Embriologia e histologia

Embriologia e histologia

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Dependendo da distância, a citocina precisa viajar para alcançar sua célula- alvo, e seus efeitos podem ser um dos seguintes:

- Autócrino: a célula sinalizadora é seu próprio alvo; a célula estimula a si mesma. - Parácrino: a célula-alvo está localizada na vizinhança da célula sinalizadora; assim, a citocina não precisa ir para o sistema vascular.

- Endócrino: a célula-alvo e a célula sinalizadora estão longe uma da outra; assim, a citocina tem que ser transportada pelo sistema sangüíneo, ou linfático.

As glândulas que secretam seus produtos através de uma via secretora constitutiva o fazem de um modo contínuo, liberando seus produtos de secreção imediatamente sem armazenamento e sem necessitar de um estímulo por moléculas sinalizadoras. As glândulas que possuem uma via secretora regulada concentram e armazenam seus produtos de secreção até que seja recebida a molécula sinalizadora adequada para sua liberação.

6.9.1 Glândulas exócrinas As glândulas exócrinas secretam seus produtos através de um duto para a supefície do epitélio que lhe deu origem.

São classificadas de acordo com a natureza de sua secreção, modo de secreção e número de células (unicelular ou multicelular). Muitas glândulas exócrinas dos sistemas digestivo, respiratório e urogenital secretam substâncias que são descritas como mucosas, serosas ou mistas.

As glândulas mucosas secretam mucinógenos, grandes proteínas glicosiladas que, quando hidratadas, incham tornando-se um lubrificante protetor espesso, viscoso, semelhante a um gel, denominado mucina, um importante componente do muco. Exemplos de glândulas mucosas incluem as células caliciformes e as pequenas glândulas da língua e palato.

As glândulas serosas, como o pâncreas, secretam um fluido aquoso rico em enzimas. As glândulas mistas contém ácinos (unidades secretoras) que produzem secreções mucosas assim como ácinos que produzem secreções serosas; além disso, alguns de seus ácinos mucosos possuem semiluas serosas, um grupo de células que secretam um fluido seroso. As glândulas sublingual e submandibular são exemplos de glândulas mistas.

As células das glândulas exócrinas possuem três mecanismos diferentes para liberar seus produtos de secreção: (1) merócrina, (2) apócrino e (3) holócrino. A liberação do produto de secreção das glândulas merócrinas (p. ex. parótida) se dá por exocitose; consequentemente, nem a membrana celular nem o citoplasma tornam-se parte da secreção. Apesar de muitos pesquisadores questionarem a existência do modo apócrino de secreção, historicamente tem se acreditado que nas glândulas apócrinas (p. ex., glândula mamária em lactação), uma pequena porção do citoplasma apical é liberado juntamente com o produto de secreção. Nas glândulas holócrinas (p.ex., glândula sebácea), uma célula secretora amadurece, morre e torna-se o produto de secreção.

Classificação das glândulas conforme tipo de secreção

6.9.1.1 Glândulas exócrinas unicelulares

As glândulas exócrinas unicelulares, representadas por células secretoras isoladas em um epitélio, constituem a forma mais simples de glândula exócrina. O exemplo primários são as células caliciformes, que estão dispersas individualmente pelo epitélio que reveste o trato digestivo e partes do trato respiratório. A secreção liberada por estas glândulas mucosas protege o revestimento destes tratos.

As células caliciformes receberam este nome por terem a forma de um cálice. O processo de liberação do mucinógeno é regulado e estimulado por irritação química e pela inervação parassimpática, levando à exocitose de todo o conteúdo de secreção da célula, desta maneira lubrificando e protegendo a lâmina epitelial. Glândula Unicelular – célula caliciforme

6.9.1.2 Glândulas exócrinas multicelulares

As glândulas exócrinas multicelulares são compostos por agrupamentos de células secretoras dispostas em graus variados de organização. Estas células secretoras não agem sozinhas e de modo independente, mas funcionam como órgãos secretores. As glândulas multicelulares podem ter uma estrutura simples, exemplificada pelo epitélio glandular do útero e da mucosa gástrica, ou uma estrutura complexa composta por vários tipos de unidades secretoras e organizadas de um modo ramificado composto.

As glândulas multicelulares são classificadas como simples, quando seus dutos não são ramificados, e compostos quando seus dutos se ramificam. Elas ainda são classificadas de acordo com a morfologia de suas unidades secretoras em tubulosas, acinosas (também denominadas alveolares, assemelhando-se a uma uva), ou tubuloalveolares.

As glândulas multicelulares maiores são envolvidas por uma cápsula de tecido conjuntivo colagenoso, que envia septos subdividindo-a em compartimentos menores denominados lobos e

lóbulos, estes septos são utilizados para a entrada e saída dos elementos vasculares, nervos e dutos, além disso, os elementos do tecido conjuntivo dão a sustentação estrutural da glândula.

Os ácinos de muitas glândulas exócrinas multicelulares, possuem células mioepiteliais, algumas apresentam características das células musculares lisas, particularmente a contratilidade. Suas contrações auxiliam a expulsar a secreção dos ácinos e de alguns dutos pequenos.

Tipos de glândulas exócrinas

6.9.2 Glândulas Endócrinas As glândulas endócrinas não possuem dutos, e seu produto de secreção, os hormônios, são liberados diretamente no sangue, ou no sistema linfático, através dos quais são levados para os órgãos-alvo. As grandes glândulas endócrinas do corpo incluem as glândulas adrenal (supra-renal), hipófise (pituitária), tireóide, paratireóide e pineal, assim como os ovários, placenta e testículos.

