Texto crítico, princípio científico e educativo de pedro demo

Texto crítico, princípio científico e educativo de pedro demo

UNIVERSIDADE ESTADUAL DO PIAUÍ

CURSO: LICENCIATURA PLENA EM QUÍMICA

TEXTO CRÍTICO

MACIEL MENEZES DE ARAÚJO

TERESINA - PI

2009.2

MACIEL MENEZES DE ARAÚJO

PRINCÍPIO CIENTÍFICO E EDUCATIVO DE PEDRO DEMO

O texto crítico apresentado neste trabalho tem como objetivo obter a aprovação parcial na disciplina de Pesquisa e Prática I do Curso de Licenciatura Plena em Química da Universidade Estadual do Piauí – UESPI

Orientadora: Profa Maria das Graças Silva Ciríaco.

TERESINA

2009.2

Se tornar um pesquisador, não é algo simples, sendo essa uma atividade reservada a poucos, isso ocorre porque tornar-se um pesquisador exige do universitário um boa, ou melhor, uma excelente trajetória acadêmica, ter domínio de sofisticações técnicas, sobre tudo de manejo estatístico e informático.

Por tanto para se tornar um pesquisador, deve-se estudar metodologia, em particular técnicas de pesquisa, que permite ter controle sobre como gerar, armazenar e utilizar dados. Um pesquisador universitário, faz parte da nata acadêmica, ou seja, tem privilégios que outros alunos não têm, como exclusivar recursos para evitar aulas e alunos, e dispor do maior tempo possível para a sua pesquisa.

Ao contrario dos pesquisadores, os educadores não têm o domínio no manuseio de dados, até pela formação diferente que recebem, mesmo assim acreditam que a dialética possa compensar tal deficiência, o que não é verdade. Por esse motivo é comum se encontrar professores que apenas ensinam, principalmente os professores do 1ª e 2ª graus, que estudam, acumulam conhecimento e depois repassam aos seus alunos em um processo repetitivo, que com o passar do tempo vai se tornando cada vez mais ultrapassado, uma vez que, o professor não usa técnicas de pesquisa para se atualizar.

A maioria dos professores que não praticam a pesquisa,não o fazem por acreditar que essa seja uma atividade que não lhes compete, por pensarem que a opção que fizeram (lecionar) seja algo destinto da pesquisa, e que a pesquisa seja de prática exclusiva dos pesquisadores. Por outro lado o pesquisador considera a prática de ensino como sendo uma atividade “menor”, ele é o responsável por descobrir, pensar e sistematizar, para ele cabe a outra pessoa o papel de transmitir os ensinamentos.

Pesquisar somente para saber, ou seja, sem o objetivo de divulgação, não é interessante para a sociedade e reduz a atividade de pesquisa a um esforço de sistematizar idéias e de especulação dedutiva; seria como saber para cultivar a ignorância, uma vez que o conhecimento não chegaria a grande “massa” ou chegaria de maneira destorcida, como ocorre com algumas informações reproduzidas por alguns meios de comunicação, como a televisão, que usa técnicas de comunicação para cultivar o analfabetismo político.

Pesquisa é sempre, também, fenômeno político, por mais que se mascare de neutra, contudo a produção de conhecimento está nas mãos dos privilegiados, que retransmitem aos demais, apenas o que lhes interessam, contudo a pesquisa não se restringe apenas a política, atua em muitas outras áreas de interesse publico, como pesquisar a qualidade da educação em um determinado local ou pesquisar a renda mensal de uma população, dentre outras, cujo resultados podem ser mascarados de acordo com os interesses dos pesquisadores.

Por tanto é essencial ao professor fazer pesquisas, para manter-se atualizado, caso contrario jamais poderá ser considerado um professor de verdade, e um pesquisador tem que ensinar e não somente acumular conhecimento, privando outros do acesso a informação, caso contrario é considerado elitista explorador, privilegiado e acomodado.

O conhecimento que se adquira nas universidades é de nível superior, mas nem por isso pode ser considerado superior ao conhecimento que um analfabeto adquire no seu dia-a-dia, pois estamos tratando de conhecimento e devemos reconhecer que adquirir conhecimento faz parte de um processo diário, mais, também é importante ressaltar que o conhecimento gerado na universidade é muito mais culto que o conhecimento que obtém na vivencia diária.

