embalagens e preparo, centro cirurgico

embalagens e preparo, centro cirurgico

(Parte 1 de 2)

UNIVERSIDADE VEIGA DE ALMEIDA

CENTRO DE CIENCIAS BIOLOGICAS E DA SAÚDE

CURSO DE GRADUAÇÃO EM ENFERMAGEM

ENFERMAGEM EM CENTRO CIRÚRGICO

ALESSANDRA S. JULIO

ANA PAULA SANTOS MORATO

BEATRIZ PEREIRA

DANIELA OLIVEIRA DA SILVA

FERNANDA CARVALHO LAMOGLIA

SUZE P. DOS SANTOS

EMBALAGENS E PREPARO

Trabalho apresentada à disciplina Enfermagem em Centro Cirúrgico como requisito parcial à conclusão do Curso de Enfermagem, Setor de Ciências da Saúde da Universidade Veiga de Almeida.

Professor: Rogério

RIO DE JANEIRO

2009

"Nada lhe posso dar que já não existam em você mesmo. Não posso abrir-lhe

outro mundo de imagens, além daquele que há em sua própria alma. Nada

lhe posso dar a não ser a oportunidade, o impulso, a chave. Eu o ajudarei a

tornar visível o seu próprio mundo, e isso é tudo".

Hermann Hesse

1.0-INTRODUÇÃO

A esterilização de instrumental tem sido alvo de discussões em vários âmbitos, contemplados em round com CCIH, tudo para que seja diminuída até a sua ausência de relação com casos de infecções causadas por micobactérias. Tais discussões possibilitaram o desenvolvimento de protocolos e a validação adequada dos processos de reprocessamento dos artigos médico-hospitalares.

A busca da validação e desenvolvimento de protocolos perpassa por questões legais, éticas, tecnológicas e por que não dizer de consciência de que o protocolo bem elaborado e executado é capaz de fazer a diferenças na presença ou ausência de infecções.

Quando essa consciência chegar “as mãos” dos que executam tais protocolos, além de bem elaborados, serão bem executados, não basta que existam, é necessário que se façam importante e compreensível para aqueles que executam. É preciso ficar claro o porquê de tais protocolos.

A ANVISA tem publicações que norteiam as práticas voltadas ao processamento e reprocessamento de artigos médicos-hospitalares, como: a RDC 156 publicada em 11 de agosto de 2006, que trata sobre o registro, rotulagem e reprocessamento de produtos médicos, a RE 2605/06 que traz a lista de produtos médicos enquadrados como de uso único proibidos de serem reprocessados e a RE 2606/06.

A principal finalidade das embalagens é manter a esterilidade do produto, protegendo-o das condições de transporte e armazenagem até o seu uso. O atributo que se exige de um sistema de embalagem é a eficácia da barreira microbiana, a qual impede sob condições específicas a migração de microrganismos do meio ambiente para o interior da embalagem.

2.0- PREPARO

Uma vez finalizada a fase de limpeza e redução da carga microbiana, o material deve ser preparado para a esterilização. Nesta fase alguns cuidados devem ser tomados. Deve-se observar as características mecânicas dos artigos, como furações, canais, sobressaltos, montagem, com a finalidade de garantir que o agente esterilizante terá condições de penetrar em todos os pontos.

Peças metálicas compostas de várias partes devem ser desmontadas completamente. Pinças, garras e outros dispositivos que abre e fecham devem ser embalados e esterilizados abertos. Frascos, placas e tubos de ensaio nunca devem ser esterilizados fechados ou tamponados.

Se um instrumento cirúrgico não está limpo, a esterilização e a desinfecção de alto nível tornam-se ineficientes, patógenos sanguíneos podem ser transmitidos, e os profissionais envolvidos na área da saúde correm um alto risco de transmissão de doenças. Por essa razão, os profissionais da área da saúde devem sempre limpar e descontaminar adequadamente o instrumental utilizado sem comprometer as boas práticas. O segredo para uma descontaminação bem sucedida está diretamente relacionado à habilidade do profissional da saúde, os tipos de soluções usadas e os materiaisnecessários para uma limpeza adequada. O profissional deve entender perfeitamente os passos necessários ao reprocessamento e preparação do instrumental cirúrgico que está sendo preparado para reuso.

3.0- EMBALAGENS

A embalagem do material a ser esterilizado constitui vital importância durante e após o processo de esterilização para garantir a qualidade e a longevidade da esterilidade do produto. Na escolha da embalagem mais adequada ao material a ser processado, devemos observar as seguintes recomendações:

  • A embalagem deve ser apropriada para o material.

  • Deve ser apropriada para o método de esterilização.

  • Deve proporcionar selagem adequada.

  • Deve proporcionar barreira microbiana.

  • Deve ser compatível às condições físicas do processo de esterilização.

