Rosangela Pires dos Santos - Psicologia Aplicada a Educação Fisica

Rosangela Pires dos Santos - Psicologia Aplicada a Educação Fisica

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Profª. Rosângela Pires dos Santos

Psicologia aplicada à Educação Física

Profª. Rosângela Pires dos Santos

Psicologia aplicada à Educação Física

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ISBN 85-87916-05-X

Universidade Castelo Branco

Psicologia aplicada à Educação Física Curso: Educação Física - 3º período

Autora: Rosângela Pires dos Santos

Gestalt terapia
Bioenergética
Disfunções Sexuais
Hipnose Clínica e Médica
Programação Neurolingüística.

¾ Psicóloga ¾ Especializações: Terapia Cognitivo –Comportamental ¾ Mestre em Ciência da Motricidade Humana

¾ Doutoranda em Psicologia, Saúde, Educação e Qualidade de

Vida. ¾ Professora Universitária na Universidade Castelo Branco

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I . Psicologia do Corpo e do Movimento03
1.1. A pessoa una e bipolar03
1.1.1. Simultaneidade03
1.1.2A Visão Bipolar é Sistêmica...................................................... 04
1.1.3É preciso Corpo para entender a Mente.................................. 04
1.1.4É preciso Mente para entender o Corpo.................................. 05
1.2. O indivíduo e seu corpo05
1.2.1. Expressão da unicidade da pessoa05
1.2.2. Projeto de treinamento sob medida05
1.2.3.O Limite físico da personalidade06
1.2.4. O Território da liberdade subjetiva07
1.2.5. A Estruturação da autenticidade e da criatividade07
1.2.6. Manifestação da presença e da influência da pessoa08
1.3. Movimento: expressão do ser08
1.3.1. A expressão dinâmica do corpo, no ambiente significativo08
1.3.2. A Atividade intencional para atingir os objetivos do corpo10
1.3.3. O Instrumento para o desenvolvimento do corpo10
corpo1
1.3.5. Uma função para equacionar os problemas do corpo1
1.3.6. Um diagnóstico da saúde do corpo13
I. Introdução à Psicologia aplicada ao Esporte13
2.1. História da psicologia aplicada ao esporte14
2.1.1. Psicologia do esporte nos EUA14
2.1.2. Psicologia do esporte no Leste Europeu15
2.1.3. Psicologia do esporte no Brasil15
2.2. Importância da psicologia aplicada ao esporte19
I. Variáveis do sujeito que interferem no rendimento desportivo20
3.1. Ansiedade20
3.2. Motivação21
3.3. Estilo Atribuicional23
IV. Treinamento Psicológico para o Esporte24
4.1. Conceito de treinamento psicológico24
4.2. Formas de treinamento psicológico25
Esporte26
4.2.1.1. Técnicas Somáticas26
4.2.1.2. Técnica de respiração profunda de Lindermann26
4.1.2.3. Treinamento Reflexo de Tranqüilidade27
4.1.2.4. Técnica Becker27
4.1.2.5. Técnica de Michaux27

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I . Psicologia do Corpo e do Movimento

A visão cartesiana na qual o corpo e a mente do ser humano são definidos como fenômenos separados perdura até os dias atuais.

Ao se pensar o homem a partir de uma visão holística, percebe-se que a dicotomia corpo e mente pode ser considerada um engano dualista.

A psicofisiologia assim como a medicina psicossomática vem corroborar com esta visão holística do ser, quando admite que a mente é capaz de causar a degeneração de um órgão através do pensamento negativo acumulado nele.

1.1. A pessoa una e bipolar

Segundo Feijó (1998), a teoria bipolar da personalidade é monista. Afirma que a essência de toda a realidade é uma só: a energia.

A base ontológica da Teoria Bipolar: a realidade é um contínuo energético.

A matéria prima de todas as formas e expressões da realidade é definida como energia.

Para a teoria bipolar da personalidade mente e corpo são basicamente dois pólos da mesma realidade. Não existe uma hierarquia qualitativa entre um e outro pólo; uma vez que ambos são essenciais.

