(Parte 1 de 8)

Universidade Federal de Goiás

Escola de Agronomia e Eng. de Alimentos Paisagismo e Floricultura

PAISAGISMO E

PLANTAS ORNAMENTAIS Profª. Larissa Leandro Pires

Goiânia – GO 2008

I - PAISAGISMO1
1. CONCEITOS E DEFINIÇÕES1
1.1. Paisagem:1
1.2. Paisagismo:1
2. COMPONENTES2
3. IMPORTÂNCIA3
4. DIVISÃO DO PAISAGISMO4
4.1. MICROPAISAGISMO4
4.2. MACROPAISAGISMO4
5. FORMAÇÃO DE PROFISSIONAIS EM PAISAGISMO5
I. PLANEJAMENTO PAISAGÍSTICO5
1ESTUDO PRELIMINAR ................................................................................................................ 6
1.1. PESQUISA POPULAR6
1.2. LEVANTAMENTO PLANIALTIMÉTRICO E CADASTRAL7
1.3. ANÁLISE DO SOLO7
1.4. LEVANTAMENTO CLIMÁTICO7
2ANTE-PROJETO ............................................................................................................................ 8
2.1. DISTRIBUIÇÃO ESPACIAL9
2.2. ELEMENTOS NATURAIS10
2.3. PARTE HIDRÁULICA E ELÉTRICA10
2.4. ANÁLISE DO ANTE-PROJETO1
3PROJETO DEFINITIVO OU EXECUTIVO ............................................................................. 1
3.1. PLANTA EXECUTIVA DE ARQUITETURA E DE ENGENHARIA CIVIL1
3.2. PROJETO BOTÂNICO1
3.3. MEMORIAL DESCRITIVO12
3.4. MANUAL TÉCNICO DE IMPLANTAÇÃO E MANUTENÇÃO DO JARDIM17
3.5. PROPOSTA OU CONTRATO DE SERVIÇO17
4. Elementos de trabalho18
4.1. ELEMENTOS NATURAIS18
4.1.1. VEGETAÇÃO18
4.1.2. ANIMAIS19
4.1.3. ÁGUA19
4.1.4. OUTROS ELEMENTOS19
4.2. ELEMENTOS ARQUITETÔNICOS20
4.2.1. CAMINHOS – CIRCULAÇÃO E PISO20
4.2.2. CONSTRUÇÕES PARA LAZER20
4.2.3. ILUMINAÇÃO2
4.2.4. DIVISÓRIAS24
4.2.5. MOBILIÁRIO24
4.2.6. OBRAS DE ARTE25
5. IMPLANTAÇÃO DE JARDINS25
5.1. Serviços preliminares25
5.1.1. PREPARO DO TERRENO26
5.2. PLANTIO DAS MUDAS27
A) COVEAMENTO:27
B) PLANTIO:28
5.3. ADUBAÇÃO DE PLANTIO32
5.4. SERVIÇOS COMPLEMENTARES3
6. MANUTENÇÃO DE JARDINS3
6.2. PODAS34
6.2.1. De Formação34
6.2.2. De Floração35
6.2.3. De Limpeza35
6.2.4. De Correção35
6.2.5. De Rejuvenescimento36
I – ESTILOS DE JARDIM36
3.1. ESTILO INFORMAL38
A) JARDIM CHINÊS38
B) JARDIM INGLÊS39
C) JARDIM JAPONES40
3.2. ESTILO FORMAL42
A) JARDIM FRANCÊS42
B) HOLANDÊS43
C) JARDIM ITALIANO4
3.3. ESTILO CONTEMPORÂNEO45
A) JARDIM TROPICAL45
B) JARDIM ROCHOSO46
IV – PLANTAS ORNAMENTAIS47
1. PLANTAS ARBUSTIVAS47
1.1. DISPOSIÇÃO NO JARDIM47
1.2. CLASSIFICAÇÕES48
A) Cerca viva49
2. PLANTAS HERBÁCEAS50
2.1. DIVISÃO E CLASSIFICAÇÃO51
2.2. PRINCIPAIS ESPÉCIES E SUAS CARACTERÍSTICAS53
2.1. HERBÁCEAS FOLHOSAS53
2.3. FLORÍFERAS56
2.2.1. Ciclo de vida57
3. PALMEIRAS60
3.1. Caracterização botânica60
3.2. Distribuição geográfica62
3.3. Hábito de crescimento62
3.4. Características ornamentais62
3.5. Uso paisagístico63
3.6. Propagação64
3.7.Manejo67
3.8. Espécies67
5. PLANTAS ORNAMENTAIS TREPADEIRAS68
5.1. Classificações69
5.1.1. Grupos botânicos69
5.1.2. Ciclo de vida70
5.1.3. Exigência em luminosidade70
5.2. Tutores70
5.3. Utilização71
5.4. PROPAGAÇÃO73
5.4.1. Plantio e tratos culturais73
5.5. ESPÉCIES73
5.5.1. Características74
6. SUCULENTAS76
6.1.1. AGAVES, YUCAS E BABOSAS7
6.1.2. FAMÍLIA CACTACEAE78
6.1.3. OUTRAS ESPÉCIES80
6.2. PROPAGAÇÃO DE SUCULENTAS81

Larissa Leandro Pires – Paisagismo e Floricultura 1 I - PAISAGISMO

1. CONCEITOS E DEFINIÇÕES 1.1. PAISAGEM:

A paisagem refere-se ao espaço de terreno abrangido em um lance de vista, ou extensão territorial a partir de um ponto determinado. Pode ser classificada em:

Natural: sem a intervenção do homem; Artificial: planejada, ou seja, um jardim.

