Políticas públicas de saúde (PSF)

Políticas públicas de saúde (PSF)

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PROGRAMA DE SAÚDE DA FAMÍLIA - PSF

Prezados colegas,

Ao iniciarmos esse curso que propicia o encontro entre profissionais que atuam em Políticas de Saúde Brasileiras, quero agradecer ao Conselho Federal de Enfermagem – COFEN por esse desafio que incentiva o nosso encontro.

Com esse curso, acreditamos na importância em atualizar os profissionais de saúde para a sensibilização dos problemas na população e também, implementar uma estratégia consciente na avaliação da qualidade de vida das comunidades buscando o aprimoramento na discussão e na identificação desses problemas imediatos, incluímos também a ótica do usuário.

Por isso, precisamos consolidar reflexões na área de saúde pública, criando novas idéias e diálogos entre os profissionais de saúde, tendo em meta o cliente.

A necessidade de padrões aceitáveis de emprego e segurança, alimentação adequada, educação básica, saneamento, melhores condições ambientais e garantia de acesso aos serviços de saúde dão ênfase à promoção e à prevenção da qualidade de vida da população.

Tal entendimento, com relação à saúde no Brasil deverá ser analisado de acordo com o contexto social e econômico em que vive o país.

Os impactos causados por pressões sociais como: a urbanização acelerada, o envelhecimento da população, a volta de doenças típicas e julgadas erradicadas exigem programas específicos de políticas de saúde no enfrentamento dos problemas sociais nas diferentes regiões brasileiras.

Acreditando que a saúde no Brasil vem sendo uma preocupação governamental, destacamos os principais programas e suas possibilidades de intervenção nas camadas mais vulneráveis da população.

Neste primeiro Núcleo Temático, vamos estudar os seguintes programas:

  1. Programa de Saúde da Família - PSF

  2. Programa de Saúde da Mulher

  3. Programa de Saúde da Criança e do Adolescente

  4. Programa de Saúde do Idoso

  5. Programa de Doenças Sexualmente Transmissiveis – DST/AIDS

  6. Programa Diabetes - Hipertensão – Hiperdia

Então, vamos ao Programa de Saúde da Família - PSF.

.1 Sabemos que o PSF estimula iniciativas por parte do profissional da enfermagem, educadores e agentes da comunidade, favorecendo o diálogo entre eles e promovendo mudança cultural dos hábitos, atitudes e interesses vinculados às camadas sociais mais vulneráveis.

Sabemos também que vivemos em um país, cuja realidade diária vem confirmando significativas discrepâncias em relação aos níveis socioeconômicos, historicamente constituídos. Nesse contexto, um dos principais desafios é a saúde e o direito social e universal que são garantidos pela Constituição Federal.

Por isso é que essa acentuada desigualdade social exige o desenvolvimento de políticas sociais importantes e urgentes. Daí a oferta deste curso!

Os profissionais, quando conhecedores das leis e da Constituição, podem contribuir de forma eficaz para que as ações executadas visem à eqüidade e à integralidade dos seus serviços, com profissionalismo e ética, conforme preconiza o SUS.

O Programa de Saúde da Família (PSF), segundo o Governo Federal, é uma ferramenta da qual fazemos uso para promover a saúde, que surge como um paradigma inovador na Saúde Pública. A promoção da saúde é uma mudança na clínica que aborda o sujeito, e o PSF tem como objetivo proceder a essa promoção.

Pode-se, com certeza, afirmar que promover a saúde está ligado diretamente à qualidade de vida, não é mesmo?

Esse Programa foi criado em 1994 pelo Ministério da Saúde com o propósito de reorganizar e substituir o modelo tradicional, levando a saúde para mais perto da família, como um meio de melhorar as condições de seus integrantes e, em conseqüência, da própria comunidade. O PSF segue as responsabilidades e ações estratégicas mínimas de atenção à saúde básica. (NOAS)..2

A Política Nacional de Promoção da Saúde tem como objetivo melhorar a qualidade de vida e prevenir a vulnerabilidade e os riscos de doenças, pois existem os fatores determinantes e condicionantes. Então, pode-se dizer que o sucesso de sua execução está diretamente ligado ao desempenho do profissional de enfermagem no cumprimento de suas atividades.

Agora, colega, vamos relacionar os principais objetivos do Programa da Saúde da Família, fundamentais para o sucesso de suas ações.

O primeiro é prestar um atendimento de qualidade, integral e humano em unidades básicas municipais, garantindo o acesso à assistência e à prevenção em todo o sistema de saúde, de forma a satisfazer as necessidades de todos os cidadãos.

O segundo objetivo é o de reorganizar a prática assistencial em novas bases e critérios: atenção centrada na família, entendida e percebida a partir de seu ambiente físico e social.

Também deve-se garantir eqüidade no acesso à atenção em saúde, de forma a satisfazer as necessidades de todos os cidadãos do Município, avançando na superação das desigualdades.

Acreditamos que a imagem atual do sistema de saúde brasileiro vem exibindo falhas, revelando-se intolerável, segundo a opinião de seus principais consumidores. A população julga o sistema de saúde analisando não só um caso ou outro, mas o desempenho geral do sistema. A saúde é uma área que envolve a vulnerabilidade e a sensibilidade das pessoas e, por isso, o atendimento e atitudes tomam uma dimensão maior na reação dos envolvidos.

Portanto, não há outro jeito: política de saúde tem de ser de qualidade total.

O PSF vem se destacando, mesmo em algumas regiões com acomodações modestas, pois as estratégias estabelecidas estabelecem profissionalismo e responsabilidade no atendimento aos usuários, buscando o aprimoramento das suas ações, com um atendimento de qualidade aos cidadãos na comunidade.

Atender com qualidade, antes de mais nada, exige um comprometimento por parte de seus profissionais.

De acordo com a discussão das políticas das últimas décadas, o PSF vem reorganizando sua prática e seus critérios centrados na família, buscando melhores instrumentos de atuação. A identificação dessa intervenção satisfaz às necessidades de cada um em conformidade com os direitos humanos, ou seja, garante a eqüidade de seu tratamento.

Para melhor compreendermos como funciona o PSF, faz-se necessário entender como se dá a organização e o funcionamento da Equipe de Saúde da Família.

A equipe se organiza de forma multiprofissional composta por, no mínimo, um médico de família e comunidade, um enfermeiro de saúde pública, um auxiliar de enfermagem e 6 agentes comunitários de saúde, e, quando ampliada, conta ainda com um dentista, um auxiliar de consultório dentário e um técnico em higiene dental.

Você sabe, colega, que este propósito de trabalhar em equipes traz possibilidades de atuação multidisciplinar, mesmo que, muitas vezes, tenhamos que vencer alguns desafios no relacionamento interpessoal.

