modelos clássicos de oligopólio

modelos clássicos de oligopólio

universidade estadual do norte fluminense

Trabalho de economia agrícola

MODELOS CLÁSSICOS

Cournot, Bertrand e Edgeworth;

Fatias de mercado;

Cartéis;

Liderança de preços;

Comparação com mercado de concorrência perfeita.

Alunos: Cássia Roberta de Oliveira Moraes

Jefferson Rangel da Silva

Nathália Eccard Manhães

JUNHO 2010

1. INDRODUÇÃO

1.1 Considerações Gerais

Quando estudamos um mercado, geralmente desejamos determinar o preço e a quantidade que nele prevalecem na situação de equilíbrio. Por exemplo, vimos que em um mercado perfeitamente competitivo o preço de equilíbrio torna iguais entre si às quantidades ofertadas e demandas. No caso do monopólio, o equilíbrio ocorre quando a receita marginal torna-se igual ao custo marginal. Finalmente, quando estudamos a competição monopolística, vimos que o equilíbrio em longo prazo ocorre à medida que novas empresas entram no mercado, fazendo com que os lucros caiam a zero.

Nesses mercados, cada empresa poderia assumir como premissa o preço ou a demanda do mercado, sem se preocupar muito com as concorrentes. No mercado oligopolístico, entretanto, uma empresa determina seu preço ou seu volume com base, pelo menos em parte, em considerações estratégicas relativas ao comportamento de suas c oncorrentes. Ao mesmo tempo, as decisões dos concorrentes dependerão das decisões tomadas pela própria empresa. De que forma então poderemos descobrir quais serão o preço e a quantidade para o mercado em equilíbrio, ou mesmo se há possibilidade de haver equilíbrio?

Em um mercado competitivo e monopolístico, o mercado se encontra em equilíbrio quando as empresas estão fazendo o melhor que podem, e não teriam qualquer razão para modificar seus preços ou níveis de produção. Por conseguinte, um mercado competitivo está em equilíbrio quando a quantidade ofertada se iguala à quantidade demandada, porque cada empresa está fazendo que pode, isto é, está vendendo tudo aquilo que produz e maximizando os lucros. De igual modo, um monopolista está em equilíbrio quando sua receita marginal se iguala a seu custo marginal, porque assim ele estará fazendo o melhor que pode e maximizando os lucros.

Entretanto em um mercado oligopolístico cada empresa desejará fazer o melhor que pode para si mesma, dado o que suas concorrentes estiverem fazendo. Logo, a empresa deverá fazer suposições sobre o que suas concorrentes estejam fazendo. Uma vez que a empresa estará fazendo o melhor que pode, dependendo do que suas concorrentes estejam fazendo, é natural que se suponha que suas concorrentes farão o melhor que podem, dado o que a própria empresa estiver fazendo. Cada empresa, então, leva em consideração o que estão fazendo suasconcorrentes e pressupõe que suas rivais façam o mesmo.

O princípio para explicar o equilíbrio é assumir que quando um mercado se encontra em equilíbrio, as empresas estão fazendo o melhor que podem e não teriam nenhuma razão para modificar seus preços ou níveis de produção.

Esse conceito foi explicado em 1951, pelo matemático John Nash, sendo denominado “equilíbrio de Nash”, no qual preconiza que: “Cada empresa está fazendo o melhor que pode em função daquilo que seus concorrentes estão fazendo”.

Em um mercado estruturado sob a forma de oligopólio, pode-se afirmar que em alguns setores existe competição acirrada entre as empresas participantes, ao mesmo tempo em que há também a possibilidade de as empresas decidirem pela cooperação entre si, com vistas à preservação ou mesmo aumento da lucratividade. O poder estratégico existente em mercados oligopolistas e o seu uso, pelas empresas, para manipular níveis de lucratividade dependerão da interação entre os participantes.

Atualmente não existe uma teoria geral do oligopólio. Tudo que temos são casos ou modelos específicos. Estes poucos modelos demonstram claramente a natureza da interdependência oligopolística.

Isso nos fornece uma base para determinar o equilíbrio em um mercado oligopolístico.