Voltando a prática a prática educativa e a pesquisa; se educar é em primeiro lugar motivar o professor a praticar a pesquisa, para que ele possa transmitir aos seus alunos, para que surjam novos mestres e jamais discípulos; o professor deve pregar que “o melhor saber é aquele que sabe superar-se”, caso isso não aconteça (transmissão do entusiasmo pela pesquisa) o professor marca no discípulo uma atitude de objeto, tornando-o incapaz de ter idéias e projetos próprios, esse aluno jamais poderá superar a condição de discípulo.

No entanto começar uma vida de pesquisador nem sempre significa começar a elaborar planos, criar fórmulas, um pesquisador deve começar por um nível de pesquisa mais baixo que corresponde a estudar pesquisas de outros e tentar elabora-las um pouco mais, com um tempo vem a maturidade e a experiência para engajar-se em projetos mais ousados.

A pesquisa pode ser realizada de diferentes modos, podendo assim assumir múltiplos horizontes. A pesquisa pode ser compreendida como capacidade de elaboração própria, contudo a acumulação de pesquisa passa quase todo que exclusivamente pela montagem de conhecimento empírico, sendo que esse conhecimento passa pelo conceito que não seria realista prender a realidade a um único parâmetro de pesquisa. A ciência vive do desafio que não morre jamais e de descobrir a realidade.

À pesquisa também cabe de desfazer a aparência visível e observável; para surpreender a verdade por trás disso o pesquisador nunca desiste de questionar a realidade, sabendo que qualquer conhecimento é apenas recorte, ou seja, parte de um todo. Depois de obtidos os dados de uma pesquisa, ainda se deve ter cuidado com a interpretação, pois dependendo do quadro teórico de referências, o mesmo dado pode levar a diferentes conclusões.

Por tudo isso a importância da teoria se evidência, uma vez que, ela é considerado como a retaguarda criativa do interprete inspirado, pois o bom teórico é sempre aquele que sabe produzir boas perguntas, usando a teoria como instrumentação criativa.

Na pesquisa metodológica, predomina a expectativa de que método se aprende, não se cria. Contudo todo bom cientista deve preocupar-se com o método, pois é sinal de competência, sendo impossível criar análises inspiradas sem discutir como fazer. Método é instrumento, caminho e procedimento, sendo ela uma das matérias mais estratégicas na formação acadêmica, sobre tudo na direçã da motivação a pesquisa. Entre tanto nada favorece mais o surgimento do discípulo copiador que a ignorância metodológica, sendo a metodologia responsável por dizer quem é ou não um cientista.

Pesquisa metodológica não se restringe a decorar estatísticas com seus testes áridos, mas alcançar a capacidade de discutir criativamente caminhos alternativos para a ciência e mate mesmo de criá-los. O mais interessante é o questionamento criativo, consistente e processual da própria ciência.

Outro horizonte da pesquisa é a pratica, no entanto, tem-se que explicar, antes de qualquer coisa, a relação entre teoria e prática, ambas detêm a mesma relevância científica, uma não substitui a outra e cada qual tem sua lógica própria. Não se pode realizar pratica educativa sem retorno constante a teoria, bem como não se pode admitir teoria sem confronto com a pratica, no entanto é a pratica quem escancara toda a pequenez de toda a construção teórica, porem todo conhecimento advindo da prática necessita de elaboração teórica.

A pesquisa pratica possui ainda a vantagem de puxar para o cotidiano a ciência, mas não significa apenas a noção de aplicabilidade concreta,porque seria ironia um teoria não aplicável. E por tudo isso, somente o que foi discutido, na teoria e na prática, pode ser aceito como ciência.

A ciência não pode criar fenômenos naturais, apenas desvenda-los, quando se desvenda por meio de pesquisa algo, pode-se dizer que crio-se um novo conhecimento e não realidade nova, embora a partir daí se possa inventar usos novos do conhecimento, a ciência neste ponto de vista tem como proposta, no quadro da neutralidade metodológica, descobrir estruturas da realidade. Por outro lado temos a ciência como criação que consiste, justamente em elaborar novas informações a partir da análise dos fenômenos naturais, históricos, culturais e outros.

