Mapeamento do uso da terra no municipio do Conde-PB

Mapeamento do uso da terra no municipio do Conde-PB

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Francisco das Chagas de L.Gomes 1 1 Universidade Federal da Paraíba – UFPB/CCA/DSER/LSR

CEP: 58.397-0 – Campus I, Areia - PB, Brasil. Nível do Trabalho: mestrado

E-mail: Chagaslgomes@Yahoo.com.br

RESUMO - O mapeamento do uso da terra atualizado é de fundamental importância para a compreensão da organização dos padrões espaciais, devido ao acelerado processo de ocupação pela população para atender a sua crescente expansão. A utilização da técnica de sensoriamento remoto e geoprocessamento surgiu como uma alternativa viável de se ter uma visão precisa do mapeamento do uso da terra, pois fornece uma gama de informações de forma rápida e atualizada, e a um baixo custo. O município do Conde-PB está situado na Microrregião geográfica de João Pessoa, localizado entre as seguintes coordenadas geográficas: 7° 1’ 48” e 7° 23’49” de latitude sul, 34° 47” 35” e 34° 57”25” longitude Oeste, ocupando uma área de 174 Km2. O estudo envolveu a utilização de cartas topográficas da SUDENE, mapa Municipal Estatístico do Conde-PB do IBGE, levantamentos com GPS (Sistema de Posicionamento Global), e imagem do satélite LANDSAT 7 ETM+ obtida no ano de 2001 além de visitas ao campo, onde foram feitos os ajustes das unidades de mapeamento para a confecção da legenda e mapa final, com o objetivo de identificar e extrair as informações que foram analisadas e processadas através da manipulação de técnicas de processamento (leitura, registro, realces), e classificação supervisionada da imagem utilizando o software Spring versão 4.1 desenvolvido pelo INPE, para o estudo do planejamento local e utilização racional dos recursos disponíveis. A estimativa da exatidão total registrada foi de 87%. Considerando a técnica de geoprocessamento como a melhor ferramenta de interpretação e identificação, os resultados apresentados foram divididos em sete classes de uso da terra: 1 – Agricultura e pastagens; 2 – Mata secundária; 3 – Vegetação de Tabuleiro; 4 – Cana e bambu; 5 – Mangue; 6 – Área urbana e solo exposto; 7 – Corpos d’água. Os resultados apresentados mostraram a delimitação e descrição de sete unidades de uso da terra, caracterizando que as classes de maior representatividade, em percentuais de ocupação foram: Mata secundária (28%), Agricultura e Pastagens (26%) e Vegetação de Tabuleiro (2%), sendo que se encontram muito alterada pela atividade antrópica, e representam aproximadamente 76% da área total de estudo se compara com as demais classes identificadas.A classe Corpos d’água apresentou menor índice percentual de cobertura (1,41%) da área de estudo.

1.Introdução

A agropecuária constitui-se em uma importante atividade econômica para a população no mundo atual e neste contexto podemos apontar como sendo a utilização da terra expressão funcional da organização do espaço rural. Haja vista as dificuldades ocasionadas nas inadequadas formas predominantes de utilização da terra assim como a falta de planejamento compatível com os recursos disponíveis.

Nesse sentido, o uso da terra de forma inadequada, vem provocando continuamente a degradação dos recursos naturais causando sérios danos que em alguns momentos são quase irreversíveis, tanto no que condiz com a queda dos rendimentos na agropecuária da região como ao meio ambiente enquanto sistema dinâmico.

O planejamento adequado do uso da terra é essencial, assim como, as informações de conhecimento da distribuição e das condições do solo, incluindo suas limitações e a determinação dos meios adequados para seu melhor aproveitamento.

Para tentar resolver esses problemas torna-se necessário dimensionar espacialmente o planejamento das peculiaridades geo-econômicas de parte da região, sendo que no caso que será visto daqui por diante será referente ao litoral paraibano. O dimensionamento com os levantamentos de campo convencionais tornam-se onerosos e desgastantes enquanto serviço especializado além de demandar um longo tempo para sua realização.

O mapeamento do uso da terra atualizado é de fundamental interesse para a compreensão da organização dos padrões espaciais, assim sendo, como por exemplo, as florestas ainda ocupam uma área representativa, apesar do acelerado processo de desmatamento, que se encontra em diferentes níveis de degradação, devido ao uso inadequado do uso da terra, e em função do crescente aumento populacional da região, o que torna cada vez mais intenso para atender a crescente necessidade de expansão, tendo como efeito à ocupação desordenada causando a deterioração do meio ambiente local/regional.