Entre os modelos estão o Modelo de Cournot, Bertrand e Edgeworth.

Modelo de Cournot

O modelo de Cournot, de 1838, idealizado pelo economista francês Augustin Cournot, é um modelo de duopólio, ou seja, de duas empresas produtoras de mercados competindo entre si, sendo um dos modelos pioneiros a mostrar que como as empresas são dependentes da ação de outras no oligopólio.

Suponhamos que existam duas fontes de égua mineral, pertencentes a dois empresários. Só existem custos fixos, os custos de escavação, portanto, os custos variáveis e o custo marginal são nulos (CV=CM=0). Consequentemente, a maximização de lucro para cada empresário corresponde ao ponto onde RM=0. Cada empresário supõe que seu rival nunca mude seu preço, em razão da atitude tomada pelo concorrente. Em outras palavras, a característica básica desse modelo é que os empresários não reconhecem a interdepêndencia que têm entre si. Assume-se que cada empresa considera fixo o nível de produção de sua concorrente e então toma sua própria decisão a respeito da quantidade que produzirá.

A quantidade que a empresa deverá produzir será dada pela curva de reação. A curva de reação informará o quanto deve produzir em função da quantidade produzida pela sua concorrente. Em equilíbrio, cada empresa determina seu nível de produção conforme sua própria curva de reação, de tal forma que os níveis de produção sejam encontrados no ponto de interseção entre as duas curvas de reação. Neste ponto de equilíbrio, cada empresa estima corretamente que sua concorrente produzirá, maximizando seus lucros adequadamente. Conseqüentemente, nenhuma empresa se sentirá estimulada a modificar seu próprio comportamento.

No equilíbrio de Cournot, cada um dos duopolistas se encontra produzindo uma quantidade que maximiza seus lucros, dada a quantidade que está sendo produzida por sua concorrente, de tal forma que nenhum dos duopolistas tenha qualquer estímulo para modificar seu nível de produção. Porém quando as empresas estão inicialmente produzindo níveis que sejam diferentes do equilíbrio, o modelo nada pode dizer a respeito da dinâmica do processo de ajuste. Na verdade, durante qualquer processo de ajuste, a suposição fundamental, segundo a qual cada empresa deverá presumir que a produção de sua concorrente é fixa, não estaria sendo mantida. As produções de ambas as empresas não poderiam ser fixadas, porque as duas estariam ajustando seus respectivos níveis de produção.

É racional supor que a quantidade produzida pela empresa concorrente é fixa, quando as duas empresas estão em equilíbrio de Cournot, porque então nenhuma das duas empresas teria qualquer estimulo para variar seu nível de produção. Portanto, quando estivermos utilizando o modelo de Cournot, deveremos nos limitar a comportamentos de empresas que já estejam em equilíbrio.

Modelo de Bertrand

Bertrand idealizou um modelo de duopólio também realçando a interdependência entre as firmas produtoras ou vendedoras, em que postulava que uma firma estabeleceria seu preço na crença de que o preço da outra não se alteraria. Portanto, nesse modelo o preço é fixo, e não mais as quantidades, e cada duopolista o estabelecerá na suposição que o preço de seu antagonista permanecerá constante. Embora característico de duopólio, o modelo de Bertrand poderia ser utilizado para explicar situações com um maior número de firmas. As hipóteses subjacentes são as mesmas do modelo de Cournot, ou seja: produto homogêneo, custos de produção idênticos e nulos, o comportamento dos duopolistas é análogo no sentido de maximizarem os lucros e não há acordo entre eles. Os produtores estão aptos a produzir tanto quanto os consumidores desejarem adquirir, e cada produtor supõe que o procedimento do rival é constante e fixo.

A figura 2 apresenta as curvas de reação (ORA e ORB) dos dois oligopolisstas A e B. Se o produtor B for o primeiro a entrar no mercado oferecendo um preço OP1, o duopolista A entra no mercado pretendendo suplantar o rival, estabelecendo o preço menor OP2, correspondendo ao ponto 1 em sua curva de reação. Sendo os produtos homogêneos, a este preço o produtor A poderá conquistar todo o mercado,e, portanto, o duopolista B, supondo inalterado este nível de preços, estabelecerá um novo preço, inferior a OP3, correspondente ao ponto 2 em sua curva de reação.

