Apostila Cultura da Batata

Apostila Cultura da Batata

(Parte 1 de 2)

1 Cultura da Batata

Cultura da Batata

Origem da batata

A batata ( Solanum tuberosum L. ) é originária dos Andes peruanos e bolivianos onde é cultivada há mais de 7.0 anos. Recebe diferentes nomes conforme o local: araucano ou Poni ( Chile ), Iomy ( Colômbia ), Papa ( Império Inca e Espanha ), Patata ( Itália ), Irish Potato ou White Potato ( Irlanda ).

Histórico da batata

A batata foi introduzida na Europa antes de 1520 sendo responsável pela primeira revolução verde no velho continente: os ingleses incendiavam os trigais e matavam os porcos criados pelos irlandeses, levando o povo à miséria, entretanto a batata resistia ao pisoteamento das tropas, às geadas e ficavam armazenadas no solo.

Em 1845, a requeima, doença causada pelo fungo Phytophthora infestans , dizimou as lavouras, e matou por inanição um milhão de pessoas na Irlanda, e fez emigrar outros dois milhões.

A Revolução Industrial do século XIX não teria sido possível sem o auxílio do bemestar alimentício proporcionado pela batata.

A difusão da batata em outros continentes ocorreu através da colonização realizada pelos países europeus, inclusive no Brasil. Inicialmente era cultivada em pequena escala em hortas familiares, sendo chamada de batatinha, assim como na construção de ferrovias ganhou o nome de batata inglesa, por ser uma exigência nas refeições dos técnicos vindos da Inglaterra.

Pesquisadores da história da alimentação apontam duas razões básicas para o êxito e a disseminação da batata: o valor energético / ausência de colesterol e o fato de possuir sabor e cheiro pouco acentuado, possibilitando centenas de combinações que resultam em sabores diferentes.

Nutricionistas da FAO afirmam que uma dieta composta de batata e leite poderia suprir, em caráter de emergência, todos os nutrientes de que o organismo humano precisa para se manter.

milho

Atualmente a batata é o 4º alimento mais consumido no mundo, após arroz, trigo e A bataticultura no Brasil

Até a década de 40 despontava o Rio Grande do Sul como maior produtor. Com a

I Grande Guerra, a falta transporte por mar e terra desperta em São Paulo, Paraná e Minas Gerais o interesse pela cultura. Atualmente o Brasil planta 182 mil ha, com uma produção de 2,7 milhões de toneladas. E rendimento médio de 15 t/ha. Produtividades dos estados MG = 2 t/ha

PR = 14 t/ha

SC = 10 t/ha

RS = 8 t/ha Produção e área plantada no mundo e no Brasil http://www.abbabatatabrasileira.com.br/mundo_area.htm

A planta da batata

Classificação Botânica

Planta dicotiledônea da família Solanaceae, gênero Solanum. A mais produzida é a Solanum tuberosum ssp. Tuberosum, (tetraplóide) cultivada em pelo menos 140 países. Planta perene, habitualmente cultivada como bianual na Região Sul do Brasil. A parte aérea é herbácea, com altura entre 50 e 70 cm ( até 1,5m na fase adulta). O ciclo pode ser precoce (<90 dias), médio(90-110 dias) ou longo (>110 dias). O caule da batata Tem 2 partes distintas: uma aérea e outra subterrânea. Parte aérea: Caule é geralmente angular, com seção transversal triangular ou quadrangular, ou circular em algumas cultivares. A coloração é verde podendo ser arroxeada ou pigmentada.

O caule da batata ( parte aérea). O número de hastes ou “ramas” por planta varia (de 2 a 5 por planta) conforme: A brotação ( qto > + hastes) e idade do tubérculosemente, da região produtora, das condições climáticas, do tamanho do tubérculo (> tamanho + hastes). A haste principal é aquela que cresce diretamente do tubérculo. As hastes secundárias são aquelas que se originam a partir da haste principal ( porém se sair próximo do tubérculo-semente será considerada como haste principal).

O caule da batata ( parte subterrânea). É branca e portadora de gemas situadas nas axilas de folhas rudimentares, que originam ramificações denominadas estolões(rizomas). Os estolões terminam numa porção engrossada chamada tubérculo. A batata é o resultado do intumescimento da extremidade dos estolões, que são caules subterrâneos modificados, causado pelo acúmulo de reservas amiláceas nas células parenquimatosas. As raízes da batata

Quando a planta é oriunda de batata-semente, as raízes são adventícias e crescem a partir dos nós dos caules subterrâneos, atingindo até 50 cm de profundidade. Quando a origem é uma semente, a raíz é do tipo pivotante com ramificações laterais. As folhas da batata