Os hormônios secretados pelas glãndulas endócrinas incluem peptídios, proteínas, aminoácidos modificados, esteróides e glicoproteínas.

As células secretoras das glândulas endócrinas estão organizadas em cordões celulares, ou em folículos. No tipo cordonal, a disposição mais comum, as células formam cordões anastomosantes em torno dos capilares ou sinusóides sangüíneos. O hormônio a ser secretado é armazenado intracelularmente e é liberado com a chegada da molécula sinalizadora apropriada, ou de impulso nervoso. São exemplos: adrenal, lobo anterior da hipófise e paratireóide.

No tipo folicular de glândula endócrina, as células secretoras (células foliculares) formam folículos que envolvem uma cavidade que recebe e armazena o hormônio secretado. Quando é recebido um sinal para sua liberação, o hormônio armazenado é reabsorvido pelas células foliculares, liberado no tecido conjuntivo e entra nos capilares sangüíneos. Um exemplo do tipo folicular de glândula endócrina é a tireóide.

Algumas glândulas do corpo são mistas: por exemplo, o parênquima contém tanto unidades secretoras exócrinas como endócrinas. Nestas glândulas mistas (p. ex., pâncreas, ovário e testículo), a porção exócrina da glândula secreta seu produto em um duto, enquanto a porção endócrina secreta seu produto na corrente sangüínea. Localização das glândulas

7 TECIDO CONJUNTIVO 7.1 Origem: Mesoderme (mesênquima)

7.2 Características gerais: - Está distribuído amplamente pelo nosso corpo;

preenche espaço entre as células e as fibras;

- Apresenta grande quantidade de substância intercelular (matriz), que - Funções: preenchimento, sustentação, transporte, armazenamento de gordura e defesa; - Apresenta vasos sangüíneos, linfáticos e nervos.

7.3 Matriz extracelular

A matriz extracelular, composta por substância fundamental e fibras, resiste a força de compressão e tração. É uma barreira à penetração de microorganismos e é um veículo para a passagem de células, moléculas hidrossolúveis e íons.

7.3.1 Substância fundamental: é um material hidratado, amorfo, composto por glicosaminoglicanos, longos polímeros não-ramificados de dissacarídeos que se repetem; proteoglicanos, os eixos protéicos aos quais vários glicosaminoglicanos estão ligados covalentemente, responsáveis pelo estado de gel da matriz extracelular; e glicoproteínas de adesão, grandes macromoléculas responsáveis pela adesão de vários componentes da matriz extracelular uns aos outros, e a integrinas e distroglicanos da membrana celular.

7.3.2 Fibras:

As fibras da matriz extracelular são de colágeno (e reticulares) e elásticas.

Pode existir mais de um tipo de fibra num mesmo tipo de tecido conjuntivo. Muitas vezes a fibra predominante é responsável por certas propriedades do tecido.

7.3.2.1 Fibras colágenas: são formadas basicamente pela proteína colágeno e são mais comuns que as fibras elásticas e as reticulares. São fibras inelásticas, resistentes à tração e muito flexíveis, podem ocorrer em feixes espessos. São conhecidas pelo menos 15 tipos diferentes de fibras de colágeno, que variam nas seqüências de aminoácidos de suas cadeias. O colágeno é a proteína mais abundante no corpo humano (30% do total de proteínas). A síntese de colágeno é feita pelos fibroblastos. Os tipos principais de colágeno são: - Tipo I: tecido conjuntivo propriamente dito, osso, dentina e cemento;

- Tipo I: cartilagens hialina e elástica;

- Tipo I: fibras reticulares;

- Tipo IV: lâmina densa da lâmina basal;

- Tipo V: associado ao colágeno tipo I e na placenta;

- Tipo IV: liga a lâmina basal à lâmina reticular.

7.3.2.2 Fibras elásticas: são formadas basicamente pela proteína elastina (elasticidade) e microfibrilas (estabilidade). Estas fibras são altamente elásticas e podem ser distendidas até 150% de seu comprimento em repouso, sem se romper apresentam boa elasticidade. Ramificam-se e ligam-se umas as outras formam uma trama de malhas irregulares. Cedem facilmente mesmo às trações mínimas. Quando tensionada se estira e quando em relaxamento se enrola. A síntese ocorre nos fibroblastos.

7.3.2.3 Fibras reticulares: essas fibras recebem esse nome porque se entrelaçam de forma a constituir um retículo. São as mais finas, podendo apresentar ramificações, apresentam estriação transversal. Ocorre em grande número nos órgãos glandulares e são formadas por uma substância chamada reticulina, semelhante ao colágeno. Formam o arcabouço de sustentação das células dos órgãos hemocitopoiéticos (baço, linfonodos, medula óssea) das células musculares lisas, dos nervos, dos adipócitos e das células de muitos órgãos epiteliais (fígado, rins e as glândulas endócrinas).

Tipos de fibras presentes no tecido conjuntivo

7.5 Origem das células dos tecidos conjuntivos:

As células dos tecidos conjuntivos podem se originar a partir das células totipotentes da medula óssea vermelha ou a partir de células mesenquimatosas indiferenciadas. Além disso, há a possibilidade de certos tipos celulares já diferenciados darem origem a outros. São agrupadas em duas categorias, células fixas (residentes) e células transitórias.

Algumas células do tecido conjuntivo se originam localmente, enquanto outras, como os leucócitos, vêm de outros locais e permanecem temporariamente.

Mesênquima: tecido conjuntivo primitivo, encontrado nas primeiras fases do desenvolvimento embrionário, e que por processos de diferenciação celular, vai dando origem a todos os tipos de tecidos conjuntivos definitivos e também aos tecidos musculares. Surge a partir da mesoderme intraembrionária.

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