O processo continuará até ser atingido um equilíbrio num ponto em que os preços se igualarem aos custos de produção, correspondente ao ponto O; desde que abaixo desse preço, as receitas serão inferiores aos custos e um dos produtores abandonará o mercado.

O modelo possui falhas, uma vez que, mesmo que as empresas fixem preços e termine optando pelo mesmo preço, como prevê o modelo, ele não demonstra qual a fatia das vendas caberá a cada empresa. Porém é útil, porque nos mostra de que forma o equilíbrio resultante em um oligopólio pode depender de modo crucial da escolha feita pelas empresas sobre qual deverá ser a variável estratégica, preço ou quantidade.

Um dos principais obstáculos à prática de preços situa-se na dificuldade das empresas concordarem, sem que conversem umas com as outras, a respeito de qual seria o preço a ser praticado. Tal acordo fica particularmente problemático quando as condições de custo e demanda apresentam variações, de tal modo que o preço “correto” também apresenta mudanças. A sinalização de preço é uma forma de conluio implícita que às vezes possibilita que este problema seja contornado. Por exemplo, uma empresa poderia anunciar que seu preço foi aumentado e esperar que suas concorrentes captem este sinal, no sentido de que elas também deveriam elevar seus preços. Se as empresas concorrentes acompanham a elevação de preço, poderia então estar sendo estabelecido um padrão de liderança de preço. Assim a primeira empresa determina o preço e as demais empresas, isto é, as “seguidoras de preços”, a acompanharão. Esse arranjo resolve o problema do acordo em torno de um preço, pois as empresas simplesmente cobram o preço que a líder estiver cobrando.

Uma empresa de grande porte poderia naturalmente despontar com líder, pois as demais empresas poderiam ter decidido que estarão fazendo o melhor se igualarem seus respectivos preços ao da empresa maior, em vez de tentar vender por um valor inferior ao estabelecido por ela ou pelas demais concorrentes.

A liderança de preços tem condições também de contribuir para que as empresas oligopolísticas enfrentem a própria relutância em alterar os preços, relutância esta que advém do temor de suporta uma guerra de preços. À medida que as condições de demanda e custo variarem, as empresas poderão concluir ser cada vez mais necessário modificar preços que já tenham permanecidos rígidos por algum tempo. Desta forma, elas poderiam estar à procura de um líder de preços capaz de sinalizar quando e como os valores deveriam variar. Às vezes empresas de grande porte poderão atuar naturalmente como líder e, às vezes, diferentes firmas serão lideres de tempos em tempos.

Modelo Edgeworth

Edgeworth desenvolveu um modelo de duopólio ainda no final do séulo XIX, em que questionava a condição, implícita nos dois modelos antes mencionados, de um equilíbrio estável e de que os produtores não teriam qualquer limitação de capacidade produtiva, estando constantemente aptos para o atendimento da demanda de mercado. Seu modelo, abordando também o caso de duopólio, baseava-se nas premissas de Cournot, mas incorporava a idéia de Bertrand de uma certa disputa de preço entre as firmas. As hipóteses desse modelo são resumidamente: a) os produtos são homogêneos, ou então substitutos perfeitos ou muito próximos entre si; b) os custos de produção são idênticos; c) as quantidades produzidas são iguais para os dois oligopolistas e insuficientes para atender toda a demanda de mercado, pois existe uma limitação na capacidade produtiva; d) os duopolistas situam-se no mesmo mercado, as curvas de demanda também são análogas e as condições de produção também são idênticas; e) cada duopolista orienta suas ações admitindo o preço estabelecido pelo rival como constante (como Bertrand) e visando a colocar toda sua produção no mercado. Portanto, o resultado dessas ações seria uma oscilação perpétua de preços.

