Alvenaria Estrutural - Materiais, execução da estrutura e controle tecnológico

Alvenaria Estrutural - Materiais, execução da estrutura e controle tecnológico

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Controle de produção (ou de processo) de paredes estruturais e da estrutura do edifício. Na terminologia da NBR-8798 é denominado – controle de produção de componentes (item 5.1.3)

As exigências da CAIXA para estes controles estão estabelecidas nos itens 7.2 a 7.4. A construtora deverá contratar o controle tecnológico com uma empresa especializada, a qual deverá apresentar um relatório mensal de controle à construtora (Relatório Mensal de Controle Tecnológico – RMCT). Este relatório deve ser arquivado no escritório da obra disponivel para consulta, e é documento obrigatório para se proceder a liberação dos recursos financeiros. O primeiro relatório a ser apresentado (1° RMCT) inclui algumas características adicionais em relação aos demais, (ver adiante).

As características que devem ser objeto de controle obrigatório durante toda a etapa de construção estão relacionadas a seguir. A periodicidade do controle, a definição dos lotes, os métodos de ensaio e as tolerâncias admitidas estão descritas nas exigências respectivas. Estão, também, relacionadas às características que devem constar da documentação inicial a ser apresentada à CAIXA quando da solicitação do financiamento e as que devem constar do primeiro relatório do controle tecnológico (ver item 7.1). Estas últimas características são exigidas apenas uma única vez porém, isto não deve ser entendido que é dispensável o seu controle contínuo, mas tão somente, que elas não serão exigidas pela CAIXA nos relatórios mensais.

A) Características de controle obrigatório (por lote) resistência à compressão característica dos blocos (fbk) e respectivo CV (por

29 lote e pelo conjunto dos lotes) [EX-7.2.2];

características dimensionais e geométricas dos blocos [EX-7.2.3];

uniformidade de produção de argamassas [EX-7.2.4];

resistência à compressão característica (fck) e abatimento dos concretos estruturais [EX-7.2.5];

resistência à compressão característica dos prismas de alvenaria oco e cheio [EX-7.3.2]; características geométricas da parede [EX-7.4.1], e

prumo da estrutura do edifício [EX-7.4.2].

ƒresistência à compressão característica (fbk) do blocos e respectivo CV;
ƒcaracterísticas dimensionais e geométricas dos blocos, e
ƒmassa seca média dos blocos e densidade superficial das paredes.

B) Características a serem apresentadas na documentação inicial [EX-7.1.1]

ƒresistência à compressão média da argamassa de assentamento e do graute de
ƒmódulo de elasticidade tangente da argamassa de assentamento;
ƒresistência de aderência à tração na flexão de prismas de alvenaria.

C) Características a serem apresentadas apenas no primeiro relatório de controle tecnológico [EX-7.1.2] enchimento;

7.1. Exigências quanto às características iniciais de referência dos blocos, das argamassas e da alvenaria

Na documentação anexada à solicitação de financiamento de edifícios em alvenaria estrutural devem ser incluídos documentos que contenham as características dos blocos que serão empregados na construção e descritas na exigência [EX-7.1.1]. No primeiro relatório mensal de controle de qualidade (1° RMCT) devem ser documentadas as características, descritas na exigência [EX-7.1.2], das argamassas e grautes em uso na obra e de prismas de alvenaria moldados com os blocos, argamassas e grautes empregados.

• [EX-7.1.1] Deve ser inicialmente comprovado, através de documentação fornecida pelas indústrias produtoras e pela empresa de controle tecnológico contratada, que os blocos a serem utilizados atendem integralmente as exigências: [EX-5.1.2] ou [EX-5.2.2] – Dispersão máxima

30 da resistência à compressão (através do CV da produção, obtida no controle de qualidade contínua do processo de produção); [EX-5.1.4] ou

[EX-5.2.4] - resistência à compressão característica (fbk) mínima; [EX-5.1.3] ou [EX-5.2.3] e [EX-5.1.6] ou [EX-5.2.6] características dimensionais e geométricas, massa seca média dos blocos e massa por m² de parede mínima (densidade superficial da parede);

• [EX-7.1.2] O primeiro relatório mensal de controle tecnológico deve incluir documentação que comprove que as alvenarias empregadas nas paredes estruturais atendem à exigência [EX-5.3.1] - resistência de aderência à tração na flexão mínima de prismas de alvenaria. Devem, também, ser informadas no 1º RMCT as seguintes características dos materiais empregados: resistência à compressão média das argamassas de assentamento e dos grautes; módulo de elasticidade tangente da argamassa de assentamento (média de 6 corpos de prova - recomenda-se que este módulo seja inferior a 3,0 GPa).

