgart, de São Paulo.

MOLDADA NA OBRA, EMULSÃO É PRÁTICA

Aplicadas como tinta, as membranas são alternativas boas quando a área é pequena, menos de 20 m², ou tem muitas interferências – vários ralos e entradas para antenas. A impermeabilização pode ser feita com asfalto derretido, soluções asfálticas, emulsões acrílicas e asfálticas. Todas resultam em espessura final com cerca de 4 mm após várias demãos. As emulsões acrílicas e asfálticas são à base de água e, por isso, atóxicas. Somada à fácil aplicação, essa característica faz delas as queridinhas dos aplicadores de primeira viagem. No entanto,é comum esses mesmos iniciantes serem generosos em cada demão, para chegar logo à espessura final. Erro crasso. Assim, eles propiciam a formação de bolhas, pontos frágeis para rompimento. É preciso cuidar também do intervalo entre as aplicações – a camada anterior deve estar totalmente seca ao toque. “Em média, aplicam-se duas demãos num dia”,diz o químico Rolando Infanti,da Betumat,de Salvador. Pronta, a membrana pede proteção mecânica e, sobre ela, vem o revestimento. Se você quiser que essa argamassa seja o acabamento,ela deve ser feita com traço de 1:5 (areia e cimento) e espessura de 4 cm. Para evitar trincas, deixam-se sulcos desenhando quadrados de 1,50 m. Depois,esses sulcos são preenchidos com uma mistura de partes iguais de emulsão e areia.

PRIMEIRO CUIDE DOS RALOS

PASSO 1A superfície – regularizada – deve estar com uma demão de primer. Então, com uma broxa ou trincha, faz-se a primeira camada da emulsão, em pinceladas sempre no mesmo sentido.

PASSO 2Cerca de 30 minutos depois, desenrola-se a tela que servirá de estruturante. Siga as recomendações do fabricante da emulsão na escolha da tela, pois há muitos tipos no mercado.

PASSO 3Após a secagem total (12 horas), uma nova demão é aplicada em sentido perpendicular ao anterior. Depois que ela seca, passa-se mais uma demão. Isso é feito até se chegar ao consumo total por m² .

Se houver muretas ou platibandas,a emulsão deve cobri-las. Depois de a membrana estar pronta,faz-se a camada separadora (filme de polietileno ou papel kraft), a proteção mecânica e assenta-se o revestimento.

PASSO 4

ARREMATE DO RALO

TELADepois da primeira demão, colocar a tela (estruturante).PINTURAA seguir, aplica-se novamente a emulsão ao redor da abertura.

CONTROLE DE ESTOQUE

Uma dica aos que forem fiscalizar a obra: verifique na embalagem a quantidade de material exigida em cada etapa e o libere em parcelas. Somente depois do período de secagem, cerca de 12 horas, forneça mais um lote de produto, garantindo que intervalos e quantidades sejam respeitados.

DUPLA DINÂMICA

Quer uma superproteção? Se não houver trânsito de pessoas sobre a laje, use a emulsão acrílica e a asfáltica juntas, com vantagens. A primeira a ser aplicada é a asfáltica, em seis demãos (4 mm). Em vez de argamassa, duas demãos (0,5 mm) de emulsão acrílica servem de proteção mecânica. Além de resistente, a associação melhora o conforto térmico porque o acabamento é branco e reflete os raios solares.

MAIS UMA PROTEÇÃO PARA A COBERTURA

Dispensou a impermeabilização da cobertura porque havia um telhado sobre ela ou simplesmente não havia laje? O ideal, nesses dois casos, é usar a sub cobertura. “Ela é um sistema complementar”, define a engenheira Lilian Gelio, da Dryko, de Guarulhos, SP, “e funciona como barreira extra para a água que se infiltrar pelas telhas”. Também bloqueia insetos e atenua ruídos externos. Pode ser de polietileno ex- pandido, não-tecido de polietileno, papel aluminizado ou massa asfáltica. Quem define o melhor tipo para o seu caso é o engenheiro ou o telhadista, pois cada modelo oferece uma qualidade específica. Outra recomendação: deixe espaço de 2 a 3 cm entre a subcobertura e o forro para se formarem colchões de ar que melhoram o isolamento térmico.

ONDE FICA A SUB COBERTURA

TIRA–DÚVIDASA impermeabilização pede manutenção?

Depende do sistema utilizado. Se você optou por emulsão acrílica, os especialistas recomendam três novas demãos do produto a cada três anos. Como esse produto fica exposto (sem argamassa de proteção mecânica), a reaplicação não exige quebra-quebra. Já no caso das mantas e das demais membranas, só haverá conserto se aparecer algum problema. Como quase todos os outros sistemas ficam sob a argamassa, fique de olho nela – aparecendo trincas ou desgastes, reforce-a. “Mas, se houver vazamentos, é melhor remover tudo e realizar o serviço novamente”, aconselha o engenheiro civil Danilo Oliveira, da Sika, de São Paulo.Como posso proteger o telhado?