Sabemos que há necessidade de integração e motivação para atuar em conjunto em prol do cliente, viabilizando, assim, as ações do Sistema Único de Saúde (SUS) com sua proposta de universalidade, eqüidade e integralidade. Apesar das características próprias do programa, há a necessidade de integração e motivação para atuar em conjunto em prol do cliente.

Assim, para que haja um funcionamento eficiente e que atinja os objetivos do programa, deve-se conhecer e reconhecer as atribuições dos membros que compõem essas equipes multiprofissionais.

O médico, que atende a todos os integrantes de cada família, independente de sexo e idade, desenvolvendo com os demais integrantes da equipe, ações preventivas e de promoção da qualidade de vida da população.

O enfermeiro, cuja função é supervisionar o trabalho do Agente Comunitário de Saúde (ACS) e do Auxiliar de Enfermagem, além de realizar consultas na unidade de saúde, bem como assistir as pessoas que necessitam de cuidados de enfermagem, no domicílio.

O auxiliar de enfermagem, que realiza procedimentos de enfermagem na unidade básica de saúde, no domicílio e executa ações de orientação sanitária.

O agente comunitário de saúde, responsável em fazer a ligação entre as famílias e o serviço de saúde, visitando cada domicílio pelo menos uma vez por mês. Realiza o mapeamento de cada área, o cadastramento das famílias e estimula a comunidade para práticas que proporcionem melhores condições de saúde e de vida. (BRASIL, MS - Política Nacional de Atenção Básica, 2007).

De acordo com seu conhecimento, fazendo uma releitura do texto, que ações você priorizou no PSF?

Pode-se, então, perceber que cada membro da equipe, ao cumprir as suas atribuições, torna a equipe capacitada para desenvolver plenamente as suas ações, entre as quais, destacam-se as seguintes:

  • conhecer a realidade das famílias pelas quais é responsável, por meio de cadastramento e diagnóstico de suas características sociais, demográficas e epidemiológicas;

  • identificar os principais problemas de saúde e situações de risco aos quais a população atendida está exposta;

  • elaborar, com a participação da comunidade, um plano local para enfrentar os determinantes do processo saúde/doença;

  • prestar assistência integral, organizada ou espontânea, na Unidade de Saúde da Família, na comunidade, no domicílio e no acompanhamento ao atendimento nos serviços de referência ambulatorial ou hospitalar, respondendo de forma contínua e racionalizada à demanda;

  • desenvolver ações educativas e intersetoriais para enfrentar os problemas de saúde identificados.

É importante ressaltarmos a existência de especificidades nos diferentes locais e reconhecermos diferentes atuações dos profissionais nas diferentes comunidades.

Destacamos como exemplo a Unidade de saúde - PSF em Ponte Coronel no município de São Gonçalo – Rio de Janeiro, que só tem a comemorar, pois o trabalho da equipe vem causando muita satisfação à comunidade, conforme o depoimento da moradora Srª. Maria Martins Caldeira:

“O atendimento está ótimo e está atendendo toda comunidade, o médico é bom e vai às casas, faz as visitas aos doentes, meu marido mesmo está precisando do atendimento em casa, pois não esta conseguindo andar, graças a Deus melhorou muito e o local de espera era uma reivindicação que toda comunidade fazia, pois a gente ficava esperando no sol ou na chuva”.

Certamente, você está relembrando de todos os aspectos que você já conhecia deste programa, não é, colega?

Você sabe que as transformações ainda são lentas no campo das práticas, principalmente devido às dificuldades encontradas. E nesse caminho, às vezes tortuoso, a máxima é superar obstáculos de todas as ordens: na organização do trabalho, na relação com os profissionais da equipe, na dificuldade de consolidar as ações em conjunto, por falta de tempo ou escassez de material.

Mas conhecemos, na prática de nossa profissão, que o PSF tem tudo a ver com integralidade e que a equipe de saúde sempre busca pela interdisciplinaridade, todos em prol de um bem comum.

“Essa relação mais profunda dos profissionais de saúde com a população cria, inclusive, condições para redefinição crítica da prática em vários serviços de saúde, apontando para um modelo mais integrado aos interesses populares. Assim, vai se configurando no Brasil, uma postura de relação entre os profissionais de saúde e a população, voltada para a gestação de novos conhecimentos e novas formas de organização social.” (BARBIERI, 2006, p. 8).

Assim, os desafios que se apresentam no cotidiano de nossa profissão estão aí para serem superados, um de cada vez, para que se atinjam os resultados de uma equipe, no verdadeiro sentido da palavra.

PROGRAMA DE SAÚDE DA MULHER

.1 Para iniciar esta reflexão, precisamos entender a importância da educação em saúde como uma educação baseada no diálogo, um intercâmbio entre o saber científico e o popular, em que cada um deles tem muito a ensinar e aprender. (VASCONCELOS, 1997).

Nesse sentido, colega, educar em saúde é levar compreensão e soluções à população por meio de profissionais politizados e conhecedores da ciência que já alcançaram, não é mesmo?

Por isso, nenhuma ação do Programa de Saúde da Mulher avançará sem a presença do componente educativo dos profissionais da saúde e da população das mulheres atendidas. Àquelas que procuram os serviços de saúde deverão ser oferecidas ações educativas individuais ou em grupos, que levem à reflexão sobre os benefícios que decorrem destas atividades. (BRASIL, MS, 2001).

Portanto, as ações educativas são elementos chaves na promoção da saúde, e o profissional da saúde deve ser um educador nesse sentido. Podemos contar com você?

Dessa forma, trazemos uma reflexão que propicia entender o trabalho e o ganho com o Programa da Saúde da Mulher, pois nele se conseguem identificar problemas futuros, importantes para a saúde, sobrevivência e fortalecimento da mulher brasileira.

Um dos indicadores epidemiológicos de índice elevado é a mortalidade materna. Lemos e escutamos na mídia, diariamente, que a elevação deste índice é oriunda das condições socioeconômicas das comunidades carentes, baixo grau de escolaridade e o difícil acesso aos serviços de saúde.

Por isso, este programa adota em seu conceito várias perspectivas:

  1. A integralidade da saúde da mulher com ações dirigidas para o atendimento global das necessidades prioritárias desse grupo populacional, sendo observado desde a adolescência até a terceira idade com ampla aplicação no sistema básico de saúde.

  2. A articulação de esforços em todas as esferas do governo com vistas a sistematizar e direcionar os serviços para uma assistência humanizada, voltada para o aprimoramento do controle pré-natal, do parto e do puerpério, da prevenção do câncer do colo do útero e da mama, abordando os problemas nas diversas esferas da vida.

  3. A percepção da mulher como um ser integral, cuja saúde se relaciona com as relações de gênero, classe social, raça, religião, cultura, estrutura familiar, trabalho, moradia, educação, segurança, lazer e outras ações.

