Cultivo da Ameixeira

Cultivo da Ameixeira

(Parte 2 de 8)

Os adubos fosfatados e potássicos, usados antes do plantio, devem ser aplicados por ocasião da instalação do pomar, preferentemente a lanço, e incorporados, no mínimo, na camada arável.

Tabela 1. Recomendação de adubação fosfatada e potássica, de pré-plantio, para a cultura da ameixeira em função da análise de P e de K no solo.

Interpretação de P e K no solo

Adubação fosfatada kg P2O3 ha-1

Adubação potássica kg K 2O ha-1

Muito baixo 90 100 Baixo 60 70 Médio 30 40 Suficiente 0 20 Alto 0 0

Recomendação de Adubação Nitrogenada de Crescimento

Durante a fase de crescimento das plantas, que vai desde o plantio das mudas até o terceiro ano, recomenda-se usar somente nitrogênio. Supõe-se que o P e o K, fornecidos por intermédio da adubação de pré-plantio, sejam suficientes até o momento em que as plantas entrem em plena produção.

Como a ameixeira tem necessidade de N praticamente constante durante todo o ciclo vegetativo, aliada à possibilidade de perda desse nutriente por lixiviação, recomenda-se fracionar a dose anual em três parcelas. As doses recomendadas, bem como as épocas, constam na Tabela 2. O adubo nitrogenado deve ser distribuído ao redor das plantas, formando uma coroa distanciada 20 cm do tronco, sob a projeção da copa.

Tabela 2. Recomendação de adubação nitrogenada de crescimento para a ameixeira.

Ano Grama de N/ planta Épocas 10 30 dias após a pega das mudas

Primeiro 10 45 dias após a primeira aplicação 10 60 dias após a segunda aplicação

20 Início da brotação

Segundo 20 45 dias após a primeira aplicação 20 60 dias após a segunda aplicação

45 Início da brotação

Terceiro 30 45 dias após a primeira aplicação 15 60 dias após a segunda aplicação

Fonte: Comissão (1995). Adubação da Manutenção

Quando as plantas entram em plena produção, os nutrientes e as quantidades a serem aplicadas devem resultar de uma análise conjunta dos seguintes parâmetros: análise foliar, análise periódica do solo, idade das plantas, crescimento vegetativo, adubações anteriores, produções obtidas e espaçamento.

A adubação nitrogenada de manutenção é feita parceladamente, em três épocas. A primeira (50% do total) é realizada no final do inverno (início do ciclo vegetativo anual); a segunda (30% do total), após o raleio dos frutos e a última (20% do total), cerca de um mês antes do início do período de dormência das plantas. Quando for recomendado o uso de adubos potássicos e/ou fosfatados, estes devem ser aplicados ao solo no início da brotação. Com o objetivo de se aumentar a eficiência do uso dos fertilizantes, recomenda-se aplicar os adubos quando o solo não estiver seco e incorporá-los logo após a aplicação, principalmente os nitrogenados.

Para a adubação de manutenção, o uso de uma tabela de adubação não representa um quadro ideal, já que, agindo-se dessa forma, todos os pomares seriam tratados de uma mesma maneira, o que não corresponde à realidade, pois suas condições nutricionais são distintas. Ao contrário, a análise foliar, por ser um método de diagnose e de recomendação de adubação que trata cada caso isoladamente, constitui-se no procedimento mais indicado.

