Apostila - produção e controle de qualidade de mudas florestais

Apostila - produção e controle de qualidade de mudas florestais

(Parte 1 de 3)

UNIVERSIDADE ESTADUAL DO SUDOESTE DA BAHIA-UESB

CURSO DE ENGENHARIA FLORESTAL

PRODUÇÃO E CONTROLE DE QUALIDADE DE MUDAS FLORESTAIS

VITÓRIA DA CONQUISTA-BA

NOVEMBRO DE 2009

INDICE

1. INTRODUÇÃO:

01

3. LOCALIZAÇÃO

04

4. CLASSIFICAÇÃO DOS VIVEIROS FLORESTAIS

04

4.1 Quanto a duração:

04

4.1.1 Viveiros permanentes:

04

1.1.2 Viveiros Temporários:.

04

5. CAPACIDADE E EXTENSÃO DO VIVEIRO

05

6. PREPARO DA ÁREA PARA A CONSTRUÇÃO DO VIVEIRO

FLORESTAL

06

7. INSTALAÇÕES NECESSÁRIAS EM UM VIVEIRO FLORESTAL

07

8. CONFECÇÃO DOS CANTEIROS PARA PRODUÇÃO DE MUDAS EM

RECIPIENTES.

07

9. PRODUÇÃO DE MUDAS VIA SEXUADA

10

9.1 Principais recipientes e sistemas de produção de mudas em uso no

Brasil e em outros países.

10

9.1.1 Sacos plásticos

10

9.1.2 Tubetes

11

9.1.3 Blocos prensados

11

9.2 Recipientes e restrição radicial

13

9.3 Deformações radiciais e desempenho das mudas no campo

13

9.4 Substratos utilizados para a produção de mudas florestais

14

9.5 Fertilização Mineral

14

9.6 Semeadura

14

10. EMPACOTAMENTO DAS MUDAS VISANDO O TRANSPORTE PARA

O CAMPO.

16

11. PARÂMETROS QUE DETERMINAM A QUALIDADE DE

MUDAS FLORESTAIS.

16

11.2 Parâmetros morfológicos

17

11.2.1 Altura da parte aérea (H)

17

11.2.2 Diâmetro de colo

17

11.2.3 Relação H/D

17

11.2.4 Peso das mudas

17

11.3 Percentual de redução de peso de matéria fresca a peso de matéria

seca

18

11.4 Parâmetros fisiológicos

18

11.4.1Potencial de Regeneração de Raízes (PRR)

19

12. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

22

VIVEIROS FLORESTAIS E PRODUÇÃO DE MUDAS VIA SEXUADA

1. INTRODUÇÃO

A crescente expansão dessa área, aliada às exigências do mercado consumidor, força conseqüentemente, a busca de novas alternativas tecnológicas de mecanização da maioria das operações que envolve as atividades de reflorestamento. Neste sentido, o objetivo é estabelecer florestas altamente produtivas. A escolha criteriosa da espécie a ser utilizada, além de outros fatores, é importante para o êxito de um programa de reflorestamento. Não obstante, quando se pretende alcançar povoamentos mais produtivos, são as características das mudas a serem produzidas que indicam a qualidade das árvores a serem produzidas. Uma muda considerada de alto padrão de qualidade deve condizer de forma eficaz às novas tecnologias adotadas, suportar as adversidades do meio, apresentar altos percentuais de sobrevivência no campo, possibilitar a diminuição da freqüência dos tratos culturais do povoamento recém implantado e produzir árvores com volume e qualidades desejáveis. Nos últimos anos foi notória a evolução das técnicas de produção de mudas de espécies florestais nativas e exóticas, resultando assim, numa melhoria da qualidade das mudas produzidas.

A luz dessas evidências, o presente trabalho tem como objetivo concentrar o máximo de informações sobre a produção de mudas de espécies florestais nativas e exóticas sob a ótica do fortalecimento dos empreendimentos florestais comerciais, recuperação de áreas degradadas e de recomposição de matas ciliares.

2. CONCEITO DE VIVEIROS FLORESTAIS

Os Viveiros florestais correspondem a uma área específica de terreno onde são concentradas todas as atividades de produção, manutenção e seleção das mudas, até o momento das mesmas serem levadas para o plantio definitivo no campo e dessa forma, sobreviverem as condições adversas encontradas e apresentarem um desempenho satisfatório.

3. LOCALIZAÇÃO

A escolha do local para a construção de um viveiro florestal é de fundamental importância para que as metas possam ser atingidas.