A Estrutura humana bipolar admite que a pessoa tem uma só essência que se organiza em dois pólos: 1. Corpo Î Pólo energético de maior massa 2. Mente Pólo energético de menor massa Mas qual causa o que? Se corpo e mente têm a mesma natureza, nenhum causa o outro, porque eles agem simultaneamente.

É preciso que o treinador atlético tenha cuidado para não cair no reducionismo e acreditar que o preparo físico é a causa única do bom rendimento nos jogos, negando a importância do preparo mental.

1.1.1. Simultaneidade

Todas as experiências da personalidade são vivenciadas simultaneamente pelo corpo e pela mente. Cada experiência mental é acompanhada de maneira simultânea, por uma experiência física e vice-versa. Existem vantagens neste conceito de simultaneidade, quais sejam:

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Terapêutica: Médicos e psicólogos da Psicossomática vem propondo cada vez mais a terapia em equipes. Pesquisas de psicologia e medicina esportiva demonstram que a recuperação do atleta contundido não depende apenas da extensão “médica”. Mas sim de como o atleta percebe sua contusão. Da postura do atleta ao responder suas próprias perguntas dependerão suas emoções como medo ou coragem; seu comportamento em seguir fielmente ou não seu tratamento; seus planos futuros: perderei meu contrato?, minha performance continuará a mesma?

Na terapia do contundido, os terapeutas de corpo devem atuar, ao mesmo tempo, como terapeutas da mente.

Didática: O processo de aprendizagem é psicofísico. Somente se aprende aquilo que é significativo ao próprio universo de necessidades e valores. Quando um assunto vai ao encontro de nossas necessidades físicas e emocionais, o organismo todo se mobiliza para receber a comunicação e introjetá-la na personalidade. Basta que nossa percepção pessoal avalie o tema como “interessante”, para que todo o processo fisicopsíquico de receptividade aconteça: a audição fica mais acurada, os músculos se descontraem, os hormônios que favorecem os processos relacionais são produzidos e distribuídos, a eletricidade e a química das relações sinápticas se otimizam.

Caso contrário o atleta, ou educando, mobiliza uma postura física e emocional de bloqueio.

O bom comunicador descobre as multidimensões da motivação e envia mensagens para o corpo e a mente do interlocutor.

1.1.2. A Visão Bipolar é Sistêmica.

Numa visão sistêmica o bom funcionamento do todo depende do êxito de cada subsistema.

Numa visão holística o que faz sentido é o conjunto integrado, ele sim é significativo.

Corpo e Mente constituem a bipolaridade do contínuo energético. O ser humano é parte da realidade côsmica. Costumamos dizer que o ser humano tem energia, quando na verdade ele é energia.

1.1.3.É preciso Corpo para entender a Mente.

O Corpo é parte necessária do processo cognitivo. A Psicomotricidade funciona como facilitadora entre Educação Física e Educação Intelectual.

O Professor que aprende a ler as mensagens do corpo, sabe detectar na sala de aula cansaço, entusiasmo, dinamismo, stress etc. Pode criar uma didática

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1.1.4. É preciso Mente para entender o Corpo

O cuidado com a mente não deve ser visto como uma atividade periférica e secundária, quando se trata da funcionalidade do corpo. Uma boa prova disto foi a criação de Simonton (1987), ao desenvolver a psicoterapia do câncer.

1.2. O Indivíduo e seu Corpo

A teoria bipolar afirma: “minha pessoa é meu corpo”. É uma proposta de uma psicologia do corpo, do movimento e do esporte. Propõe uma psicologia holística do corpo.

1.2.1. Expressão da unicidade da pessoa.

Cada personalidade é uma entidade única. A tendência da sociedade é a padronização das individualidades através da massificação do consumo igualando a todos. Um bom exemplo é a moda que impinge um mesmo estilo para todos. Os meios de comunicação não divulgam as diferenças individuais. A instituição educacional se ocupa do nivelamento social, priorizando a reprodução de modelos tradicionais, onde os criativos não são premiados.

Contudo, a simples observação do corpo das pessoas demonstra a realidade das diferenças individuais na unicidade da pessoa: ¾ Cada corpo é único

¾ Cada mente é única

A unicidade da pessoa respeita a individualidade e as necessidades pessoais

¾ Cada personalidade é única do indivíduo.