  • Deve ser resistente as condições físicas do processo de esterilização.

  • Deve permitir adequada remoção do ar.

  • Deve permitir a penetração do agente esterilizante

  • Deve permitir a remoção do agente esterilizante

  • Deve proteger o conteúdo do pacote de danos físicos

  • Deve resistir a rasgos

  • Deve ser livre de furos

  • Deve ser livre de ingredientes tóxico.

  • Deve ser isento de particulado.

  • Deve ser usada de acordo com as instruções escritas do fabricante.

  • Deve apresentar custo-benefício positivo.

As embalagens mais comuns no mercado e geralmente adequadas à maioria dos materiais-hospitalares são o papel grua cirúrgico, o tecido-não-tecido (SMS) e os containeres metálicos. O campo de algodão também pode ser utilizado, desde que respeitadas às características segundo normas ABNT NBR 13546 (o campo duplo tem a finalidade de proteger e acondicionar materiais) e NBR 14028 (confecção de campo duplo). É possível limpar o material sem esterilizá-lo; mas é impossível esterilizar um material sem antes limpá-lo corretamente.

Ao término de um procedimento correto de esterilização, os produtos no interior da câmara do esterilizador estarão esterilizados. O ar da sala onde o esterilizador estiver instalado contém partículas de poeira que podem conter microorganismos. Logo, ao remover a carga do esterilizador, esta será novamente contaminada. Além do mais, normalmente os artigos esterilizados são armazenados por algum tempo antes de serem utilizados e ainda por cima são transportados dentro do ambiente hospitalar até o local onde serão utilizados. Fica claro que qualquer artigo, quando não protegido, será recontaminado até o momento de ser usado.

Os artigos devem ser acondicionados em embalagens para evitar a recontaminação após a esterilização. Ao mesmo tempo, o material da embalagem deve ser adequado para permitir a esterilização dos artigos contidos dentro dela.

Além do que, a embalagem deve proteger seu conteúdo durante o manuseio e transporte.

3.1- CONCEITOS DE EMBALAGEM PARA ARTIGOS ESTERILIZADOS

Na literatura brasileira, dividem-se as embalagens em reutilizáveis e descartáveis. Porém algumas literaturas, essa divisão é feita em embalagem primária e secundária. Dependendo do tipo de uso, armazenagem e transporte, um artigo esterilizado deve ser embalado em uma ou mais camadas de embalagem:

3.1.1- EMBALAGEM PRIMÁRIA

A embalagem primária evita a recontaminação do produto após a esterilização. Ela deve oferecer uma barreira microbiana e permitir a passagem de ar e do agente esterilizador, ex.: vapor. Uma embalagem primária é suficiente quando não há possibilidade de que poeira se deposite na embalagem, como em um depósito livre de poeira ou nos casos de reutilização imediata do material. A embalagem primária mantém a esterilização durante o armazenamento e transporte. Exemplos de embalagem primária são: 2 camadas de papel, 2 camadas de folhas de TNT (tecido não-tecido), embalagem de filme laminado ou duplamente laminado, saco de papel ou invólucros contendo filtro(s) adequados.

Instrumento em embalagem primária

3.1.2 - EMBALAGEM SECUNDÁRIA

Esta segunda camada serve para ajudar no armazenamento adequado e no transporte até o usuário. Essa embalagem pode conter uma ou mais embalagens primárias. Ex.: uma embalagem extra de plástico, saco, caixa de papelão ou invólucro. Essa embalagem pode garantir proteção adicional contra poeira e maior resistência mecânica, tornando o manuseio mais fácil. Essa embalagem é comumente usada para artigos esterilizados descartáveis

Itens descartáveis em embalagem secundária

3.1.3 - EMBALAGEM PARA TRANSPORTE

Essa embalagem é utilizada para transporte externo de artigos esterilizados dentro de suas embalagens primárias e secundárias. Normalmente é uma caixa de papelão resistente, engradado ou uma vagoneta fechada ou outro tipo de "container".

Quando os artigos entram em um ambiente limpo, ex.: sala de cirurgia, a embalagem para transporte deve ser removida.

Vagonetas para transporte externo

3.2 - VALIDAÇÃO DO SISTEMA DE EMBALAGEM

É fundamental que o sistema de embalagem e seus conteúdos estejam em conformidade com as exigências de manutenção da esterilidade e proteção de seu conteúdo. Por isso, todos os procedimentos de embalagem devem ser validados em conjunto com a carga e o procedimento de esterilização adotado. Ao verificar um processo de embalagem, as condições de transporte e armazenagem devem ser igualmente consideradas. 

