Dermatologia na Atenção Básica de Saúde

Dermatologia na Atenção Básica de Saúde

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SINONÍMIA: dermatite. ETIOLOGIA

⇒⇒⇒⇒⇒ECZEMA ATÓPICO: ainda não está bem determinada, podendo-se notar correlação com mecanismos imunológicos e/ou não imunológicos. Há relação familiar com rinite e asma.

⇒⇒⇒⇒⇒ECZEMA DE CONTATO: é uma reação inflamatória da pele desencadeada por agentes externos. RESERVATÓRIO: não se aplica. MODO DE TRANSMISSÃO: não se aplica.

ECZEMAS CID-10: L30.9

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PERÍODO DE INCUBAÇÃO: não se aplica. PERÍODO DE TRANSMISSIBILIDADE: não se aplica. COMPLICAÇÕES: infecções secundárias por diversos agentes. DIAGNÓSTICO: clínico. DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL

⇒⇒⇒⇒⇒ECZEMA ATÓPICO: dermatite seborréica, dermatite das fraldas, dermatite de contato e micoses superficiais.

⇒⇒⇒⇒⇒ECZEMA DE CONTATO: dermatite seborréica, dermatite atópica e micoses superficiais. TRATAMENTO

⇒⇒⇒⇒⇒ECZEMA ATÓPICO: baseia-se fundamentalmente nos tópicos a seguir relacionados:

•orientação aos familiares sobre o caráter crônico e recorrente da doença, da necessidade de afastar-se substâncias tais como sabões, sabonetes e detergentes e que a sudorese constitui-se em fator irritante;

•afastar alergenos tais como a poeira domiciliar, vestuário de lã e tecidos sintéticos, tapetes, colchões e travesseiros de pena, contatos com animais e brinquedos de pêlo;

•usar roupa de algodão. Evitar lã e tecidos sintéticos em contato com a pele;

•hidratação da pele com cremes e pomadas;

•as infecções secundárias podem ser tratadas com antibiótico tópico (mupirocina, ácido fusídico, gentamicina) ou sistêmico (eritromicina, cefalosporinas).

-Fase aguda: compressas com soro fisiológico; e cremes de corticosteróides quando diminuir a exudação.

-Fase subaguda: corticosteróides em cremes, de preferência preparados menos potentes: hidrocortisona, desonida.

-Fase crônica: corticosteróides sob a forma de pomada.

→→→→→Sistêmico: visa a redução do prurido, relaxamento do paciente e o controle da infecção cutânea.

-Antihistamínicos: hidroxizina, na dose de 1 a 2 mg/kg/dia, para crianças e 25-50mg, duas vezes ao dia para adultos ou dextroclorofeniramina na dose de 2mg, três vezes ao dia, ou 6mg ao deitar, para adultos, e 1/2 a 5mg, três vezes ao dia para crianças de dois a seis anos e 1,0mg, três vezes ao dia, para cirnaças de seis a 12 anos, ou clemastina ou ciproheptadina nas doses preconizadas, devido a ação sedante.

-Corticosteróides sistêmicos: nos casos extensos, por um período que não ultrapasse 10 dias.

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. Tranquilizantes. . Antibióticos

⇒⇒⇒⇒⇒ECZEMA DE CONTATO: afastar substâncias irritantes ou alergênicas. Na fase aguda usar compressas ou banhos com substâncias antissépticas (permanganato de potássio na diluição de 1:40.0) e cremes de corticóides. Na fase sub-aguda e crônica - uso de pomadas de corticóides. Usar antibiótico na vigência de infecção secundária.

Observação: o emprego contínuo e em áreas extensas de corticosteróide tópico pode produzir efeitos nocivos à pele e ao organismo por sua absorção percutânea; vide o capítulo com recomendações para uso de corticosteróides.

CARACTERÍSTICAS EPIDEMIOLÓGICAS ⇒⇒⇒⇒⇒ECZEMA ATÓPICO: ocorre predominantemente em crianças de 0 a 2 anos de idade.

⇒⇒⇒⇒⇒ECZEMA DE CONTATO: ocorre em qualquer faixa etária. OBJETIVOS DA VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA: não se aplica. NOTIFICAÇÃO: não é doença de notificação compulsória. MEDIDAS DE CONTROLE: observar as recomendações no tratamento.