Para a realização da análise foliar da ameixeira, devem ser colhidas folhas completas (limbo com pecíolo) da porção média dos ramos do ano, posicionados em altura facilmente acessível, sem o uso de escada, nos diferentes lados das plantas, entre a 13ª e 15ª semanas após a plena floração, independente se a amostra for de cultivar precoce ou tardia. No entanto, se acontecer que a época indicada para a coleta de amostra de folhas coincidir com o período de colheita dos frutos de alguma cultivar, ou após o mesmo, a tomada de amostra deverá ser antecipada de uma a duas semanas, de modo que a amostragem de folhas seja sempre feita antes da colheita dos frutos. Cada amostra deve ser composta de, aproximadamente, 100 folhas, podendo representar um grupo de plantas ou um pomar, dependendo da homogeneidade. Em pomares com mais de 100 plantas, porém homogêneas, deve-se coletar quatro folhas por planta em 25 plantas distribuídas aleatoriamente e representativas da área. Cada amostra relaciona-se a uma condição nutricional. Assim, folhas com sintomas de deficiência nutricional não devem ser misturadas com folhas sadias. Cada amostra deve ser constituída de folhas de plantas adultas da mesma idade e da mesma cultivar. Não devem se coletadas amostras de ramos ladrões, que não refletem o crescimento médio dos ramos do ano. As folhas que compõem a amostra devem estar livres de doenças e de danos causados por insetos e não devem entrar em contato com embalagens usadas de defensivos, fertilizantes etc. A amostra deve ser acondicionada em saco de papel comum perfurado e enviada ao laboratório o mais rapidamente possível, acompanhada do respectivo questionário. Caso o tempo previsto para a chegada da amostra ao laboratório seja superior a dois dias, sugere-se fazer uma prévia secagem ao sol, sem retirar as folhas do saco, até que elas se tornem quebradiças. Um sistema informatizado apresenta os resultados de análise em termos de concentração de nutrientes, interpretados em cinco faixas nutricionais em forma de gráfico. Isso possibilita aos produtores, os quais não têm conhecimento dos teores dos nutrientes que correspondem a cada faixa, visualizar o estado nutricional das plantas relativo à amostra. No rodapé do certificado de análise, são incluídas algumas sugestões, as quais não se constituem em recomendações definitivas. Estas, sim, devem ser de responsabilidade do técnico encarregado de orientar o pomar, o qual, de posse dos dados de análise foliar, de análise do solo e com o conhecimento das condições do pomar, terá, por certo, melhores condições para elaborar uma recomendação de adubação mais ajustada à realidade local.

Para a adubação dos pomares de ameixeira em cada uma das três etapas, não existem estudos que mostrem a superioridade de uma fonte de nutriente sobre a outra. Recomenda-se, portanto, a aplicação da fonte mais econômica, seja ela mineral ou orgânica.

Sempre que o produtor tiver disponibilidade de matéria orgânica, seu uso é desejável em substituição à adubação mineral, desde que economicamente viável.

Para a aplicação de uma mesma quantidade de nutrientes, usa-se maior volume de esterco em relação ao adubo mineral, devido à menor concentração no adubo orgânico. Além disso, grande parte dos nutrientes do esterco são encontrados na forma orgânica e necessitam ser mineralizados para se tornarem disponíveis às plantas.

Para se obter uma maior eficiência do fósforo e evitar perdas de nitrogênio por volatilização, os materiais orgânicos devem ser incorporados ao solo. Além disso, eles devem ser aplicados no dia do plantio ou próximo a ele, a fim de se evitarem perdas de N por lixiviação, já que parte deste elemento encontra-se na forma mineral Dificilmente as necessidades nutricionais da ameixeira são total e equilibradamente supridas somente com o uso de materiais orgânicos, pois a concentração de N, de P2O5 e de K2O nesses materiais difere muito das proporções comumente necessárias. Para se evitar a adição de nutrientes em quantidades superiores às exigidas, recomenda-se calcular a dose de adubo orgânico tomando por base o nutriente cuja quantidade for suprida com a menor dose.

Análise Visual do Pomar

A análise visual de um pomar é um valioso instrumento para o diagnóstico de deficiências ou de toxidez nutricionais. A deficiência indica uma condição aguda de falta de nutriente, já que os sintomas somente se evidenciam quando esta se encontra em estágio avançado, ocasionando, nesse caso, um retardamento do crescimento e prejuízos à produção e à qualidade dos frutos, entre outros problemas.