Pesquisar é condição essencial do descobrir e do criar, a pesquisa analítica descobre e, nisso cria conhecimento novo, mas muitas vezes não se cria pela pesquisa, condições de mudança principalmente com relação as questões ideológicas, nestes casos se apela a neutralidade científica para se fugir da responsabilidade. O que está errado pois é o processo de pesquisa que na descoberta, questiona o saber vigente, acerta relações novas no dado e estabelece conhecimento novo e é a pesquisa que, na criação, questionando a situação vigente sugere, pede, força o surgimento de alternativas.

Outra definição de pesquisa pode ser: dialogo inteligente com a realidade, pois é apropriado fazer uma aproximação entre pesquisa e dialogo. Pois dialogo é fala contraria entre autores que se encontram, ou seja, é bom receber criticamente o ponto de vista de outros, pois somente que é criativo tem o que propor e o que contrapor. Contudo devemos ter muito cuidado com a comunicação, pois ela pode ao mesmo tempo, gerar e abafar a critica, favorecer e suprimir o questionamento, motivar e desestimular o encontro, sendo esses aspectos negativos se presenciem justamente quando o dialogo ocorre entre classes diferentes.

É necessária a comunicação e a sua socialização do saber faz parte integrante da sua produção na perspectiva de que, informação só é conhecimento quando é transmitida, portanto quem pesquisa tem o que comunicar, e quem não pesquisa apenas reproduz ou apenas escuta.

A desatualização das universidades, as coloca em estado de decomposição, uma vez que gera entre os universitários um distanciamento elitista com o restante da sociedade e ao mesmo tempo um atraso didático; perdeu-se a noção essencial de mérito acadêmico em da burocratização funcional, sendo muito comum encontrar-se universidades pouco produtivas e pouco criativas. Mudar não é tarefa fácil mais tem-se que acreditar que a universidade está apodrecendo para ressurgir, sendo, neste caso, a pesquisa fundamental para recolocar nas instituições acadêmicas respeito perante a sociedade.

Sem ressaltar a pesquisa como principio educativo caímos na questão estereotipada do mero ensina e do mero aprender. Do lado do professor temos a visão empobrecida do ministrador de aulas, fruto do mero aprender e, naturalmente seus alunos decaem no mero ensinar, essa situação é muitas vezes causada pela própria irresponsabilidade do professor, que muitas vezes da aulas de assuntos que estão fora de sua competência, contudo esse fato recai na luta pela sobrevivência dos professores, que na busca pelo sucesso financeiro, não pensa na qualidade de suas aulas. Por isso se tem muitas vezes a visão de que professor é aquela figura que tem graduação e é contratado para dar aulas e só.

Contudo se pode imaginar, ou melhor, detalhar as características daquilo que viria a ser um bom professor. Um bom professor em primeiro lugar deve ser pesquisador, socializador e motivador de novos pesquisadores, caso contrario não se sai da imitação, da cópia, da simples reprodução e que vai imprimir a mesma atitude repetitiva nos alunos, esta postura permite afirmar que somente tem algo a ensinar quem pesquisa. Portanto é atitude própria exigir do professor capaciadade própria de elaboração, no plano da pratica, capacidade de recriar e de unir “saber e mudar”, além, é claro de exigir-lhe atualização constante.

“Se a pesquisa é a razão do ensino, vale também o reverso: o ensino é a razão da pesquisa”, esta frase resume bem a interação entre ensino e pesquisa e mostra também a importância de se ensinar, desde cedo, ao aluno a importância da pesquisa como método de aprendizagem. O aluno que é muitas vezes resumido no discípulo que ingere pacotes instrutivos. Entretanto os professores se negam a fazer isso por considerarem os alunos incapazes de produzir pesquisa; mais é o próprio professor que por não ser pesquisador, não consegue passar uma característica que não possui. O que está errado, pois acaba por reduzir a cabeça do aluno a pequenez da cabeça de um instrutor, no fim das contas um aluno não pode apenas escutar, tem que produzir.

Recaindo na questão da teoria e pratica, uma das coisas mais ridículas que pode existir na pratica educativa é teoria sem pratica, ou substituição da pratica pela teoria, como ocorre por exemplo no campo das ciências sociais. Pratica não aparece apenas como demonstração técnica do domínio conceitual, mais como modo de vida em sociedade a partir do cientista, por outro lado abandonar a teoria por supor ingenuamente que prática não passa pela teoria é reduzir o ensino a técnicas utilitárias imediatistas.

