Prevenção e Controle de Infecção Hospitalar

Prevenção e Controle de Infecção Hospitalar

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Ministério da Saúde

As inovações tecnológicas produzidas pela inteligência humana, embora signifiquem avanços, podem também gerar riscos à saúde, quando não monitoradas de maneira adequada. Por isso, a qualidade do atendimento à população está intrinsecamente relacionada à monitoração desses riscos.

Cabe ao Estado ser o regulador dessa relação por meio da adoção de medidas de controle e prevenção e pela veiculação de informações à sociedade. Isto contribui para a efetiva participação dos usuários no processo de construção de um sistema de saúde de qualidade.

Por essa razão, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publica esta série dedicada aos Serviços de Saúde no intuito de levar aos profissionais da área instrumentos práticos para o gerenciamento dos riscos sanitários. Espera, assim, por meio destas publicações, contribuir para o desenvolvimento de ações seguras, além de disponibilizar informações atualizadas que podem ser repassadas ao público.

Pediatria - Prevenção e Controle de Infecção

Hospitalar

Pediatria Prevenção e Controle de Infecção Hospitalar

Tecnologia em Serviços de Saúde

Brasília, 2006

Copyright © 2006. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. É permitida a reprodução total ou parcial desta obra, desde que citada a fonte.

Depósito Legal na Biblioteca Nacional, conforme Decreto n.º 1.825, de 20 de dezembro de 1907.

1º Ed. 1250 exemplares.

Conselho Editorial da Anvisa Dirceu Raposo de Mello Cláudio Maierovitch Pessanha Henriques Franklin Rubinstein Victor Hugo Travassos da Rosa Carlos Dias Lopes Márcia Helena Gonçalves Rollemberg

Núcleo de Assessoramento à Comunicação Social e Institucional Assessor-Chefe: Carlos Dias Lopes

Editora Anvisa

Coordenação Pablo Barcellos

Projeto Gráfico João Carlos Machado e Rogério Reis

Diagramação André Luis Masullo Rogério Reis

Revisão Clara Martins

Capa Paula Simões e Rogério Reis

Brasil. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

Pediatria: prevenção e controle de infecção hospitalar/ Ministério da Saúde, Agência Nacional de Vigilância Sanitária. – Brasília : Ministério da Saúde, 2005.

116 p. – (Série A. Normas e Manuais Técnicos)

ISBN 85-334-1049-2

1. Pediatria. 2. Controle de risco. I. Título. I. Série. NLM WS 1-100

Catalogação na fonte – Editora MS

1. Principais Conceitos em Infecção Hospitalar13
2. Prevenção da Transmissão da Infecção no Ambiente Hospitalar19
3. Infecção Hospitalar em Unidade de Terapia Intensiva29
4. Infecções Hospitalares em Neonatologia39
5. Infecções Hospitalares em Enfermaria de Pediatria63
7. Uso Racional de Antimicrobianos87
8. Controle de Surtos de Infecção Hospitalar95
9. Infecções Hospitalares Adquiridas em Consultório/Ambulatório101
10. Interfaces entre a Humanização da Assistência e o Controle107

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) têm a satisfação de publicar o Manual de Controle de Infecção Hospitalar em Pediatria.

Trata-se de precioso resultado das ações conjuntas definidas nos termos da parceria firmada entre as duas entidades com o intuito de contribuir para a elevação do nível de saúde da infância e da adolescência brasileiras.

O Manual foi elaborado pelos integrantes do Grupo Técnico de Controle de Infecção Hospitalar da SBP e revisado pela equipe da Anvisa. Destina-se à difusão de conceitos, normas, cuidados, procedimentos e legislação em vigor, aplicáveis tanto à organização das unidades de saúde em que transcorrem os atendimentos pediátricos, como às peculiaridades da prática profissional apropriada à faixa etária correspondente. O objetivo é o fortalecimento da cultura de prevenção de infecções adquiridas em unidades pediátricas de saúde, pressuposto essencial à qualidade dos serviços prestados em todas as etapas dos processos de diagnóstico e tratamento das doenças. Presta-se, por isso mesmo, aos pediatras e a todos os demais profissionais que atuam nos ambientes de atenção à saúde de crianças e adolescentes do país.

Os temas que compõem o conteúdo do Manual cobrem a maioria das questões suscitadas nesse domínio de conhecimento. Estão escritos de forma clara, simples, concisa e, sobretudo, prática, como cabe a um texto dessa natureza.

O alcance da relevante iniciativa demonstra o extraordinário benefício que pode resultar da combinação de esforços entre o poder público e as entidades da sociedade civil, quando convergem para a promoção do bem estar físico mental e social da população.

A Anvisa e a SBP estão certas de que, com a publicação deste Manual, cumprem seus compromissos institucionais com a saúde de importante parcela do povo brasileiro.