Quando a observação das folhas revela determinadas características, pode se suspeitar de uma deficiência nutricional. Tais padrões são mais ou menos específicos para cada nutriente. No entanto, os sintomas carenciais variam de acordo com a espécie, cultivar e fatores ambientais. Lamentavelmente, não são, ainda, conhecidos os sintomas carenciais para todos os nutrientes e culturas. Por vezes, acontece que os sintomas visuais de dois nutrientes são idênticos.

Quando os sintomas são bem conhecidos, esse método de diagnose nutricional, sem dúvida, é o mais rápido, fácil e barato que se conhece.

Com o objetivo de auxiliar os produtores de ameixa, são descritos, a seguir, os sintomas visuais de carência dos principais nutrientes, sendo que alguns são ilustrados por meio de fotografias.

Nitrogênio (N): Em razão da grande mobilidade do nitrogênio na planta, o que faz com que ele se transloque das folhas mais velhas para as mais novas, os primeiros sinais de carência são notados nas folhas maduras, localizadas mais próximo à base dos ramos. Nesse estádio, o sintoma corresponde a um amarelecimento das folhas basais. Persistindo as limitações no suprimento, a coloração amarela aumenta gradativamente, progredindo para as folhas da extremidade dos ramos.

Fósforo (P): Provavelmente devido à pequena necessidade de fósforo e pela capacidade da ameixeira extraí-lo do solo, mesmo em situações limitantes, os sintomas carenciais são difíceis de serem observados. No entanto, em mudas de ameixeira cultivadas em solução nutritiva da qual o P foi omitido, as folhas apresentam-se com uma coloração verde-escura, com uma concentração de 0,08%, interpretado como abaixo do normal.

Potássio (K): Com relação aos sintomas de deficiência de potássio, inicialmente, aparecem manchas necróticas ao longo de quase toda a borda do limbo, progredindo em direção à nervura central, sem, no entanto, atingirem toda a folha. Nesse momento, o teor foliar de K situa-se ao redor de 0,3%. Com a evolução da deficiência, as manchas necróticas situadas entre a nervura central e a margem do limbo destacam-se, deixando a folha perfurada. As bordas das folhas enrolam-se para cima, até tocarem-se, formando um cartucho característico (Figura 1). Na Figura 2 são apresentadas folhas de ameixeira com sintomas carenciais de potássio desde o surgimento até a situação mais aguda.

Do mesmo modo que ocorre com relação ao N, a carência de K também se manifesta, em primeiro lugar, nas folhas mais velhas, devido à mobilidade desse nutriente na planta. Em geral, uma planta deficiente em K desenvolve-se pouco, apresenta ramos finos e frutos pequenos com polpa pouco espessa. Convém lembrar a semelhança entre os sintomas foliares provocados pela carência de potássio (Figura 3) com aquele ocasionado pela Escaldadura das folhas da ameixeira (Xylella fastidiosa). Isto faz com que ambos sejam facilmente confundidos. A diagnose correta, nos dois casos, é feita por meio de testes de laboratório. A Embrapa Clima Temperado, tem à disposição dos produtores, um serviço que permite a identificação correta.

Cálcio (Ca): Em condições de pomar, dificilmente observam-se plantas de ameixeira com sintomatologia carencial de cálcio, porque mesmo em solos pobres, o teor desse elemento situa-se acima do nível crítico. Os sintomas de deficiência induzida experimentalmente caracterizam-se pelo murchamento de folhas e de ramos mais finos.

Com a evolução da deficiência, ocorre a paralisação do crescimento da parte aérea da planta. Devido à extrema imobilidade desse nutriente na planta, ocorre, a seguir, a morte das gemas terminais.

Magnésio (Mg): Quando há carência de magnésio, inicialmente, as folhas mais velhas apresentam manchas amarelo-palha na borda do limbo. Com o passar do tempo, elas evoluem para manchas necróticas, deixando o limbo perfurado, ocorrendo, também, queda das folhas. No momento em que os primeiros sintomas surgem, o teor foliar de Mg encontra-se em torno de 0,2%. Ocorre, também, uma clorose internerval ao redor da nervura central. Sob condições de campo, é bastante difícil a identificação dos sintomas carenciais agudos desse nutriente, já que a deficiência causa um intenso desfolhamento da planta, da parte basal para a apical dos ramos.

