Educação é poder ou conhecimento?

Educação é poder ou conhecimento?

(Parte 1 de 4)

A busca pela cientificidade nas ciências humanas... Maria Julieta Weber Cordova

espaço michel foucault – w.filoesco.unb.br/foucault

Ana Paula Menezes de Freitas

Pós-graduação em Educação Profissional – Escola Politécnica de Saúde menezes-freitas@uol.com.br

Joaquim Venâncio

Pós-graduação (em curso) Orientação Educacional e Pedagógica –UCAM. Bolsista Pró-Gestão da Fundação Oswaldo Cruz - Fiocruz.

Resumo: A escolha do tema proposto para a análise surgiu das minhas constantes indagações, quanto à postura do educador que foi se transformando e perdendo seu estado revolucionário, diante de um processo coercitivo, tanto no seu discurso quanto nas próprias instituições, desde o 1º período de participação em uma instituição que tem como “chão” demarcado de poderes coercitivos ao conhecimento. Isto se relacionando a questão do poder exercido nas instituições escolares e a fragmentação da proposta que não vai de encontro com as nossas reais necessidades. Palavras-chave: Ética, Poder, Educação, Filosofia.

A proposta inicial se dá como ponto principal o motivo que na maioria das repartições educacionais privadas pensam e reproduzem a educação através de diversos pensamentos elaborados e fincados a uma determinação de um único patamar ao qual o universitário poderia chegar e assim buscar Michel Foucault traduz como objetivo de ao mesmo tempo manter-se corpo produtivo e corpo submisso? Será que, apesar de estudarmos e analisarmos uma pedagogia preocupada com a necessidade do outro, estaremos construindo modelos para a dominação? Segundo Foucault (1979:129) “mas a monografia tomada menos como um estudo de um objeto particular do que como uma tentativa de fazer vir novamente à tona os pontos em que um tipo de discurso se produziu e se formou”.

O autor em questão foi um dos que desafiou o poder estabelecido e que confirmou o discurso numa época que a razão era a fonte de existência humana, onde o saber e o poder estavam intimamente concatenados. Como o próprio no início de seus estudos tinha como linha de estudo de como os saberes foram construídos, sendo Strathern (2003:52):

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Foucault reconhecia que o mais importante aspecto do poder estava nas relações sociais. Indivíduos teriam o poder na forma de dominação e coerção’ mas mais importante, o poder estava também envolvido na produção e uso do saber. Em meio à complexidade da sociedade moderna, com sua multiplicidade de divisões de poderes, isso parece uma análise mais profunda.

Será que as idéias sempre ficaram perdidas, por falta de essência por encontrar barreiras e diferenças? Como Foucault, de como se estrutura as idéias formuladas para as questões das transformações da humanidade, como:

é difusa, claro, raramente formulada em discursos contínuos e
utiliza um material e processos de relação entre siO mais das

sistemáticos; compõe-se muitas vezes de peças ou de pedaços, vezes, apesar da coerência de seus resultados, ela não passa de uma instrumentação multiforme” (Ibidem, p.26)

Faço sempre presente a todos que quiserem fazer diferente, no sentido de tornar-se flexível na sua prática que primeiramente seja capaz de assumir sua incapacidade e ao mesmo tempo desvelar o mito que se faz da profissão educador e como se essa profissão fosse capaz de deter todo o saber, partindo dessa tentativa de refletir a qualquer certeza e incerteza que sustenta uma prática pedagógica. Com isso na tentativa estar rompendo o paradigma que o educador é aquele que só orienta e assiste em cima do muro a opressão de vida cotidiana de seus alunos.

O conhecimento apresenta-se de diversas formas através de imagens que são reproduzidas aos sujeitos, como forma de mudança do seu real. Segundo Candeias (1998:131):

“É na verdade de que a instrução, tal como está preparada, tem por fim, não fazer homens compreendedores dos seus direitos dentro da sociedade, mas autômatos que se prestem a soldados de defesa da sociedade, bolsas para o pagamento de imposto.”

A elaboração desta monografia vem trazer a contribuição de Michael Foucault de como se entrelaçam e como caminham uma tentativa de mudança do ideário educacional.