No treinamento desportivo a unicidade do atleta nos ensina a improdutividade das receitas técnicas pré-fabricadas e endereçadas indiscriminadamente a todos os atletas.

1.2.2. Projeto de treinamento sob medida

• Levantamento somático do atleta; • Conhecimento aprofundado da personalidade do atleta;

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• Conhecimento de seus valores pessoais e sociais, seus medos e convicções, sua história de vida.

1.2.3.O Limite físico da personalidade

Existem duas dimensões físicas que limitam o ser humano : Tempo e Espaço

O TEMPO ou Dimensão temporal, é o limite da duração. Nosso tempo realmente significativo é de natureza psicológica. O tempo psicológico pode nos deixar impacientes e gerar ansiedade ou frustração.

No treinamento Desportivo, um dos desafios relacionados com o tempo é a impaciência com a preparação física. O preparo físico pode e deve ter relacionamento também com o aqui e agora do atleta. O condicionamento físico, também pode ser conseguido através de estratégias significativas no momento presente, não sendo necessário mostrar as enormes vantagens “daqui a algum tempo”.

Uma qualidade didática, pode ser o resultado do uso criativo do tempo. A personalidade amadurecida se realiza adequadamente enquanto corpo, respeitando o tempo próprio dos seus ritmos naturais.

física chamada “meu corpo”

O ESPAÇO ou Dimensão Espacial é o limite da extensão geográfica. O limite físico começa no nascimento. Ao separar-se do corpo da mãe o indivíduo começa com a experiência da individualidade física, através das sensações e percepções, do tipo “eu sou”, que sempre acontecem dentro de uma demarcação

É através do corpo que se torna possível expressar e comunicar as experiências. A auto expressão do corpo e da mente se faz através de um equipamento físico, que inclui pele, voz, órgãos do sentido, nervos, músculos, posturas e gestos.

Do ponto de vista meramente físico, a personalidade atinge até os limites de extensão do corpo. Com as mãos, a personalidade atinge pessoas e coisas, tocando, segurando, protegendo, agredindo, acariciando. Atinge pontos mais distantes utilizando a locomoção das pernas.

O conhecimento da estrutura do corpo e seus recursos potenciais, suas fragilidades e limites, suas necessidades e sua dinâmica, tudo isso aponta para o modo de ser e comportar-se da pessoa.

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1.2.4. O Território da liberdade subjetiva

O corpo é o território da objetividade, local concreto dentro do qual o ser existe. Mas, também, território da subjetividade, porque o sujeito que eu sou identifica-se com o meu corpo.

Não se deve dizer tenho um corpo mas, sou um corpo. No esporte individual, o corpo vivencia a solidão do próprio eu. No esporte coletivo o atleta vivencia mais intensamente a competição inter territorial, característica da vida em sociedade. O exercício da liberdade é uma atividade psicológica da subjetividade no interior do corpo.

O fato de exercitar uma opção, o atleta destroi a fantasia da onipotência, que é a fantasia de que se pode fazer tudo aquilo que se bem entende. Ao exercitar sua liberdade , fazendo uma livre escolha, o atleta toma consciência da realidade de sua “limitação” pessoal. De sua limitação mental, de sua limitação física. Viver livremente é agir limitadamente. Ser limitado é ser especializado.

1.2.5. A Estrutaração da autenticidade e da criatividade

Ser autêntico é assumir positivamente a própria maneira física e espiritual de ser, procurando viver de uma forma coerente com a própria estrutura humana. São partes integrantes da autenticidade pessoal: a necessidade de auto-expressão e de auto-realização.

A não-autenticidade prejudica o corpo e a mente. Daí a necessidade de se formarem professores aptos, que estimulem o educando a se envolver em um processo de auto-descoberta. A idéia é encorajar cada aluno a amar a si mesmo, a respeitar seu próprio modo diferente de ser, aceitar seu modo peculiar de agir. Sem pedir desculpas a ninguém. Sem esconder sua genuinidade.

A proposta aqui lida com criatividade, associa o criativo com o autêntico.