Para se ter ensino de qualidade nas universidades deve-se igualar a carga horária teórica a carga horária de prática, e para isso se deve organizar curricularmente a prática, para que o cientista formado não veja dicotomia ou distanciamento entre saber e o mudar, acreditando que não se estuda só para saber, estuda-se também para atuar, por isso a prática não pode jamais ser suprimida. Todo educador deve saber discutir ciência e seus caminhos de construção, para atingir a condição de elaborador de ciência e para amadurecer posições via elaboração própria.

Cresce cada vez mais o uso da especialização como prática, onde a prática passa a ser preocupação maior, aproximada sempre da capacidade de enfrentar problemas concretos e de apresentar soluções criativas. Contudo é com o uso de boas teorias que se pode mudar as praticas e vice-versa, sempre no contexto da pesquisa curricular, no confronto pertinente da teoria com a prática, além do natural aprofundamento de conceitos e dados, fomenta e pluralismo cientifico, que embasada na inteligência criativa é capaz de aprender dos outros, atravez do dialogo, mudar de posição sem leviandade e conviver na dialética dos contrários. Pesquisa utilizando método, dialogo e prática faz com que a aula vá perdendo a importância a medida que vai surgindo o cientista autônomo. Assim o professor passa a ser orientador (aquela que indica o caminho da biblioteca) e o aluno teria a capacidade de escolha e produção própria de temas.

Para que o professor possa ter qualidade no que diz respeito a pesquisa, antes de ser professor ele pode ser monitor, assistente, docente, leitor, enfim deve antes de mais nada está em contato com a prática de pesquisa, isso permite que depois ele posso começar sua própria produção. Está sempre em contato com o mundo da pesquisa é de muita importância, uma vez que há sistemas em que sequer o doutorado é suficiente para dar aulas, quando este se dá de maneira equivoca com relação ao espaço cientifico que um doutor deve ocupar.

Para ser um pesquisador deve-se antes de mais nada saber dar conta de um tema e isso significa dominar o primeiro estágio da produção cientifica; o primeiro passo que deve ser seguido é a prender a aprender que significa aprender a ter idéias próprias, abandonando o péssimo abita de copiar e imitar, e para se ter boas idéias é indispensável leitura farta para absorver o conhecimento de outros cientistas para depois criar um próprio conceito. Contudo a postura demérita do mero ensinar e do mero aprender é mais cômoda para os professores, que por não possuírem uma postura de cientista acabam se refugiando no mero ensinar, resumido a pesquisa a trabalhos escolares onde ele se encarrega de impor o tema e estabelece quais serão os resultados que ele quer que seja apresentado.

Assim o estudante conclui o curso sem saber dá conta de um tema, não conseguindo escrever com clareza e sistematização, não ordena, manuseia, constrói e interpreta dados, o que revela que continua sendo apenas um aluno. Os professores devem passar trabalhos em que o próprio aluno escolha o tema em que vai trabalhar, dando liberdade de leitura para que o aluno aprenda a descobrir o que lê, e assim formar sua própria opinião, ainda com relação aos trabalhos, vem a questão dos trabalhos em grupos, esse tipo de trabalho só é recomendado quando o grupo tem projeto comum, trabalha junto a tempo e encontrou forma de redação conjunta.

Depois de repassar todo o conteúdo, vem a seguinte pergunta ao professor: como avaliar? Pois a avaliação pode não respeitar o ritmo de cada um, partindo para comparação externa e de cima para baixo. A promoção automática que a avaliação propicia muitas vezes desprepara para a vida, uma vez que nem todos os alunos foram corretamente avaliados.

Por isso é da competência do professor propor currículo adequado que sempre estará sob o crivo crítico do aluno. Ai cabe colocar a importância da avaliação, pois esse tipo de avaliação incentiva o aluno a produzir, sob esse ponto de vista, avaliar é indispensável, como fator de criatividade sempre renovada, por isso temos que nos livrar das atuais características de avaliação, pois quantidade não garante qualidade. Primeiro se deve desbancar a prova, que tem seu lugar apenas como expediente esporádico e como acomodação limitativa, levando o aluno a apenas estudar para a prova, limitando ou destruindo o desafio de pesquisa e criatividade.