7.2. Exigências quanto ao controle de recebimento de materiais e componentes

O controle de recebimento dos blocos deve ser feito continuamente durante toda a execução da alvenaria. As seguintes características devem ser avaliadas: resistência à compressão característica do bloco e coeficiente de variação da resistência à compressão dos blocos [EX-7.2.2] e as características dimensionais e geométricas dos blocos [EX-7.2.3]. Todas estas características devem ser avaliadas por lotes, definidos na exigência [EX-7.2.1]. A liberação de lotes de blocos deve ser feita em acordo com o descrito na mesma exigência [EX-7.2.1].

O controle das argamassas de assentamento, dos grautes de enchimento e do concreto utilizado em pré-moldados não estruturais também deve ser contínuo, executado durante toda a obra. No entanto, a única característica que deve ser avaliada destes materiais, por exigência da CAIXA, é apenas a uniformidade de sua produção, [EX-7.2.4], relativa aos lotes de produção. Este controle de uniformidade é válido, no caso das argamassas, tanto para as produzidas no canteiro quanto para os produtos industrializados ou pré-misturados em usina. A uniformidade dos grautes é avaliada indiretamente, através dos ensaios de prisma cheio [EX-7.3.1]. A comprovação da uniformidade dos concretos não-estruturais não é exigida pela CAIXA.

31 O controle do concreto estrutural utilizado nas fundações, infraestrutura, lajes e em elementos pré-moldados com função estrutural é um controle normal de recebimento de concreto de cimento Portland, e deve ser feito de acordo com o estabelecido na NBR-6118 [EX-7.2.5]

• [EX-7.2.1] Os lotes de blocos para o controle de aceitação da resistência à compressão características não devem ser maiores que o número de blocos por pavimento-tipo ou que 10.0 blocos. Cada lote deve ser constituído por pelo menos 12 blocos e de cada caminhão deve ser retirado pelo menos um bloco. Os lotes de blocos não poderão ser utilizados até que sejam liberados pelo controle tecnológico, devendo permanecer estocados com identificação clara de sua condição (liberados, com data e responsabilidade pela liberação, ou não). Para avaliação das características dimensionais e geométricas dos blocos todo caminhão de entrega é um lote e os ensaios devem ser feitos com pelo menos 10 blocos por lote. Recomenda-se que os lotes sejam ensaiados antes da descarga e, se recusados, devolvidos. Se a carga tiver sido descarregada os blocos não poderão ser utilizados, devendo permanecer estocados com identificação clara desta sua condição, até a devolução.

• [EX-7.2.2] O valor da resistência à compressão característica do bloco estrutural (fbk) deve ser determinada para todos os lotes. O cálculo da resistência à compressão característica deve ser feito empregando-se a metodologia recomendada na norma NBR 6136, tanto para o bloco de concreto como para o bloco cerâmico. O ensaio dos blocos deve ser feito de acordo com as normas respectivas (NBR 7184, para o bloco de concreto e NBR 6461, para o bloco cerâmico). Para cada lote deve-se ainda calcular o CV (coeficiente de variação). Exige-se que o valor de fbk para cada lote seja sempre maior ou igual ao de projeto. Exige-se que o CV de cada lote seja inferior a 15% para o bloco de concreto e a 20% para o bloco cerâmico. Estes limites de CV são válidos também quando os lotes forem analisados em conjunto. Este critério é essencial para a aceitação ou não da indústria produtora. Se os blocos tiverem marca de conformidade, reconhecida pelo INMETRO, este controle de aceitação dos blocos não precisará ser feito, sendo substituído pelo controle tecnológico de

32 fabricação. Neste caso, a indústria produtora do bloco deverá encaminhar mensalmente para a construtora um relatório com o fbk e o CV da produção mensal fornecida para a obra (com amostragem de todas as remessas).

Este relatório deve ser anexado ao relatório mensal do controle tecnológico.

