Atributos do Solo e o Impacto Ambiental

Atributos do Solo e o Impacto Ambiental

(Parte 1 de 6)

Atributos do Solo e O Impacto Ambiental

1 - INTRODUÇÃO4
EXERCÍCIO DIRIGIDO:7
2 - DEFINIÇÃO DO IMPACTO AMBIENTAL8
ESTUDO DIRIGIDO:1
3 - O SOLO COMO UM COMPONENTE DO AMBIENTE12
3.1. Fatores de formação dos solos14
3.1.1. Material de Origem14
3.1.2. Clima17
3.1.3. Organismos20
3.1.4. Relevo2
3.1.5. Tempo25
3.2. Indicadores de impacto ambiental no solo29
3.2.1. Indicadores Biológicos29
3.2.2. Indicadores Físicos31
3.2.3. Indicadores Químicos34
ESTUDO DIRIGIDO:35
4 - ELABORAÇÃO DO ESTUDO DE IMPACTO AMBIENTAL - EIAE DO
RELATÓRIO DE IMPACTO AO MEIO AMBIENTE – RIMA36
4.1. O Estudo de Impacto Ambiental - EIA36
4.1.1. Conteúdo37
4.1.2. Anexos50
4.1.3. Coordenação50
4.2. Relatório de Impacto ao Meio Ambiente - Rima50
ESTUDO DIRIGIDO:53
5 - IMPACTOS NO SOLO E MEDIDAS MITIGADORAS54
5.1. Solos altamente suscetíveis a erosão56
5.2. Mecanismos de erosão do solo59
5.3. Perdas de nutrientes por erosão62
5.4. Impactos no solo devido a usos múltiplos63
5.5. A desertificação64
5.5.1. Histórico e Principais Desertos do Mundo64
5.5.2. Aspectos Conceituais6
Desertificáveis no Brasil68
5.5.4. Fatores que Contribuem para o Processo de Desertificação73
impactos ambientais75
5.6.1. Manejo visando a Conservação dos Solos76
5.6.2. Manejo visando a Recuperação dos Solos76
ESTUDO DIRIGIDO:78
6 - ATRIBUTOS DO SOLO E A PREVISÃO DO IMPACTO AMBIENTAL79
6.1. RELEVO DOMINANTE79
6.2. Vegetação natural83
6.3. Cobertura vegetal85
6.4. Tipo de Horizonte A87
6.5. Classe de solo89
ESTUDO DIRIGIDO:92

Índice 5.5.3. Áreas Desertificadas, em Processo de Desertificação e Potencialmente 5.6. Práticas de manejo para conservação e recuperação de solos visando mitigação de 7 - RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS ............................................................. 93

7.1. Introdução93
7.2. Atividades degradadoras94
7.2.1. Agropecuária94
7.2.2. Mineração95
7.2.3. Construção de Estradas96
7.2.4. Barragens Hidrelétricas96
7.2.5. Áreas Urbanas96
7.2.6. Indústria96
7.3. Práticas adotadas na recuperação de áreas mineradas97
7.3.1. Planejamento98
7.3.2. Execução9
ESTUDO DIRIGIDO:115

3 8 - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ........................................................................... 116

1 - INTRODUÇÃO

O estudo do impacto ambiental nos solos, não só pelo seu uso agrícola mas também sobre todos os outros aspectos que envolvem uma alteração de suas condições naturais, tem adquirido importância, na medida em que grandes áreas vão sendo incorporadas no processo produtivo (tanto a nível de produção, propriamente dita, quanto a nível de ampliação de infra estruturas, tais como: aterros, barragens, estradas, conjuntos habitacionais, etc.).

Já no início da utilização dos métodos de produção industrial na agricultura, foi ficando cada vez mais difícil, notadamente ao pequeno agricultor, a manutenção da base econômica de sua propriedade e, com isso, o aspecto ambiental - ecológico foi ficando sempre mais desprezado (EMBRAPA, 1986). Aliado a esse aspecto, a falta de uma política agrícola funcional para o país, incentivou os agricultores a plantar com o mínimo de gasto possível (leia-se aqui, sem muita preocupação com a preservação dos recursos naturais; ou seja, agricultura unicamente exploratória), já que a especulação financeira era mais garantida, não requerendo esforço nenhum do agricultor Esse aspecto pode ser somado ao fato de que as grandes empresas (nacionais e/ou estrangeiras), começaram a investir em agropecuária, como forma de baixar seus tributos, tornando-se com certeza um concorrente potencial nas decisões de mercado, com os quais os pequenos e médios agricultores não podiam concorrer.