Como Foucault (1979:XIV) “tanto o deslocamento do espaço da análise quanto
do nível em que esta se efetuao objetivo da análise é estabelecer relações entre os

saberes......e não julgado a partir de um saber posterior e superior”, ou seja o homem ao

A busca pela cientificidade nas ciências humanas... Maria Julieta Weber Cordova espaço michel foucault – w.filoesco.unb.br/foucault mesmo tempo que detém o conhecimento para fazer parte da sociedade torna-se instrumentalizado para estabelecer regras de convivência. Por isso que o conhecimento é uma forma deste sujeito estabelecer relações que poderão dar-lhe diversas sugestões ou alternativas de poder que poderá representar.

Para Michel Foucault, a escola exerce sua função de forma egocêntrica, pois se muda só a fachada, porém seus principais objetivos continuam os mesmos, independentes da época a ser vivida. Um exemplo claro é que cada vez mais surgiram inovações pedagógicas, onde o sujeito que sofre a ação serão sempre os alunos e não quem pensa e efetiva esses ideais, como se os alunos fossem um vírus que não podem ultrapassar redes interconectadas. Segundo Foucault (2004:17):

práticas como a pedagogiao saber é aplicado em uma

“...essa vontade de verdade, como os outros sistemas de exclusão, apóia-se sobre um suporte institucional: é ao mesmo tempo reforçada e reconduzida por todo um compacto conjunto de sociedade, como é valorizado e distribuído, repartindo e de certo modo atribuído”

As instituições escolares é uma passagem, como entramos no ônibus com uma finalidade e saímos sem compromisso do que realmente acontece após, no sentido de que não conhecemos que está ocupando ou até mesmo em pé. E que a passagem é uma autorização para uma próxima etapa como a roleta, quando saltamos desta condução.

Estes conhecimentos ensinados desvinculados com as necessidades de vivência social, parte da seleção de conhecimentos que podemos atribuir que ainda vive-se de saberes inúteis que sustentam toda uma rede que é educativa e se diz educativa, sendo um fato verídico que a sociedade ainda paga para a manutenção desta fragmentação de uma educação que ainda sustenta-se em um discurso maquiador e ao mesmo tempo coeso e sucinto.

Acredito que, após as análises dos livros “Microfísica do poder” e “Vigiar e punir”, juntamente aos estudos de caso, será possível vislumbrar a força que as idéias de Foucault ainda trazem ao campo pedagógico.

Partindo do princípio de que a escola nasce como a necessidade de organização do saber e na tentativa de atender determinados interesses. A exclusão começa a moldar a sua forma e a ser exercida como forma de poder deter esse conhecimento as amarras de um

A busca pela cientificidade nas ciências humanas... Maria Julieta Weber Cordova espaço michel foucault – w.filoesco.unb.br/foucault currículo monopolizador, ou seja, articulado por uma democracia representativa, onde este povo que se insere na instituição é educado para fins de participar “efetivamente da sociedade”, baseado no ato político e democrático sobre a educação dessas camadas populares. Segundo Brandão (1988:1) “A educação participa do processo de produção de crenças e idéias, de qualificação especialidades que envolvem as trocas de símbolos, bens e poderes que, em conjunto constroem tipos de sociedades. E esta é a sua força”.

Desde o seu nascimento a educação esteve atrelada a nossa existência e a diversos interesses, sociais, políticos, culturais e principalmente religiosos. Nesse sentido a cada década afirma-se um “mito” da pobreza das crianças, jovens e adultos das camadas desfavorecidas, “mito” este a direcionar os projetos, leis, enfim diretrizes que nunca se articularam com o princípio educativo.

Como Candeias (1998:132):

“Afinal, não era a “escola para todos” uma reivindicação de todos, e sobretudo daqueles que designamos como povo, ou seja aqueles que agrupamos de uma forma geral nos lugares mais baixos da hierarquia social”.

