Teoria a Burocracia

Teoria a Burocracia

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INTRODUÇÃO

Uma das primeiras aplicações do termo Burocracia data do século XVIII, onde o termo era carregado de forte conotação negativa, designando aspectos de poder dos funcionários de uma administração estatal aos quais eram atribuídas funções especializadas, sob uma monarquia absoluta. Essa definição se encaixa de forma muito próxima àquela hoje utilizada na linguagem comum: a Burocracia como sinônimo de excesso de normas e regulamentos, limitação da iniciativa, desperdício de recursos e ineficiência generalizados dos organismos estatais e privados.

Pretendo dar as bases de um modelo ideal de organização que pudesse ser copiado e aplicado às empresas, qualquer que fosse o seu ramo de atividade, Max Weber descreveu as características mais importantes da organização burocrática ou racional. Apesar de representar um passo à frente da organização formal proposta pela Teoria Clássica, a organização burocrática, ideal e teórica, mostrou-se carente da flexibilidade às inovações necessárias e imprescindíveis a uma sociedade moderna em processo de acelerada mudança.

Modelo impessoal e racional de gerir as organizações para garantir-lhes a eficiência. Na concepção de Max Weber, a organização burocrática, maximizando a racionalização, tornar-se-ia mais eficiente resistindo melhor ao personalismo e subjetivismo dos administradores.

  1. ORIGENS DA TEORIA DA BUROCRACIA

A burocracia é uma forma de organização humana que se baseia na racionalidade, isto é, na adequação dos meios aos objetivos (fins) pretendidos, a fim de garantir a máxima eficiência possível no alcance desses objetivos.

Max Weber (1864-1920), sociólogo alemão, foi o criador da Sociologia da Burocracia. Seu principal livro, para o propósito deste estudo, é “A Ética Protestante e o Espírito de Capitalismo”.

Max Weber afirma que o moderno sistema de produção, eminentemente racional e capitalista se originou da “ética protestante”: o trabalho árduo e o ascetismo proporcionando a poupança e reaplicação das rendas excedentes, em vez de seu dispêndio para o consumo.

Weber notou que o capitalismo, a organização burocrática e a ciência moderna constituem três formas de racionalidade que surgiram a partir dessas mudanças religiosas ocorridas inicialmente em países protestantes.

    1. ORIGENS DA TEORIA DA BUROCRACIA EM ADMINISTRAÇÃO

A Teoria da Burocracia surgiu na década de 1940, para suprir as críticas das teorias organizacionais existentes, especialmente a Teoria Clássica (excesso de mecanicismo) e a Teoria das Relações Humanas (sociológica e utópica em demasia).

A origem da Burocracia data da antiguidade, como visto nos primórdios da administração, porém foi a partir da descoberta dos estudos de Max Weber, e com a tradução inglesa e a divulgação nos EUA desses estudos, que a administração e seus estudiosos, apropriaram-se dos conceitos da teoria weberiana adaptando-a aos pressupostos organizacionais administrativos da época.

As falhas práticas das teorias acima citadas, a necessidade de um modelo organizacional mais racional, o crescimento desordenado e a complexidade das empresas foram os fatos que mais contribuíram para o surgimento da Teoria da Burocracia.

Popularmente a burocracia é vista como uma empresa, repartição ou organização onde o papelório se multiplica e se avoluma, impedindo as soluções rápidas e eficientes, funcionários apegados a regulamentos e rotinas, causando ineficiência à organização, porém essas atribuições não são próprias da teoria e sim de suas disfunções.

Para Max Weber a burocracia é exatamente ao contrário, é a organização eficiente por excelência e para conseguir esta eficiência, a burocracia precisa detalhar antecipadamente e nos mínimos detalhes como as coisas devem acontecer.

Para ele a burocracia não é um sistema social, mas um tipo de poder, por isso para entendê-la, ele procurou estudar os tipos de sociedade e os tipos de autoridade.