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DESCRIÇÃO: infecção aguda da pele envolvendo a derme e o subcutâneo, que se caracteriza por febre, anorexia, calafrios, outros sintomas gerais, leucocitose e lesão cutânea em placa eritematosa, edematosa e dolorosa. Dessa placa podem ter origem faixas eritematosas ao longo do trajeto de vasos linfáticos (linfangites). Existe adenite satélite à região comprometida. Vesículas e bolhas podem ser observadas - erisipela bolhosa. As áreas comprometidas são em geral membros inferiores, face ou abdome.

SINONÍMIA: mal-do-monte, esipra.

ETIOLOGIA: os estreptococos são os beta-hemolíticos do grupo A. Muito raramente, quadros clínicos semelhantes podem ser produzidos por StaphyIococus aureus.

RESERVATÓRIO: o homem.

MODO DE TRANSMISSÃO: a penetração do estreptococo na pele ocorre por soluções de continuidade. São portas de entrada freqüentes nos membros inferiores as úlceras de perna e dermatomicoses interdigitais.

PERÍODO DE INCUBAÇÃO: um a três dias. PERÍODO DE TRANSMISSIBILIDADE: não é transmitida pessoa a pessoa. COMPLICAÇÕES: linfedema ou elefantíase como conseqüência dos surtos recidivantes. DIAGNÓSTICO: clínico e laboratorial. Este último em geral é desnecessário.

DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL: erisipelóide (quadro que surge em ponto de inoculação, em geral de um ferimento resultante de manuseio de carne de peixe contaminada, porco e outros animais); dermatite de contato (história clínica e a localização orientam quanto a um agente sensibilizante).

TRATAMENTO: repouso no leito é essencial, principalmente quando é acometido o membro inferior, que deve ser mantido elevado. A droga de escolha é a penicilina procaína na dose de 400.000UI, de 12 em 12 horas por dez dias, ou em pacientes alérgicos eritromicina na dose de 30 a 50mg/kg/ dia, dividida de seis em seis horas, por sete a dez dias e cefalexina na dose de 30 a 50/mg/kg/dia, de seis em seis horas, de sete a dez dias. Quadros graves podem necessitar de penicilina cristalina (IV) associada a oxacilina ou vancomicina. Após a fase aguda, para evitar recaídas, é conveniente

ERISIPELA CID-10: A46

37Dermatologia na Atenção Básica de Saúde Cadernos da Atenção Básica administrar penicilina benzatina por período prolongado, se necessário, o paciente deve ser afastado do trabalho ou hospitalizado. Quando houver edema residual orientar para uso de meias elásticas. Referenciar ao angiologista quando houver comprometimento venoso.

CARACTERÍSTICAS EPIDEMIOLÓGICAS: infecção universal, não tendo prevalência maior em determinado grupo etário. Doenças vasculares, doenças debilitantes, má nutrição, usuários de drogas e álcool e traumas são considerados fatores de risco. Pode haver surtos de erisipela numa mesma região - erisipela recidivante.

OBJETIVOS DA VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA: não se aplica. NOTIFICAÇÃO: não é doença de notificação compulsória.

MEDIDAS DE CONTROLE: 2.400.0 UI, de 20 em 20 dias, durante um ano para evitar a reinfecção, ou pode-se aplicar uma dose de 1.200.0 UI (IM) de penicilina benzatina, a cada três semanas, por um período de 5 anos no mínimo. As pessoas alérgicas devem fazer uso de sulfametoxazol mais trimetoprima ou ainda sulfisoxizol.

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DESCRIÇÃO: parasitose da pele causada por um ácaro cuja penetração deixa lesões em forma de vesículas, pápulas ou pequenos sulcos, nos quais ele deposita seus ovos. As áreas preferenciais da pele onde se visualizam essas lesões são: regiões interdigitais, punhos (face anterior), axilas (pregas anteriores), região peri-umbilical, sulco interglúteo, órgãos genitais externos nos homens. Em crianças e idosos, podem também ocorrer no couro cabeludo, nas palmas e plantas. O prurido é intenso e, caracteristicamente, maior durante a noite, por ser o período de reprodução e deposição de ovos.

SINONÍMIA: sarna, coruba, jareré, pereba, pira. ETIOLOGIA: Sarcoptes scabiei. RESERVATÓRIO: o homem.

MODO DE TRANSMISSÃO: contato direto com doentes, roupa de cama de doente, relações sexuais. O ácaro pode perfurar e penetrar na pele em, aproximadamente, 2,5 minutos. Os doentes com sarna norueguesa são altamente infectantes, possuindo grande quantidade do ácaro nas escamas da pele.

