Artigo Cientifico - Estudo de Recepção

Artigo Cientifico - Estudo de Recepção

UNIVERSIDADE DO SUL DE SANTA CATARINA

MURILO MEDEIROS DA SILVA

O ESTUDO DE RECEPÇÃO E A MANIPULAÇÃO POR PARTE DA MIDIA NA VIDA DOS JOVENS.

Tubarão

2010

MURILO MEDEIROS DA SILVA

O ESTUDO DE RECEPÇÃO E A MANIPULAÇÃO POR PARTE DA MIDIA NA VIDA DOS JOVENS.

Relatório acerca do estudo de recepção e a manipulação por parte da mídia na vida dos jovens, apresentado à disciplina de Teorias da comunicação do curso de jornalismo da UNISUL - Universidade do Sul de Santa Catarina.

Organizador: Professor Mario Abel Bressan Junior

Tubarão

2010

O Estudo de recepção e a manipulação por parte da mídia na vida dos jovens.

Murilo Medeiros da Silva¹

  1. RESUMO

Este relatório tem como objetivo demonstrar um estudo de recepção e manipulação por parte da mídia na vida dos jovens nos dias de hoje. Para este fim, utilizou-se o método que parte de um ou mais depoimentos particulares para alcançar resultados possíveis de generalização.Como resultado da pesquisa mostra-se que os meios de comunicação são os encarregados de informar sobre os fatos que acontecem ao nosso redor e de oferecer entretenimento. Nosso conhecimento sobre a realidade local, nacional e internacional depende de sua conversão em noticia. O conhecimento das diferentes valorizações de um acontecimento e das distintas propostas de inter-relação com o mesmo depende de sua transformação em notícia. Isso pode ocorrer através dos gêneros de opinião ou mediante outros que misturam narração expositiva e descritiva com juízo de valor. Os meios de comunicação, por conseguinte, permitem a informação e a formação da opinião publica. Assumindo a função de exposição e debates dos principais problemas sociais: selecionam os acontecimentos que vão ser noticiados e estabelecem as noticias que será objeto de discussão social. Os meios são autênticos agentes de controle social que reconhecem e delimitam ao mesmo tempo em que generalizam enfoques, perspectivas e atitudes. Podemos perceber este controle da mídia através da sua influencia sob as pessoas. Ela ensina formas de agir, de pensar, de ser e estar no mundo. De modo certo ou não, ela educa. Do seu jeito ela incentiva as pessoas a se enquadrarem em padrões estipulados. Com base nessas premissas pode-se concluir que a mídia tem um papel importante de influencia na construção das subjetividades, em especial na infância, adolescência e os jovens.

Palavras-chaves: Meios de Comunicação, influência, manipulação e jovens.

  1. INTRODUÇÃO

Muito se fala sobre a mídia, sobre a ética e a imparcialidade nas suas veiculações e, principalmente, sobre a manipulação e poder de influência detido por ela.

Este artigo objetiva discorrer sobre a forma com que os meios de comunicação interferem em nossas vidas, em especial, na vida dos jovens. Eles são seriamente influenciados, já que, nessa fase, há uma busca por algo que seja definidor e que possa auxiliar na construção identitária.

1 – Acadêmico do curso de comunicação social com habilitação em jornalismo, na Universidade do sul de Santa Catarina – UNISUL, Campus de Tubarão. Disciplina de Teorias da comunicação, professor Mario Abel Bressan Junior.

Há muitas dúvidas e perguntas, até então, sem respostas. Trata-se de uma fase marcada pelas incertezas e pela tentativa de se construir. O jovem procura saber seus gostos, estilo e desejos. E, nesse processo de auto-descoberta, a mídia surge como fonte de algumas respostas, interferindo e informando. Influencia, portanto, várias concepções na vida dos jovens, que estão a formar seus pensamentos e suas ideologias.

Como bem citou Roger SILVERSTONE (1999 p.08) “Não podemos escapar a mídia. Ela está presente em todos os aspectos de nossa vida cotidiana. Essencial a esse projeto como um todo era o desejo de pôr a mídia no cerne de experiência, no coração de nossa capacidade oi incapacidade de compreender o mundo em que vivemos”. Ou seja, a mídia está, hoje, diretamente relacionada à vida das pessoas. Ela ensina formas de agir, de pensar, de ser e estar no mundo. De modo certo ou não, ela educa. Do seu jeito ela incentiva as pessoas a se enquadrarem em padrões estipulados. Portanto, a mídia tem um papel importante de influencia na construção das subjetividades, em especial na infância e na adolescência.