Tipos de poder, conforme Weber:

  1. Tradicional: onde predominam características patriarcais e patrimonialistas;

  2. Carismático: predominam características místicas e personalísticas; há seguidores, devoção, autenticidade;

  3. Legal ou burocrático: predominam normas impessoais e hierárquicas, como no exército, repartições públicas etc.

2. CARACTERÍSTICAS DA BUROCRACIA

Para conseguir eficiência, a burocracia explica nos minimos detalhes como as coisas deverão ser feitas segundo Max Weber, a burocracia tem as caracteristicas a seguir:

Caráter legal das normas e regulamentos

É uma organização ligada por normas e regulamentos previamente estabelecidos por escrito. É baseada em legislação própria que define com antecedência como a organização deve funcionar.

  • São escritas.

  • Procuram cobrir todas as áreas da organização.

  • É uma estrutura social racionalmente organizada.

  • Conferem às pessoas investidas da autoridade um poder de coação sobre os subordinados e também os meios coercitivos capazes de impor a disciplina.

  • Possibilitam a padronização dentro da empresa.

Caráter formal das comunicações

  • A burocracia é uma organização ligada por comunicação escrita. Todas as ações e procedimentos são feitos por escrito para proporcionar a comprovação e documentação adequadas.

Caráter racional e divisão do trabalho

A Burocracia é uma organização que se caracteriza por uma sistemática divisão do trabalho. Esta divisão do trabalho atende a uma racionalidade que é adequada ao objetivo a ser atingido, ou seja, a eficiência da organização, através de:

  • aspecto funcional da burocracia;

  • divisão sistemática do trabalho, do direito e do poder;

  • estabelecimento das atribuições de cada participante;

  • cada participante passa a ter o seu cargo específico, suas funções específicas e sua área de competência e de responsabilidade;

  • cada participante sabe qual é a sua capacidade de comando sobre os outros e quais os limites de sua tarefa;

Impessoalidade nas relações

Essa distribuição de atividade é feita impessoalmente, ou seja, é feita em termos de cargos e funções e não de pessoas envolvidas:

  • considera as pessoas como ocupantes de cargos e de funções;

  • o poder de cada pessoa é impessoal e deriva do cargo que ocupa;

  • obedece ao superior não em consideração a pessoa, mas ao cargo que ele ocupa;

  • as pessoas vêm e vão, mas os cargos permanecem;

  • cada cargo abrange uma área ou setor de competência e de responsabilidade.

Hierarquia da autoridade

A burocracia estabelece os cargos segundo o princípio de hierarquia:

  • cada subordinado deve estar sob a supervisão de um superior;

  • não há cargo sem controle ou supervisão;

  • a hierarquia é a ordem e subordinação, a graduação de autoridade correspondente às diversas categorias de participantes, funcionários e classes;

  • os cargos estão definidos por meio de regras limitadas e específicas.

Rotinas e procedimentos padronizados

A burocracia fixa as regras e normas técnicas para o desempenho de cada cargo:

  • O ocupante do cargo não pode fazer o que quiser, mas o que a burocracia impõe que ele faça;

  • a disciplina no trabalho e o desempenho no cargo são assegurados por um conjunto de regras e normas, que tentam ajustar o funcionário às exigências do cargo e das organizações;

Competência técnica e Meritocracia

Na burocracia a escolha das pessoas é baseada no mérito e na competência técnica:

  • admissão, transferência e a promoção dos funcionários são baseadas em critérios válidos para toda a organização;

  • necessidade de exames, concursos, testes e títulos para a admissão e promoção dos funcionários.

Especialização da Administração

Baseia-se na separação entre a propiedade e a administração: os administradores da burocracia não são os seus donos ou propietarios.