PERÍODO DE INCUBAÇÃO: de 1 dia a 6 semanas.

PERÍODO DE TRANSMISSIBILIDADE: durante todo o período de doença. São necessários, geralmente, dois ciclos de tratamento, com intervalo de uma semana.

COMPLICAÇÕES: infecções secundárias pela “coçadura”. Em pacientes imunocomprometidos, as lesões formam crostas espessas ou dermatite generalizada, com intensa descamação. Essa forma também pode ocorrer em idosos, nos quais o prurido é menor ou não existe. A forma crostosa ou generalizada é denominada de sarna norueguesa (ou sarna crostosa). Nesses casos é grande a quantidade de parasitos.

DIAGNÓSTICO: clínico e/ou com visualização do ácaro à microscopia pelo raspado ou biópsia de pele.

TRATAMENTO: Ivermectina, dose única, VO, obedecendo a escala de peso corporal (15 a 24 kg - 1/ 2 comprimido; 25 a 35 kg - 1 comprimido; 36 a 50 kg - 1 1/2 comprimidos; 51 a 65kg - 2 comprimidos; 65 a 79 kg - 2 1/2 comprimidos; 80 kg ou mais, 3 comprimidos ou 200 mg/kg), a dose pode ser repetida após uma semana. Permetrima a 5% em creme, uma aplicação à noite, por 6 noites, ou deltametrina, em loções e shampoos, uso diário por 7 a 10 dias. Enxofre a 10%

ESCABIOSE CID-10: B86

39Dermatologia na Atenção Básica de Saúde Cadernos da Atenção Básica diluído em petrolatum deve ser usado em mulheres grávidas e crianças abaixo de 2 anos de idade. Pode-se usar anti-histamínicos sedantes (dexclorfeniramina, prometazina), para alívio do prurido. Havendo infecção secundária, utiliza-se antibioticoterapia sistêmica. Evitar a iatrogenia utilizando o escabicida repetidas vezes. Considerar fracasso terapêutico a presença de sinais e sintomas após 2 semanas. Se os sintomas reaparecerem após 4 semanas, considerar reinfestação;

CARACTERÍSTICAS EPIDEMIOLÓGICAS: tem ocorrência universal e pode ou não estar vinculada a hábitos de higiene. É freqüente em guerras e em aglomerados populacionais. Geralmente, ocorre sob a forma de surtos em comunidades fechadas ou em grupos familiares.

OBJETIVOS DA VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA: manter a doença sob controle, evitando surtos. NOTIFICAÇÃO: não é doença de notificação compulsória.

MEDIDAS DE CONTROLE: tratamento do doente; lavar as roupas de banho e de cama com água quente (pelo menos a 55°C); lavar com água quente todos os fômites dos pacientes com sarna norueguesa; buscar casos na família ou nos residentes do mesmo domicílio do doente e tratá-los o mais breve possível. A escabiose, raramente, vem como caso isolado, por esse motivo tratar as pessoas que tiveram contato cutâneo com o doente. Isolamento: deve-se afastar o indivíduo da escola ou trabalho até 24 horas após o término do tratamento. Em caso de paciente hospitalizado, recomenda-se o isolamento a fim de evitar surtos em enfermarias, tanto para outros doentes, quanto para profissionais de saúde, especialmente em se tratanto da sarna norueguesa.

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DESCRIÇÃO: dermatose desencadeada por picadas de insetos (pulgas, mosquitos e formiga), ocorrendo nos primeiros anos de vida, principalmente em crianças atópicas. Caracteriza-se por lesões papulosas encimadas por vesícula central e lesões pápulo crostosas, escoriadas, geralmente em áreas expostas. O prurido geralmente é intenso e a evolução dá-se em surtos que coincidem com picada do inseto. Infecção secundária é freqüente. A manifestação do estrófulo independe de fatores hereditários, sexo ou cor. No adulto, pode estar associado a neoplasias malignas ou imunodepressão (aids).

SINONÍMIA: prurigo agudo infantil. ETIOLOGIA: toxinas de insetos associadas à pré-disposição constitucional. RESERVATÓRIO: não se aplica. MODO DE TRANSMISSÃO: não se aplica. PERÍODO DE INCUBAÇÃO: não se aplica. PERÍODO DE TRANSMISSIBILIDADE: não se aplica. COMPLICAÇÕES: infecção secundária. DIAGNÓSTICO: clínico. DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL: escabiose, miliária, disidrose, varicela. TRATAMENTO ⇒⇒⇒⇒⇒TÓPICO: corticosteróides; antibióticos tópicos quando houver infecção secundária.

