Insuficiencia renal aguda e cronica

Insuficiencia renal aguda e cronica

Bárbara Melissa Sant’Ana

Insuficiência Renal Aguda

Insuficiência Renal Aguda (IRA) é a perda rápida de função renal devido a dano aos rins, resultando em retenção de produtos de degradação nitrogenados (uréia e creatinina) e não-nitrogenados, que são normalmente excretados pelo rim. Dependendo da severidade e da duração da disfunção renal, este acúmulo é acompanhado por distúrbios metabólicos, tais como acidose metabólica (acidificação do sangue) e hipercalemia (níveis elevados de potássio), mudanças no balanço hídrico corpóreo e efeitos em outros órgãos e sistemas. Pode ser caracterizada por oligúria ou por anúria (diminuição ou parada de produção de urina), embora a IRA não-oligúrica possa ocorrer. É uma doença grave e tratada como uma emergência médica.

Há três tipos de IRA dependendo do local onde se dão as alterações agudas: antes do rim, no rim e depois do rim: pré-renal, renal ou pós-renal:

Há quatro fases clínicas da IRA:

  • Ínicio: começa com a primeira agressão e termina quando a oligúria se desenvolve.

  • Oligúria: (volume urinário menor que 400ml/24hs) é acompanhado por uma elevação da concentração sérica dos elementos geralmente excretados pelos rins (uréia, creatinina, ácido úrico, ácidos orgânicos e cátions intracelulares – potássio e magnésio). A quantidade mínima de urina necessária para retirar do corpo as escórias do metabolismo normal é 400ml. Nesta fase que os sintomas de uremia e hipercalemia se desenvolve.

  • Período de diurese: o paciente apresenta débito urinário gradualmente crescente, que indica o início da recuperação da filtração glomerular.

  • Recuperação: indica melhora na função renal e pode levar de três a doze meses. Os valores laboratoriais irão retornar para um nível normal para o paciente. Embora haja uma reduação de 1 a 3% da taxa de filtração glomerular, isto nao é clinicamente significativo.

Manifestações clínicas e anormalidades laboratoriais

O paciente apresenta-se criticamente doente e letárgico, com náuseas persistentes, vômito e diarréia. A pele e as membranas mucosas apresentam-se secas, por desidratação, e a respiração pode ter o mesmo ador da urina. As manifestações do sistema nervoso central incluem sonolencia, cefaléia, tremores musculares e convulsões. Ocorrem tambem alterações no débito urinário, elevação dos níveis NUS e da creatinina, hipercalemia, acidose metabólica e anemia.

Cuidados de enfermagem

  • Monitorar a pele quanto a hidratação;

  • Monitorar os níveis hidroelétrolíticos séricos do paciente;

  • Realizar o balanço hídrico;

  • Monitorar os sinais vitais;

  • Avaliar níveis de Hct e Hb;

  • Manter o estado nutricional, fornecer dieta hipercalórica hipossódica, hipocalêmica com suplementos vitamínicos;

  • Orintar quanto a importância de restrições hídricas.

Insuficiencia renal crônica

É uma deteriorização progressiva, irreversível da função renal, na qual a capacidade do organismo de manter o equilíbrio metabólico e hidroeletrolítico falha, resultando em uremia. Pode ser causada por doenças sistemicas como diabtes mellitus, glomerulonefrite cronica, pielonefrite e hipertensão nao controlada. Eventulamente, torna-se necessário diálise ou transplante renal para sobrevivencia do paciente.

Fisiopatologia

A medida que a função renal diminui, os produtos finais do metabolismo proteico (que normalmente sao excretados na urina) acumulam-se no sangue.

  • Comprometimento da depuração renal;

  • Retenção de sódio e água;

  • Acidose;

  • Anemia;

  • Desiquilíbrio de cálcio e fósfaro.

Sinais e sintomas

  • Cardivasculares

  • Hipertensão;

  • Edema com cacifo;

  • Edema periorbital;

  • Atrito pericárdio;

  • Ergujamento das veias do pescoço.

  • Tegumentares

  • Pele com coloração cinza-bronze;

  • Pele seca, escamosa;

  • Prurido;

  • Equimoses;

  • Unhas finas, quebradiças;

  • Cabelo fino, áspero.

  • Pulmonares

  • Crepitação;

  • Escarro espesso, denso;

  • Dispnéia;

  • Respiração tipo Kussmaul.

  • Neurológicas

  • Fraqueza, fadiga;

  • Confusão;

  • Alterações no comportamento;

  • Convulsões;

  • Cansaço nas pernas;

  • Queimação na sola dos pés.

  • Musculoesqueléticas

  • Cãimbras musculares;

  • Perda da força muscular;

  • Fraturas ósseas;

  • Queda plantar.

  • Relacionado a procriação

  • Amenorréia;

  • Atrofia testicular.

Estágio da IRC

  • Estágio I: reserva renal diminuida, caracterizado por uma perda de 40 a 75% da função dos néfrons. Em geral nao apresenta sintomasporque os nefrons remanescentes sao capazes de realizar as funções normais do rim.

  • Estágio II: ocorre quando 75 a 50% da função dos néfrons foram perdidos, a creatinina e uréia aumentam, o rim perde sua capacidade de excretar a uréia e a anemia se desenvolve, assim, o paciente tem poliúria e nictúria.