Ser criativo é aquele que não fica repetindo o modelo dos outros, basta respeitar a própria genuinidade para ser criativo.

Cada professor deve valorizar as diferenças individuais dos alunos, ensinando-os a equacionar seu modo pessoal de pensar e de agir com as maneiras tradicionais de resolver os problemas que fazem parte do ensino.

No treinamento desportivo as “jogadas ensaiadas” só funcionam quando as circunstâncias do jogo ensaiado se repetem, literalmente, no dia da competição. Uma pequena mudança dos fatores e o ensaio vai por água abaixo.

Cada atleta se transforma em uma espécie de treinador associado, preparado para modificar o plano geral do jogo.

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1.2.6. Manifestação da presença e da influência da pessoa

O corpo é a manifestação da presença da pessoa. O corpo é a pessoa, enquanto manifestação concreta.

De início, o treinador terá que naturalmente usar a presença do seu corpo, para transmitir aos atletas sua filosofia do esporte e sua visão tática do jogo.

Na medida em que a influência da pessoa vai-se desvinculando do polo do corpo, a influência da pessoa vai depender cada vez menos da presença do corpo.

As negatividades da personalidade do treinador, que foram transmitidas através do corpo presente, causa influência negativa, estas negatividades serão até ampliadas, quando a influência não contar com o policiamento da presença.

A influência do líder vai depender das características individuais de energia das pessoas com quem o corpo-mente se interrelacione. Para entender adequadamente a qualidade e a intensidade da influência causada por uma pessoa, impõe-se conhecer bem os traços e as qualidades do transmissor da energia, bem como as qualidades e os traços dos receptores da energia.

O rendimento do treinador é maior, quando a maioria dos atletas aceita alegremente sua orientação

O treinador tranqüilo que acredita que ser bom profissional implica em ser humano, conseguirá transmitir toda a sua programação tática no desenrolar dos treinos, contando com a colaboração voluntária dos jogadores.

1.3. Movimento: expressão do ser

1.3.1. A expressão dinâmica do corpo, no ambiente significativo

O movimento sempre tem uma finalidade, sempre surge após uma avaliação subjetiva de significado. Movimento é um dos instrumentos, usado pelo corpomente, para responder coerentemente ao significado convencionado. A mesma experiência pode originar diferentes tipos de comportamento, dependendo do significado atribuído pelo indivíduo.

Os fatores que mais pesam na elaboração do significado são: a qualidade e a intensidade das necessidades pessoais. Existem algumas necessidades nas personalidades que são universais:

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1. Auto-expressão: quando o indivíduo tem a possibilidade de se expressar, o ambiente torna-se significativo para ele o que lhe possibilita uma melhor assimilação dos conteúdos.

No Treinamento Desportivo o treinador ao elaborar seu plano de treinamento deve buscar estratégias que permitam que cada atleta expresse seu próprio estilo de jogo.

2. Auto-realização: eficaz é aquele que atinge seus objetivos preestabelecidos, com o máximo de rendimento e o mínimo de investimento de energia.

Cabe ao treinador e/ou professor, conhecer o alvo dos seus atletas e/ou alunos. Existem alvos que não são realistas, os treinadores e/ou professores podem ajudar seus atletas e/ou a fazer reavaliações de suas metas individuais.

3. Necessidade pessoal de trabalhar direito: é fazer bem as coisas que se considera importantes e significativas.

O caminho é detectar as coisas que os indivíduos consideram importantes e criar condições para que essas coisas sejam realizadas e de forma que não desperdice esforços.

4. Necessidade gregária, necessidade social: é o espírito de equipe, desenvolvido em relação ao grupo com o qual o indivíduo se identifica e considera importante.

detalhescomo a marca do cafezinho ou da chuteira. A identidade do grupo é o

O que mais caracteriza a identidade de um grupo não são os pequenos resultado de integração de qualidades mais amplas e profundas, como: tipo de liderança, respeito aos membros, condições de trabalho, perspectivas de progresso, retribuição ao investimento individual, compreensão, ajuda mútua etc. São estas qualidades que devem ser trabalhadas pelos líderes, pois são elas que fazem dos grupos, comunidades desejáveis.

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