Profissionalização dos participantes

A burocracia é uma organização que se caracteriza pela profissionalização dos seus participantes. Cada funcionário é um profissional pelas seguintes razões:

  • é um especialista, ou seja, cada funcionário é especializado nas atividades do seu cargo;

  • é assalariado - os funcionários da burocracia participam da organização e recebem salários correspondentes ao cargo que ocupam;

  • é nomeado por superior hierárquico;

  • seu mandato é por tempo indeterminado;

  • segue carreira dentro da organização;

  • não possui a propriedade dos meios de produção, o administrador profissional administra a organização em nome dos proprietários;

  • é fiel ao cargo e identifica-se com os objetivos da empresa, o funcionário passa a defender os interesses do seu cargo e da sua organização.

Completa previsibilidade do funcionamento

O modelo burocrático de Weber parte da pressuposição de que o comportamento dos membros da organização é perfeitamente previsível:

  • os funcionários devem comportar-se de acordo com as normas e regulamentos da organização;

  • tudo na burocracia é estabelecido no sentido de prever todas as ocorrências e transformar em rotina sua execução.

A burocracia é baseada em:

Consequências previstas

Objetivo

  1. Carater legal das normas.

  2. Caráter formal das comunicações.

  3. Divisão do trabalho.

  4. Impessoalidade no relacionamento.

  5. Hierarquização da autoridade.

  6. Rotinas e procedimentos.

  7. Competência técnica e mérito.

  8. Especialização da administração.

  9. Profissionalização.

  10. Previsibilidade do funcionamento.

Previsibilidade do comportamento humano.

Padronização do desempenho dos participantes.

Máxima eficiência da organização.

Figura 1. As características da burocracia segundo Weber.

Fonte: (CHIAVENATO, 2006, p. 137)

3. RACIONALIDADE BUROCRÁTICA

A racionalidade é um conceito muito ligado à Burocracia para Weber e implica na adequação dos meios aos fins. No contexto burocrático, isto significa eficiência.

Para uma organização ser racional é preciso que os meios mais eficientes sejam escolhidos para a implementação das metas. È levada em consideração às metas da coletividade e não de seus membros individuais. Os seus membros não necesssriamente se mostram racionais, mesmo a organização sendo racional. Uma organização que se torna racional e burocrática cada vez mais, faz seus membros pessoas se tornarem engrenagem de uma máquina, ignora todo propósito e significado do seu comportamento. Mannheim denominou esse tipo de racionalidade como racionalidade funcional. Weber diz que a racionalidade funcional se alcança através da elaboração de regras - tendo base no conhecimento científico, dessa forma se dirigi em direção à eficiência todo o comportamento. Para Weber a burocratização tem um sentido mais amplo, referindo-se ao modo de pensar e de agir fora das organizações na vida social, burocratização e racionalização coincide entre si. Os meios pelo qual se chega a um objetivo adequado podem ser através da racionalidade, referindo-se à visão racional do mundo.

4. AS DISFUNÇÕES DA BUROCRACIA

Ao estudar as consequências previstas ( ou desejadas) da burocracia que a conduzem à máxima eficiência, Merton notou também consequências imprevistas (ou não desejadas) e que levam à ineficiência e às imperfeições.

As disfunções são as seguintes:

  1. Internalização das Regras e Apego aos Regulamentos

A burocracia através das normas e dos objetivos da organização adquiriu um valor positivo e próprio, e a flexibilidade é uma das características de atividade racional, que diz respeito ao seu cargo ou função.

  1. Excesso de Formalismo e Papelório

O Papelório é uma das disfunções da democracia, é o que leva o leigo imaginar que a democracia é um volume inusitado de vias adicionais e de formulários.

  1. Resistência a Mudanças

Dentro da burocracia é tudo rotinizado, padronizado e previsto, os funcionários torna-se executores de rotinas, e as mudanças passam a ser indesejável, e o funcionário passa a resistir o que foi implantado; essa resistência passa a ser um comportamento de reclamações, tumultos e greves.

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