• [EX-7.2.3] O controle de aceitação das características dimensionais e geométricas dos blocos deve ser feito pela construtora e formalizado em fichas de controle e cópias destas devem ser anexadas ao relatório mensal de controle tecnológico. A importância destes ensaios resulta no fato de que o não atendimento das exigências normativas é um claro indicativo de uma produção inadequada e evita que a utilização de uma carga nãoconforme possa trazer prejuízos futuros para a construtora, por exemplo, pela recusa de um pavimento construído com os mesmos. Devem ser avaliadas, no mínimo, a variação na altura dos blocos (tolerância de ±

lote

3mm para ambos os tipos de blocos, ensaiados segundo a NBR 7186, para bloco de concreto e a ASTM C67, para bloco cerâmico) e a espessura das paredes dos blocos (devem atender em 100% dos corpos de prova as exigências descritas em [EX-5.1.3] e [EX-5.2.3]). É recomendável que o não atendimento destas exigências seja motivo suficiente para recusa do

• [EX-7.2.4] A produção de argamassas durante a obra deve ser feita de modo a garantir uma adequada uniformidade das suas características, seja quando ela é produzida inteiramente no canteiro, como quando é produzida em usina ou com o emprego de argamassas pré-misturadas. É exigido como medida de uniformidade o estabelecimento de um limite superior para a dispersão dos resultados de resistência à compressão axial. Esta dispersão deve ser avaliada pelo Coeficiente de Variação (valor, em porcentagem, da divisão do desvio padrão pela resistência média, de um conjunto de corpos de prova). O limite superior admitido, quando a argamassa for ensaiada segundo a NBR 7215, é CV ≤ 20%, em uma produção contínua, por longos ou curtos períodos. A comprovação desta regularidade deverá ser feita através do relatório mensal do controle tecnológico;

3 • [EX-7.2.5] O controle de recebimento de concretos de uso estrutural

(utilizados em lajes, fundações, pilares e vigas, etc.) deve ser feito em acordo com os procedimentos descritos na NBR 12.655, inclusive a definição de lotes. Devem ser continuamente controlados, pelo menos, a resistência à compressão característica (fck) e o abatimento do troco de cone (“slump test”). Não é estabelecida, para a construção de edifícios em alvenaria estrutural, nenhuma exigência adicional para este controle de recebimento.

7.3. Exigências quanto ao controle tecnológico da produção da alvenaria

O controle contínuo de produção da alvenaria é, talvez, a maior garantia de obtenção do grau de segurança estrutural exigido. Isto porque, ao se avaliar a resistência de corpos de prova de alvenaria (prismas ocos e cheios) moldadas no canteiro de obras, está se avaliando concomitantemente: as características dos blocos, das argamassas e dos grautes; o efeito conjunto destes materiais; a influência da mão de obra e a influência das condições ambientais. Esta metodologia é aceita internacionalmente como a mais completa e, quando bem conduzida, a mais conclusiva sobre o desempenho estrutural de estruturas em alvenaria.

O método de ensaio exigido é o padronizado na norma NBR-8798. Na exigência [EX- 7.3.1] são estabelecidas as definições dos lotes e da moldagem dos corpos de prova. Na exigência [EX-7.3.2] são definidos os parâmetros de aceitação e na exigência [EX- 7.3.3] os procedimentos para liberação de um pavimento.

• [EX-7.3.1] A estrutura de cada edifício deve ser dividida em lotes. Cada lote deve corresponder a: uma semana calendário de produção de alvenaria; um pavimento; 200 m² de área (em planta) construída, ou 500 m² de alvenaria, prevalecendo a menor quantidade. A amostra representativa do lote deve constituir-se de no mínimo 6 exemplares de prismas ocos, na PCAE-NA e de, no mínimo, 6 exemplares de prismas ocos e 6 exemplares de prismas cheios, na PCAE-PA. Cada exemplar deve constituir-se de um ou mais prismas, preparados aleatoriamente durante a execução do correspondente lote, utilizando-se os mesmos operadores, equipamentos, argamassa e graute empregados na construção.