A figura 3 representa o modelo idealizado por Edgeworth, onde o preço do produto é vizualizado no eixo vertical, e as quantidade produzidas por A e B no eixo horizontal, sendo positivas para A à direita de O e para B à esquerda de O.

Edgeworth preconiza que o equilíbrio nunca ocorrerá, havendo uma oscilação constante entre os preços OPM e OP1.

Fatias de Mercado

A expressão fatia de mercado tem como significado a participação no mercado detida por uma organização. Sua medida quantifica em porcentagem a quantidade do mercado dominado por uma empresa. Divide-se o número total de unidades que a empresa vendeu pelo total de unidades vendidas no segmento em que a empresa atua. O valor pode ser obtido ainda da divisão do valor total em vendas da empresa pelo valor total em vendas do segmento.

Quanto mais útil um produto se torna, mais essencial ele será para os consumidores ou comunidades de usuários, aumentando a fatia de mercado da firma. Porém, esta equação nem sempre é verdadeira, principalmente quando analisamos mercados regidos por uma política de guerra de preços.

Como Kotler (2000) afirma, se as vendas de determinada empresa crescerem 5 por cento ao ano, mas as vendas do setor crescerem 10 por cento ao ano, a empresa estará perdendo participação no mercado, pois não estará conseguindo acompanhar o crescimento setorial.

O Cartel

O Cartel é uma organização, formal ou informal, de produtores dentro de um setor, que determina a política de preços para todas as empresas que o compõem.

Em um mercado com poucas firmas, os participantes percebem que podem adotar estratégias para aumentar seus lucros ou pode haver uma guerra de preços que reduzirá o preço até o custo marginal, como prevê Bertrand. Fora da guerra de preços, seria possível até sustentar um preço de monopólio. Um grupo de empresas pode se juntar e passar a se comportar como um monopolista - maximizando a soma de seus lucros.

O resultado é a transferência de renda dos consumidores para os organizadores do cartel e a diminuição da produção, reduzindo o bem estar da sociedade.

Em um cartel, os produtores explicitamente concordam em cooperar, por meio de um acordo que determina preços e níveis de produção. Nem todos os produtores de um setor necessitam fazer parte do cartel e se a demanda do mercado for suficientemente inelástica, o cartel poderá conseguir elevar seus preços bastantes acima dos níveis competitivos.

O Cartel Perfeito nada mais é do que os oligopolistas, reconhecendo a interdependência que têm entre si, procuram se unir e maximizar o lucro do cartel. A solução a que se chega é a do monopólio puro. Fixando-se o preço, a questão é como dividir as quantidades entre os diferentes membros do cartel. A repartição das quotas pode dar-se de diferentes formas, e vai depender em última instância da capacidade de negociação dos diferentes membros do cartel.

De maneira geral, os cartéis são instáveis. Considerando que em geral operam com uma certa capacidade ociosa, o incentivo para que individualmente os membros tentem burlar os demais é grande.

Duas condições contribuem para o sucesso dos cartéis. A primeira é que se forme uma organização estável, onde os membros sejam capazes de fazer acordos sobre preços e níveis de produção. A segunda condição é que haja espaço para o “poder de monopólio”, ou seja, a capacidade de alterar preços, levando em conta o custo marginal e não as curvas de demanda e oferta como no mercado competitivo. Haverá pouca possibilidade de elevar preços quando estiver diante de uma curva de demanda altamente elástica.

A possibilidade de poder de monopólio poderia ser considerada como a condição mais importante para a obtenção de sucesso; se forem grandes os ganhos potenciais decorrentes da cooperação, os membros do cartel terão maior sucesso estímulo para resolver seus problemas organizacionais.

Atualmente, os cartéis são internacionais. Os cartéis internacionais mais conhecidos são a OPEP (Organização dos Países Produtores de Petróleo : Iran, Iraq, Kuwait, Arábia Saudita, Venezuela, Qatar, Emirados Árabes, Argélia, Nigéria, Equador, Angola) que tem obtido preços mundiais do petróleo acima dos níveis competitivos e o CIPEC (Conselho Internacional dos Países Exportadores de Cobre: Chile, Peru, Zâmbia e Congo).