O município do Conde apesar de vizinho cuja cidade encontra-se quase conurbada com a cidade de João Pessoa, sendo essa eminentemente urbana com predomínio no setor de serviços e também com muitas indústrias, no entanto a base econômica efetiva do município do Conde tem a sua principal arrecadação de tributos do sistema produtivo ligado a terra. A partir dessas observações surge o questionamento de quais os elementos naturais e antropotizados que estão fazendo parte do cenário territorial do município do Conde no litoral paraibano? Tendo esse enunciado um sentido de provocação na busca de respostas efetivas, inicialmente nos propusemos a estabelecer afirmativas que servirão de base hipotética e assim balizar a pesquisa, cujo objetivo geral fica firmado que o interesse está embutido no problema em que é de interesse se compreender a constituição da paisagem natural e antropizada do cenário territorial contido no município do Conde no Estado da Paraíba.

1. OBJETIVO GERAL

• Analisar o processo de ocupação do uso da terra no município do Conde-PB, na perspectiva de compreender a sustentabilidade dos recursos naturais, utilizando sensoriamento remoto e sistemas de informação geográfica.

2.1 - OBJETIVOS ESPECÍFICOS

• Identificar as principais características do relevo, clima, rede de drenagem e cobertura vegetal no município do Conde-PB, com a finalidade de avaliar a realidade atual da paisagem natural.

• Verificar através das técnicas utilizadas se os princípios de desenvolvimento sustentável estão compatíveis com o atual modo de ocupação de uso da terra.

• Interpretar a imagem do satélite Landsat 7 para obter o mapa de uso da terra do município do Conde-PB.

• Quantificar dados atuais da paisagem e o modo atual de uso da terra com vistas à delimitação da área homogênea para o planejamento local e utilização racional dos recursos disponíveis.

2. Revisão bibliográfica

Novo (1992),define Sensoriamento Remoto como sendo a utilização conjunta de modernos sensores, equipamentos para processamento de dados, equipamentos de transmissão de dados , aeronaves, espaçonaves etc., com o objetivo de estudar o ambiente terrestre através do registro e da análise das interações entre a radiação eletromagnética e as substâncias componentes do planeta terra em suas mais diversas manifestações.

Por sua vez, no esquema conceitual, do sensoriamento remoto a fonte, o sensor e o alvo estão agrupados e complementam-se a partir da radiação eletromagnética (REM) que é o elemento de ligação entre todos os componentes, e assim a REM têm como fonte o sol, a terra, e as antenas do sensor.

O sensor é um instrumento capaz de coletar e registrar a REM que é refletida ou emitida, e o alvo é o elemento do qual se pretende extrair as informações. Assim, neste sentido é que se encontram nestes recursos uma interação da REM com o meio físico, ou seja, em um modelo corpuscular (ou quântico) e a REM é concebida como o resultado da emissão de pequenos pulsos de energia. No modelo ondulatório a REM se propaga na forma de ondas formadas pela oscilação dos corpos eletrico e magnético.

Os sensores atualmente disponíveis, podem ser classificados segundo vários critérios

(Novo, 1992): quanto à fonte de energia , quanto à região do espectro em qe operam e quanto ao produto final obtido da transformação sofrida pela radação detectada.

Segundo Rosa (1995) o tamanho da extensão territórial do Brasil e o pouco conhecimento dos recursos naturais, aliados ao alto custo para a obtenção das informações utilizando métodos convencionais, influíram decisivamente para o país entrar programa de sensoriamento remoto por satélite.

Uma série de estudos morfométrios, antes realizados a partir de dados estraídos de cartas topográficas, passaram a ser feitos com base em dados de sensoriamento remoto, ou seja, nas imagens coletadas por sensores remotos Novo (1992).

Para Coutinho (1997) o surgimento das imagens de satélite possibilitou, além da criação de um nível de percepção mais global, complementar as fotográfias aéreas e os levantamentos de campo, com a obtenção de informações radiométricas digitais de grandes extensões da superfície terrestre.

Para Luchiari(2001), o sistema Landsat e Spot, foram colocados no nível orbital com finalidade de gerar imagens, daí proverem uma série histórica de dados, além de permitirem a representação do terreno em épocas diferentes, também possibilitando a dinâmica de um fenômeno em vários intervalos, e oferecendo subsídios na elaboração de diagnósticos, e nas tendências das futuras ações em uma determinada área.