Além das mantas e subcoberturas, existem os hidro-repelentes, que podem ser passados diretamente sobre as telhas. “São substâncias à base de silicone, que impedem que a cerâmica absorva água”, explica o engenheiro civil Daniel Wertheimer, da Viapol, de São Paulo. Eles não evitam as goteiras, mas protegem a telha contra o bolor.

Vou colocar cerâmica na laje. Mesmo assim, preciso de impermeabilização?

Sim, respondem, em coro, os especialistas da área. “Apesar de terem baixa absorção de água, cerâmica e rejunte não impermeabilizam a superfície”, explica o engenheiro civil Marcelo Ming, da Lwart, de Lençóis Paulista, SP. Aliás, não há revestimento que substitua essa proteção. Quanto ao sistema mais adequado, a regra se mantém. Expostas às intempéries, essas estruturas são altamente sujeitas a fissuras, uma vez que seus materiais ficam à mercê das mudanças de temperatura e sofrem dilatação constantemente.Os melhores produtos, nesses casos, são os flexíveis – mantas e membranas –, pois eles suportam esse vai-e-vem sem se romper.

QUAL É MELHOR?

Conte com a ajuda de um profissional para escolher o material de subcobertura que mais combina com seu telhado. Por exemplo, se você quer reduzir o calor, recomendam-se os tipos que possuem face aluminizada. As de não-tecido barram a entrada de água, mas deixam o vapor sair por microporos – assim, o ar dentro da casa não fica impregnado de umidade.

TIPOS1.Papel aluminizado

2.não-tecido de polietileno

3.polietileno expandido

  1. Cozinha, Banheiro, área de serviço, varanda e jardineira

CERQUE OS PONTOS CRÍTICOS DA CASA

Quem mora em prédio sabe: vazamento traz a maior chateação. Seja você a vítima ou o culpado. E o cenário são sempre banheiros, cozinhas e lavanderias, que – não por acaso – também são chamados de áreas molhadas. Alguns construtores estão dispensando a proteção desses locais pois consideram que eles não deveriam ser lavados. Mas nem sempre isso fica claro para o comprador do imóvel. Em banheiros, mesmo as paredes pedem cuidado, pois estão sujeitas à água de percolação – aquela que escorre pela parede depois do seu banho. Essas superfícies devem ser protegidas até, no mínimo, 1,90 m de altura, conforme a norma brasileira NBR 9575/2003. Os materiais do sistema flexível são os mais recomendados, segundo a arquiteta Leonilda Ferme, da Denver Global, de Suzano, SP. Manta ou membrana? Depende. Só um profissional pode avaliar se a estrutura se movimenta demais – e, portanto, pede mantas asfálticas – ou se há muitos pontos de tubulação passando pelo piso – exigindo o uso de membranas, que, moldadas in loco, dispensam recortes. Em áreas menores, a argamassa polimérica também é uma opção.

BANHEIRO COM MEMBRANA

Opção com manta

Opção com argamassa

Fama de fácil

Materiais rígidos são proibidos na proteção dos banheiros? Não. A argamassa polimérica faz sucesso na impermeabilização dessas áreas. Além de ser fácil de aplicar, tem a vantagem de não aumentar a espessura do piso. Sua camada é de no máximo 2 mm e sobre ela pode-se assentar o revestimento diretamente, sem utilização de argamassa de proteção mecânica. Porém, lembre-se: ela é rígida. Se ocorrer fissura na laje entre o seu apartamento e o do vizinho de baixo, tchau, tchau, proteção.

Porta de boxe

É comum danificar a impermeabilização durante fixação da porta do boxe. Recomende ao instalador que restrinja os parafusos às paredes para não furar o piso. A proteção também sofre quando o morador decide mudar as tubulações de lugar durante a obra ou em uma reforma – sempre que fizer tais alterações, peça novo projeto de impermeabilização.

Ralo da banheira

Antes de usar a manta ou a membrana na base e na parede ao redor da banheira, proteja o ralo de escoamento, que fica sob ela, ao redor de tubulações de hidráulica – e elétrica, no caso da hidromassagem – faça um reforço com cimento asfáltico elastomérico. Isso vale para apartamentos e para sobrados com banheiros no piso superior.

CUIDADOS NOS RALOS E VASO SANITÁRIO

Na linguagem da impermeabilização, as tubulações que atravessam a superfície protegida se chamam interferências. Normalmente são os ralos e o tubo que dá vazão à descarga do vaso. Para ter 100% de proteção, você deve exigir que o caimento do piso seja de 1% em relação ao ralo. Em seguida, o aplicador precisa caprichar no arremate ao redor desses pontos. O jeito certo de fazer isso depende do tipo de impermeabilizante escolhido. Como você já sabe, os sistemas flexíveis (asfálticos) são mais convenientes nos banheiros, mas, se optar pela argamassa polimérica, não economize nos mastiques – esses produtos flexíveis, de poliuretano ou silicone, evitam que se formem fissuras no encontro entre os diferentes materiais. Opção com membrana

Opção com argamassa

PASSO 1Separe um pedaço de manta que envolva o cano, com largura de 60 cm. Com um estilete, corte tiras de 30 cm.