Modelos de liderança-preço

É uma coalizão imperfeita (cartel imperfeito), onde as empresas de um setor oligopolista decidem tacitamente estabelecer o mesmo preço, aceitando a liderança de uma empresa da indústria.

A líder, empresa que fixa o preço, pode ser tanto a firma de cuusto mais baixo, quanto a maior firma do mercado.

A firma líder fixa o preço e é seguida pelas demais. Todas maximizam o lucro reconhecendo a interdepêndencia que têm entre si. Na hipótese da firma líder ser a de custo mais baixo, entra em consideração a regulamentação antimonopólio.

Pelas leis antimonopólio, uma firma não pode, em muitos casos, deter a totalidade das vendas de um mercado. Dessa forma, ao fixar seus preços, a firma de custo mais baixo descarta a possibilidade de práticas predatórias de preço que levem seu concorrente à bancarrota, para então apoderar-se da totalidade do mercado.

No modelo de liderança-preço pela firma de maior tamanho de mercado, a solução de equilíbrio é obtida através da suposição de que as demais firmas são apenas tomadoras de preço. Consequentemente, a curva de oferta das mesmas corresponde à soma horizontal de suas curvas de custo marginal.

A firma líder vê como sua demanda uma renda dada pela demanda do mercado menos a parte atendida pelas demais firmas. Em outras palavras, supondo que ao preço p* a quantidade demandada seja q*, e supondo também que a esse mesmo preço p* a quantidade ofertada pelas demais empresas seja q#, então a firma líder considerará como sua a demanda q* - q# ao preço p*.

A firma líder obtém sua curva de receita matginal a partir da curva de demanda obtida da forma descrita acima. Para determinar o preço de equilíbrio, basta igualar custo marginal a receita marginal.

Concorrência perfeita

A estrutura de mercado caracterizada por concorrência Perfeita é uma concepção mais teórica, ideal, porque os mercados altamente concorrenciais existentes, na realidade, são apenas aproximações desse modelo, posto que, em condições normais, sempre parece existir algum grau de imperfeição que distorce seu funcionamento.

O seu conhecimento é importante não só como estrutura ideal, que é empregada em muitos estudos que procuram descrever o funcionamento econômico de uma realidade complexa, como também pelas inúmeras consequencias derivadas de suas hipóteses, que condicionam o comportamento dos agentes econômicos em diferentes mercados.

As hipóteses do modelo de concorrência perfeita são:

  1. Existe um grande número de compradores e vendedores. Um grande número de compadores e vendedores se refere não a um valor acima de uma determinada quantidade, mas sim que o preço é dado para as firmas e para os consumidores.

  2. Os produtos são homogêneos, isto é, são substitutos perfeitos entre si; dessa forma não pode haver preços diferentes no mercado.

  3. Existe completa informação e conhecimento sobre o preço do produto; esta hipótese também é conhecida como tranparência do mercado.

  4. A entrada e a saída de firmas do mercado são livres, não havendo barreiras. Essa hipótese também é conhecida como livre mobilidade. Isso permite que firmas menos eficientes saiam do mercado e que nele ingressem firmas mais eficientes.

A hipótese de que a firma, individualmente, é incapaz de alterar o preço do produto tem uma consequencia importante, porque implica que a curva de demanda do produto da firma seja perfeitamente elástica ou, em outros termos, horizontal. A empresa nesse regime só fixa a quantidade a ser vendida, pois o preço está fixado pelo mercado. Como o preço do produto para a firma é uma variável exógena, essa firma pode vender quantas unidades desejar pelo preço vigente no mercado.

Quanto em um mercado de concorrência perfeita as empresas não possuem a capacidade suficiente de influenciar no preço de mercado, por isso mesmo classificado como “tomadores de preços”, em um mercado de concorrência imperfeita, como o oligopólio, esta característica não se repete, as firmas influenciam os preços de mercado e interagem entre si de forma estratégica. Enquanto na concorrência perfeita existem muitas empresas e a oferta de cada uma delas é uma parcela pequena da oferta global, não existindo competição ou rivalidade entre os produtores, logo cada uma delas não se preocupa com os efeitos do comportamento individual das demais. E como dito anteriormente as decisões de cada empresa não alteram nem o volume das vendas globais nem o preço praticado no mercado. Ao contrário, em um oligopólio é caracterizado por poucas empresas sendo que a oferta de cada empresa é significativa em relação à oferta global do mercado. As decisões de cada empresa condicionam a situação dos demais, existindo uma interdependência e competitividade entre as empresas.