Sendo estes paradigmas por apresentarem-se de diversas formas nortearam, criaram e criam diversas identificações que Michael Foucault em (1979:XIII) que “toda teoria é provisória, acidental, dependente de um estado de desenvolvimento da pesquisa que aceita seus limites, seu inacabado, sua parcialidade, formulando conceitos que clarificam dados” que relatam a cada identificação que é direcionada para cada década e com esta mudança, desenvolveu-se uma roupagem para reafirmar os princípios educativos, pois sua teoria e prática tiveram como grande dificuldade a verdadeira construção deste sujeito que não passa dos muros das instituições das escolas, pois o cotidiano da escola tende a ser refratário as desigualdades e resistente as mudanças de construção do conhecimento.

Nesse aspecto Brandão se aproxima de Laraia (2001:46), quando este diz que “é necessário que coloque ao alcance desses indivíduos o material que lhes permita exercer a sua criatividade de maneira revolucionária”.

O maior desafio da nossa contemporaneidade é manter o padrão qualitativo que tem por objetivo de sustentar a demanda do mercado consumidor que em cada fração de

A busca pela cientificidade nas ciências humanas... Maria Julieta Weber Cordova espaço michel foucault – w.filoesco.unb.br/foucault segundo torna o ato de educar compensatório, assim resultante com uma mão-de-obra que pelo ao mesmo seja “educada para escrever seu nome”.

A tentativa de mudança destes desafios da real mudança da educação quantitativa estabelece Foucault dentro da Microfísica dos poderes, com os quais seriam as regras que são embutidas subjetivamente, mas também tão objetivas em nosso código de sobrevivência que acabamos seguindo. Não somos educados para estar em constante metamorfose para a análise de como a realidade está inserida em nós. Exemplo claro deste fato é que não retomamos o que ficou implícito em nossa vida, tentamos a todo o momento fugir da questão que somos nós somos o sujeito, mas estamos sempre disponíveis a analisar o outro. Apenas as barreiras existem a significação de nossos atos, por isso nem todos terminarão a proposta da faculdade de pedagogia, pois este objetivo tem um preço, que significa inúmeras punições por ter ultrapassado além do que é permitido, como Foucault (1979:25) “Em si mesmas as regras são vazias, violento, não finalizado; elas são feitas para servir a isto ou aquilo, elas podem ser burladas ao saber da vontade de uns ou de outros” Sendo estes desafios que não estão sendo colocados em questão às propostas educacionais que se voltam para um indivíduo que se fragmenta, pois seu conhecimento é válido por instantes de segundos.

O conhecimento já não é uma questão de sabedoria para assim estabelecer relações com o outro, mas sim o poder e a forma que eu posso manipular o outro.

Antes de pensar em educação como um todo, temos que analisar os ramos educacionais, como o currículo na forma de manipulação e de poder, no sentido que foi modificado ao longo do tempo pelas políticas educacionais. Ou seja, devemos estar atentos às suas contradições e aos múltiplos olhares que englobam o ensino no decorrer das últimas décadas.

Todas as questões educacionais estão voltadas para o indivíduo e a constante construção do conhecimento, onde este deve reconhecer a diversidade do mundo que o cerca, reconhecer que há diferenças sociais, políticas e culturais, e que ser diferente não significa ser antagônico. O que significa dizer que o respeito às diferenças é condição fundamental para vencermos as desigualdades e ampliarmos as oportunidades educacionais.

Com isso a reprodução de teorias e métodos torna-se uma questão do nosso tempo, por que o momento faz-se surgir algo novo para tentar mudar o que não é

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Jolivet (1995, p.185) “convém, antes de tudo, comparar o que fomos antes com o que

acessível. E essas novas formas do pensar educativo, surgem diversas transformações para a alfabetização para com o domínio da codificação, das palavras e para uma leitura de mundo, onde cada qual se modifica na linguagem, cultura e no próprio pensamento. Como somos hoje, a fim de compreender que se trata, menos de ultrapassar os outros, do que ultrapassar a si mesmo.”

Podemos relacionar que a educação é uma ciência, porém está tornando-se inconsciente para uma alma que não tem consciência de si, onde os sujeitos foram educados e continuam sendo educados pelo mesmo sistema que forja o real princípio do saber aprender e aprender-significando, como Jolivet traduz de forma a “ciência sem consciência não é mais do que ruína da alma”.