PASSO 2Envolva o cano com a manta. aqueça as tiras, com maçarico, e cole-as no chão (que deve estar com primer).

PASSO 3Use mais um pedaço de manta e faça um recorte para que ela se encaixe no cano. Cole-a com maçarico.

Para os sobrados

Na construção de casa com dois ou mais pavimentos, a tubulação de hidráulica deve ser posicionada na laje ainda na fase de concretagem. Se você não fez isso, chumbe os canos com graute, mistura mais fluida de pedriscos e concreto. Execute a impermeabilização e, depois de o serviço pronto, exija o teste de estanquidade. Ele é feito assim: tampam-se os canos e ralos, coloca-se água a 2 cm de altura e esperam-se 72 horas para saber se a estrutura e a proteção não apresentam vazamentos. Só então coloque o revestimento.Jeitos de fazer

Já vimos como arrematar ralos com manta e membrana asfáltica. Se você elegeu a argamassa polimérica, o acabamento consiste na colocação de um véu de poliéster (estruturante) entre duas demãos do produto, como na ilustração abaixo.

Para facilitar a vida dos aplicadores, duas empresas de tubos e conexões, a Tigre e a Akros, lançaram um dispositivo que fica abaixo do ralo e ampara a impermeabilização com manta (foto abaixo).

PISO É FOCO NA ÁREA DE SERVIÇO E COZINHA

Nesses ambientes, as paredes dispensam proteção, pois a ação da umidade não é tão intensa como nos banheiros. Mas cabe impermeabilizar o piso dessas áreas – principalmente se você gosta de lavar tudo com baldes de água. Nem sempre, porém as construtoras fazem isso. Na hora de comprar apartamento, verifique no memorial descritivo se a proteção está apenas ao redor dos ralos e tubos ou em toda a extensão das áreas molhadas. Esse poderá ser o diferencial que determinará sua compra. Também é importante saber que material foi utilizado, pois em caso de reparos deve-se reaplicar o mesmo tipo de produto. Nas reformas, não se esqueça do teste de estanquidade, recomenda o engenheiro civil Danilo Oliveira, da Sika, de São Paulo.

Como já aprendemos, numa casa térrea o problema que atinge o piso da cozinha e da área de serviço é a umidade ascendente. A impermeabilização deve ser feita no alicerce – manta ou membrana asfáltica no radier e nos baldrames; no caso de sapatas corridas ou isoladas, usa-se cristalizantes ou hidrofugantes.

Olha o nível

Na hora de assentar o revestimento, os pedreiros marcam o nível, ou seja, batem dois pregos – um em cada extremidade do cômodo – e passam uma linha de lado a lado. O engenheiro civil Daniel Wertheimer, da Viapol, de São Paulo, ensina uma estratégia para evitar que eles furem a impermeabilização nesse momento: peça que os pregos sejam batidos sobre pedacinhos de madeira e, depois, cole provisoriamente essa madeira no piso usando um pouco de argamassa.

Troca de revestimento

Se decidir atualizar o piso de qualquer área molhada, considere também o custo de refazer a impermeabilização. Não importa qual o sistema utilizado, é praticamente impossível retirar revestimentos e contrapiso sem danificar a proteção contra umidade. De preferência, reaplique os mesmos produtos usados originalmente.

VedantesSele o vão entre bancada da pia e parede com silicone. Dê preferência àqueles aditivados com fungicida, que impedem o aparecimento de bolor.

PRESERVE VARANDAS E FLOREIRAS

Eis dois pontos que pouca gente se lembra de impermeabilizar. E, aí, depois de uma chuva ou de um tempo de uso, a água penetra na estrutura. O resultado pode ser manchas na parede (em que está a floreira) ou pinga-pinga sob a varanda. Para evitar contratempos, use produtos do sistema flexível nos dois casos. Ambas as situações estão muito suscetíveis a trincas devido à exposição ao sol e à chuva – a variação de temperatura as leva a contrair e a dilatar, provocando as famigeradas rachaduras.

A situação é ainda mais crítica nas estruturas em balanço, como em algumas das sacadas. Entre os produtos que suportam esse vai-e-vem, existe uma preferência pelas membranas asfálticas moldadas na obra, pois normalmente essas áreas são pequenas. No caso das mantas, os operários necessitariam de ferramentas especiais, como maçaricos e espaço para fazer a aplicação. Também vale cuidar do caimento do piso – que deve ser em direção ao ralo, caso contrário, a água da chuva escorre para o piso de salas e quartos. Impermeabilize também a soleira das portas de acesso ao interior do apartamento.

Floreiras e jardineiras têm impermeabilização diferente devido aos seus tamanhos. Mas ambas pedem sistema de drenagem. Nas primeiras, que são menores, use membrana asfálticas. Já nas jardineiras, eleja mantas do tipo anti-raiz. É importante que o projeto de paisagismo preveja flores e arbustos sem raízes profundas para não forçar a impermeabilização. Assim não tem erro.

COMO PROTEGER A SACADA

Ralo da floreira

Dreno da jardineira

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