    1. Facilidade de acesso: As estradas devem estar em perfeitas condições de conservação.

    2. Suprimento de água: Este é o fator limitante da produção de mudas em um viveiro florestal.

    3. Distância da área de plantio: De preferência que seja construído próximo ao local de plantio.

    4. Área livre de ervas daninhas: Essencial que a área esteja limpa para que não prejudique todas as atividades desenvolvidas no interior do viveiro.

    5. Mão de obra: De preferência o viveiro deve estar bem servido de mão de obra treinada.

    6. Declividade da área: Sugere-se uma declividade de 2%.

    7. iluminação Solar: Quando as mudas a serem produzidas são de Eucalipto ou Pinus, não deve haver sombra.

    8. Uso anterior da área: De preferência verificar o seu uso anterior para evitar problemas.

    9. Condições Ambientais: Não recomenda-se construir um viveiro florestal em vales, baixadas ou localidades sujeitas a geadas ou algo semelhante.

4. CLASSIFICAÇÃO DOS VIVEIROS FLORESTAIS

4.1 Quanto a duração:

4.1.1 Viveiros permanentes: Correspondem aquele que são construídos para permanecer longos períodos produzindo mudas florestais.

4.1.2 Viveiros Temporários: Correspondem aqueles que são construídos apenas para o atendimento a um projeto florestal e após a conclusão, são desativados.

4.2 Proteção do Sistema Radicial:

4.2.1 Viveiros em Raiz Nua: Corresponde a produção das mudas sem qualquer detritos de substrato aderidos às raízes. Portanto, são plantadas no campo sem o substrato o qual permanece no viveiro.

4.2.2 Viveiros em Recipientes: Corresponde as mudas produzidas em recipientes. Portanto, são plantadas no campo com o sistema radicial protegido pelo substrato.

Canteiros para produção de mudas em raiz nua

Mudas produzidas em canteiros suspensos e em sacolas plásticas e

5. CAPACIDADE E EXTENSÃO DO VIVEIRO

A área de um viveiro florestal varia de acordo a uma série fatores entre os quais pode-se destacar: Do volume de mudas a ser produzidas; Éspécie e Espaçamento; Áreas Produtivas e não Produtivas; e Área de caminhos e edificações.

Conjunto de partes de uma planta de um viveiro florestal

6. PREPARO DA ÁREA PARA A CONSTRUÇÃO DO VIVEIRO FLORESTAL

Terreno escolhido para a construção de um viveiro florestal

Em caso do terreno escolhido não apresentar de acordo as recomendações técnicas de topografia, se faz necessário a terraplenagem visando deixá-lo em condições ideais.

Operação de terraplenagem para a confecção dos canteiros

7. INSTALAÇÕES NECESSÁRIAS EM UM VIVEIRO FLORESTAL

Correspondem a todas as construções necessárias visando facilitar a administração e o manejo dos viveiros, tais como, Casa do Viveirista, Escritório,

Sanitários/Banheiros, Galpão Fechado, almoxarifado, Cobertura, Quebra-ventos etc.

Construção das edificações no viveiro florestal

7.1 Quebra-vento:

Corresponde a cortinas que tem por finalidade a proteção das mudas contra a ação prejudicial dos ventos.

8. CONFECÇÃO DOS CANTEIROS PARA PRODUÇÃO DE MUDAS EM

RECIPIENTES

O encanteiramento é de fundamental importância que os canteiros sejam preparados obedecendo rigorosamente as orientações técnicas para que possa lograr êxito no seu empreendimento. Após a operação de terraplenagem, se faz necessário a formação da base visando dar suporte os recipientes e consequentemente o encanteiramento.

Preparo da área para a confecção dos canteiros em viveiro de produção de mudas de eucalipto

8.1 Dimensões dos canteiros:

Normalmente recomenda-se, para produção de mudas em sacolas plásticas, canteiros com o máximo de 1,20 m e largura em torno de 1,0 metros. Já o comprimento deve apresentar no máximo 30 metros. Quando se usa tubetes, normalmente os canteiros são constituídos de bandejas que podem estar no solo ou suspensa a aproximadamente 0,80 cm sustentada por fios de arame e cujo comprimento não deve passar de 30 metros.

8.2 Encanteiramento das embalagens:

Quando a produção de mudas se faz em sacolas plásticas, estas devem ser bem encanteiradas, seguindo os padrões quanto as suas dimensões. Ainda devem ser protegidas de terra lateralmente.