  • Estágio III: a doença renal no estágio terminal é o estágio funcional, acontece quando excretam menos de 10% néfrons funcionando normalmente.

Terapia farmacológica

  • Antiácidos;

  • Agentes anti-hipertensivos e cardiovasculares;

  • Anticonvulsivantes.

Diagnóstico de enfermagem

  • Excesso de volume de líquido relacionado com o débito urinário diminuido.

Cuidados de enfermagem

  • Avaliar estado hídrico, peso, turgor;

  • Limitar a ingesta hídrica;

  • Avaliar o estado nutricional.

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DOENÇA RENAL CRÔNICA

A Doença Renal Crônica (DRC) consiste em lesão renal e geralmente perda progressiva e irreversível da função dos rins. Atualmente ela é definida pela presença de algum tipo de lesão renal mantida há pelo menos 3 meses com ou sem redução da função de filtração. Ela é classificada em estágios de acordo com a evolução conforme o quadro abaixo:

Estágio

Descrição

Filtração Glomerular (FG)

0

Risco de doença renal HAS,Diabetes, Familiar c/DRC

> 90 mL/min

1

Lesão renal

> 90mL/min

2

Lesão renal, leve FG

60 - 89 mL/min

3

Moderada FG

30 - 59 mL/min

4

Avançada FG

15 - 29 mL/min

5

Falência renal

< 15 mL/min

 

 

diálise ou transplante

É conhecido atualmente que cerca de um em cada 10 adultos é portador de doença renal crônica. A maioria destas pessoas não sabe que tem esta doença porque ela não costuma ocasionar sintomas, a não ser em fases muito avançadas. Em muitos casos o diagnóstico precoce e o tratamento da doença nas suas fases iniciais podem ajudar a prevenir que a doença progrida para fases mais avançadas (inclusive com a necessidade de tratamento com hemodiálise ou transplante de rim). Como a doença renal muitas vezes está associada com diabetes, pressão alta e doenças do coração, o seu tratamento também ajuda a evitar outras complicações como infarto do miocárdio, insuficiência cardíaca e derrames. Por isso, é importante saber algumas coisas a respeito da doença renal e saber como preveni-la e detectá-la.

Os rins são os principais órgãos responsáveis pela eliminação de toxinas e substâncias, que não são mais importantes para o organismo. Eles também são fundamentais para manter os líquidos e sais do corpo em níveis adequados. Alem disso eles ajudam produzindo alguns hormônios e participam no controle da pressão arterial. Por isso, doenças nos rins e a sua perda de função levam a uma série de problemas como:

pressão alta

doenças no coração

anemia

inchume

alterações em ossos e nervos.

As pessoas com maior risco de ter doenças nos rins são aquelas que tem:

diabetes

pressão alta

pessoas com doença renal na família

idosos

pessoas com doenças cardiovasculares.

Apesar da doença renal não ocasionar muitos sintomas, é importante conhecer alguns sintomas que podem estar relacionados à doença renal:

fraqueza

cansaço

inchaço em rosto, pés ou pernas

dificuldades para urinar

urina com espuma

urina com alterações na sua cor (escura ou avermelhada)

aumento ou diminuição da quantidade de urina.

As principais causas de doença renal crônica são:

Hipertensão (pressão alta)

Diabetes

Glomerulonefrites

Doenças hereditárias como a Doença Policística

Obstruções (pedras nos rins, tumores)

Infecções nos rins

Como se Previne?

O mais importante a saber é que a doença renal e todas estas complicações mencionadas acima podem ser facilmente identificadas e o seu tratamento pode evitá-las.

Algumas medidas simples são capazes de detectar se você tem doença renal ou se tem maior risco de ser portador da mesma. Basta medir a pressão arterial e pedir ao seu médico para fazer um exame de urina, e a dosagem no sangue da creatinina. O exame de urina pode mostrar a presença de proteína, cuja presença continuada pode indicar uma lesão renal em fase inicial. A creatinina é uma substância do sangue que é filtrada pelos rins, por isso o seu aumento no sangue significa que há uma diminuição da função dos seus rins. Com a dosagem da creatinina no sangue o seu médico pode, através de fórmulas simples, calcular a filtração glomerular, verificar se você tem Doença Renal Crônica e em que estágio ela se encontra. Outra lembrança importante é que a doença renal em suas fases iniciais tem um tratamento simples e eficaz, principalmente a base de dieta, medicações para tratamento de pressão alta e diabetes, quando estas doenças estiverem presentes e remédios para reduzir a eliminação de proteínas pelos rins.

Em resumo, a doença renal crônica é comum, pode ser uma ameaça para a sua saúde, é fácil de identificar e tem um tratamento eficaz. Caso você tenha dúvidas não hesite em procurar o seu médico para obter mais informações e fazer uma revisão de saúde.

Abaixo, você pode fazer um teste bastante simples que vai dizer qual o risco de você ter doença renal.

Recomendações que as pessoas com Doença Renal Crônica devem seguir:

Manter a pressão arterial controlada

Reduzir a ingestão de sal

Reduzir o potássio

Manter os níveis de glicose sob controle, se diabético

Evitar o uso de antiinflamatórios

Moderar o consumo de proteína animal (carnes, ovos e leites e derivados).

Fonte: ARCH INTERN MED, vol. 167, 26/02/2007, p. 378. – SCREENING FOR OCCULT RENAL DISEASE (SCORED)

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