Com base em uma experiência de extensão realizada com estudantes do ensino médio, tratarei sobre as idéias dos jovens acerca do tema mídia e como ela pode influenciar na vida de cada um.

  1. DEIXAR-SE INFLUENCIAR PELA MÍDIA

Esta atividade de extensão foi realizada em uma Escola Estadual da cidade de Capivari de Baixo, com um público alvo constituído por alunos de 3ª série do ensino médio, entre dezesseis e dezessete anos, aproximadamente.

Este trabalho teve início alguns dias antes de sua aplicação final. Foi feito um planejamento prévio, entrando em contato com a direção da escola para agendar uma data adequada para estar trabalhando com os jovens.

A atividade contou com a participação da direção da escola e de alguns funcionários. O público era constituído por vinte e oito alunos, que assistiram a introdução do projeto sobre estudo de recepção e a influência da mídia na vida dos jovens. Com o recurso de um data-show, apresentei o projeto do artigo, no auditório da escola e, posteriormente, foram entregues os questionários, com perguntas referentes ao tema. Estas se constituíram de uma conversa inicial, onde os adolescentes apresentaram sua opinião sobre a mídia e onde foram enfatizados temas polêmicos para o debate, tais como: o papel dos meios de comunicação na sociedade, quais os mais usados e mais comuns nas casas dos estudantes, quais diferenças entre um e outro e as características e a influência de cada um.

A oficina com os alunos teve uma explanação sobre o estudo de recepção, mostrando como a mídia está presente na vida das pessoas em geral. E na vida de cada um deles. O estudo teve como principal enfoque a forma como se recebe as informações e de como ela muda os pensamentos.

Pôde-se notar, ao longo da atividade, que os alunos atribuíam à mídia características como entretenimento, passa tempo, dentre outras. Outro aspecto percebido foi à influência da mídia na concepção que os jovens têm de sexualidade. O que há pouco tempo era considerado exclusivamente feminino, hoje começa a ser visto de forma diferente por estar na moda, como foi mencionado por um dos jovens com relação ao uso da cor rosa, atualmente, pelos homens. Essa questão fomentou necessidade de pesquisar mais sobre o tema, já que se constitui como fonte relevante e pertinente de discussão e reflexão na contemporaneidade.

  1. MÍDIA E SEUS EFEITOS NA JUVENTUDE

Os meios de comunicação são os encarregados de informar sobre os fatos que acontecem ao nosso redor e de oferecer entretenimento. Nosso conhecimento sobre a realidade local, nacional e internacional depende de sua conversão em noticia. Os meios de comunicação também transmitem idéias. O conhecimento das diferentes valorizações de um acontecimento e das distintas propostas de inter-relação com o mesmo depende de sua transformação em notícia. Isso pode ocorrer através dos gêneros de opinião ou mediante outros que misturam narração expositiva e descritiva com juízo de valor. Os meios de comunicação, por conseguinte, permitem a informação e a formação da opinião publica. Assumindo a função de exposição e debates dos principais problemas sociais: selecionam os acontecimentos que vão ser noticiados e estabelecem as noticias que será objeto de discussão social. Os meios são autênticos agentes de controle social que reconhecem e delimitam ao mesmo tempo em que generalizam enfoques, perspectivas e atitudes. Podemos perceber este controle da mídia através da sua influencia sob as pessoas. Ela ensina formas de agir, de pensar, de ser e estar no mundo. De modo certo ou não, ela educa. Do seu jeito ela incentiva as pessoas a se enquadrarem em padrões estipulados. Portanto, a mídia tem um papel importante de influencia na construção das subjetividades, em especial na infância, adolescência e os jovens.

As diferentes formas de mídia têm notável influência, tanto no comportamento quando no cotidiano, dos indivíduos, principalmente os jovens que são aqueles com personalidade e valores em formação. Atualmente os meios pelos quais a mídia se manifesta são muitos e estão ao alcance de praticamente todos, como emissoras de rádio e tevê, jornais, revistas e a mais recente, a internet. Com isto, a mídia, desde os primeiros dias da infância, vem exercendo sobre ele uma influência marcante e crescente.