Esta ciência nos coloca em questão a que tipo de esquecimento transita-se entre as teorias e vice-versa para que a formulação destas tenha algum tipo de efeito ao qual estamos submetidos, para assim resultar em uma prática da sugestão, onde esta se tornar o ato de sugerir o domínio e não de proporcionar o aprendizado para o outro. Não podemos esquecer que a cada proposta ocorre, no sentido de “mudança de visão e de prática educativa”. Porém não se partia do que foi elaborado, mas sim um aproveitamento do início que era reformulado para assim dar novos rumos, com uma teoria tipo uma figura que quando não nos servem mais retiramos com algum defeito e colamos em um novo papel ou quando jogamos fora ainda fica rastro de seus pedaços. Segundo Chauí (2000:59):

exploraçãoa razão possa captar uma certa continuidade temporal

“Na medida em que a razão se torna instrumental, a ciência vai deixando de ser uma forma de acesso aos conhecimentos verdadeiros para tornar-se um instrumento de dominação, poder e e o sentido da história, surgindo em seu lugar a perspectiva do descontínuo, do contingente e do local; a existência de uma estrutura de poder que se materializa através de instituições fundadas, tanto na dominação quanto na liberdade...”

Para Foucault a razão instrumental que a autora Marilena Chauí levanta é para o autor em (1979:18) “a razão é a discórdia entre as coisas, é o disparate”, sendo assim não há unicidade, então a educação está fundamentada que o ser humano que vai à escola para sempre esta sendo reaprovetável, onde a função principal é ser súdita de uma razão que ainda não está elaborada de acordo a levar todas as questões que envolvam as necessidades

A busca pela cientificidade nas ciências humanas... Maria Julieta Weber Cordova espaço michel foucault – w.filoesco.unb.br/foucault humanas, pois cada um tem uma razão como Foucault define Ibidem, p 160 que “de fato o poder em seu exercício vai muito mais ambíguo, por que cada um de nós é, no fundo, titular de certo poder e, por isso, veicula o poder” e principalmente a educação que usa a razão como forma de tornar-se uma orquestra para os professores, onde cada época e cada eventualidade todos regem suas funções independentes se a platéia aceita a harmonia do som emitido e os que vagam no mundo ficam fazendo do ensino uma loteria, onde se busca quem ganha mais e faz do ensino um mundo imaginário onde discursa que o aluno faz parte do processo de aprendizado.

ato educativo tornar-se flexível as diferenças. No sentido que Villela (2000:108-125) “o
organizaçãoa escola para o povo destinava-se mais a moralizar e disciplinar do que

Então, parto da justificativa de que ocorre neste aspecto é que a educação nasce de um determinado objetivo, assim tornando um instrumento para que este sujeito tenha em suas mãos o poder de revolução. E a razão que vem se sustentando a não mudança para o domínio da leitura e da escrita poderia tornar-se um instrumento poderoso para essa propriamente a instruir.”

A educação brasileira torna-se figurativa por falta de essência, pois nem tudo nos é explicado, porém só as regras de conhecimento e a partir desse pressuposto somos “massa de manobra”.

O que pude verificar nos estágios realizados foi a ausência do encontro da famíliaescola direcionados para o mesmo caminho, porém o que pude verificar com plena clareza que não há uma proposta alicerçada a um caminho que poderia estar se percorrendo para que ambas as partes não podasse seu espaço. Referindo-se que estas relações só estabeleceram de forma imediatistas, por que ocorre toda ideologia atrás de um pressuposto de um adulto, com isso não há uma análise que é educada para continuar tanto os caminhos de nossos pais e quanto educadores. Segundo Mannoni (1977:68):

“O encontro família-escola ergueu o véu de uma mistificação mas roubou à adolescente o universo privado que era o seu. A aliança dos adultos não lhe deixa possibilidade alguma de fuga; sabe-se que ela é mentirosa, fabulosa etc. Como recuperar o lugar que ela conseguiria ocupar? Como fazer saber, a esses adultos, que a verdade se aloja na mentira- e que a querem a verdade é a própria palavra que se lhe confisca?”

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