Nesse sentido, o Programa tem como missão promover a saúde integral da mulher, reduzindo os índices de morbimortalidade nas diversas fases e ciclos de vida, tendo como metas de programa aumentar a cobertura, a concentração e a qualidade da assistência pré-natal, propondo os seguintes objetivos:

  • Melhorar a assistência ao parto e puerpério.

  • Ampliar o acesso às ações de planejamento familiar, garantindo o acesso aos métodos anticoncepcionais reversíveis.

  • Diminuir os índices de mortalidade materna.

  • Aumentar os índices de aleitamento materno.

  • Ampliar as ações de detecção precoce e controle do câncer do colo do útero e da mama, articuladas a um sistema de referência para o tratamento e o acompanhamento da mulher.

  • Estabelecer parcerias com outros setores para o controle das DST e de outras patologias prevalentes no grupo, principalmente nas ações dirigidas às gestantes visando à prevenção da transmissão vertical do HIV, sífilis congênita e erradicação do tétano neonatal.

  • Implantar núcleos de atendimento à mulher vítima de violência sexual.

  • Implantar serviços de mamografia nas macrorregiões, para facilitar o acesso das usuárias do SUS.

  • Manter e ampliar parcerias com as entidades ligadas à saúde da mulher.

  • Investigar todos os óbitos de mulheres em idade fértil (10 a 49 anos), cujas causas possam ocultar o óbito materno.

Para atingir tais objetivos, torna-se necessário pontuar alguns procedimentos relativos à promoção da saúde, ultrapassando a fase dos cuidados básicos. Essa visão acarreta uma ação coordenada para a eqüidade, com a finalidade de assegurar bens e serviços mais seguros.

Constrói-se a saúde pelo cuidado de cada um consigo mesmo e com os outros, e pela capacidade de tomar suas próprias decisões, controlando as circunstâncias da própria vida, em uma luta por uma sociedade mais justa.

Observe, colega, que esse conhecimento é parte do processo de educação da população feminina, assim como é uma questão de consciência das políticas públicas implantadas neste país.

Em 2004, foi sancionada, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a Lei nº. 10.745 que instituiu o ano da mulher e estabeleceu que o Poder Público, naquele ano, iria promover programas e atividades para a divulgação e a comemoração, com envolvimento da sociedade civil, das conquistas femininas.

A lei visava, ainda, a incentivar iniciativas que consolidassem a igualdade e a justiça na inserção da mulher na sociedade brasileira. Pode-se ressaltar a adesão de mais de 298 municípios ao Programa de Humanização do Pré-Natal e Nascimento, totalizando 4.284 participantes.

De acordo com dados do Ministério da Saúde de 2004, a história das mulheres na sua busca pelos serviços de saúde tem sido acompanhada por discriminação, frustrações e violações dos direitos e apareceram como fonte de tensão e mal-estar psíquico-físico.

Assim, para mudar essa trajetória, torna-se urgente a humanização e a qualidade do atendimento em respeito à promoção da saúde da mulher.

O reconhecimento e o respeito aos direitos das mulheres é um marco ético que lhes garante a saúde integral e o bem-estar. A assistência Obstétrica e Neonatal é, com certeza, condição para um bom acompanhamento do parto e puerpério; além do que, pela sua condição de cidadã, ela tem o direito de ser recebida com dignidade e respeito nas unidades de saúde que procura.

Deverão ser adotadas algumas medidas seguras e humanizadas, que implicam a organização dos procedimentos e rotinas, bem como incorporam condutas que deverão ser colocadas em prática no Programa da Saúde da Mulher. .1

A esse respeito, Farinatti e Ferreira nos mostram que

A promoção da saúde, noção mais ampla e positiva que a prevenção, ainda que não a desconsidere, apareceria definida não em função de estratégias de prevenção de doenças, mas de iniciativas que facilitariam o desenvolvimento de um estado de equilíbrio harmonioso entre as pessoas, seus próximos e seu ambiente. (2006, p. 84).

Para tornar mais evidente as possibilidades de mais qualidade na saúde da mulher, entram em cena diferentes formas de assistências.

Trataremos, em primeiro lugar, sobre a Assistência Clínico-Ginecológica.

A assistência ginecológica - com o controle de prevenção do câncer cérvico uterino, câncer de mama, o controle e prevenção das DSTs - é uma das conquistas mais importantes para a mulher brasileira. É preciso uma abordagem global da saúde da mulher no seu ciclo vital e não apenas no ciclo gravídico-puerperal.

É consenso entre os profissionais de saúde a importância da coleta de material para o Exame de Papanicolau, cujo diagnóstico permite a prevenção, o tratamento e o acompanhamento de patologias, pelos órgãos públicos do município, em diferentes ações como:

  • Tratamento secundário das patologias do trato genital inferior e colposcopia, nos pólos credenciados.

  • Tratamento do câncer do colo do útero e da mama.

  • Orientação para o auto-exame da mama.

  • Realização de mamografia nos pólos credenciados.

  • Orientações para o planejamento familiar, com disponibilidade de métodos reversíveis em todos os municípios, com Programa de Saúde da Família.

  • Capacitação dos profissionais.

  • Sistematização da assistência à mulher no Climatério.

  • Ampliação do Monitoramento Externo (controle de qualidade) de todas as lâminas dos Exames de Papanicolau realizados no Estado.

Uma das formas de diminuir ou prevenir os agravos à saúde das mulheres é realizar as consultas de enfermagem, realizadas pelo enfermeiro assistencialista das UBS.

Observe, colega, que, apesar da complexidade que decorre dessas ações, elas são inerentes ao funcionamento básico do próprio programa, não é mesmo?

Seguindo a lógica do programa, temos a Assistência Pré-Natal, ao Parto e Puerpério.

A assistência pré-natal tem como objetivo principal assegurar a evolução normal da gravidez, preparando a futura mãe para o parto e puerpério tranqüilos e lactação normal. Por isso, a importância da identificação precoce de situações de risco, para prevenir as complicações mais freqüentes da gravidez e do ciclo puerperal. .2

Assim, a implantação do Programa de Humanização do Pré-Natal e Nascimento – o PHPN – é a garantia do acompanhamento específico e adequado para a mulher, quando são desenvolvidas ações, tais como:

  • Acompanhamento pré-natal em toda rede ambulatorial por equipes do PSF.

  • Incentivo ao parto normal e redução de intervenções desnecessárias em toda rede ambulatorial por equipes do PSF.

  • Orientação e preparo para o aleitamento materno.

  • Investimentos para capacitação dos profissionais.

  • Analisar os indicadores da assistência, anualmente, para auxiliar no planejamento das ações.

  • Manter a busca ativa das parteiras tradicionais existentes, para capacitá-las adequadamente.