1.2 OBJETIVO

Esse trabalho tem como objetivo apresentar e analisar os diferentes Modelos utilizados para se determinar o equilíbrio em um mercado oligopolístico. Como também demonstrar a interdependência entre as empresas em um mercado oligopolístico.

1.3 JUSTIFICATIVA

Com o presente trabalho o aluno poderá entender e analisar melhor um mercado oligopolístico, compreendendo assim as “estratégias” utilizadas para que uma empresa aumente sua lucratividade.

2. METODOLOGIA

Para a elaboração desse trabalho foram feitas pesquisas utilizando a literatura e a internet. Com base nas informações adquiridas foram apresentadas inicialmente as características sobre o tema e a análise dos Modelos utilizados demonstrando implicações de sua utilização e suas limitações, posteriormente para maior entendimento, o tema será analisado através de exemplos.

3. DESENVOLVIMENTO E REVISÃO DE LITERATURA

O exame desses modelos mostra que, dada uma estrutura particular, é possível determinar o preço e quantidade de equilíbrio.

Comparando-se as diferentes estruturas, verifica-se que, do regime de concorrência perfeita, podemos derivar a noção de eficiência econômica porque, se o mercado estiver em equilíbrio de longo prazo, o preço do produto será igual ao custo total mínimo.

Desde que o fluxo de entrada e saída do setor é livre, a sua produção será ampliada à medida que existirem oportunidades de investimentos lucrativos, de maneira que, no longo prazo, o preço diminuirá e a disponibilidade de produto será maior.

Suponhamos que um setor operando em regime de concorrência perfeita seja monopolizado. O efeito da monopolização seria a elevação do preço e da redução da produção. Devido à possibilidade de existênncia de lucro monopolista no longo prazo, em razão das barreiras à entrada de nosvas firmas no setor, o preço do produto pode ser superior ao seu custo total médio mínimo.

A eficiência econômixa sob monopólio não é máxima, porque o monopolista não utiliza necessariamente uma planta de produção ótima ou não produz a quantidade ótima, dada a escala de planta existente.

Evidentemente, em muitos mercados existem ineficiências. Muitas dessas ineficiências são causadas por restrições tecnológicas, embora muitas outras sejam causadas por restrições regulatórias. A falta de informação e as barreiras à entrada são responsáveis por ineficiências que oneram toda a sociedade, em benefício de poucos.

Outro ponto importante é que o mercado por si só não garante a eficiência. Por um lado, o governo é fundamental para que o mercado exista, pois o mercado existe porque existe propriedade, e a propriedade é tal porque assim é definida e defendida pelo governo.

Segundo Rodrigues et al (2007) o modelo adotado para as empresas produtoras de açúcar, visto que acredita-se que as empresas sucroalcooleiras maximizam seu lucro justamente pela escolha da quantidade ótima a se produzir. Dessa forma, definiu-se que o modelo de Cournot era o mais adequado para caracterizar o vigor da competição via preço na indústria de açúcar refinado no Brasil. Porém se muitas empresas entrassem neste negócio como explicado por Freitas (2003) o resultado, seria um equilíbrio igual a concorrência perfeita.

Em exemplo de outro modelo Moraes (2006) utiliza as empresas siderúrgicas brasileiras para tentar explicar o excesso de produção. Se ocorrer uma queda na demanda mundial -por qualquer motivo - ou um excesso de oferta, os produtos no mercado internacional têm seus preços reduzidos. Com isso, as firmas produzem até um determinado ponto - onde o preço se iguala ao custo marginal - como prevê a teoria de maximização dos lucros da firma (Bertrand). Entretanto no mundo real estas empresas competem por preços e conseguem lucros, criando o chamado “paradoxo de Bertrand” (Leng e Parla 2005, citado por Loureiro 2007).