Para Gomide e Pinsky (2004, p.54), todos os estudos feitos sobre a atuação da mídia, por intermédio da TV, no comportamento infanto-juvenil, concordam com um aspecto: programas de TV com conteúdo violento incentivam o comportamento agressivo dos jovens. Pesquisadores têm elaborado teorias que relacionam a influencia da mídia ao processo de aprendizagem infantil e à aquisição e manutenção de hábitos agressivos. Em uma dessas pesquisas feitas sobre a influencia da mídia no processo de desenvolvimento infanto-juvenil foi feito pelo psicólogo canadense Albert Bandura. Segundo Bandura (1977, p.22) a experiência dos outros pode conduzir à aquisição de novo comportamentos e assim um individuo pode aprender um novo comportamento a partir da observação de um modelo.

"O aprendizado seria excessivamente trabalhoso, para não mencionar perigosos, se as pessoas dependessem somente dos efeitos de suas próprias ações para informá-las sobre o que fazer. Por sorte, a maior parte do comportamento humano é aprendida pela observação através da modelagem. Pela observação dos outros, uma pessoa forma uma idéia de como novos comportamentos são executados e, em ocasiões posteriores, esta informação codificada serve como um guia para a ação." ²

² Bandura, 1977, p.22

As pesquisas acerca da mídia tratam basicamente da televisão por ser ela o veiculo de comunicação a que a população infanto-juvenil mais tem acesso.

  1. OS MEIOS DE COMINICAÇÃO NO COTIDIANO DOS JOVENS

O conhecimento das diferentes valorizações de um acontecimento e das distintas propostas de inter-relação com o mesmo depende de sua transformação em notícia. Isso pode ocorrer através dos gêneros de opinião ou mediante outros que misturam narração expositiva e descritiva com juízo de valor. Os meios de comunicação, por conseguinte, permitem a informação e a formação da opinião publica. Assumindo a função de exposição e debates dos principais problemas sociais: selecionam os acontecimentos que vão ser noticiados e estabelecem as noticias que será objeto de discussão social. Os meios são autênticos agentes de controle social que reconhecem e delimitam ao mesmo tempo em que generalizam enfoques, perspectivas e atitudes. Podemos perceber este controle da mídia através da sua influencia sob as pessoas.

Nas conversas que tive com os jovens, percebi que as falas estão presentes de uma forma generalizada em todos os jovens entrevistados. Para muitos os meios de comunicação tem objetivo de informar o que acontece a nosso redor. Seu inicio na sociedade, depara-se na atualização desses conhecimentos, o qual é muito importante para o nosso direcionamento social. Os meios de comunicação é posto como um meio influenciador. Que modifica vários aspectos como: consumo, política, religião, economia, etc. Essa influencia será positiva ou negativa, dependendo do nível cultural das pessoas. Para Muriel M. de Oliveira, estudante da 3ª série do ensino médio,

Hoje as maiorias das pessoas mudam seu modo de agir, de vestir, de alimentar, andar ou até mesmo viver, por causa dos meios de comunicação, no meu caso é diferente, uso para mudar minha forma de pensar. Na atualidade não abriria mão de nenhum dos meios de comunicação. Somos manipulados por eles.

Como bem citou FISCHER (2002), “estão em jogo, no processo de comunicação através da TV, múltiplo e complexas questões relacionadas às formas pelas quais se produzem sentidos e sujeitos na cultura”. Ou seja, a mídia está, hoje, diretamente relacionada à educação das pessoas. Ela ensina formas de agir, de pensar, de ser e estar no mundo. De modo certo ou não, ela educa. Do seu jeito ela incentiva as pessoas a se enquadrarem em padrões estipulados. Portanto, a mídia tem um papel importante de interferência na construção das subjetividades, em especial na infância e na adolescência.

O cidadão, ao não criticar as informações que estão sendo repassadas até ele, se são verídicas ou uma pura venda de idéias, está deixando se manipular, mesmo que inconscientemente. Infelizmente nos tempos atuais a sociedade precisa muito da tal "curiosidade construtiva": a curiosidade que busca conhecimento, que buscam direitos e que sabe fazer cumprir os deveres. É neste ponto que se dá o desfecho da manipulação, na medida em que ocorre a aceitação de tudo o que é passado.