Cláudio Maierovitch - Diretor da Anvisa Dioclécio Campos Júnior - Presidente da SBP

Infecção Hospitalar (IH) é o agravo de causa infecciosa adquirido pelo paciente após sua admissão em hospital. Pode manifestar-se durante a internação ou após a alta, desde que relacionado à internação ou a procedimentos hospitalares.

Atualmente, o conceito de IH é mais abrangente quando se contempla a infecção adquirida durante a assistência ao paciente em um sistema de não-internação, no atendimento em ambulatórios ou em consultórios. No contexto das infecções, há grande diferença entre esses pacientes e os pacientes hospitalizados. Para enfatizar o controle da infecção na assistência ambulatorial, é preciso não expor desnecessariamente o paciente a riscos inerentes à internação e à microbiota hospitalar.

Na pediatria, os riscos de aquisição de infecções do pequeno paciente, em ambiente ambulatorial, têm tanta importância quanto no ambiente hospitalar, tendo em vista que as medidas de precaução e isolamento, nesses locais, praticamente inexistem, sendo comum em uma mesma sala permanecerem crianças e adolescentes com doenças infecciosas, muitas vezes em período de transmissibilidade, ao lado de outros clientes hígidos que comparecem à consulta do pediatra para acompanhamento, verificação do crescimento e do desenvolvimento. Nesse aspecto, há grandes obstáculos a serem vencidos e o maior entre eles é a dificuldade de um sistema de vigilância epidemiológica destas infecções, na obtenção e gerenciamento das informações e, conseqüentemente, na construção de indicadores.

A complexa relação entre os microrganismos e os seres humanos, apesar das inúmeras pesquisas desenvolvidas nessa área, limita nossa ousadia quando se trata da avaliação de resultados.

A formação do profissional de saúde, que até os dias atuais dificilmente conta com esse assunto na grade curricular, contribui para perpetuação de erros, desconhecimento de técnicas e descumprimento das normas de proteção ao paciente, levando ao potencial risco das infecções.

O controle da IH envolve, portanto, toda equipe de saúde, incluindo o médico, especialmente, o pediatra pelas peculiaridades dos seus pacientes, que tem fundamental importância na prevenção e controle dessa entidade nosológica.

Na faixa etária pediátrica, muitos pacientes são admitidos com processo infeccioso adquirido na comunidade – Infecção Comunitária. Contribui para isso o contato físico da criança com o ambiente e objetos contaminados; a convivência com familiares portadores de doenças infecciosas e a permanência cada vez mais acentuada em creches e escolas.

Uma série de fatores proporciona o desenvolvimento das IH na criança, tais como: a lenta maturação do seu sistema imunológico, cujo desenvolvimento é menos acentuado quanto menor for a idade, tornando maior o risco de aquisição de doenças transmissíveis; o compartilhamento de objetos entre pacientes pediátricos; a desnutrição aguda; a presença de anomalias congênitas; o uso de medicamentos, particularmente de corticosteróides; e as doenças hemato-oncológicas.

A incidência da IH em pediatria cresceu nos últimos anos com o aumento dos procedimentos invasivos, do desenvolvimento tecnológico, principalmente nas Unidades de Terapia Intensivas Neonatais (UTIN), em que o aumento da média de permanência do paciente vem propiciando o desenvolvimento de mais infecções. O uso indiscriminado dos antimicrobianos é outro fator coadjuvante nesse cenário cada vez mais crítico, gerando o surgimento de germes multirresistentes.

No controle das IH, é fundamental a retomada de práticas simples, mas que são relegadas a um plano secundário, como a lavagem das mãos, a utilização correta das medidas de precaução e isolamento, a conscientização da equipe de saúde sobre essas medidas aliadas à orientação aos acompanhantes do pequeno paciente.

Por todas essas considerações, e em virtude da magnitude do problema, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) apresenta este Manual, cujo objetivo maior é alertar e conscientizar o pediatra e os demais profissionais da saúde para o diagnóstico, a prevenção e o controle das infecções em serviços de saúde.

Para que esse objetivo seja atingido, faz-se necessário a abordagem do problema de maneira clara e precisa, voltada para a ação aliada ao conhecimento que incluem a segurança e a melhoria da qualidade da assistência ao paciente pediátrico.

Glória Maria Andrade

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Glória Maria Andrade

Para melhor compreensão dos termos que serão utilizados neste Manual, são apresentados a seguir os conceitos mais freqüentemente utilizados em controle de infecção e baseados na legislação brasileira vigente.

Presença transitória de microrganismos em superfície sem invasão tecidual ou relação de parasitismo. Pode ocorrer em objetos inanimados ou em hospedeiros.

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