Manual do Bem Estar para Gestante

Manual do Bem Estar para Gestante

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Projeto Realizado pelos Alunos do Curso de

Nutrição da Fundação Educacional de Fernandópolis

cuidar bem de sua sssaaaúúúde

Gravidez::: tudo o que vvvocccêêê precisa saber para

Primeiramente, gostaríamos de parabenizar a você, mamãe, por esta nova vida que está sendo gerada. E é para que você aproveite da melhor maneira possível este período tão importante, que iniciaremos um programa onde, mensalmente, você poderá compartilhar suas experiências com outras gestantes, tirar suas dúvidas com profissionais da área da saúde, controlar seu peso e aprender novas receitas e dicas para uma alimentação saudável. Este manual contém informações muito importantes, e você deverá trazê-lo em nossas reuniões para que possamos preenchê-lo regularmente e, assim, analisarmos o andamento da sua gestação.

Entenda Melhor o que esta aaaccconnnttteeeccceeennndddo

A gestação é um período da vida da mulher em que há um desgaste particular. Nesta fase ocorrem muitas mudanças em seu corpo, não somente dentro do útero, mas o corpo todo se prepara para manter esta nova vida e proporcionar à mãe e ao feto tudo que for necessário. Todo o corpo é controlado por hormônios, e as alterações dos níveis hormonais da mulher, controlam as mudanças físicas necessárias para uma gravidez saudável e para o parto. Assim a mulher tende a passar por inúmeras alterações:

Primeiro, a menstruação falha ou cessa e, em seguida, os seios tornam-se sensíveis indicando o inicio da produção de leite. Também a aréola, região em volta do mamilo torna-se mais escura.

Náuseas e vômitos também ocorrem por conta da produção de hormônios que mantêm o bebê no útero, esta adaptação demora cerca de três meses;

Aumento do volume de sangue se faz necessário, bem como o aumento na sua produção, pois o organismo da mãe deverá manter, além de suas funções normais, a formação do feto. Com isto, pode ocorrer aumento da pressão arterial, leve sensação de falta de ar, inchaços e a falta de algumas vitaminas.

Desejos, que não podem ser ignorados, pois podem indicar algum tipo de necessidade do organismo como falta de alguma vitamina, por exemplo.

A partir do segundo trimestre, podem ocorrer dores nas costas, por suportar o peso do feto; O apetite tende a aumentar;

Os seios também aumentam seu tamanho e pode haver saída de secreções mamárias;

O abdome torna-se mais visível e já se pode sentir os movimentos do feto;

Constipação intestinal, que também ocorre por conta da alteração dos hormônios nos três primeiros meses da gestação, se evidencia a partir do segundo trimestre, devido ao crescimento uterino que comprime o intestino. Esta mesma compressão pode causar hemorróidas.

Azias podem ser ocasionadas na medida em que o feto cresce no útero e comprime o estômago gerando regurgitações.

O ganho de peso é mais rápido a partir do terceiro trimestre de gestação;

Nesta fase, o útero cresce de tal maneira que pode exercer pressão sobre os pulmões e, consequentemente, ocasionar falta de ar.

Os ligamentos e articulações na pelve começam a suavizar e se tornam mais flexíveis, ao final da gestação, já se preparando para o nascimento do bebê, esta frouxidão pode ser desconfortável.

Orientações sobre alimentação durante a gestação

A alimentação da mulher durante a gravidez tem a finalidade de manter a gestante saudável, formar o bebê, armazenar nutrientes para a fase de amamentação, e para o bebê nos seus primeiros dias de vida. Portanto, um bom suporte nutricional nesta fase irá ajudar a mulher a ter uma gestação saudável e segura.

1º Mês

Coma muito bem. É hora de programar uma dieta bem equilibrada. Refeições leves e freqüentes devem substituir aquelas grandes e espaçadas. Certifique-se de ingerir proteínas e bastante cálcio e fósforo necessários para a formação dos ossos e dos dentes do bebê. Não podem faltar em sua mesa leite, queijo, frutas, vegetais com folhas verdes (especialmente brócolis), ovos e carnes magras.