A partir do momento em que o país foi forçado a tomar posições definidas em relação a degradação do ambiente, é que começou a surgir uma certa conscientização ambiental. Sendo o solo um componente ambientar da maior importância, o entendimento de como ele interage com o ecossistema é, sem dúvida, uma ferramenta que pode trazer soluções a muitos problemas do ambiente.

Dentro desse contexto, a agricultura, ou seja, a exploração agrícola dos solos, pode ser observada como um componente do ambiente e, porque não dizer, um agroecossistema. Para entender essa colocação, deve-se observar as esferas formadoras dos ecossistemas, de acordo com Resende (1988), como apresentado em esquema na Figura 1.1.

Numa perspectiva mais voltada para o ambiente agrícola, a hidrosfera compõe-se das águas (cursos d’água, oceanos), a atmosfera está representada pela precipitações e radiação solar, a litosfera é composta pelas rochas e sedimentos e a biosfera é representada pelos organismos em geral (plantas e animais, inclusive o homem). A maior ou menor expressão de uma dessas esferas, caracteriza o ecossistema (ex.: Amazônia caracteriza-se pela maior expressão da biosfera e da hidrosfera; o Nordeste pela atmosfera). Sendo assim pode-se inferir que um ecossistema é o produto da interação dessas esferas.

Figura 1.1. O solo (pedosfera) como “interface” entre litosfera, atmosfera, biosfera e hidrosfera. Fonte: Resende (1988), modificado.

Na união dessas esferas encontra-se o solo, que é um produto da interação de fatores que são representados por alguns componentes das esferas formadoras dos ecossistemas: o clima (atmosfera e hidrosfera); organismos (biosfera); material de origem (litosfera), sob a ação do tempo, sofrendo também influência da posição no relevo.

O solo, que é um recurso natural, por ocupar essa posição peculiar (Figura 1.1), é um ecossistema, podendo ser denominado, por analogia, de pedosfera, contendo várias ramificações das esferas; pois ele numa visão simplista, é composto por segmentos da atmosfera (25% ar), hidrosfera (25% água), litosfera (45% fração mineral) e da biosfera (5% de matéria orgânica), como pode ser observado na Figura 1.2.

Figura 1.2. Proporção dos segmentos que compõem o solo. Fonte: Marques Júnior (1993).

Fazendo um paralelo entre a definição de agricultura de Monteith (1958): “É a exploração da radiação solar possível, através do suprimento de H2O e nutrientes para manter o crescimento das plantas”, e as esferas formadoras dos ecossistemas:

Definição daEsferas formadas
Agriculturados ecossistemas
Radiação solarAtmosfera
H2OHidrosfera
NutrientesLitosfera
PlantasBiosfera

Pela própria definição observa-se que a agricultura é o resultado da interação das esferas dos ecossistemas atuando na pedosfera e por isso os sistemas agrícolas podem ser considerados como agroecossistemas.

Considerando ainda que o solo é um recurso natural não renovável, perder solo é perder a chance de recuperar o estabelecimento do ecossistema ou manejá-lo satisfatoriamente.

Pelo exposto considera-se então que o estudo do solo na avaliação do impacto ambientar, além de ser exigência da legislação, é de suma importância no que diz respeito ao entendimento global do ambiente.

1) Cite 10 atividades que, na sua opinião, irão causar impacto no solo.

2) Entre as atividades que você citou, escolha a que considera mais impactante e liste os impactos advindos de sua implementação.

3) Explique com suas palavras porque os sistemas agrícolas podem ser considerados como agroecossistemas.

2 - DEFINIÇÃO DO IMPACTO AMBIENTAL

“Equilíbrio ambiental” sugere completa harmonia entre ecossistemas bem como o discernimento e priorização das atividades humanas a serem implantadas, na medida que se faz a utilização dos recursos naturais.

Considera-se impacto ambiental qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas do ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas que, direta ou indiretamente afetam, (CONAMA, 1990):

- a saúde, a segurança e o bem estar da população; - as atividades sociais e econômicas;

- a biota;

- as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente;

- a qualidade dos recursos ambientais.

O impacto ambiental surge em decorrência de alguma atividade humana que origina ações que produzem alterações no meio, em alguns ou todos os fatores, componentes do sistema ambiental. Assim pode-se definir o impacto de qualquer atividade sobre o ambiente, a partir da comparação das alterações que o ambiente atual teria sofrido na ausência e na presença de tal atividade.

