Psf - territorialização

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Territorialização

TERRITORIALIZAÇÃO: BASE PARA A ORGANIZAÇÃO E PLANEJAMENTO EM SAÚDE

“Para reconhecer seu território de responsabilidade para além da paisagem, não basta a equipe da unidade de saúde o olhar desarmado, que não ultrapassa a superfície dos fenômenos. Recomenda-se a aproximação com o olhar do antropólogo, que procura ativamente estranhar o que lhe é familiar e familiarizar-se com o que lhe é estranho” (CHIESA; KON, 2007 p. 313)

Territorialização e Planejamento

  • Produto e meio para a descentralização das ações de saúde – aproximar e adequar ações e recursos das necessidades e do perfil epidemiológico das diferentes regiões.

  • A definição e analise do território constitui-se a base para o trabalho das equipes de saúde da família que devem: cadastrar as pessoas dentro das famílias e mapear riscos, indicadores de saúde, morbidade e mortalidade e potencialidades dentro dos territórios nos quais atuam;

  • Apreender as potencialidade presentes e o perfil das necessidades a serem trabalhadas para a transformação da realidade de saúde local;

  • Duas vertentes

    • Base territorial que visa o reconhecimento do território como área física, considerando suas barreiras geográficas, os dificultadores e facilitadores para o acesso aos serviços de saúde;

    • Base humana onde as relações, as formas de produção são determinantes do perfil desse território.

  • Responsabiliza-se dessa forma pelos resultados na produção em saúde;

Objetivos da territorialização em saúde

  • Delimitar um território de abrangência;

  • Definir a população favorecida e apropriar-se juntamente com ela do perfil da área e da comunidade;

  • Reconhecer dentro da área de abrangência barreiras e acessibilidade;

  • Conhecer condições de infra-estrutura e recursos sociais;

  • Levantar problemas e necessidades, definido um diagnóstico da comunidade (continuo);

  • Identificar o perfil demográfico, epidemiológico, socioeconômico e ambiental;

  • Identificar e assessorar-se em lideranças formais e informais;

  • Potencializar os resultados e os recursos presentes nesse território (SES, SP).

Operacionalização da Territorialização

  • As várias dimensões da realidade de um espaço/território muitas vezes possibilitam o estabelecimento de correlações entre determinantes e seus efeitos. Deve-se dessa forma captar o movimento do território. Deve-se captá-lo não como uma fotografia mas como um filme.

  • O reconhecimento do território com seu perfil poderá evitar transtornos futuros e facilitar a aplicação de estratégias de atenção e cobertura.

  • Primeiro passo: o reconhecimento do território através de visita. Deve ser previamente sistematizada de modo que permita a identificação de barreiras geográficas, áreas de risco, equipamentos sociais públicos ou privados, organizações não governamentais, empresas, espaços de lazer, etc.

  • Segundo passo: relacionar o número de equipes ou profissionais de saúde, definir, conforme perfil de práticas e ofert de serviço, a capacidade de atendimento da unidade, sendo essa ação a base para a definição do território de abrangência, do número de domicílios cadastrados ou de usuários a serem atendidos no serviço.

  • Cadastramento seguindo a lógica circular, tendo por base os critérios censitários prévios. A unidade deve constituir-se o centro desse território. Evitar conflitos e futuros e facilitar ações extra muros. Considerar aspectos como divisa com outros bairros ou município, habitantes por gênero ou ciclo de vida, atividades econômicas , pavimentação, ladeiras , córregos etc.

  • Estar atendo a progressão demográfica. O território está em movimento. Deve-se destacar áreas desocupadas. Consultar moradores e órgãos públicos sobre projetos e ocupações. Evitar incapacidade de atendimento futuro.

  • Considerar áreas de influencias e futuras pactuações com unidades próximas. Respeitar a Universalidade.

  • Delimitar a área em um mapa base que poderá ser obtido por meio de um guia de ruas.

  • Cada cópia do mapa deve constituir uma base para a demarcação como: delimitação do território, área de abrangência e influencia, área e/ou micro áreas de risco, equipamentos sociais públicos e privados.

  • Envolvimento da equipe e comunidade.

  • É a base de informações para a construção do perfil epidemiológico.

Diagnóstico da comunidade

  • O diagnóstico epidemiológico deve considerar o perfil de morbidade – incidência e prevalência das doenças, fatores de risco relacionados, incapacidades e internações.

  • O perfil socioeconômico deve contemplar as condições de moradia, hábitos, contumes, estilos de vida, atividades econômicas, renda, escolaridade, crenças reiigiosas, meios de comunicação e transporte, lazer, participação em grupos, etc.

  • Perfil sanitário e do meio ambiente: o saneamento básico, água, esgoto destino do lixo, presença de águas contaminadas, esgotos a céu aberto, foco de vetores, poluição do ar, radioatividade, agrotóxicos, radiação eletromagnética.

  • As necessidades será definido no decorrer do trabalho e a partir do envolvimento com a comunidade através do cadastro e visitas.

Identificação do perfil dos equipamentos instalados

  • Escolas, igrejas, associações, unidades com programa de entrega e doação de leite, ONG´s, etc.

  • Conhecer qual subvenções existem;

  • Quais serviços oferecidos

  • Limites de abrangência e critérios de atendimento, documentos necessários;

  • Identificar quais habilidades necessárias para atuar nas empresas; onde os trabalhadores são capacitados;

  • Ações de saúde desenvolvidas pelas empresas;

  • Encaminhar usuários

  • Auxiliar os equipamentos em suas necessidades e demandas de saúde;

Conclusões

  • É responsabilidade de todos os técnicos e comunidade local manter o cadastro do território atualizado;

  • Como produto desse processo, obter-se-á o estabelecimento de uma rede social solidária, que resultará em melhoria da condição de saúde da comunidade, dos trabalhadores inseridos nesse espaço e a ampliação de projetos sociais envolvendo diferentes sujeitos da comunidade na busca de recursos.

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