Todo processo deve ser validado

3.3- EXIGÊNCIAS DA EMBALAGEM

Ao observar uma embalagem desde o momento em que ela é colocada em volta de um artigo antes de sua esterilização até o momento em que seja aberta antes da sua utilização de seu conteúdo, tornam se evidentes os requisitos dela:

  • Viável à esterilização. A embalagem deve possibilitar que o ar dentro da embalagem seja expulso e que o agente esterilizador alcance todas as superfícies do seu conteúdo.

  • Compatível com o processo de esterilização. A embalagem deve resistir às condições inerentes aos processos de esterilização, tais como mudanças de pressão, altas temperaturas e umidade.

  • Manutenção da esterilização. Após sua a remoção do esterilizador, o artigo deve permanecer esterilizado durante seu manuseio, transporte e armazenagem até seu uso.

  • Resistente. A embalagem deve manter sua integridade após manuseio e transporte.

  • Garantir a integridade do produto e a segurança do paciente. A embalagem não pode liberar produtos químicos ou partículas ou afetar o produto de forma a alterar sua qualidade ou colocar em risco o paciente em quem o produto será utilizado.

  • Indicador. A embalagem deve conter uma marcação claramente visível indicando se o produto está ou não esterilizado.

  • Possibilitar abertura e apresentação assépticas. Ao abrir um produto esterilizado, a chance de sua re-contaminação deve ser mantida a mais baixa possível. Deve-se evitar a re-contaminação ao remover o produto de sua embalagem. Em outras palavras: esta embalagem deve permitir abertura e apresentação fáceis. Isso implica em:

    • Abertura simples

    • Ao remover o artigo esterilizado da embalagem, não deve ser permitido seu contato com a superfície externa da embalagem.

  • Indicativo de abertura. A embalagem deve oferecer indicação clara e visível de sua abertura.

3.4 - ORIENTAÇÕES GERAIS PARA A PRÁTICA DA EMBALAGEM

  • Nas unidades hospitalares que empregam mais de um método de esterilização, medidas devem ser adotadas para garantir que a troca das embalagens de esterilização seja evitada. As embalagens devem conter indicações claras sobre que tipo de processo de esterilização deve ser utilizado.

  • Instrumentos médicos re-utilizáveis que se destinam à re-esterilização (ex.: em função do vencimento da data de validade, ou porque a embalagem foi de alguma maneira danificada) devem ser inspecionadas e quando necessário, lavadas e reembaladas. Embalagens têxteis devem ser recondicionadas.

  • O conteúdo de uma embalagem que tenha sido equivocadamente aberta deve ser considerado como não esterilizada. Deve ser evidenciado que a embalagem foi aberta. Ex.: danificando o material do qual a embalagem é feita. O conteúdo dessa embalagem deve então ser inspecionado e quando necessário, lavado. Devendo somente então ser re-embalado e esterilizado.

4.0 MATERIAIS DE EMBALAGEM

Uma variedade de materiais usados para embalagem encontra-se disponíveis.

Os materiais utilizados para embalar artigos esterilizados são tradicionalmente re-utilizáveis, tais como tambores ou artigos de algodão. Porém algumas literaturas trazem que devido a sua natureza inadequada como barreira microbiana, a maioria desses materiais já não está em conformidade com as exigências para embalagens. Tratam ainda que o algodão e os tambores podem, contudo exercer uma função secundária de proteção mecânica ou como camada adicional contra poeira, e não como única embalagem. Atualmente, no Brasil, a realidade é outra, o algodão e os tambores ainda são utilizados como embalagens primárias. As embalagens feitas de filme laminado ou tecido não-tecido são tidas como materiais adequados para embalagem primária. Por questões didáticas, dividiremos as embalagens em reutilizáveis e descartáveis:

4.1REUTILIZÁVEIS

4.1.1 - ALGODÃO

Uso: Embalagem interna de conjuntos de instrumentos ou proteção externa contra poeira

Tecidos de algodão há muito vêm sendo o material de embalagem padrão para artigos esterilizados. Esse material possui grandes vantagens:

  • Tecidos são produtos comuns e bem conhecidos nas dependências hospitalares;

  • Possuem boa resistência ;

  • Facilmente dobráveis e conveniente de serem utilizados;

  • Podem ser re-utilizados.

Algumas desvantagens no uso de embalagem de tecido:

  • Dificuldade de monitoramento do desgaste do tecido após repetidas lavagens;

  • Baixa vida útil, devido ao desgaste das fibras;

  • Falta de regulamentação de manufatura, com isso o consumidor não tem orientação nem garantia do fabricante na escolha do tecido e do número de vezes que o mesmo pode ser reprocessado;

  • Baixo grau de eficiência como barreira microbiana, é de 34%;

  • Ausência de resistência à umidade;

  • Sobrecarga de trabalho, principalmente para os setores de costura e lavanderia;

  • Padrão de alinhamento das fibras, que cria caminhos livres de obstáculos, facilitando a passagem dos microorganismos.

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