Preparo da área para a confecção dos canteiros em viveiro de produção de mudas de espécies florestais nativas

Bandejas de polipropileno para produção de mudas em tubetes

Encanteiramento de bandejas para produção de mudas de eucalipto

Enchimento e semeadura nos tubetes para produção de mudas de eucalipto

8.3 Caminhos, Ruas e Estradas:

Normalmente deixa-se entre as ruas um espaço denominado de caminho de 0,60 cm de largura visando facilitar a movimentação de pessoal.

Disposição dos canteiros para produção de mudas de eucalipto

9. PRODUÇÃO DE MUDAS VIA SEXUADA

9.1 Principais recipientes e sistemas de produção de mudas em uso no

Brasil e em outros países.

No Brasil, o sistema de produção de mudas nas últimas três décadas, envolveu diversas pesquisas com vários recipientes testados e usados, sempre visando a produção de mudas de melhor qualidade. O torrão paulista constituiu o recipiente de maior uso para espécies de Eucalyptus spp. e com grande contribuição para o setor florestal. Faz-se referências ainda, aos recipientes investigados por vários pesquisadores, como laminados de madeira, tubos de papelão, moldes de isopor, taquara, e tantos outros similares ou com suas próprias particularidades. Hoje ainda são usados alguns desses recipientes, considerados de baixo custo tais como, lâminas de madeira, taquara, e de papelão. Na escolha do recipiente deve-se priorizar os critérios para a sua escolha, tais como, a) distribuição das raízes; b) dimensões dos recipientes; c) reaproveitamento dos recipientes; d) custos; e) manuseio; e) disponibilidade; f) toxidez; e g) possibilidade de plantio com as mudas. Quanto ao uso de recipientes, atualmente no Brasil são dois os tipos mais usados, sacos plásticos (polietileno) e tubos de plástico rígido (tubetes).

9.1.1 Sacolas plásticas:

Ainda são bastantes utilizados para a produção de mudas de várias espécies florestais. Estes devem ser providos de alguns furos na sua parte inferior visando o escoamento do excesso de umidade. O material que o constitui caracteriza-se pela difícil decomposição, motivo pelo qual necessita-se de ser retirados antes de se efetuar o plantio. Apesar do largo uso, algumas desvantagens são apontadas por vários pesquisadores: a) economicamente, constitui da impossibilidade de mecanização das atividades de produção das mudas; b) plantio manual, havendo a necessidade de retirada, pelo menos parcialmente, dos respectivos recipientes antes do plantio; c) tecnicamente, pode favorecer a ocorrência de deformações radiciais, prejudicando o desempenho das plantas no campo; d) quando o plantio das mudas for efetuado antes das mesmas completarem o período de rotação da espécie no viveiro e ainda, em condições de pouca pluviosidade, haverá comprometimento da sobrevivência e desenvolvimento inicial no campo.

9.1.2 Tubetes:

Os tubos de plásticos rígidos, também denominados de tubetes, vem a alguns anos substituindo, gradativamente os sacos plásticos. Trata-se de um modelo cônico, contendo quatro ou mais frisos internos longitudinais e eqüidistantes, os quais orienta o desenvolvimento das raízes laterais para a parte inferior, mais precisamente em direção ao orifício localizado no fundo do recipiente, cuja função é o escoamento do excesso de umidade e também, possibilitar a saída das raízes as quais, vem a ser podadas pelo ar. Ainda existem os tubetes de seção quadrada, cujas arestas internas oriundas do encontro das paredes, também direcionam as raízes para baixo e evita o seu crescimento em forma espiral. Alguns pesquisadores citam algumas vantagens do método: a) Diminui a necessidade de mão de obra em 50%, tanto no viveiro como no plantio, devido a mecanização e a facilidade operacional do processo; b) Diminui a necessidade de equipamentos; c) Melhores condições de trabalho, dada a sua ergonomia. Outros pesquisadores apontam algumas desvantagens desse método, como exemplo, os efeitos prejudiciais das chuvas para as mudas, pois o impacto das gotas sobre o substrato, quando este é vermiculita, causa em conseqüência, o desenraizamento da parte superior das mudas, por outro lado a ação das chuvas ou intensa irrigação, provoca a lixiviação dos nutrientes, diminuindo a eficiência da fertilização. Os pequenos volumes de substrato nestes recipientes, necessitam de constantes adubações em cobertura, visando compensar o processo de lixiviação dos elementos nutritivos e o desperdício da adubação líquida que se perdem por entre os espaços vazios existentes entre os tubetes, além de freqüentes regas para compensar a água que se perde no processo de percolação, principalmente quando se trabalha com espécies do gênero Pinus.

9.1.3 Blocos prensados:

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