Nutrição de ruminantes

Nutrição de ruminantes

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Para o criador aumentar a produção do seu rebanho basicamente há duas saídas: aumentar as despesas ou melhorar a eficiência. Embora muitas vezes estes dois fatores caminhem juntos, é possível obter eficiência trabalhando sobre as seguintes áreas:

• GENÉTICA: procurar usar os melhores semens disponíveis visando a obtenção de animais produtivamente superiores.

lotes específicos de acordo com a produção, etc

• MANEJO: cadastrar todos os animais segundo as principais informações necessárias para um bom controle do rebanho: peso ao nascer, pai, mãe, pesagens periódicas, datas das coberturas, datas dos partos, produção por lactação, intervalo entre partos, alocação em

• NUTRIÇÃO: esta é a área onde pode-se obter resultados mais prEcocemente, visto que é possível otimizar a utilização dos alimentos já disponíveis . Depois, numa segunda etapa, pode-se partir para a aquisição e/ou produção de novos alimentos.

Como vimos anteriormente a nutrição é um dos pilares que sustenta a produção de ruminantes. Desta forma, o conhecimento profundo de nutrição animal é fundamental para o aumento da produtividade na criação de bovinos e bubalinos. Para melhor entendimento é necessário que conheçamos importantes termos técnicos utilizados na avaliação da composição química e de valor nutricional de alimentos para ruminantes, assim como algumas relações existentes entre eles. Os termos apresentados em negrito e itálico são definidos em ordem alfabética.

NUTRIÇÃO: É a utilização adequada dos principais nutrientes, por parte do organismo, para satisfação das necessidades nutricionais dos animais.

NUTRIENTES: É qualquer constituinte alimentar, ou um grupo de constituintes do alimento de composição química semelhante e que entra no metabolismo celular e concorre para promover a vida do organismo. Os seis grandes grupos químicos são proteína, hidratos de carbono (carboidratos), lipídios, vitaminas, minerais e água.

ALIMENTO: é uma mistura complexa de nutrientes. Os constituintes do alimento podem ser expressos na base seca (matéria seca) ou na base úmida (considerando também a umidade, ou seja, o teor de água. Presente)

(Umidade)

Entende-se por dieta ou RAÇÃO a mistura de alimentos que é fornecida aos animais. O termo dieta ou RAÇÃO, no caso dos ruminantes não deve ser confundido com concentrado. RAÇÃO é todo o alimento que o animal ingere num período de 24horas. DIETA indica os componentes de uma ração, ou seja, é o ingrediente alimentar ou mistura de ingredientes, incluindo a água, a qual é ingerida pelos animais.

INGREDIENTES: Componente de qualquer combinação ou mistura que constitui um alimento.

É uma mistura de alimentos convenientemente equilibrada para fornecer todos os nutrientes exigidos pelos animais.

Glicídios

(Carboidrato Lipídio s Proteína s

Vitamin as

Macro e Micronutrientes

A quantidade de matéria orgânica de uma amostra é determinada diminuindose o valor percentual de cinzas do valor percentual de matéria seca: % M.O. = % de MS - % de CINZAS

MINERAIS ou MATÉRIA INORGÂNICA (MI)

É um grupo fundamental de nutrientes. Constituem aproximadamente 5% do peso vivo do animal sem considerar a água (Rovira, 1996). Com exceção de carbono, hidrogênio, oxigênio e nitrogênio, que se unem para formar moléculas orgânicas, os elementos restantes que compõem as células vivas são elementos minerais. Os minerais são classificados conforme a quantidade em que os mesmos aparecem nos tecidos (Chaves, 1985). Esta divisão classifica-os em dois grupos: 1. Macronutrientes: são cálcio, fósforo, sódio, potássio, magnésio, enxofre e cloro. 2. Micronutrients: encontram-se neste grupo cobre, ferro, manganês, zinco, iodo, molibidênio e selênio.

Representam a matéria mineral presente nos alimentos. Medem a quantidade de minerais. São obtidas através de incineração das amostras a 550 °C, em uma mufla ou forno durante três horas (Pigurina, et al., 1991)

São substâncias não nutritivas, adicionadas aos alimentos para melhorar suas propriedades ou seu aproveitamento.