Zinco (Zn): O primeiro indício da deficiência de zinco é a clorose irregular, de coloração amarelo-pálido, entre as nervuras das folhas mais velhas. Há encurtamento dos entrenós e, em casos severos, estes tornam-se tão curtos, que há a formação de rosetas.

Cultivares

Observações fenológicas em plantas de coleções existentes na Embrapa Clima

Temperado, em Pelotas e Vacaria, no Rio Grande do Sul, bem como de pomares nesses municípios, permitem indicações quanto ao comportamento das diversas cultivares, ainda que preliminarmente.

Para regiões de clima semelhante ao município de Pelotas - RS, com aproximadamente 400 horas de frio hibernal, as cultivares que melhor comportam-se são: Amarelinha, Pluma 7, Reubennel, Irati, Letícia e Wade.

Para regiões de clima semelhante ao do município de Vacaria - RS, onde se verifica mais de 700 horas de frio hibernal, vem sendo destaques as cultivares diplóides (japonesas): Santa Rosa, Wade, Golden Japan, América, Methley e as hexaplóides (européias) D'Agen e Stanley.

Características das frutas de algumas das principais cultivares

Amarelinha: Película de cor predominante amarela com manchas vermelhas, com polpa amarela. Amadurece na segunda semana de janeiro. (Figura 4).

Foto: Luis Antônio Suita de Castro

Fig. 4. Cultivar Amarelinha

América: Película facilmente removível, amarga, fina, forte, vermelho intenso sobre fundo amarelo. Polpa amarela, muito densa, sucosa, doce acidulada, aromática. Apresenta grande flutuação na produtividade. Exigente em polinização cruzada para que ocorra frutificação. (5 B).

Fig. 5B. Cultivar América

Golden Japan: As frutas são de tamanho pequeno a médio, cordiforme, epiderme 100% amarela, medianamente firme e sabor regular. Amadurece entre o fim de dezembro e início de janeiro. (Figura 6).

Foto: Luis Antônio Suita de Castro

Fig. 6. Cultivar Golden Japan

Letícia: Película de cor vermelho vivo. Polpa amarela. Caroço solto. Resistente à bacteriose. Auto-incompatível.

Methley: Frutas de tamanho pequeno, muito precoce, epiderme 80 a 100% vermelha. Amadurece em princípios de dezembro.

Pluma 7: Frutas de tamanho médio a grande, epiderme 100% vermelha. A polpa é firme, 100% vermelho-escuro. A planta é altamente suscetível à bacteriose. Deve ser cultivada em locais de exposição norte, abrigados do vento. Amadurece em princípio de janeiro (Figura 7).

Foto: Luis Antônio Suita de Castro

Fig. 7. Cultivar Pluma

Reubennel: Epiderme amarelo-esverdeada com 10 a 20% de vermelho. A polpa é amarela, firme, doce levemente ácida e bom sabor. Amadurece em fins de janeiro. A planta é vigorosa, semi-aberta e suscetível à bacteriose. (Figura 8).

Foto: Luis Antônio Suita de Castro

Fig. 8. Cultivar Reubennel

Santa Rosa: Produz frutas de tamanho médio, redondas, com epiderme 100% vermelha. A polpa é firme, amarela, aromática e de muito bom sabor. A maturação ocorre no final de dezembro. (Figura 9).

Foto: Luis Antônio Suita de Castro

Fig. 9. Cultivar Santa Rosa

Wade: Epiderme 100% vermelha e firmeza média. A polpa é amarelo-avermelhada. Amadurece em meados a fim de dezembro.

D'Agen: Epiderme roxa-clara, pruinosa e atrativa. Polpa amarela, firme, massuda, doce, muito bom sabor. Amadurece na segunda quinzena de janeiro. Polinizadora: Sugar, Imperial Epineuse ou President. Pertence ao grupo das ameixas européias, sendo muito exigente em frio hibernal. (Figura 10).

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