  • Implantar Comitês de Prevenção da Mortalidade Materna.

Embora de natureza diferente das ações anteriormente citadas, revela-se fundamental um terceiro tipo de assistência: a Assistência à Mulher Vítima de Violência Sexual.

A violência sexual é uma realidade incontestável e uma possível gravidez pode resultar desse ato infame. Torna-se impostergável a busca de respostas urgentes a essa demanda e a organização de uma ação imediata de combate à violência doméstica e sexual praticada contra as mulheres.

Para a garantia desse Programa, estão propostos os seguintes procedimentos:

  • Organização de núcleos macrorregionais e multi-setoriais, garantindo a humanização da assistência.

  • Garantia de métodos de contracepção de emergência nos núcleos macrorregionais.

  • Melhoria do sistema de informação relativo à violência sexual.

Na falta de uma oportunidade que possa mudar a situação de violência contra as mulheres, algumas delas continuam convivendo com o problema e, quando sentem necessidade, vão às consultas e as queixas intimidadas aparecem, na maioria das vezes com justificativas para as agressões corporais sofridas.

Todos nós entendemos bem como funciona esse processo...

Apesar de sua complexidade, nos últimos recentes anos, esse quadro vem se modificando timidamente, graças a grupos organizados que têm esclarecido a opinião pública, à medida que levantam opiniões, fazem pesquisas, divulgam e têm encontrado apoio das autoridades judiciárias, que têm implementado algumas políticas voltadas para a proteção da mulher, como, por exemplo, a lei 11.340 de 2006 que cria mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher.

Enfim, ficam destacadas as diferentes ações que podem e devem ser implantadas para uma efetiva promoção e prevenção da saúde da mulher. Elas são necessárias e precisam de nossa interferência e competência profissional a fim de que se mude o rumo de uma história que nos avilta e que não condiz com o padrão de excelência que a nossa profissão requer. .3

Programa Saúde da Criança e do Adolescente - PROSAD

.1 O Programa Saúde do Adolescente - PROSAD é dirigido a todos os jovens entre 10 a 19 anos e se caracteriza pela integralidade das ações e pelo enfoque preventivo e educativo. O PROSAD visa garantir aos adolescentes o acesso à saúde, com ações de caráter multiprofissional, intersetorial e interinstitucional que propõem uma nova atitude ao profissional de enfermagem.

Talvez, colega, seja esse um dos Programas mais complexos pela diversidade que o caracteriza. Pense um pouco e veja que cuidar da criança e do adolescente exige de você capacitações e atitudes diferentes.

Por exemplo: usa-se a mesma linguagem, as mesmas ações e as mesmas recomendações do que ao lidar com os adultos? Certamente a resposta é não, pois as faixas etárias fazem diversificar o trato dos sujeitos no atendimento, com certeza.

Vamos, agora, trazer-lhes os principais objetivos do PROSAD:

  • Promover a saúde integral do adolescente, favorecendo o processo geral de seu crescimento e desenvolvimento, buscando reduzir a morbimortalidade e os desajustes individuais e sociais;

  • Normatizar as ações consideradas nas áreas prioritárias;

  • Estimular e apoiar a implantação e/ou implementação dos Programas Estaduais e Municipais, na perspectiva de assegurar ao adolescente um atendimento adequado às suas características, respeitando as particularidades regionais e realidade local;

  • Promover e apoiar estudos e pesquisas multicêntricas relativas à adolescência;

  • Contribuir com as atividades intra e interinstitucional, nos âmbitos governamentais e não governamentais, visando à formulação de uma política nacional para a adolescência e juventude a ser desenvolvida nos níveis Federal, Estadual e Municipal. (DISICA).

.2 Já foi visto que os resultados das ações de prevenção se tornam mais eficientes quando essa educação começa ainda na infância. Tais ações devem ser inseridas de forma preventiva no universo cultural das crianças, dos adolescentes e jovens. Consideramos, então que seja primordial, além da promoção, o fortalecimento, a participação ativa da juventude no processo de sua educação.

Para isso, é necessário o apoio integrando às diferentes instituições, em especial a família, a escola, a comunidade e o Sistema de Saúde, como não poderia deixar de ser.

Precisamos garantir um atendimento total a essa faixa etária, tendo em vista os seus anseios e a garantia de resolução dos problemas abordados. É importante que se tenha uma visão holística e personalizada da criança e do adolescente.

Portanto, ressaltamos o tratamento com eqüidade e integralidade.

Entre as inúmeras áreas de ação com a criança e o adolescente .1, destacam-se como prioritárias as seguintes:

  1. crescimento e desenvolvimento;

  2. sexualidade;

  3. saúde mental;

  4. saúde reprodutiva;

  5. saúde do escolar adolescente;

  6. prevenção de acidentes;

  7. violência e maus-tratos;

  8. família.

Para que o programa possa ser estabelecido, são necessárias atuações que envolvem todos os níveis da Federação. Entretanto, é de competência da esfera federal a implantação e/ou implementação do PROSAD em todos os estados, dando-lhes assessoria técnica, no sentido de apoiar treinamentos de recursos humanos e de adolescentes multiplicadores de saúde.

Ao estimular a criação de centros de referência para a saúde do adolescente, dentro das normas do Ministério da Saúde, a união elabora, imprime e distribui materiais normativos e educativos, condizentes com as especificidades das populações a que se destinam, de modo a apoiar a sua execução tanto no âmbito dos estados como dos municípios.

Também é competência da união apoiar eventos que possam fomentar o interesse e a melhoria da qualidade de atenção ao adolescente, estimulando pesquisas em serviço que possam contribuir na compreensão do comportamento e especificidades dos jovens frente a questões de saúde.

Dessa forma é importante manter um permanente canal de comunicação entre os níveis central, estadual e municipal, pela participação de eventos, grupos de trabalho, conselhos, comitês etc, em que se discutam situações relativas à saúde integral do adolescente, para apoiar o reconhecimento e a adoção de políticas nacionais das necessidades específicas do adolescente.

É fundamental, ainda, a disponibilidade de acesso a métodos de avaliação e acompanhamento da assistência prestada ao adolescente em todos os níveis do SUS. E mais: para poder executar ações integradas, há a necessidade de articulação com o Ministério da Educação e do Desporto, com o Ministério do Trabalho, Ministério da Justiça, com o Ministério da Previdência Social, além do Programa Comunidade Solidária, Organizações Não-Governamentais e com os Organismos Internacionais OMS/OPAS, UNICEF, FNUAP.

Pode-se perceber, colega, que o atendimento ao adolescente envolve muitas questões e precisa de parcerias atuantes, não é mesmo?

Entretanto, não se pode esquecer que todo profissional, principalmente o enfermeiro, é antes de tudo um educador, a quem cabe orientar o adolescente e a criança, nas práticas de saúde, tornando-os conscientes de seu próprio corpo e de suas necessidades.