Em vez da prova, a forma mais conveniente de avaliar é incentivar a produção cientifica em ambiente próprio, com liberdade acadêmica, na qual o estudante possa encarar o desafio de crescer por si. Neste sentido o professor terá que ler mais material produtivo pelos alunos, esta disponível para consulta e discussão, para eliminação de duvidas que possam vir aos alunos no processo da pesquisa própria. Isso significa mais esforço e dedicação, mas faz parte da função de motiva novos mestres.

No ambiente lúdico da criança é possível visualizar atitude de pesquisa e fomenta-la via processo educativo, como postura de questionamento criativo, desafio de inventar soluções próprias, descoberta e criação de relacionamentos alternativos, sobretudo motivação emancipatória. Deste modo desde cedo se propicia a passagem de objeto a sujeito, que assuma um papel importante na sociedade como cidadão.

Pode-se também motivar o processo emancipatório radical, a partir do qual se elabora nova personalidade, novo sujeito social, nova cidadania de base. O pré-escolar se destina a isso, se compreendermos como lugar estratégico da conquista da autodeterminação, através de cuidados assistenciais, da estimulação psicossocial, do jogo e da educação como tal. Contudo muitos professores de educação básica não sabem pesquisar ou elaborar com a própria mão, muito menos dar conata de um tema, esse tipo de professor que dispõe de acanhada qualidade formal, logo decai na desatualização.

Deste modo, a visão que se pode ter se uma sala de aula é a seguinte: na frente está quem ensina de qualidade incontestável, imune a qualquer avaliação; na platéia estão os alunos, cuja função é ouvir, copiar e reproduzir. Contudo vale afirmar que o problema principal da escola não é o aluno, por ser pobre, inculto, mas o professor, que ainda é apenas aluno; e que vê nas crianças um monte de meros alunos. Para mudar essa realidade o professor deve passar de instrutor a mestre, mais para tanto, é essencial recuperar a atitude de pesquisa, assumindo-a como conduta estrutural, a começar que pelo reconhecimento de que sem ela não há como ser professor em pleno sentido, já sendo pesquisador o professor deve smpre que possível apresentar aos alunos suas sínteses pessoais.

Continuando a falar sobre o professor, admite-se que ele deveria ser o próprio livro didático, no sentido de ser orientador de novos mestres. Pois com isso conseguiria mudar o ambiente de aula, pois os alunos passariam a conviver com um bom exemplo de professor, em termos de qualidade formal e política. O professor de verdade, motiva o aluno a dominar a escrita e a leitura como instrumentação formal e política do processo de formação do sujeito social emancipado. Sob o ponto de vista da sociedade, pior que o analfabeto literal é a analfabeto político, e acredita-se que está na “letra” a arma política de maior força.

A realidade das escolas que possuem professores despreparados para ensinar, uma vez que desconhecem os “caminhos” oferecidos pela pesquisa, acabam coagindo o aluno, que acaba respondendo de maneira negativa: com a cola. Sob o ponto de vista que o instrutor imbecil merece a cola inteligente, se pode notar que a fuga do aluno com a cola pode ser sinônima de capacidade de pesquisa, já que, para pesquisar é essencial se ter alternativas criativas, e o ato da cola em si, já representa uma saída criativa. Contudo colar não, é do ponto de vista pedagógico correto, pois acaba acostumando o aluno ao comodismo. Neste caso a escola precisa perguntar-se pela influencia educativa que exerce no aluno, caso pretenda ultrapassar o espaço informativo, para atingir o conteúdo formativo.

Percebe-se que a influência da escola sobre o aluno é cada vez mais formal e, neste sentido, vazia, pela artificialidade de sua organização distanciada da sociedade diária ou pela concorrência avassaladora com os meios de comunicação. Sintetiza-se, assim: a miséria da escola é o retrato da miséria de cidadania. Para mudar esse quadro é de fundamental importância que as escolas assuma posição mais visível e decisiva na sociedade, na linha de pesquisa.