2º Mês

Evite as comidas muito pesadas (tipo feijoadas, churrasco, frituras, etc.), afinal esta é a época dos enjôos.

3º Mês

Beba pelo menos 2 litros e meio de água por dia. O ideal é você ter uma garrafa de água só sua, para poder controlar a

quantidade de líquido ingerida. Neste período você sentirá muita sede e deve ingerir bastante líquido. Vitaminas e sucos naturais também devem fazer parte do seu cardápio diário. Evite beber chás diuréticos, pois pelo seu efeito podem transformar sua vida num vai e vem de banheiros, ou causar algum grau de hipotensão e pressão baixa.

4º Mês

Aproveite, você chegou na melhor fase. Os enjôos já devem ter passado, seu bebê ficou mais seguro e você está leve e com muita disposição. Cuidado para não exagerar.

5º Mês

Sua dieta deve permanecer saudável e equilibrada. Nesta fase é muito comum as futuras mamães comemorarem o fim dos enjôos e mal estar com guloseimas, frituras, doces e gorduras. Previna-se de tentações e mantenha a geladeira cheia de frutas, gelatinas, verduras, e legumes. Fora isso só em ocasiões muito especiais e em pequenas quantidades. Lembre-se a sua digestão demora mais e a gordura acumulada na gravidez é mais difícil de desaparecer depois.

6º Mês

Restrinja o uso do açúcar refinado, sobretudo entre as refeições e consuma alimentos ricos em vitamina C, que fortalecem a gengiva e a circulação (mas não elimine o açúcar totalmente, pois o bebê precisa dele para crescer).

Assegure a cota diária de cálcio (ex. 03 copos de leite diários). O cálcio é responsável pelo fortalecimento dos seus dentes e para a formação dos dentes do bebê. Continue com uma alimentação saudável e equilibrada e lembre-se falta pouco!

7º Mês

Continue cuidando da sua alimentação e tomando as vitaminas recomendadas pelo seu médico. Muitas mulheres dobram o apetite nesses últimos meses. É normal em parte pela ansiedade com a proximidade do parto, em parte com o fato de o bebê começar a ganhar peso. Evite cometer excessos, mas continue se alimentando muito bem.

8º Mês

Continue cuidando da sua alimentação sem exageros! Realize todas as refeições diárias, com moderação e bom senso na hora do tipo de alimentos consumidos e restringindo sua quantidade.

9º Mês

Se desejar alguma comida especial não se prive, satisfaça a sua vontade dentro do razoável, desde que sua escolha não lhe cause má digestão. Aproveite!

O Ganho de Peso na Gestação

O peso da futura mamãe antes que ela engravide é muito importante para sua saúde e a saúde do bebê antes e até mesmo após seu nascimento. Este fator influirá diretamente em sua gestação, pois existe um limite de peso seguro a se ganhar durante a gravidez e quando a mulher já se encontra acima de seu peso ideal, este limite acaba se estreitando mais. Além disso, o peso acima do ideal pode desencadear alguns distúrbios como diabetes gestacional. A mãe que se encontra abaixo de seu peso ideal, também corre risco de ter carências nutricionais nesta fase, bem como seu bebê de sofrer danos por estas carências. Portanto o acompanhamento nutricional é muito importante.

O ganho de peso da gravidez não significa que a mulher esteja ganhando apenas gordura, pois, conforme a tabela nos mostra, existem vários componentes, além do bebê, que influenciam para seu ganho de peso durante os nove meses.

Componentes 10ª semana 20ª semana 30ª semana 40ª semana

O ganho limite de ganho de peso ideal até o final da gestação, para uma mulher de IMC normal, é de 12.500kg, porém um ganho de peso abaixo de 7.000kg também não é saudável. Para saber seu IMC, Índice de Massa Corpórea, e qual o seu limite de ganho de peso na gravidez, você pode fazer o seguinte cálculo:

Peso Altura²

Então compare o resultado desta conta nos seguintes parâmetros: <19,8Kg/m2: Baixo peso 19,8 a 26Kg/m2: Normal 26 a 29Kg/m2: Sobrepeso > 29Kg/m2: Obesidade

Fonte: Instituto de Medicina dos EUA (IOM), 1992

Vale lembrar que este cálculo deve ser feito com seu peso, antes de engravidar.