Quando falamos de integralidade de ações e de conceitos intersetoriais, lembramos da necessidade da prática de exercícios físicos na orientação da criança e do adolescente, proporcionando uma visão diferente daquela que ele vivencia em sua comunidade, possibilitando seu afastamento de ações que podem prejudicá-lo no futuro. Essa é uma estratégia que deverá ser adotada nas consultas de enfermagem ao adolescente sobre suas aptidões na área de Educação Física, por exemplo.

Relendo Farinatti e Ferreira (2006), podemos refletir sobre suas palavras no texto abaixo:

Acreditando na necessidade da consolidação da disciplina no contexto do processo educacional, por meio da construção de uma teoria geral aplicada para si, é preciso voltar-se mais amiúde aos objetivos de ensino que a diferenciam das demais disciplinas e atividades curriculares. Encarar a educação física como veículo da promoção da saúde, mediada por uma visão de aptidão física para toda a vida, parece englobar problemas pedagógicos envolvidos com a adoção de modos ativos de vida, o que remete à aprendizagem de habilidades motoras e ao desenvolvimento de uma autonomia para o gerenciamento de qualidades físicas referenciadas à saúde. Isso implicaria situações de ensino-aprendizagem que dificilmente poderiam ser trabalhadas na escola por outra disciplina que não a educação física. Portanto este parece ser um caminho que mereceria, ao menos, uma reflexão. (2006, p. 155).

É importante lembrar que os profissionais de saúde, em geral, compreendem a adolescência como um momento especial da trajetória humana, uma etapa em crise. A chamada crise vital ou crise normativa é um momento necessário ao desenvolvimento do indivíduo na conquista da identidade.

Na adolescência se operam intensas transformações, nela se expressa o crescimento marcado por desorganizações físicas, hormonais, psíquicas e emocionais e sua reorganização. Nesta fase do desenvolvimento humano, ocorre o processo normativo de organização das estruturas do indivíduo. E o adolescente na conquista da identidade busca suas próprias referências, questionando a família e todos que o rodeiam.

Trata-se de uma fase do desenvolvimento humano de extrema importância que precisa do acompanhamento da família e dos profissionais que atuam no PROSAD.

Assim, surgem algumas indagações que nos fazem refletir. Vamos a elas.

Quais as atitudes inovadoras que poderíamos acrescentar às nossas práticas junto à criança e ao adolescente?

Surge em nós, profissionais da área da saúde, uma expectativa em relação à necessidade de um tratamento diferenciado a este público jovem?

Será que pensar no adolescente desperta em nós o profissional sensível, paciente, que compreende o perfil e as características dessa faixa etária tão específica para poder prestar-lhe um atendimento mais adequado e construtivo?

Programa de Saúde do Idoso

Colega

Estamos, todos nós, profissionais de saúde, preocupados em fornecer atenção integral a essa clientela que está se tornando cada vez mais numerosa em todo o país.

Sabemos que envelhecer é um processo fisiológico e natural pelo qual todos os seres vivos passam e é uma fase do desenvolvimento humano que está se prolongando devido aos avanços da ciência. Nascemos, crescemos e amadurecemos, e desse momento até a nossa morte, passamos a vida toda envelhecendo. Nesta fase, várias alterações fisiológicas ocorrerão de modo mais ou menos acentuado e com velocidades variáveis entre as diferentes pessoas, geralmente relacionadas às variáveis pessoais. .1

Sabemos que o Programa de Saúde do Idoso é de grande participação nas comunidades, pelos cuidados de assistência prestados a essa faixa etária, e contribui de forma significativa para que o idoso permaneça ativo na sociedade e tenha melhor qualidade de vida.

Perceba como é importante, saber das diferentes visões desse Programa, como já vimos anteriormente.

Ciente da necessidade de uma política relacionada à saúde do idoso, o Ministério da Saúde concluiu o processo de revisão e atualização da Portaria nº 1.395/GM, de 10 de dezembro de 1999, aprovando a Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa pela atual Portaria nº 2.528 de 19 de outubro de 2006.

É alvo dessa política todo cidadão e cidadã brasileiros com 60 anos ou mais de idade, com o sentido de recuperar, manter e promover a autonomia e a independência dos indivíduos idosos, direcionando medidas coletivas e individuais de saúde para esse fim, em consonância com os princípios e diretrizes do Sistema Único de Saúde.

Pensando no fenômeno do crescimento do número de idosos em nosso país e na necessidade de capacitá-los para o auto-cuidado, deve-se ter o cuidado de não perpetuar atitudes meramente filantrópicas e assistencialistas, posto que são incapazes de conseguir a verdadeira promoção do cidadão com mais idade e, em conseqüência, revelam-se excludentes.

Por isso, o Programa da Saúde do Idoso tem como diretrizes essenciais:

  • Promoção do envelhecimento ativo e saudável.

  • Atenção integral à saúde da pessoa idosa.

  • Estímulo às ações intersetoriais, visando à integralidade da atenção.

  • Provimento de recursos capazes de assegurar qualidade da atenção à saúde da pessoa idosa.

  • Estímulo à participação e fortalecimento do controle social.

  • Formação e educação permanente dos profissionais de saúde do SUS na área de saúde da pessoa idosa.

  • Divulgação e informação sobre a Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa para profissionais de saúde, gestores e usuários do SUS.

  • Promoção de cooperação nacional e internacional das experiências na atenção à saúde da pessoa idosa.

  • Apoio ao desenvolvimento de estudos e pesquisas.

A área de gerontologia, através de várias disciplinas, estuda os problemas, atitudes e todos os fenômenos que possam estar relacionados com a terceira idade, sejam eles psicológicos, fisiológicos ou sociais.

Já observamos que, no Brasil, a quantidade de idosos vem aumentando a cada ano, não é mesmo?

Há no Brasil cerca de 15 milhões de pessoas nessa faixa etária (9% da população). Dessa parcela 85% apresentam, pelo menos, uma doença crônica e 10% no mínimo cinco enfermidades .1.

Estudos sobre pessoas com mais de 65 anos indicam que 40% dessa população necessita de algum tipo de auxílio para realizar, pelo menos, uma atividade instrumental diária. E 10% desses idosos requerem inclusive auxílio para realizar tarefas básicas (sentar-se, levantar-se, ir ao banheiro, alimentar-se e vestir-se).

Por isso, cresce também a necessidade de instituições para a terceira idade, de profissionais qualificados e de mais recursos para a previdência.

Enfim, o sistema de saúde deve estar preparado para acolher esta nova realidade. Somente assim, será possível oferecer aos nossos idosos uma velhice mais confortável e digna. (BRASIL, MS, 2003).