34 • [EX-7.3.2] Para a aceitação ou rejeição de um lote deve-se observar na integra o procedimento descrito no item 6.1.2.2. da norma NBR 8798. O lote será aceito se fpk,est ≥ fpk , onde fpk é a resistência característica de projeto, constante do projeto estrutural, mas não menor que 2,5 MPa, para o prisma oco e não menor que 4,0 MPa, para o prisma cheio.

• [EX-7.3.3] Pavimentos que tenham lotes rejeitados devem ser: ou demolidos, ou reforçados ou, após submissão para análise do projetista da estrutura, aceito sub judice pela CAIXA. Nesta última hipótese a construtora deverá encaminhar para a CAIXA um parecer técnico do projetista da estrutura, com as justificativas para a liberação. A CAIXA, a seu exclusivo critério, poderá submeter, ou não, este parecer a sua assessoria técnica para análise e tomada de decisão definitiva.

7.4. Exigências quanto ao controle tecnológico da produção de paredes de alvenaria e da estrutura do edifício

A avaliação contínua da conformidade das características das paredes de alvenaria é um procedimento normal em qualquer processo de produção de estruturas de alvenaria. Normalmente este controle é feito, seja de modo formalizado ou não, pela própria equipe de produção (pelo mestre ou encarregado, quando não é formalizado) e é encarada como um controle de aceitação das paredes, inclusive para efeito de liberação para pagamento dos serviços. As características mais importantes para avaliação são o prumo, a planicidade, a posição e a perfeição geométrica dos vãos das paredes e o nivelamento dos referenciais de horizontalidade (peitoris e fiada de apoio das lajes), pois, em conjunto, dão uma perfeita medida da qualidade de execução dos serviços. Em relação a estas características a CAIXA estabelece a exigência [EX- 7.4.1]. A aceitação final da estrutura, após o cumprimento de todo o controle tecnológico definido nas exigências anteriores pode então ser feita apenas pela avaliação da perfeição do prumo do edifício [EX-7.4.2], característica esta fundamental para o desempenho e a segurança estrutural do mesmo e que deve ser feita ao término da estrutura, mas antes da execução dos revestimentos de fachada.

• [EX-7.4.1] A construtora deve ter um sistema de gestão da qualidade que preveja e execute um controle de produção de paredes de alvenaria. Todas as paredes devem ser liberadas por este controle, o qual deve ser formalizado em

35 fichas de controle. Cópia destas fichas devem ser anexadas ao relatório mensal do controle tecnológico. As tolerâncias que devem ser admitidas no controle de produção da construtora para a aceitação de paredes são as constantes da tabela 5 da norma NBR 8798. Neste tipo de controle são considerados essenciais para o desempenho estrutural a observância das tolerâncias de prumo (denominado na NBR 8798 - alinhamento da parede vertical) e de nivelamento dos referenciais horizontais (denominado na NBR 8798 - alinhamento da parede horizontal);

• [EX-7.4.2] A aceitação definitiva da estrutura, após liberação de todos os controles de produção e aceitação, deve ser feita pela verificação do prumo do edifício. Esta verificação deve ser feita pela empresa contratada para fazer o controle tecnológico, que emitirá um relatório de liberação final, após este controle. Será exigida uma tolerância de 2m/m, limitada porém, a 20 m na altura total do edifício. Desaprumos superiores a estes limites, em qualquer parede externa, implicam na não aceitação da estrutura, ficando o processo sub judice pela CAIXA.

8. BIBLIOGRAFIA DE REFERÊNCIA

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Blocos vazados de concreto simples para alvenaria estrutural – Especificação. NBR 6136. Rio de Janeiro, 1994.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Blocos vazados de concreto simples para alvenaria com função estrutural. Determinação da resistência à compressão. NBR 7184. Rio de Janeiro, 1992.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Blocos vazados de concreto para alvenaria. Retração por secagem. NBR 12117. Rio de Janeiro, 1991.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Prismas de blocos vazados de concreto simples para alvenaria estrutural – Preparo e ensaio à compressão. NBR 8215. Rio de Janeiro, 1983.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Cálculo de alvenaria estrutural de blocos vazados de concreto. NBR 10837. Rio de Janeiro, 1989.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Projeto e execução de obras de concreto armado – Procedimento. NBR 6118. Rio de Janeiro, 1980.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Execução e controle de obras em alvenaria estrutural de blocos vazados de concreto – Procedimento. NBR 8798. Rio de Janeiro, 1985.

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