DEFICIENCIA NUTRITIVA: Inexistência ou insuficiência de um nutriente essencial.

Quadro sintomático apresentado pelo animal como conseqüência de deficiência nutritiva.

Quantidade de cada nutriente requerida por determinada espécie e categoria de animal, para sua boa manutenção, sua produção e reprodução eficientes.

A digestibilidade, normalmente expressa em percentual, representa a porcentagem de alimento consumido, que não foi eliminado pelas fezes e, conseqüentemente, foi utilizado pelo animal para suprir as funções de manutenção, produção e reprodução. E se refere a capacidade que o alimento tem de ser digerido pelo animal.

CONVERSÃO ALIMENTAR: Capacidade de um alimento se converter em uma unidade de produto animal.

Quantidade de produto animal obtido por uma quantidade unitária de alimento.

E.A. =x 100

Ganho de Peso Consumo de Alimento

NRC: Sistema de Exigência Nutritiva elaborada pela Academia Nacional de Ciências e Conselho Nacional de Pesquisa dos EUA.

Definição:

São nutrientes orgânicos nitrogenados presentes em todas as células vivas, portanto, essencial à vida do animal. Depois da água, são os compostos mais abundantes. Ela forma o principal constituinte do organismo animal, sendo, pois, indispensável para o crescimento, reprodução e produção.

#As proteínas, como nutrientes, diferenciam-se como elementos estruturais. Os açucares e gorduras são utilizados no organismo para produção de energia, e das reações metabólicas nas quais se envolvem, resultam gás carbônico (CO2) e água: são consumidos sem deixar resíduos. (Obviamente, quando a energia é excessiva, formam-se depósito de gordura). Já a proteína é usada na construção de estruturas orgânicas e produtos de secreção; formadas por unidades chamadas aminoácidos , a sua composição é concreta e palpável.

# Uma proteína é de unidades chamadas aminoácidos, que obedecem a seguinte fórmula geral:

RC C
HOH

NH2 O

# Caracterizam os aminoácidos, o radical amino (NH2) ligado ao carbono adjacente ao grupo carboxílico (COOH). Os aminoácidos das proteínas são conjugados uns aos outros por ligações pepitídicas (união entre alfa amino grupo de um com o grupo carboxílico do outro). O aminoácido mais simples é a glicina.

NH2O
HC C
HOH

# A junção de vários aminoácidos forma ema cadeia polipeptídica, que constitui uma proteína. Na digestão, os aminoácidos são liberados no intestino delgados, e aí absorvidos. Os nutrientes são aminoácidos, não as proteínas que os contêm (hoje admite-se que dipeptídios e tripeptídios sejam liberados e aproveitados como tais).

# Todos os animais necessitam receber uma quantidade de proteína e, além disso, para o homem, suínos, aves, cães e etc. a quantidade é tão importante quanto a qualidade. O mesmo não acontece com os bovinos, bubalinos, caprinos, ovinos e eqüinos.

Especificidade:

As proteínas de origem vegetal diferem entre si e diferem das de origem animal. Cada espécie animal tem suas proteínas específicas e seus órgãos, tecidos e fluídos encerram proteínas diferentes. Não há duas proteínas que sejam iguais em sua ação fisiológica.

Composição Química das Proteínas:

São formados de Carbono (C), Hidrogênio (H), Oxigênio (O) e Nitrogênio (N).

Muitas encerram no Enxofre (S); algumas em Ferro (Fe) e Fósforo (P). Podem apresentar, também Cobre (Cu), Cálcio (Ca) e Magnésio (Mg).

Funções das Proteínas:

• Formação dos tecidos • Manutenção e Reparo

• Fonte de energia

• Secreção de glandulares

• Anticorpos e Equilíbrio Ácido-Básico

• Qualidade de proteína

Valor Protéico Bruto:

As proteínas de um alimento podem ser estimadas quimicamente a partir de seu conteúdo em nitrogênio. A porcentagem de nitrogênio obtida se expressa em termos de proteína bruta, multiplicando-se por 6,25. Este processo se baseia em duas suposições:

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