De uma maneira geral, as atividades humanas (agricultura, barragens, minerações, etc.) afetam todos os componentes do ambiente, já que os fatores ambientais são interligados, e os limites de ação desses fatores (com raras exceções) são bastante difusos. Por exemplo, a atividade de mineração vai requerer inicialmente a retirada de vegetação, o que implica em impactos diretos sobre a fauna e flora. A partir da retirada da vegetação o solo fica exposto aos efeitos da chuva, acelerando os processos erosivos, que carream sedimentos para os cursos d'água, assoreando-os e/ou eutrofizando-os. Após a retirada da vegetação remove-se o “solum” (horizonte A + B), que tem como conseqüências diretas a alteração da pedoforma, eliminação da fauna do solo (macro e meso) e a alteração da microbiota do solo. A medida que a escavação se aprofunda, maior é a alteração da paisagem e, no caso de "uma tentativa" de recomposição da área, maiores serão os gastos e menores as possibilidades de se conseguir algo semelhante ao estado original. De forma que, se o ambiente é afetado, consequentemente o homem nele inserido também o será, já que os cursos d'água serão atingidos (peixes, dessedentação animal e humana, transporte, etc.).

Mesmo na construção de estradas, edificações, portos, hidrelétricas, aeroportos, atividades agrossilvopastoris, etc., o efeito em cascata que a alteração de um componente ambiental exerce sobre os outros pode ser percebido, apenas com um raciocínio lógico, envolvendo os componentes do ecossistema (Figura 2.1).

E: Entradas (Energia, CO2, O2, H2O, sustancias minerais). F: Fotossíntese

H: Escorrimento pelo tronco; queda de folhas M.O.M: Matéria orgânica morta. T: Translocação. A: Absorção. PT: Processos de transformação no solo. D: Decompositores

P: Perdas (Calor, CO2, O2, H2O, sustâncias minerais).

Figura 2.1. Componentes do Ecossistema. Fonte: Salas (1 987).

Infere-se então que os efeitos da alteração do ambiente, quando observados de um contexto abrangente, são significativos, ou seja, a soma de seus efeitos sobre os vários fatores ambientais, tomam grandes proporções.

Os impactos ambientais podem ainda ser positivos ou negativos. E, cabe a quem os analisa, propor medidas que maximizem aqueles de efeitos positivos e minimizem aqueles que apresentem efeitos negativos; sendo esses últimos objeto de grande preocupação. Mais detalhes sobre a avaliação dos impactos ambientais serão vistos no capitulo 4 - Elaboração do Estudo do Impacto Ambiental - deste módulo.

No Brasil a avaliação de impactos ambientais, apesar de ainda passar por um processo de adequação de metodologias, tem cada vez mais somado experiências, o que, com certeza, tem contribuído para o conhecimento da interrelação dos vários fatores ambientais; bem como no sentido de questionar, e assim, melhorar as metodologias de avaliação de efeitos sobre o ambiente; cabendo ainda lembrar que, muitas vezes, a inevitável modificação no ambiente por interferência humana, poderá gerar também impactos positivos. Entre os estudos de impacto ambiental no Brasil, cita-se alguns, como o caso da Hidrovia Tietê-Paraná; os estudos ambientais das grandes barragens, como a U.H.E Tucuruí, no Pará; a U.H.E Balbina, no Amazonas; a U.H.E. Xingó no Nordeste; os estudos de impactos ambientais causados pela abertura de linhas transmissão para essas mesmas usinas hidrelétricas; os impactos causados pela abertura e/ou asfaltamento de estradas, como no exemplo da BR-364 no trecho Mo Branco - AC a Porto Velho - RO; estudos de impactos da implantação de plataformas de exploração de petróleo no mar, como a Plataforma de Merluza, na Baía de Santos - SP; estudos de impactos ambientais para implantação de grandes projetos agrícolas, como no caso da Jari, no Pará, e da Fazenda Pio Cotia no Estado de Rondônia, etc.

Apesar de na situação atual ainda se conviver com incoerências na relação legislação/fiscalização, tem havido muita evolução na conscientização da necessidade de se mitigar os problemas ambientais advindos da ocupação de áreas sem uma capacidade de sustentação adequada; e, com isso, diminuir, por exemplo, a incoerência de se fazer assentamentos agrícolas em áreas totalmente inaptas para tal uso.

1) Como você define o impacto ambiental?

