Universidade de São Paulo

Escola de Comunicações e Artes

Departamento de Biblioteconomia e Documentação

TESAURO

Disciplina:

Lingüistica e Documentação

Docente:

Marilda Lopez Ginez de Lara

ALUNOS:

Aline Antonia da Silva

Edson Luiz Fogo

Karin Fernandes de Araújo

São Paulo, 01 de julho de 2003.

SUMÁRIO

1 - INTRODUÇÃO

1.1 - Origem

1.2 - Princípios

2 - RELAÇÕES ENTRE TERMOS

2.1 - Relações hierárquicas

2.2 - Relações não-hierárquicas ou seqüencias

2.3 - Relações lingüísticas

3 - ESTRUTURA DO TESAURO

4 - RELAÇÕES PARADIGMÁTICAS E SINTAGMÁTICAS

4.1 - Relações paradigmáticas

4.2 - Relações sintagmáticas

5 - CONCLUSÕES

6 - BIBLIOGRAFIA

TESAURO

1 - INTRODUÇÃO1

1.1 - Origem

Apesar do inglês Peter Mark Roget ter publicado a obra “Thesaurus of English Words and Phrases”, os modernos tesauros têm origem nos conceitos de classificação por faceta da Classificação Colon de Ranganathan e na obra do Classification Research Group. Ao contrário dos sistemas de classificação enciclopédicos que procuram organizar todo o conhecimento humano, os tesauros procuram organizar unidades bastante restritas do conhecimento.

1.2 - Princípios

Para a elaboração deste texto foi usada a obra “Diretrizes para o estabelecimento e desenvolvimento de Tesauros Monolíngües”, obra que por sua vez tem como referências as normas ISO/DIS 5964 que “trata da construção e manutenção de um tesauro multilíngüe”2 e ISO/DIS 5963, que “trata de alguns aspectos da seleção de termos (...) voltada particularmente aos meios para estabelecer e representar certos tipos de relações entre os termos de indexação”3.

Nos tesauros os termos não mantêm apenas relação hierárquica como nas classificações decimais conhecidas. Os termos indexados dependem dos ítens passíveis de catalogação, chamados documentos. Dos documentos são retirados conceitos que substituídos por termos normalizados ou termos de indexação (termos de indexação podem ser compostos, constituído por mais de um substantivo, ou simples), constituirão a linguagem de indexação, usada para representar os assuntos dos documentos.

2 - RELAÇÕES ENTRE TERMOS4

As relações entre termos de um tesauro podem ser hierárquicas, não hierárquicas e de equivalência. Nos tesauros, as funções e relações entre termos são indicadas pelas seguintes abreviaturas padronizadas, que são usadas como prefixos dos termos: TG, termo genérico; TE, termo específico; TR, termo relacionado; NE, nota explicativa; TGM, termo genérico maior; UP, usado para; USE. Exs:

CARROS DESPESA PÚBLICA MORTALIDADE INFANTIL

UP: Automóveis TG: Despesas TG: Mortalidade

TR: Finanças Públicas TE: Mortalidade Neo-natal

TGM: Gastos Públicos Mortalidade Pós-neonatal

2.1 - Relações hierárquicas

As relações hierárquicas apresentam os princípios de subordinação e superordenação e, podem ser genéricas e partitivas. As relações genéricas expressam as relações entre os conceitos geral/particular ou específico e os termos são apresentados como nos exemplos:

ANIMAIS ANIMAIS

TE: Mamíferos TE: Carnívoros

Baleia Leão

As relações partitivas expressam as relações todo/parte e, o conceito de parte depende do conceito de todo. Exemplos:

AUTOMÓVEL REGIÕES MONTANHOSAS

TE: Motor TE: Himalaia

2.2 - Relações não-hierárquicas ou seqüencias

Nas relações não-hierárquicas ou seqüências, também chamadas de associativas, os termos relacionam-se entre si de alguma maneira, que podem ser: causa e efeito; produtor e produto; oposição e contradição; etapas de um processo; de contradição e oposição; material e produto; etc. Exemplo:

ANTICONCEPÇÃO

TR: planejamento familiar

2.3 - Relações lingüísticas

Num tesauro não existem duas ou mais palavras que expressem o mesmo conceito, portanto é feita uma simplificação da linguagem natural e estabelecido um vocabulário controlado, verificando a existência de polissemia (palavra com mais de um significado), ambiguidade (palavra sujeita a mais de uma interpretação), sinonímia (equivalência entre duas ou mais palavras) e hiponímia (relação entre um lexema subordinado e um superordenado).

3 - ESTRUTURA DO TESAURO5

A organização de assuntos na hierarquia utilizada nas classificações decimais nem sempre obedece a critérios adequados, em muitos casos esconde relações distintas da subordinação e superordenação. As relações existentes entre as categorias e entre os termos num tesauro procuram superar esse problema. A estrutura de um tesauro baseia-se na ordenação sistemática de termos em categorias, que gera um sistema de termos inter-relacionados.

Um tesauro é bem estruturado no sentido lógico-semântico, pois as abreviaturas padronizadas, por exemplo, estabelecem claramente: as relações de associação não hierárquica (TR, termo relacionado); relações hierárquicas (TG, termo geral e TE, termo específico); as relações de sinonímia (USE e UP, usado para). E também evita a polissemia (USE e UP, usado para).