A utilização de imagens de satélites tornaram-se de fundamental importancia na agricultura, onde é possivel avaliar uma vasta gama de informações, que vai desde o mapeamento do uso da terra, divisão das propriedades rurais, até na previsão de safras.

Os levantamentos do meio físico desempenham um excelente papel no fornecimento de dados, para diagnosticar a exploração dos recursos naturais, uso da terra e atualização de mapas.

Segundo a EMBRAPA(2004) atualmente o único satélite da série Landsat em operação é o Lansat 5. O Landsat 7 foi lançado em abril de 1999,sendo a última atualização e encerrou em 2003, utilizando o sensor ETM+ (Enhaced Thematic Mapper Plus). Este instrumento ampliou a capacidade de uso, porque manteve alta resolução espectral e conseguiu ampliar a resolução espacial da banda 6 para 60 m. além de incluir a banda pancromática com 15 m de resolução.

No Brasil, a antena da estação de recepção do INPE está localizada em Cuiabá-MT que capta e registra as imagens dos sensores do Landsat desde os anos 70 para todo território brasileiro, representando um importante acervo de dados para o nosso país.

3. Materiais e métodos

A área de estudo localiza-se na região geográfica do litoral paraibano na mesorregião da mata paraibana que pertence à microrregião de João Pessoa,(Cartograma 1) no compartimento geomorfológico denominado por Carvalho(1992) de Baixo Planalto Costeiro e de Planícies Aluviais.

• Geologia e solos O município do Conde compreende a zona fisiográfica de “Litoral e Mata” estando inserido na faixa descrita por Molion e Bernardo (2002), como costeira do ENE estendendo-se do Rio Grande do Norte ao Sul da Bahia que, de acordo com a cronologia geológica, essas formações estão incluídas em dois tipos de unidades geológicas: 1. holoceno -formação que é representada por uma faixa estreita do litoral, constituída de praias, dunas, restingas, terraços litorâneos, mangues, recifes de coral e arenito. As praias, dunas, restingas e terraços litorâneos são constituídos por sedimentos arenosos quartzosos marinhos não consolidados. Estes sedimentos constituem o material de origem dos seguintes solos:

• Neossolos*(Areia Quartzosas Marinhas Distróficas e Eutróficas). • Neossolos*(Areias Quartzosas Marinhas Distróficas (Dunas));

• Espodossolos*(Podzol Hidromórificos).

Nas áreas de embocaduras dos rios, a diminuição da corrente favorece a deposição de finos sedimentos, dando origem ao aparecimento de terrenos alagadiços e pantanosos, conhecidos como mangues. Estes sedimentos são geralmente argilosos - siltoso em mistura com detritos orgânicos e dão origem a unidade de Solos Indiscriminados de Mangue textura indiscriminada.

As várzeas são constituídas de sedimentos aluviais não consolidados de natureza variada. Nestes sedimentos desenvolveram os seguintes solos:

• Neossolos* (Solos Aluviais Eutróficos) textura indiscriminada; • Neossolos* (Solos Gley Distróficos Indiscriminados) textura indiscriminada;.

• Organossolos*(Solos Orgânicos Indiscriminados).

2. Terciário – Esta formação é representada pelo Grupo Paraíba, constituído de sedimentos pouco consolidados, de estratificação predominantemente horizontal, apresentando sedimentos areno-argilosos, argilas, intercalando muitas vezes com camadas de seixos rolados e concreções lateríticas. Estes sedimentos constituem materiais originários das seguintes classes de solos:

• Luvissolos*(Latosol Vermelho Amarelo Distrófico) textura média: • Luvissolos*(Podzólico Vermelho Amarelo) com fragipan textura média;

• Podzólico Vermelho Amarelo variação Acinzentado com fragipan textura indiscriminada;

• Podzólico Vermelho Amarelo com A proeminente abrúptico com fragipan textura argilosa;

• Podzólico Vermelho Amarelo Equivalente Entrópico abrúptico com fragipan textura argilosa;

• Podzol Hidromórfico;

• Areias Quartzosas Distróficas. • Clima

De acordo com a classificação de Koppen, o município do Conde-PB está situado na área do tipo de climático: tropical quente-úmido com chuvas de outono-inverno – (As’). As precipitações pluviométricas varia em torno de 1500 m ao ano. As temperaturas variam muito pouco durante o ano, as médias termicas anuais são bastantes elevadas, em torno de 25 graus centígrados e a umidade relativa do ar fica em torno de 80%.

• Vegetação

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