Você também aprenderá, durante nossas palestras esta e outras formas de delegar seu peso, como o Nomograma e a Curva de Rosso que estão anexas ao seu manual.

Diabetes Gestacional

Diabetes Gestacional significa que durante a gravidez a futura mãe começa a apresentar elevadas taxas de glicose (açúcar) no sangue. Uma vez tenha aparecido, o diabetes gestacional dura até o final da gravidez. Ele afeta até 14 por cento de todas as mulheres grávidas em todo o mundo.

É mais comum na população negra, latina e nas mulheres asiáticas do que em caucasianas (brancas). Como os outros tipos de diabetes, em conseqüência do Diabetes Gestacional, o açúcar (glicose) excedente na circulação sangüínea não pode ser passado de forma eficaz para as células do corpo, como por exemplo, as células musculares que normalmente usam açúcar como combustível para funcionar. O hormônio insulina ajuda a transportar o açúcar da circulação sangüínea para dentro das células. No Diabetes Gestacional, o corpo não responde bem à ação da insulina, a menos que a insulina possa ser produzida ou possa ser suprida em maiores quantidades. Na maioria das mulheres, o problema se resolve quando a gravidez termina, mas as mulheres que tiveram Diabetes Gestacional têm maior risco de desenvolver o diabetes tipo 2 com o passar do tempo.

O Diabetes acontece durante a gravidez porque certos hormônios produzidos durante a gravidez (por exemplo, o GH - hormônio do crescimento) fazem com que o corpo fique resistente aos efeitos da insulina. Estes hormônios são essenciais a uma gravidez saudável e ao feto, mas eles podem bloquear parcialmente a ação de insulina. Na maioria das mulheres, o pâncreas reage a esta situação produzindo insulina adicional o bastante para superar a resistência à insulina. Em mulheres com Diabetes Gestacional, a insulina extra não é produzida o suficiente e o açúcar não pode ser processado corretamente pelo corpo. Dessa forma a glicose se acumula na circulação sangüínea.

À medida que o feto cresce, maiores quantidades dos hormônios que interferem com a insulina são produzidas. Por isto, o Diabetes Gestacional normalmente começa no último trimestre de gravidez. No parto, os hormônios do corpo rapidamente voltam aos níveis pré-gravidez. Tipicamente, o pâncreas está apto a produzir insulina o suficiente, novamente, e os níveis de glicose no sangue retornam ao normal.

Quadro Clínico

Algumas mulheres grávidas com Diabetes Gestacional têm os sintomas do diabetes associados com a hiperglicemia (glicose alta no sangue). Estes incluem:

Sede aumentada Diurese mais freqüente (urina aumentada) Perda de peso, apesar do elevado apetite. Cansaço Náuseas ou vômitos Infecções por fungos (candidíase vaginal, por exemplo). Visão turva

Porém, algumas mulheres não têm nenhum sintoma detectável, razão pela qual os exames para o diabetes serem feitos de rotina no pré-natal em todas as mulheres grávidas.

Diagnóstico

O Diabetes Gestacional normalmente é diagnosticado durante a o exame de rotina do tratamento pré-natal. Numa gravidez normal, os níveis de glicose estão aproximadamente 20% abaixo do que é visto em mulheres que não estão grávidas porque o feto em desenvolvimento absorve uma parte da glicose do sangue da mãe. O Diabetes é evidente se os níveis de açúcar no sangue forem mais altos que o esperado para a gravidez.

Para a mulher que é está acima do peso, que tem uma história familiar de diabetes ou tem sintomas que sugerem o diabetes, é recomendável fazer o teste de tolerância à glicose já na primeira visita pré-natal. A maioria das mulheres que não se enquadram nesta categoria deve fazer o teste entre a 24ª e a 28ª semana de gravidez.

