Métodos quantitativos aula 02

Métodos quantitativos aula 02

Aula_02 Introdução

Denilson C. Resende http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.jsp?id=K4761097J7&tipo=completo&idiomaExibicao=2 resendedc@gmail.com

Nesta unidade vamos continuar estudando os conceitos que permeiam as definições para os métodos qualitativos e quantitativos.

Na aula passada estávamos trabalhando em alguns exemplos, vamos dar continuidade com a mesma filosofia.

3) Entrevista dirigida: é um tipo de comunicação entre um pesquisador que pretende colher informações sobre fenômenos e indivíduos que detenham essas informações e possam emiti-las.

As informações devem constituir-se em indicadores de variáveis que se pretende explicar. É um diálogo preparado com objetivos e estratégias de trabalho definidos:

As perguntas são padronizadas (fechadas) para servirem de indicadores explicativos do problema. Quando há um nível de aprofundamento psicológico nas perguntas, as questões podem ter características de

“semi-abertas”, ou a partir de um discurso livre do entrevistado sobre um tema.

As informações podem ser transcritas através de gravação, desde que consentida pelo informante (Termo de Consentimento).

MÉTODOS QUANTITATIVOS E QUALITATIVOS Análise dos dados quantitativos:

Quantificação dos dados identificados na realidade, através de gráficos, tabelas e/ou quadros.

Análise estatística para mostrar a relação entre variáveis.

Instrumentos e/ou técnicas de coleta de dados qualitativos:

Instrumentos

Observação direta ou participante

Entrevista não- dirigida História oral

Análise de conteúdo

1) Observação direta ou participante: é o contato direto do observador com o fenômeno observado, para recolher as ações dos atores em seu contexto natural, a partir de sua perspectiva e seus pontos de vista.

2) Entrevista não-dirigida: fundamenta-se no discurso livre do entrevistado.

O entrevistador deve manter-se atento às comunicações verbais e atitude (gesto, olhar, expressões...), sem emitir opiniões.

Identificar o dizível do indizível como formas de explicitação das vivências cotidianas do entrevistado.

3) História oral: é um instrumento de pesquisa que utiliza os enfoques do indizível e do dizível.

História Oral

Dizível Indizível

Dizível: a reflexão inicia com a interação do pesquisador e narrador resultando na dinâmica histórica e processual do relato.

Geralmente o pesquisador conhece o mundo do narrador, ou imagina-o. Nesta inter- relação o processo sofre alterações pela intermediação: a escrita do relato e a interpretação do pesquisador.

Indizível: o não-explícito. São acervos, inventários de vivências, fundamentais para a compreensão da trajetória do(s) indivíduo(s) envolvidos na pesquisa.

Transmissão de experiências de geração em geração.

Possui elementos objetivos e subjetivos.

da “experiência, a estrutura é transformada em processo, e o sujeito é reinserido na história”. Processo tem o sentido de transformação.

É a complementação da história oficial.

São memórias situadas em um período historicamente determinado. Por essa razão não se repetem.

Pôr em palavras os sentimentos e ações, próprias ou alheias, vivenciadas por um indivíduo requer atitudes:

Suspender preconceitos e pressupostos de forma crítica;

As narrativas devem ter mediações. É a identificação do novo.

MÉTODOS QUANTITATIVOS E QUALITATIVOS O uso do gravador :

Transcrever depoimentos gravados exige tempo e custos.

Transforma-se em um documento escrito.

O pesquisador e o narrador podem agir pensando no seu interesse.

A história oral deve ser complementada com outras informações, por exemplo documentos oficiais, estatísticas que reconstituam gestos, formas de ação em público, e outras.

QUEIROZ (in MARTINELLI,1999, p. 92-93), duas formas de história oral: história de vida e depoimentos.

1ª) História de vida: é um recorte da totalidade da realidade. É um momento da coleta de dados. Não há generalizações. O fato identificado faz parte da vivência do indivíduo e não da comunidade.

História Oral Historia de vidaDepoimentos

O pesquisador deve permitir ao narrador a escolha do que quer contar, dos fatos que lhe interessem socializar.

Pode ter a forma auto-biográfica.