O Ministério da Assistência de Promoção Social, juntamente com o Ministério de Saúde, vai instituir uma comissão interministerial para coordenar o Programa Nacional de Cuidadores de Idosos e implementar uma rede de apoio, acompanhamento e de orientação a pessoas que exercerem essa função.

O Estatuto do Idoso - Lei nº 10.741/2003 - assegura atenção integral à saúde dos maiores de 60 anos por intermédio do Sistema Único de Saúde (SUS). O Ministério da Saúde criou um Grupo de Trabalho (GT) para adequar o SUS com o normatizado pelo Estatuto do Idoso, mediante a regulamentação das seguintes questões: procedimentos de reabilitação, de cadastramento de idosos e de organização dos serviços para assegurar a assistência/internação domiciliar no âmbito do SUS. .2

A prevenção e manutenção da saúde do idoso serão efetivadas por meio de:

  1. Cadastramento da população idosa em base territorial.

  2. Atendimento geriátrico e gerontológico em ambulatórios.

  3. Atendimentos domiciliares, incluindo a internação para o idoso que precisar e estiver impossibilitado de se locomover, inclusive para aquele abrigado e acolhido por instituições públicas, filantrópicas ou sem fins lucrativos e eventualmente conveniadas com o Poder Público nos meios urbano e rural.

  4. Fornecimento gratuito, pelo Poder Público, de medicamentos, especialmente os de uso continuado, assim como próteses, órteses e outros recursos relativos ao tratamento, habilitação ou reabilitação.

  5. Assegurar o direito a acompanhante ao idoso internado ou em observação, cabendo ao órgão de saúde proporcionar as condições adequadas para a sua permanência em tempo integral, segundo o critério médico.

Desenvolver essas ações é objetivo do Programa partindo do contexto de vida dos idosos e de sua compreensão, juntamente com seus familiares, cuidadores ou profissionais dos múltiplos fatores que afetam a qualidade do cuidado na relação entre eles.

É fato inegável o envelhecimento da população mundial e percebemos que está acontecendo de forma acelerada, principalmente nos países em desenvolvimento.

Dessa forma, inúmeras ações devem atender também à família do idoso, pois nem sempre o grupo familiar tem o discernimento de como podem contribuir para a harmonia e a presença cada vez mais consolidada do idoso no seu cotidiano. A Organização Mundial de Saúde prevê que, lá pelo ano 2025, pela primeira vez na história da humanidade, teremos mais idosos do que crianças no planeta.

A consciência dessa nova realidade que se delineia rapidamente entre nós deve desencadear estratégias de ações de educação e saúde pública que contribuirão para a melhoria da qualidade de vida dessas pessoas e, certamente, para a redução do custo social. .2

DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS – HIV/AIDS

Colega

Todo cidadão deve ser e estar conscientizado da importância de sua saúde pessoal e do bem-estar da comunidade em geral. Entretanto, há assuntos que ainda são tratados como tabus.

Estes assuntos não são discutidos, pois ainda existe certo distanciamento de algo que, sabemos, está muito perto de nós todos, como é o caso das doenças sexualmente transmissíveis (DST).

.1 As Doenças Sexualmente Transmissíveis são aquelas adquiridas em relações sexuais (vaginal, anal ou oral) com pessoas contaminadas. Durante algum tempo, essas doenças ficaram um pouco esquecidas pela descoberta de alguns antibióticos bastante eficazes, (principalmente a penicilina), o que tornou o tratamento da maioria mais fácil e acessível. Porém, ocorreram recidivas de algumas dessas doenças, tornando-se motivo de preocupação.

Além disso, o surgimento da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS) direcionou a atenção da sociedade para esses problemas de saúde, e as DST foram consideradas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) um problema de saúde pública que atinge o mundo inteiro: uma pandemia.

Conforme a Organização Mundial da Saúde, as DST são doenças causadas por vários tipos de agentes e são transmitidas, principalmente, por contato sexual sem o uso de preservativo, por uma pessoa que esteja infectada. Geralmente, manifestam-se por meio de feridas, corrimentos, bolhas ou verrugas. Algumas DST são de fácil controle e de rápida resolução; entretanto, outras são de difícil tratamento ou permanecem ativas, apesar da aparente sensação de melhora relatada por pacientes.

Ressaltamos que diversos casos de DST não são de fácil identificação em relação aos sinais e sintomas das reações orgânicas comuns ao organismo humano. Assim, especialmente as mulheres devem ser bastante cuidadosas, já que isso exige o acompanhamento periódico realizado pelo médico e enfermeiro, para que o diagnóstico e tratamento sejam precoces, uma vez que algumas DST podem evoluir e complicar-se, ocasionando inclusive a morte.

Assim, colega, reiteramos que a informação sobre a existência dessas doenças é o primeiro grande passo para auxiliar a população. E isso é uma questão de educação. Concorda?

Informar-se, conhecer e discutir sobre as inúmeras DST existentes, assim como procurar tratamento é fundamental a todas as pessoas. Entre as doenças sexualmente transmissíveis, primeiramente, abordaremos sobre a AIDS que tanto surpreende e desafia a todas as instâncias da sociedade.

Nos anos 80, no início da epidemia da AIDS (quando ainda podíamos chamá-la assim), tanto os médicos quanto a população em geral acreditavam que o grupo de risco se restringia aos profissionais do sexo, aos homossexuais e aos usuários de drogas.

Hoje, temos certeza de que não é bem assim. E esse fato assusta!

Na verdade, o tempo e as novas descobertas sobre o vírus encarregaram-se de mostrar que todos nós somos vulneráveis ao HIV: homens e mulheres, casados ou solteiros, jovens e idosos, ricos e pobres, inclusive crianças. Este vírus se disseminou entre os diversos segmentos da sociedade e hoje avança inclusive sobre as mulheres heterossexuais, é a chamada “feminização” da doença.

Em função das bem sucedidas políticas de saúde adotadas, o Brasil se tornou referência mundial no tratamento de portadores do HIV, tanto pelo processo de orientação geral da população, como pela distribuição gratuita dos coquetéis anti-retrovirais pelo Sistema Único de Saúde (SUS) aos pacientes infectados. .2

Entretanto, sabemos que ainda há muito trabalho pela frente, não é mesmo, colega? E mais, precisamos de conhecimento sobre as questões trabalhadas.

A AIDS é uma doença que se manifesta após a infecção do organismo humano pelo Vírus da Imunodeficiência Humana, mais conhecido como HIV. Esta sigla é proveniente do inglês - Human Immunodeficiency Virus.

Também do inglês deriva a sigla AIDS, Acquired Immune Deficiency Syndrome, que em português quer dizer Síndrome da Imunodeficiência Adquirida. (BRASIL, MS)

Vejamos os significados dessa expressão.