2) Considerando que os fatores ambientais são interligados, pode-se dizer que uma determinada atividade, por suas ações, provoca alterações no ambiente (impactos), que vão provocar novas alterações, ocorrendo um processo de alteração em cadeia, que na maioria das vezes provoca a degradação da qualidade do ambiente. Exemplifique esse processo com uma atividade que não seja a mineração.

3) Existe conscientização da necessidade da elaboração dos estudos de impacto ambiental? E na sua opinião, qual a importância da elaboração de tais estudos?

3 - O SOLO COMO UM COMPONENTE DO AMBIENTE

A evolução do solo deve ser entendida como um mecanismo integrador, na busca do equilíbrio que a camada superficial da litosfera apresenta, quando colocada em contato com a atmosfera, a hidrosfera e a biosfera. O produto desta interação se manifesta ao longo dos processos formadores, cujo resultado morfológico constitui o perfil do solo. À medida que os fatores de formação vão agindo com maior intensidade, a rocha se altera e origina um corpo natural que se diferencia cada vez mais da rocha de origem.

Um fator de formação do solo pode ser definido como um agente, uma força, condição ou "parentesco", ou uma combinação destes, que influencia, ou pode influenciar um material de origem do solo, com o potencial de alterá-lo (Buol et al., 1973).

Os solos não ocorrem por acaso, mas usualmente formam um modelo na paisagem, tão fortemente estabelecido que, no processo de formação, eles se desenvolvem como resultado do interrelacionamento de cinco fatores: material de origem, clima, organismos, relevo e tempo (Fitzpatrick, 1986), como pode ser observado em esquema na Figura 3.1.

Figura 3.1. Diagrama dos fatores de formação dos solos. Fonte: Buol et al. (1973) modificado.

Fatores e processos de formação de solos podem ser facilmente distinguidos.

Como já comentado previamente (Módulo I. Solos: Origem, Componentes e Organização - Andrade e Souza), os processos que operam no solo (adição, remoção, translocação, transformação), são responsáveis pela formação do solo; enquanto que os fatores, ao contrário, definem o estado do sistema solo. E, de acordo com Birkeland (1984), se houver um conhecimento preciso da combinação dos fatores que descrevem o sistema solo, pode-se predizer as suas propriedades. Dessa forma, uma mudança em um fator poderá mudar o solo resultante.

E, como foi proposto por Jenny (1941), a alteração dos fatores de formação do solo, pode ser entendida de acordo com a equação:

S = f (Mo; Cl; Org; R; T.) onde,

S = solo f = função de Mo = material de origem

Cl = clima Org = organismos R = relevo T = tempo

Conforme o que foi exposto, o solo pode ser entendido como um corpo que, apesar de não estar vivo, possui vida. Em outras palavras, o solo é a expressão de vários componentes do ambiente, e, na medida em que varia a combinação do grau de alteração dos componentes ambientais (fatores de formação), haverá uma variação na expressão final desses componentes.

De modo simplista, considerando para cada fator ambientar, classes de valores arbitrários, pode-se resolver a equação anterior.

Então, considerando o solo 1 (S1) e o solo 2 (S2) como uma função dos valores arbitrários abaixo, tem-se:

obtendo-se, assim, dois solos, onde os diferentes fatores de formação combinados em graus diferentes, desenvolveram o S1 = 107 que possui combinações diferentes do S2 = 5.

Infere-se então que a quantidade de tipos de solos existentes pode ser muito grande, e que as mudanças vão ocorrendo ao longo do tempo; sendo que sob determinados aspectos as mudanças podem ser muito rápidas, enquanto, em outros, essas mudanças podem demorar muito tempo.

Por exemplo: teor de N no solo muito variável; teor de areia pouco variável.

A titulo de situar cada fator de formação do solo no ambiente, será feita uma retrospectiva das suas principais características.

3.1. Fatores de formação dos solos

A importância relativa dos fatores de formação varia com a situação. Segundo

Birkeland (1984), desde o início da ciência do solo, entretanto, o tipo de rocha foi, geralmente, considerado o mais importante. Em seguida, trabalhos de cientistas russos, principalmente Dokuchaev, consideraram o clima como o mais importante e, muitos esquemas de classificação de solos foram então baseados no clima. Embora, no geral, o clima possa ser o fator de formação mais importante, quando da distribuição de solos no mundo, os outros quatro fatores são igualmente importantes na descrição da variação dos solos na paisagem.

3.1.1. Material de Origem

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