Alternadas no caule, são compostas, formadas por folíolos irregulares em número e tamanho variáveis. Seu tamanho diminui da base ao ápice da planta. Os folíolos são de 2 a 4 pares, postos, com um folíolo terminal, geralmente maior que os laterais. A forma dos folíolos varia de ovalada a ovalado-elíptica. Normalmente, outros menores ( folíolos secundários) também em pares se intercalam na seqüência dos primários. Inflorescência

É do tipo cimeira. As flores são hermafroditas e se localizam na extremidade superior do caule. Podem ser branca, rosada ou arroxeada. O androceu e o gineceu amadurecem ao mesmo tempo facilitando o processo normal de autofecundação. O fruto da batata

É do tipo baga, bilocular, geralmente arredondado de cor verde ou parda, com diâmetro de 1 e 3 cm, assemelhando-se a um pequeno tomate. Dependendo da fertilidade da cultivar o fruto pode ter até 200 sementes. Os Tubérculos da batata

É o órgão de maior interesse econômico. O formato varia de redondo a ovalado, achatado ou alongado. Estresses sofridos podem ocasionar outras formas. Os chamados “olhos” são gemas dormentes na superfície que ao se desenvolverem darão origem a um novo sistema de hastes e estolões. Cada olho é formado por mais de uma gema. As primeiras a emergir (as mais vigorosas) estão na extremidade oposta à do ponto de inserção do estolão.

Lenticelas: pequenos poros respiratórios, que comunicam o interior do tubérculo com o exterior. Solos encharcados ou com pouca aeração tornam as lenticelas maiores e depreciam o produto.

A medula é a parte mais interna e central e ocupa o maior volume. É um tecido de reserva com células parenquimatosas, e é dividida em externa e interna. A medula externa é mais densa e escurecida (> quantidade de amido e materiais sólidos). A medula interna é menor e mais clara, com ramificações até os olhos do tubérculo. Qto > a medula interna pior a qualidade do tubérculo (> água e < amido e sólidos).

Ecofisiologia da batata

Principais estádios de desenvolvimento: Desenvolvimento da brotação; Crescimento vegetativo; Início da tuberização; Crescimento dos tubérculos; Maturação.

1-Desenvolvimento da brotação

Se inicia com a formação dos brotos nas gemas dos tubérculos. A única fonte de energia provém do tubérculo-mãe, pois a fotossíntese ainda não se iniciou. Estádio muito delicado para o crescimento e a produção da planta.

2-Crescimento vegetativo

As hastes e as folhas se desenvolvem sobre o solo. A fotossíntese é iniciada. As reservas do tubérculo-mãe sustentam o crescimento por cerca de trinta dias. As reservas são usadas até a exaustão.

3- Início da tuberização

Inicia-se de 2 a 4 semanas após a emergência, ou seja, cerca de 7 semanas após plantio. Os produtos da fotossíntese são usados no crescimento dos estolões, desenvolvimento da folhagem e início da formação dos tubérculos na extremidade dos estolões. O açúcar produzido pela fotossíntese é convertido em amido e armazenado em células que se expandem nos pequenos tubérculos formados.

3- Início da tuberização

Este estádio dura de 10 a 15 dias, e o término coincide com o início do florescimento. São formados os tubérculos que serão colhidos. É um estádio muito crítico para a ocorrência de doenças, pragas, deficiências nutricionais, falta de água, danos por geada ou granizo, que promovem perdas irreversíveis.

4-Crescimento dos tubérculos

O final do desenvolvimento da folhagem coincide com o início do intenso crescimento dos tubérculos, pois os assimilados da fotossíntese são redirecionados. Os tubérculos crescem bastante devido às expansões celulares que são predominantes, com acúmulo de água, nutrientes e carboidratos. Divisões celulares se restringem às gemas.

5-Maturação

Todos os assimilados são direcionados para os tubérculos; O teor de matéria seca atinge o máximo; A folhagem se torna amarelada, com redução gradual da fotossíntese e do crescimento dos tubérculos, até o secamento completo da parte aérea. A periderme (película) torna-se firme, as gemas ficam dormentes e o teor de açúcares é reduzido até a maturação final.

Influência da temperatura Temperatura do solo: Brota e germina a partir de 5º C a 8º C .

Emergência rápida: 22º C a 25º C.

Mais favorável à produção de tubérculos é de 15º C a 18º C.

Temperatura do ar: > de 3º C a 4º C não bota.

Para início da tuberização é de 17º C ( abaixo de 6º C são raros os tubérculos formados e acima de 28º C a 30º C não tuberiza). Médias diárias mais favoráveis à cultura é de 15º C a 20º C.

Temp. noturnas acima de 20º C inibem a tuberização.

Influência do fotoperíodo

(Parte 1 de 2)

Comentários