Síndrome é o grupo de sinais e sintomas que, uma vez considerados em conjunto, caracterizam uma doença.

Imunodeficiência diz respeito à inabilidade do sistema de defesa do organismo humano para se proteger contra microorganismos invasores, tais como vírus, bactérias, protozoários etc.

Adquirida quer dizer que a AIDS não é causada espontaneamente, mas por um fator externo (a infecção pelo HIV), por isso, não é congênita como no caso de outras imunodeficiências.

O HIV é um vírus que destrói os linfócitos - células responsáveis pela defesa do nosso organismo - tornando a pessoa vulnerável a outras infecções e doenças oportunistas, chamadas assim por surgirem nos momentos em que o sistema imunológico do indivíduo está enfraquecido.

Há alguns anos, receber o diagnóstico de AIDS era quase uma sentença de morte. No entanto, atualmente a AIDS é considerada uma doença crônica. Isso significa que uma pessoa infectada pelo HIV pode viver com o vírus por um longo período sem apresentar nenhum sintoma ou sinal. Assim, os avanços tecnológicos, a experiência obtida pelos profissionais de saúde ao longo dos anos e as pesquisas propiciam o desenvolvimento de medicamentos cada vez mais eficazes. Todos estes fatores possibilitam aos portadores do vírus uma sobrevida cada vez maior e de melhor qualidade.

Mas como as pessoas podem alertar-se quanto à contaminação do vírus HIV, ou seja, quais são os sintomas?

A AIDS não se manifesta da mesma forma em todas as pessoas; entretanto, os sintomas iniciais são geralmente semelhantes e, além disso, comuns a várias outras doenças. São eles: febre persistente, calafrios, dor de cabeça, dor de garganta, dores musculares, manchas na pele, adenopatia (ínguas) embaixo do braço, no pescoço ou na virilha e que podem levar muito tempo para desaparecer. Com a progressão da doença e com o comprometimento do sistema imunológico do indivíduo, começam a surgir doenças oportunistas, tais como tuberculose, pneumonia e alguns tipos de câncer, candidíase e infecções do sistema nervoso (toxoplasmose e as meningites, por exemplo).

Observamos ultimamente o potencial desenvolvimento da ciência em relação a descobertas que muito tem auxiliado no combate à AIDS. Especialistas afirmam que recente descoberta poderá auxiliar no desenvolvimento de uma vacina eficaz para prevenção HIV .1. “Isto ainda não é a cura da Aids, porque o anticorpo não vai ter acesso ao vírus que já está alojado dentro da célula infectada”. Essas são as palavras do infectologista Ésper Kallas sobre a descoberta de um “ponto fraco” do HIV. (VASCONCELOS E BARREIRAS, 2007, p. 2).

Vamos conhecer como é a evolução da doença, após a infecção pelo HIV?

Eleutério Jr (2002, p. 56 a 57) classifica esta evolução em três fases: 1) fase aguda, que possui sintomas específicos como tosse, dores musculares, perda de peso e fadiga e claro, além das manchas, adenopatia (nódulos conhecidos como íngua) no pescoço, diarréia e vômitos, 2) fase crônica, aquela que corresponde ao período de latência, em que os pacientes ficam assintomáticos ou desenvolvem adenopatia generalizada. Algumas vezes podem ocorrer infecções oportunistas, ou seja, doenças que se aproveitam dos mecanismos de defesa deficientes, e, 3)fase da crise, em que há longo tempo febre, fadiga, perda de peso, diarréia, infecções oportunistas graves, tumores, problemas neurológicos. E nesse caso, como já sabemos, considera-se o portador do HIV doente de AIDS.

É importante observarmos que as outras doenças sexualmente transmissíveis, embora não únicas, são o principal fator facilitador da transmissão sexual do vírus da AIDS, pois feridas nos órgãos genitais favorecem a entrada do HIV. Assim, o uso de preservativos, em todas as relações sexuais, é considerado o método mais eficaz para a redução do risco de transmissão, tanto das DST de maneira geral, quanto do vírus HIV.

São situações reais que devem levar à mudança do comportamento sexual, e isso, certamente, requer a (re)educação de todos, sem distinção. Aí está um grande desafio!

Outra forma de contágio do vírus HIV e de outras DST é a transmissão sanguínea, ou seja, através de transfusão de sangue e derivados. Dessa forma, é fundamental o controle da qualidade do sangue fornecido pelos bancos de sangue pelas autoridades competentes, além de que nós profissionais da saúde temos a obrigação de denunciar qualquer irregularidade ou situações suspeitas.

Assim, um dos riscos a esta condição está associado ao uso compartilhado de seringas e agulhas, forma crescente nas áreas de rota do tráfico de drogas, como é o caso do Brasil. Já ocorreram e ainda ocorrem ações no sentido de alertar a essa população sobre o uso de drogas injetáveis e o potencial disseminador que representa.

Cabe aqui, colega, uma pergunta: o que efetivamente tem sido feito nesse caso? Você saberia responder?

O contato com sangue contaminado, entretanto, não fica restrito às transfusões ou aos usuários de drogas injetáveis, mas também às exposições acidentais a que estão sujeitos alguns profissionais – é a chamada transmissão ocupacional.

Neste caso, quem corre o maior risco somos exatamente nós, os profissionais da saúde, que pelas atribuições de nossas atividades, estamos passíveis de acidentes com materiais pérfuro-cortantes, os quais podem conter sangue de pacientes portadores do HIV e de outras doenças de transmissão sanguínea.

Por isso, devemos estar sempre atentos às normas de biossegurança inerentes às nossas atribuições, não é mesmo?

Observamos novamente que os cuidados e a mudança de comportamento devem ocorrer em diferentes segmentos da população quando se trata da AIDS e das demais DST.

Destacamos também a transmissão da mãe infectada para o bebê, na gestação ou durante o parto: é a chamada transmissão perinatal, que pode provocar a interrupção espontânea da gravidez ou causar graves lesões ao feto. No caso de algumas doenças, como a AIDS, por exemplo, a transmissão ocorre pela gestação, parto e amamentação: é a transmissão vertical. Para tanto, no Brasil, o Ministério da Saúde recomenda que as mães portadoras do vírus HIV não amamentem.

Como apontamos anteriormente, está comprovado que portadores de DST ficam mais vulneráveis ao vírus da AIDS. Esta vulnerabilidade aumenta quando se percebe o ocorrência de um grande número de diferentes doenças sexualmente transmissíveis que assola a população .2.

Assim, é interessante observarmos colega que, mesmo diante do incrível avanço científico das últimas décadas, com a presença marcante da tecnologia da informação que permite a comunicação do mundo entre si, convivemos de modo paradoxal, com a gonorréia, a sífilis, a clamídia, o cancro mole, entre tantas outras.