2ª) Depoimentos: o pesquisador escolhe os fatos a serem narrados. Distingue o supérfluo do necessário. Direciona a entrevista para os seus interesses.

4) Análise de conteúdo: é um método de tratamento e análise de informações colhidas por meio de técnicas de coleta de dados.

Aplica-se à análise de textos escritos ou de qualquer comunicação oral, visual, gestual, alocada a um texto.

Tem como fundamento a compreensão crítica do significado das comunicações, seu conteúdo manifesto ou latente, as significações explícitas ou ocultas (o dizível e o indizível).

Metodologia segundo BARDIN:

a) Pré-análise: organização, operacionalização e sistematização das informações. È flexível. Permite alterações para melhor explicação do fenômeno estudado.

Pré-análise

Leitura superficial do material

Escolha dos documentos

1º) Leitura superficial do material:

consiste na identificação da estrutura da narrativa.

Por exemplo, conteúdos ideológicos, significados a respeito do fenômeno – visão de homem e mundo. Identificar palavras-chave utilizadas pelo narrador.

2º) Escolha dos documentos: pré- selecionados, enquanto atividade encomendada.

Por exemplo, o curso de Serviço Social solicita aos assistentes sociais supervisores, análise do novo projeto político pedagógico do curso.

O investigador formula um problema e os objetivos da pesquisa e recolhe os documentos adequados.

Os documentos podem ser de origem oficial e não oficial.

Implicações da escolha

Exaustividade Representatividade Homogeneidade

B) Análise do material: codificação agrupamento dos dados em unidades); categorização e quantificação da informação.

C) Tratamento dos resultados: por que e o que analisar. Privilegia o quantitativo. Não exclui a interpretação qualitativa.

Exemplos: análise das palavras: cálculo de freqüências e percentagens. Codificar as palavras.

MÉTODOS QUANTITATIVOS E QUALITATIVOS Há três momentos na codificação:

1ª) Determinação das unidades de registro (conteúdos).

2ª) Escolha das regras de numeração

(escolha do sistema de quantificação dos dados).

3ª) Definição das categorias de análise.

MÉTODOS QUANTITATIVOS E QUALITATIVOS 1ª) Unidades de registro e de conteúdo a) Palavra ou símbolo: trabalha-se com todas ou com algumas mais simbólicas (sentido políticoideológico).

b) Substantivos, adjetivos, verbos, e outros (categorias de palavra que indique riqueza vocabular).

2ª) Unidades de Contexto: são as referências mais amplas das unidades de registro. Como exemplo, “culturas inferiores”, “povos atrasados”,

“sociedades periféricas”, devem ultrapassar a questão quantitativa. Deve- se procurar unidade de contexto mais ampla: a frase para a palavra, o parágrafo para o tema. Devem estar vinculadas aos objetivos, ao referencial teórico e metodológico.

5) Estudo de caso: é uma pesquisa exploratória e utilizado para a análise de situações concretas, nas suas particularidades. Seu uso é indicado para investigar a trajetória de vida de um indivíduo, como também a natureza de uma instituição ou organização, nos seus aspectos sociais, culturais, educacionais, dentre outros.

Pode-se recorrer à observação, questionários, entrevistas; técnicas de medida e de controle (gráficos, dados estatísticos). “A quantidade permite que o mundo qualitativo tenha estrutura definida” (LEFEBVRE, 1983).

O relatório pode ter estilo descritivo, narrativo, analítico, ser ilustrado, filmado, fotografado.

BARDIN, Laurence. Análise de conteúdo. Lisboa, Persona, 1977.

CHIZZOTTI, Antonio. Pesquisa em ciências humanas e sociais. São Paulo, Cortez, 1991.

MARTINELLI, Maria Lúcia. Pesquisa qualitativa: um instigante desafio. São

Paulo, Veras Editora, 1999. Núcleo de

Estudos e Pesquisas sobre Identidade. Núcleos de Pesquisa 1.

RICHARDSON, Roberto Jarry et alli.

Pesquisa social: métodos e técnicas. 3ª ed. Revista e Ampliada. São Paulo, Atlas, 1999.

THOMPSON, Edward. A miséria da teoria ou um planetário de erros. Rio de Janeiro. Zahar, 1981.

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