A mídia, assumindo seu papel de "lobo" da sociedade, simplesmente se aproveita da ingenuidade do povo e ataca, segundo o que lhe interessar (leia-se: segundo o que interessar às classes dominantes). A mudança deve começar com as novas gerações, a partir da educação agindo na formação do senso crítico e da opinião dos jovens, acabando com todo este presente constituído por telespectadores que dizem "boa noite" e obedecem aos comandos passados pelo apresentador. E esses padrões são facilmente identificados em nossa sociedade atual, em que o homem assume o papel de provedor e a mulher é considerada cuidadosa. Os papéis são estipulados e estereotipados, além de serem reforçados pelos meios de comunicação. Podemos perceber aí a grande interferência que a mídia tem sobre seu público e o quanto esse papel deve ser repensado com o merecido destaque.

  1. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Ao trabalhar o conceito de influencia midiática no cotidiano juvenil, podemos observar que qualquer pessoa, desenvolve percepções diferentes em seu modo de agir, pensar e se comportar. Mas isso depende do meio em que se está inserida tal individuo e dependendo do nível cultural. Tudo tem que estar ligado, para que tenhamos uma percepção do que é mídia e qual a sua influencia na vida da sociedade. Cada qual com seu modo e pensamento.

Há problemas ainda mais profundos para nós, quando estudamos a mídia. Pois, mesmo num mundo pós-cartesiano, nosso pensamento é ainda mais coagido pela separação de mente e corpo, e pela prioridade dada à definição do humano como criatura racional. Por conseqüência, podemos pensar muito bem sobre pensamento, mas o sentimento é uma hístória completamente diferente. (SILVERSTONE 1999 P.96)

Diante disso, concluímos que a mídia é uma das maiores reforçadoras dessas tendências seguidas pela massa populacional, tendo enorme eficácia, principalmente, em moldar comportamentos e ideais de crianças e adolescentes.

Logo, a mídia precisa ser analisada de forma crítica e não simplesmente banida do contato com os jovens. É necessário que seus conteúdos sejam repensados e haja a construção de um espaço para discussão das temáticas que surgirem ao longo da programação. Cabe, portanto, aos professores e aos pais, as principais estruturas na educação dos adolescentes, orientá-los quanto às diversas questões, inclusive as relacionadas à influencia e manipulação por parte da mídia, para que eles não sejam exclusivamente educados pelos meios de comunicação e possam discernir sobre o que deve ser ou não incorporado à sua vivência, adquirindo, assim, uma capacidade reflexiva de avaliar seus princípios, valores e concepções. E tendo uma identidade própria formada por princípios próprios.

  1. REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS

Bandura, Albert. Aggression: A Social Learning Analysis. Englewood CLiffs, NJ: Prentice-Hall, 1977, p. 22.

GOMIDE, Paula Inez cunha; PINSKY Nana. A influência da mídia e o uso de drogas na adolescência. São Paulo - SP: contexto, 2004. P. 54.

SILVERSTONE, Roger, Porque estudar a Mídia? Sage publications Ltd, 6 bonhill street- London EC2A 4PU. 1999.

BACCEGA, Maria Aparecida. Recepção:nova perspectiva nos estudos de comunicação. Revista Comunicação & Educação. São Paulo: ECA-USP/Moderna, n. 12, mai. /ago. de 1998.

FIGARO, Roseli. Estudos de recepção para a crítica da comunicação. Revista Comunicação & Educação. São Paulo: ECA-USP/Segmento, n. 17, jan./abr. de 2000.

MARTÍN-BARBERO, Jesus. Dos meios às mediações: comunicação, cultura e hegemonia. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 2003.

MARTÍNEZ DE TODA Y TERRERO, José. Avaliação de metodologias na educação para os meios. Revista Comunicação & Educação. São Paulo: ECA-USP/Segmento, n. 21, mai. /ago. de 2001.

SETTON, Maria da Graça Jacintho. A educação popular no Brasil: a cultura de massa. São Paulo: Revista USP n. 61, mar./mai. 2004.

WHITE, Robert A recepção: a abordagem dos estudos culturais. Revista Comunicação & Educação. São Paulo: ECA-USP/Moderna, n. 12, mai. /ago. de 1998.

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