Ian Ramalho Guerriero (2008) utiliza o modelo de Bertrand para simular fusões de empresas de chocolate, para estimar os lucros e como seria o comportamento do mercado, porém ele cita que alguns autores não concordam os resultados estimados, afirmando que este modelo não produz resultados consistentes com a pesquisa e observação empírica em mercados oligopolistas.

4. CONCLUSÃO

Ao utilizar o modelo de Cournot, deveremos nos limitar a comportamentos de empresas que já estejam em equilíbrio, pois empresas que estiverem inicialmente produzindo níveis que sejam diferentes do equilíbrio, a suposição fundamental, segundo a qual cada empresa deverá presumir que a produção de sua concorrente é fixa, não estaria sendo mantida. As produções de ambas as empresas não poderiam ser fixadas, porque as duas estariam ajustando seus respectivos níveis de produção.

O modelo Bertrand prevê que as empresas terminem optando pelo mesmo preço, porém não demonstra qual a fatia das vendas caberá a cada empresa e que mesmo em oligopólio, as firmas se comportam de forma competitiva.

No modelo de Edgeworth as empresas terão lucros quando a demanda for maior que a oferta, uma vez que é introduzido o conceito de restrição de capacidade. Cada firma só pode produzir o que sua capacidade lhe permite.

A ocorrência de cartéis é muito prejudicial para a sociedade no seu conjunto, já que a redução da concorrência leva ao aumento dos custos finais, e isso repercute nos consumidores e no mercado tornando ineficiente. Por outro lado, o oligopólio permite que haja uma efetiva concorrência intercapitalista. Essa competição geralmente busca uma maior qualidade do produto, maior produtividade e/ou menor preço de mercado. Isto pode trazer benefícios para os consumidores e em óbvias vantagens de eficiência mercadológicas.

5. BIBLIOGRAFIA

FREITAS, G. P. Regimes de Concorrência Imperfeita: o Regime de Cournot e o Equilíbrio de Cournot-Nash 2003 (Texto didático).

Ian Ramalho Guerriero. Modelos de Simulação na Análise Antitruste: Teoria e aplicação ao caso Nestlé-Garoto 2008. Dissertação (Mestrado em Economia da Indústria e da Tecnologia). Universidade Federal do Rio de Janeiro, UFRJ, Orientador: Mário Luiz Possas.

José Guilherme Guimarães Loureiro Aplicações da teoria dos jogos na gestão da cadeia de abastecimento: revisão de literatura Conocimiento, innovación y emprendedores : camino al futuro / coord. por Juan Carlos Ayala Calvo, 2007, ISBN 84-690-3573-8.

LENG, M. e PARLAR, M. Game theoretic applications in supply chain management: a review. Infor: Ottawa: Aug 2005. Vol. 43, Num. 3; pág. 187.

PINDICK, R. S.; RUBINFELD. D. L. Microeconomia. São Paulo: Makron Books, 1994. 468p

RODRIGUES, Laura Poggi; MORAES, Márcia Azanha Ferraz Dias de. Estrutura de mercado da indústria de refino de açúcar na região Centro-Sul do Brasil. Rev. Econ. Sociol. Rural, Brasília, v. 45, n. 1, Mar. 2007. Available from <http://www.scielo.br/scielo.php-?Script=sci_arttext&pid=S01030032007000100005&lng=en&nrm=iso>. access on 16 Nov. 2009. doi: 10.1590/S0103-20032007000100005.

Vanessa Montes de Moraes. O que modelos de oligopólio podem dizer sobre as siderúrgicas brasileiras?. 2006. Dissertação (Mestrado em Mestrado em Economia Empresarial) - IBMEC Educacional S.A. Orientador: Sergio Guimarães Ferreira.

GREMAUD, Amaury Patrick. Manual de Economia. São Paulo, 2002. Editora Saraiva. 653 p.

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http://pt.wikipedia.org/wiki/Quota_de_mercado . Acessado em 09 de junho de 2010.

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