Para facilitar a compreensão dos termos, existem as notas explicativas (NE) e também todas as outras abreviaturas padronizadas. Além disso, a compreensão dos termos também é facilitada pelas formas que os os termos e suas inter-relações são usualmente apresentadas:

 em ordem alfabética junto com notas explicativas e indicação de relações entre termos. Ex:

CÂMARAS 4’ x 5’

NE: Câmaras com foco através da lente e com movimentos de báscula

UP: Câmaras de visão direta

TG: Câmaras Estáticas

CÂMARAS 35 mm

TG: Câmaras miniaturizadas

CÂMARAS MINIATURIZADAS

TG: Câmaras estáticas

TE: Câmaras 35 mm

 apresentação sistemática, auxiliada por índice alfabético. Exemplo:

301 EQUIPAMENTO ÓTICO CÂMARAS 302

302 CÂMARAS TR: Fotografia 824

TR: Fotografia 824 CÂMARAS 4’ x 5’

303 CÂMARAS DE IMAGENS NE: Câmaras com foco através da lente e

EM MOVIMENTO com movimentos de báscula

304 CÂMARAS CINEMATO- UP: Câmaras de visão direta

GRÁFICAS TG: Câmaras Estáticas

TR: Cinema CÂMARAS MINIATURIZADAS

TG: Câmaras estáticas

TE: Câmaras 35 mm

Apresentação sistemática Índice alfabético à apresentação sistemática

 apresentação gráfica: geralmente de dois tipos (estrutura em árvore e gráficos flechados) acompanhado de um índice alfabético que contêm notas explicativas e referências a termos genéricos e específicos.

4 - RELAÇÕES PARADIGMÁTICAS E SINTAGMÁTICAS6

De um documento como “Computadores em bancos de Amsterdam”, podem ser retirados os termos: computadores, bancos e Amsterdam. Mas, apesar de não ser citado no documento, Amsterdam relaciona-se com Países Baixos ou Holanda, bancos com sistema financeiro e computadores com processamento de dados.

4.1 - Relações paradigmáticas

As relações que não dependem dos documentos, pois normalmente já se relacionam (Amsterdam e Países Baixos, bancos e sistema financeiro, computadores e processamento de dados), mas estão estabelecidas nos tesauros são conhecidas como relações a priori, ou paradigmáticas.

4.2 - Relações sintagmáticas

As relações estabelecidas entre termos apenas nos documentos, aquelas que normalmente não ocorrem fora deles (“Computadores em bancos de Amsterdam”), são conhecidas como relações a posteriori, essas são as relações sintagmáticas

Países Baixos Instituições Processamento de

 financeiras dados B

   

Amsterdam Bancos Computadores

A

A Relações a posteriori

B Relações a priori, estabelecidas no tesauro

Portanto, exemplos de relação sintagmática são:

PAÍSES BAIXOS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS PROCESSAMENTO DE DADOS

TE: Amsterdam TE: Bancos TE: Computadores

5 - CONCLUSÕES7

os tesauros têm origem nos conceitos de classificação por faceta da Classificação Colon de Ranganathan e na obra do Classification Research Group;

procuram organizar unidades bastante restritas do conhecimento;

a organização básica de um tesauro é hierárquica, mas os termos não mantêm apenas relação hierárquica, mas também não hierárquicas e de equivalência;

as relações entre os termos são claramentes estabelecidas pelas abreviaturas padronizadas (TG, TE, TR, USE, UP, etc);

a compreensão dos termos também é facilitada pelas formas como são apresentados (ordem alfabética; apresentação sistemática e; apresentação gráfica) e;

trata-se de linguagem pós-coordenada.

6 - BIBLIOGRAFIA

AUSTIN, D.; DALE, P. Diretrizes para o estabelecimento e desenvolvimento de tesauros monolíngues. Trad. de Bianca Amaro de Melo. Brasília: IBICT; SENAI, 1993. p. 5-32.

CINTRA, Anna Maria et al. Para entender as linguagens documentárias. São Paulo: Polis: APB, 1994. (Coleção Palavra Chave, 4).

PEREIRA, Carlos Renato Dias et al. Tesauro do ICMS Paulista. São Paulo: Secretaria de Estado dos Negócios daFazenda, 2002.

1 Este ítem procura responder as questões números 1 e 2 do roteiro básico para a elaboração do trabalho final da disciplina Lingüística e Documentação. Os exemplos de relações entre termos de um tesauro serão apresentados ao longo do texto.

2 D. Austin. & P. Dale. Diretrizes para o estabelecimento e desenvolvimento de tesauros monolíngues. Trad. de Bianca Amaro de Melo. Brasília: IBICT; SENAI, 1993. p. 9.

3Id. Ibid., p. 7.

4 Este ítem procura responder a questão nº 3 do roteiro básico.

5 Este ítem procura responder a questão nº 4 do roteiro básico.

6 Este ítem procura responder a questão nº 5 do roteiro básico.

7 Este ítem procura responder a questão n º 6 do roteiro básico.

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