Voltando a debater a prática de pesquisa veiculada a educação, é de importância rediscutir que a prática não se restringe a aplicação da teoria, por mais que seja essencial. A prática pode ser exposta sobre vários pontos de vista, um deles é a prática da cidadania, em cujo plano deve aparecer a instrumentação cientifica na função de embasamento da profissão como forma de atuação social, uma vez que, uma das expectativas mais significativas que a sociedade deposta na universidade é a formação de elite intelectual duplamente capaz: como profissional científico e como cidadão de vanguarda, a sociedade espera que essa elite acadêmica consiga propor bases científicas para transformações sociais alternativas. A prática neste sentido deve estar relacionada com o desdobramento da cidadania.

Na grade curricular acadêmica, a prática deve aparecer de modo gradativo, passo a passo, como qualquer disciplina, tendo como meta a formação teórico-prática, ao longo de aproximadamente oito semestres, contudo a prática é limitante, pois não consegue executar toda a riqueza da teoria, contudo, não há história real sem prática. A prática traz a oportunidade histórica de construirmos, até onde possível, a nossa própria história. Discutir a prática remete à capacidade histórica de ocupação de espaço próprio, no contexto emancipatório; inclui a sua manifestação individual, mas se completa principalmente na organização associativa, para ser competente. Por fim é fundamental que exista, como integralização curricular, o trabalho de conclusão de curso, na qual se pode demonstrar domínio teórico-metodológico, bem como condição de realização prática e empírica.

O trajeto curricular de oito semestres, em uma universidade que tem a pesquisa como plano de formação de seus alunos, começa por um ano dedicado a fundamentação teórica e metodológica, como instrumentação imediata da elaboração própria, a forma de avaliação típica é o trabalho de pesquisa para cada disciplina ao final do semestre, a prática recebe o nome de intermediária, definida como atividade sistemática eficaz, embora limitada no tempo (os espaços de tempo entre as pesquisas pode ser ocupado pela extensão), a extensão pode entrar ai de modo adequado, desde que intrínseca. No quarto ano, a prática será maior, descrita como prática profissional, terá carga teórica menor, concluindo o 8º semestres com um trabalho de conclusão de curso.

É preciso motivar o aluno a se tornar competente em termos de domínio de instrumentação científica, despertar a habilidade pessoal de formar em si a atitude de pesquisa, neste sentido de realização do currículo é sempre questão vital a relação aluno/professor, assim seria mais coerente no contexto de liberdade do aluno, um professor que tenha autoridade mais que não seja autoritária. O argumento de autoridade, todavia, torna-se tolerável quando ocupa espaço de autoridade do argumento, significando a respeitabilidade de um cientista obtida a peso de seu mérito acadêmico. Seguindo esse caminho, ver-se-ia que o aluno passaria a administrar seu tempo, uma vez que emerge liberdade acadêmica na escolha de temas, na organização da orientação e da prática, na elaboração própria.

O livro escrito por Pedro Demo é muito interessante, uma vez que não só aponta os problemas de uma sala de aula, em todos os níveis de educação, mais principalmente nas salas das universidades, como aponta algumas soluções para tais problemas.

Pedro Demo tenta desmistificar o conceito de pesquisa, e para tanto mostra que a pesquisa deve ser instrumento de trabalho de qualquer pessoa que se diga professor. A imagem do professor que não pesquisa é bastante pisada, mostrando ao longo de todo o livro que este não serve para esta função, outro peculiaridade do livro é que mostra sempre que possível a relação entre teoria e prática, mostrando que prática e teoria não podem em hipótese alguma se separar.

O livro mostra também que as universidades não devem pensar em formar apenas professores que ainda possuam em seu interior a condição de aluno, mais sim pensar em formar cidadões emancipados, que cientes de sua importância na sociedade, possam exercer mudanças que beneficiem a todos.

Assim como o professor, o aluno também tem sua figura caricaturada por Demo. Para Pedro Demo o aluno deve sair da condição de mero ouvinte, copiador, para ser um ser livre no que diz respeito a escolha de temas para elaboração própria, e para tanto mais uma vez é essencial a figura de um professor competente que incentive seus alunos, retrata sempre que a formação de um mal aluno é sempre culpa de um mal professor.

O livro tem muitas repetições o que acaba tornando a leitura tediosa, volta e maia, parecia que estava lendo o mesmo parágrafo, contudo a repetição de idéias pode ser encarada como ato inteligente enfatização, por muitas vezes lê-se: “professor-pesquisa”, “teoria-prática”.

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