Prevenção

Normalmente o Diabetes Gestacional não pode ser prevenido. Porém, mulheres que estão acima do peso durante a gravidez têm um risco mais alto da doença, e o controle cuidadoso do peso antes da gravidez pode reduzir esse risco. Não são recomendadas dietas com muito baixa caloria durante a gravidez porque a nutrição adequada é importante para o feto.

Complicações do Diabetes Gestacional podem ser prevenidas controlando cuidadosamente o açúcar no sangue e ser freqüentemente vista pelo obstetra ao longo de sua gravidez nas consultas pré-natais.

Depois da gravidez, você pode reduzir o risco de desenvolver o diabetes tipo 2. Exercícios regulares e uma dieta de baixas calorias tem se mostrado eficazes para reduzir o risco de diabetes em pessoas que têm risco alto para o diabetes. O medicamento Metformin (Glicofage) pode ajudar a prevenir o diabetes em mulheres que elevaram um pouco os níveis de glicose no sangue fora da gravidez, mas que não têm níveis altos o bastante para serem rotuladas de diabéticas.

Tratamento

Algumas mulheres grávidas podem persistir com a glicose no sangue em níveis saudáveis somente com dieta. Isto requer consulta a um nutricionista para montar um plano de dieta e o monitoramento dos níveis de glicose no sangue.

Se a dieta não controlar adequadamente a glicose no sangue, o médico irá prescrever insulina. Comprimidos para abaixar o açúcar no sangue não são aprovados para uso em mulheres grávidas por causa dos possíveis efeitos adversos ao feto, embora um medicamento oral (ex. Metformin) seja usado em alguns países. A Insulina é usada durante a gravidez para tratar muitas mulheres com Diabetes Tipo 1 (dependente de insulina) e o Diabetes Gestacional e parece não oferecer nenhum risco ao feto quando os níveis de açúcar no sangue são monitorados de perto.

O Diabetes Gestacional pode oferecer alguns riscos e problemas potenciais ao feto em desenvolvimento. Ao contrário do Diabetes Tipo 1, ele raramente causa problemas congênitos (ao nascimento) sérios porque na maioria dos casos ele não aparece antes do último trimestre de gravidez. Porém, um feto que normalmente se desenvolveu numa mãe com diabetes gestacional pode ter complicações durante o parto porque o ele pode ser maior que o normal (chamado macrossômico) como resultado da exposição excessiva à glicose. Níveis de açúcar no sangue administrados de forma insuficiente podem aumentar as chances de morte fetal antes do parto. O parto pode ser mais difícil, e a necessidade de parto Cesárea é mais freqüente. Se o trabalho de parto natural não aconteceu antes de 38 semanas de gravidez, o obstetra aconselhará induzir o trabalho de parto ou marcará a cirurgia para evitar problemas com o feto macrossômico.

As complicações também podem afetar o bebê depois do nascimento. Antes do parto, o feto produz quantidades abundantes de insulina enquanto está exposto aos níveis elevados de açúcar da mãe. Depois do parto, antes de sua própria produção de insulina e o bebê ter condições de se ajustar, baixo níveis de açúcar no sangue podem acontecer temporariamente (hipoglicemia pós-natal). Se a paciente tiver Diabetes Gestacional, o açúcar do sangue de seu bebê deve ser medido freqüentemente depois do nascimento. Glicose endovenosa pode ser necessária para manter o açúcar no sangue do bebê em níveis normais. Outros desequilíbrios químicos também podem acontecer temporariamente, sendo necessário monitorar o cálcio e a contagem de glóbulos vermelhos do bebê.

Quando procurar o médico?

Todas as mulheres grávidas devem receber tratamento prénatal nas visitas regulares ao Obstetra. A maioria das mulheres deve fazer um exame de tolerância à glicose entre a 24ª e 28ª semanas de gravidez. As mulheres com risco alto de diabetes devem fazer o exame mais cedo.

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