⇒⇒⇒⇒⇒SISTÊMICO: dexclorfeniramina - adultos: 2mg 3 vezes ao dia ou 6mg ao deitar. Crianças: 2 - 6 anos: 0,5mg 3 vezes ao dia. 6 - 12 anos: 1,0mg 3 vezes ao dia. Corticosteróide sistêmico - nos surtos mais agudos. Prednisona - dose de 1mg/kg/dia - apresentação em comprimidos de 5 e 20 mg, por períodos limitados.

Observação: vide o capítulo com recomendações para uso de corticosteróides. CARACTERÍSTICAS EPIDEMIOLÓGICAS: acomete principalmente crianças.

ESTRÓFULO CID-10: L28.2

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OBJETIVOS DA VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA: não se aplica. NOTIFICAÇÃO: não é doença de notificação compulsória.

MEDIDAS DE CONTROLE: uso de repelentes, mosquiteiros e roupas adequadas, que protejam as pernas. Em pacientes atópicos não é recomendado o uso prolongado de repelentes.

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DESCRIÇÃO: foliculites são piodermites que se iniciam no folículo piloso.

⇒⇒⇒⇒⇒FOLICULITE SUPERFICIAL: forma particular de impetigo que se apresenta como pequena pústula folicular, que após ruptura e dissecação forma crosta, que não interfere no crescimento do pelo ou cabelo. As lesões são geralmente numerosas, localizando-se em geral no couro cabeludo, extremidades, pescoço, tronco e mais raramente nas nádegas. As lesões podem ter duração de alguns dias ou tornar-se crônicas.

⇒⇒⇒⇒⇒HORDÉOLO: é a foliculite dos cílios e glândulas de Meibomius que se caracteriza por edema intenso devido à frouxidão do tecido palpebral.

⇒⇒⇒⇒⇒SICOSE DA BARBA: a lesão é pústula folicular centralizada por pêlo podendo ocorrer placas vegetantes e infiltradas. A sicose da barba não interfere com o crescimento dos pêlos.

SINONÍMIA: cabeça de prego (foliculite superficial), ou tersol (hordéolo).

ETIOLOGIA: habitualmente é o Staphylococcus sp., coagulase positivo. Outros agentes não bacterianos também podem provocar foliculite.

RESERVATÓRIO: o homem. MODO DE TRANSMISSÃO: raramente transmitida de pessoa a pessoa. PERÍODO DE INCUBAÇÃO: variável e indefinido. Geralmente de quatro a dez dias. PERÍODO DE TRANSMISSIBILIDADE: enquanto houver lesão habitada.

COMPLICAÇÕES: celulite; erisipela, hipo ou hiperpigmentação residual em pacientes de pele morena.

DIAGNÓSTICO: clínico. Quadros que não respondem ao tratamento adequado devem ser avaliados com bacterioscopia.

DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL: foliculite eosinofílica: o quadro evolui por surtos de lesões papulosas e pustulosas com localização folicular e extrafolicular afetando a face, extremidades e porção superior do tronco. Há prurido discreto e após a regressão manchas hipercrômicas. A confirmação diagnóstica é histológica e há uma forte associação com a AIDS. Pseudo-foliculite da barba e

FOLICULITES CID-10: L73

43Dermatologia na Atenção Básica de Saúde Cadernos da Atenção Básica virilha: as lesões surgem sempre após o ato de barbear-se e decorrem de encravamento de pêlos. A da virilha é mais comum nas mulheres, consequente ao hábito de depilarem-se.

TRATAMENTO: tratamento tópico é realizado com pomadas de antibiótico (neomicina, mupirocina, ou gentamicina). Tratamento sistêmico, com antibióticos: eritromicina na dose de 40mg/kg/dia, dividida de seis em seis horas; tetraciclina - adultos 2g por dia; e cefalexina - 30-50mg/kg/dia fracionada de seis em seis horas.

CARACTERÍSTICAS EPIDEMIOLÓGICAS: doenças universais, que incidem em todas as idades. As foliculites superficiais são mais comuns em crianças, as sicoses nos adultos e as profundas ocorrem em qualquer idade. Fatores como calor e alta umidade, má-higiene, vestuário de material inadequado e colado ao corpo, imunossupressão, uso de corticosteróides tópicos e antibioticoterapia sistêmica são considerados fatores de risco.

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