Como quebrar esse ciclo histórico que teima em reaparecer? O século da informação está desinformando as pessoas? A era da comunicação dificulta a conversa sobre as doenças? O avanço da ciência não dificulta o reaparecimento de doenças que existiam no Antigo Egito?

Programa Diabetes - Hipertensão – Hiperdia

É do conhecimento de todos a incidência acentuada, em toda a população brasileira, de casos de hipertensão e diabetes.

.1 Por isso mesmo, desenvolve-se o Programa de Atenção à Hipertensão Arterial e ao Diabetes Mellitus do Ministério da Saúde, criado em 2001, por meio do Plano de Reorganização da Atenção à Hipertensão Arterial e Diabetes. O programa tem como objetivo estabelecer metas e diretrizes para ampliar ações de prevenção, diagnóstico, tratamento e controle da Hipertensão e do Diabetes, a partir da reorganização do trabalho de atenção à saúde nas unidades (cerca de 40 mil) da rede básica dos serviços de Saúde/Sistema Único de saúde (SUS).

É obvio que devem ser realizadas ações urgentes, em função da gravidade que essas doenças representam para a população, não é mesmo?

O Ministério da Saúde, com o propósito de reduzir a morbimortalidade associada a essas doenças, assumiu o compromisso de executar ações em parceria com estados, municípios e Sociedades Brasileiras de Cardiologia, Hipertensão, Nefrologia e Diabetes, Federações Nacionais de portadores de Hipertensão arterial e Diabetes, Connass e Conasems para apoiar a reorganização da rede de saúde, objetivando a melhoria da atenção aos portadores dessas patologias através do Plano de Reorganização da Atenção à Hipertensão Arterial e ao Diabetes Mellitus. .1

Nessa perspectiva, muitas ações estão sendo desenvolvidas no país. Uma delas é disponibilizar para estados e municípios um sistema informatizado que permite o cadastramento de hipertensos e diabéticos, o seu acompanhamento, a garantia do recebimento dos medicamentos prescritos e, ao mesmo tempo, em médio prazo, definir o perfil epidemiológico dessa população e o conseqüente desencadeamento de estratégias de saúde pública que levarão à modificação do quadro atual, à melhoria da qualidade de vida dessas pessoas e a redução do custo social.

Portanto, o sistema informatizado permite cadastrar e acompanhar os portadores de hipertensão arterial e/ou Diabetes Mellitus, captados no Plano Nacional de Reorganização da Atenção à Hipertensão Arterial e ao Diabetes Mellitus, em todas as unidades ambulatoriais do Sistema Único de Saúde, gerando informações para os gerentes locais, gestores das secretarias municipais, estaduais e Ministério da saúde.

O HiperDia, então, é esse sistema de cadastramento e acompanhamento dos doentes hipertensos e diabéticos, e que se revela como uma ferramenta útil para os profissionais da rede básica de saúde e para os gestores do SUS.

Um dos grandes desafios enfrentados pelo município do Rio de Janeiro e pelos grandes centros urbanos é o alcance limitado dos programas de saúde e a dificuldade de fornecimento de remédios. Nesse contexto, torna-se imprescindível a busca por estratégias que contornem alguns desses problemas. Uma solução encontrada pela Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro, em 2002, foi o Projeto Remédio em Casa.

Como funciona o Projeto Remédio em casa?

O paciente vai ao posto de saúde para uma consulta médica e se inscreve no Programa de Hipertensão e Diabetes. O médico faz uma receita eletrônica, com o nome do medicamento a ser utilizado e a periodicidade, sendo que essas informações são armazenadas em rede nos sistemas da SMS. Ao final, o médico marca uma próxima consulta, porém, se o paciente faltar serão interrompidas as remessas de medicamentos até que ele retorne ao acompanhamento médico. Para cada paciente é elaborado um cadastro e enviado pelo sistema à empresa encarregada pela entrega dos medicamentos que o paciente recebe em sua casa até a data da próxima consulta já agendada.

Para o sucesso do tratamento, orientar o paciente diabético ou hipertenso é fundamental e o profissional de enfermagem tem papel decisivo na educação dos pacientes, como temos afirmado.

É importante ressaltar que um trabalho coletivo, sensibilizando, educando e orientando esses pacientes, para um melhor controle metabólico para a melhoria da qualidade de vida deles é essencial diante da realidade atual. Devemos ter a certeza de que uma avaliação de rotina serve para que o paciente possa aumentar o seu nível de conhecimento sobre sua doença e estreitar as relações entre paciente e profissional de enfermagem.

Alguns trabalhos realizados pelos profissionais de saúde nos mostram resultados voltados para o processo educativo, sendo possível, assim, alcançar o sucesso das ações que são necessárias.

Mas, para que esse fato aconteça, é preciso criar um vínculo entre profissional e cliente para que se garanta maior adesão ao tratamento.

Acreditamos que seja produtivo o encontro de pacientes que tenham patologias semelhantes ou problemas comuns para facilitar o convívio e a troca de experiências.

Os profissionais de enfermagem que trabalham com promoção da saúde são os que, principalmente, nos trazem de volta ao Programa de Saúde da Família e sua capacidade de albergar a maioria dos programas. É importante ressaltar a necessidade de reuniões constantes com os clientes portadores de Hipertensão e Diabetes para conscientizá-los sobre a importância de seguir corretamente as orientações para obter melhor qualidade de vida.

E, mais, caminhar pelas políticas públicas de saúde brasileira, sem sair da filosofia que norteia o Programa de Saúde da Família parece ser o caminho mais eficaz para que se conseguirem resultados consistentes e duradouros em relação à qualidade de vida dos brasileiros. .2

É a partir do conhecimento do perfil demográfico, clínico e epidemiológico da população atingida que podemos implementar as estratégias de saúde pública. Alterar o quadro sanitário atual exige do Ministério da Saúde uma atuação política que você poderá conhecer acessando o site: www.diabetes.org.br

O desenvolvimento de pesquisa no site indicado, que apresenta uma série de links que mostram a preocupação internacional e trazem diversas notícias sobre o uso de drogas no tratamento do diabetes, possibilitam o acesso a informações importantes.

Brasil Sorridente – Saúde Bucal

Colega, é possível avaliar a extensão das ações decorrentes da implantação de novas ações governamentais em políticas públicas de saúde?

Iniciaremos, neste núcleo temático, o estudo de novos modelos de Políticas de Saúde com enfoques emergentes, que visam promover a saúde com eqüidade. Isso representa um grande desafio para os gestores públicos em face das desigualdades sociais e os escassos recursos que impõem prioridades para a gestão da saúde pública na definição de políticas, programas, projetos e ações na área da saúde, fundamentados no conhecimento da situação de saúde e do impacto dessas ações.

O que esses programas propõem concretamente?

(Parte 1 de 2)

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