Jardim é uma palavra de origem hebraica e vem de gan (proteger, defender) + eden (prazer, satisfação, encanto, delícia).

A concepção inicial e, ainda hoje, a mais comum de jardim está ligada às palavras hebraicas originais: um mundo ideal, pequeno, perfeito e privativo. Na tradição judaico-cristã, a idéia primitiva de jardim é de paraíso, um lugar com plantas ornamentais e frutíferas formando um ambiente de harmonia, beleza e satisfação espiritual.

Um jardim é a representação idealizada da paisagem como cada civilização (ou até cada pessoa) desejaria que ela fosse. É um local que pode ser percebido pelos cinco sentidos. É dinâmico, porque o elemento vegetal, como um ser vivo, está sujeito a um ciclo biológico. O jardim modificase com o passar do tempo (devido ao crescimento) e durante as estações do ano (floração, frutificação, queda das folhas, mudança de cor, etc.).

1.2. PAISAGISMO:

Da palavra paisagem, deriva a palavra Paisagismo. O paisagismo é uma atividade que organiza os espaços externos com o objetivo de proporcionar bem-estar aos seres humanos e de atender às suas necessidades, conservando os recursos desses espaços. Combina conhecimentos de ciência e arte, pois:

♦ Arte: forma de expressão cuja ocorrência se verifica quando um conjunto de emoções atua sobre a sensibilidade humana;

♦ Ciência: é a reunião de leis abstratas, deduzidas dos fenômenos da realidade exterior ou interior.

♦ Técnica: é a aplicação, nos trabalhos de rotina, das leis abstratas que vêm da ciência.

Existem alguns conhecimentos básicos que são requeridos no paisagismo: 1º. Conhecimentos científicos: Manejo dos recursos naturais: Ecologia, Biologia, Botânica, Geologia e Geografia, etc.;

Larissa Leandro Pires – Paisagismo e Floricultura 2

Técnicas de cultivo: Agronomia (Fitopatologia, Entomologia, Fitotecnia, Adubação, Fisiologia Vegetal, Horticultura, Solos, Nutrição de plantas, Proteção de plantas, Climatologia, Topografia, Irrigação e Drenagem, etc.); Organização dos espaços: Arquitetura e Urbanismo.

2º. Conhecimentos artísticos:

Artes plásticas: elementos vivos e inertes (esculturas); Artes industriais: cerâmicas, serralherias, marcenarias, etc.

2. COMPONENTES

Para que se tenha um paisagismo bem elaborado, deve-se partir para o planejamento paisagístico. Este planejamento deve considerar, ainda, o espaço livre e de área verde existente no local em estudo.

O espaço livre é toda a área geográfica (solo ou água) que não é coberta por edificações ou outras estruturas permanentes.

A área verde é um tipo específico de espaço livre, ou seja, aquele coberto, predominantemente, por extrato vegetal. O termo “área verde” aplica-se a diversos tipos de espaços urbanos que têm em comum: serem abertos (ao ar livre); serem acessíveis; serem relacionados com saúde e recreação.

São consideradas áreas verdes urbanas tanto áreas públicas, como particulares. Podem ser jardins, praças, parques, bosques, alamedas, balneários, campings, praças de esporte, playgrounds, playlots, cemitérios, aeroportos, corredores de linhas de transmissão, faixas de domínio de vias de transporte, margens de rios e lagos, áreas de lazer, ruas e avenidas arborizadas e/ou ajardinadas. Desde que devidamente tratados, também se incluem os depósitos abandonados de lixo, as áreas de tratamento de esgoto e outros espaços semelhantes.

Existem diversas classificações de áreas verdes: a) Jardins de representação: áreas ligadas à ornamentação sem finalidade recreacional e de menor importância do ponto de vista ecológico. São os jardins de prédios públicos, de igrejas, etc.; b) Jardins de vizinhança: áreas para recreação, que podem ter alguns equipamentos recreacionais (playgrounds), esportivos ou mesmo de lazer passivo (bancos). Sua área mínima é de 1.500m2, ou de 5.000m2 caso tenham equipamentos esportivos. Devem distar, no máximo, 500m das residências dos usuários; c) Parques de bairro: áreas com a mesma finalidade que os parques de vizinhança, mas com

Larissa Leandro Pires – Paisagismo e Floricultura 3 equipamentos que requerem maior espaço; sua área mínima é de 10ha, e devem distar, no máximo, 1.000m das residências dos usuários; d) Parques distritais ou setoriais: têm a mesma finalidade que as duas categorias anteriores, mas sua área mínima é de 100ha; e) Parques metropolitanos: áreas de responsabilidade extra-urbana, com espaços de uso recreacional e de conservação; f) Unidades de conservação: áreas exclusivamente destinadas à conservação, podendo, eventualmente, ter algum equipamento recreacional para uso pouco intensivo. Encaixam-se nesta categoria as áreas de recursos naturais, áreas de proteção ambiental, áreas de proteção de mananciais e áreas de proteção paisagística; g) Áreas verdes de acompanhamento viário: áreas sem carater conservacionista ou recreacional, tendo apenas função ornamental, mas podendo interagir no ambiente urbano. São os canteiros de avenidas, rotatórias, etc..

Existe ainda um espaço urbano, talvez o mais importante, não inserido nesta classificação, a

Praça, local de encontro na cidade, vegetado ou não, comumente com área aproximada de 1,0ha. Os parques de vizinhança são praças, mas as praças nem sempre são parques de vizinhança.

O índice de área verde é o total de áreas verdes de um determinado local (m2) dividido pelo seu número de habitantes (m2/habitante), ou seja, é a relação entre a quantidade de área verde de uma cidade e sua respectiva população. Considera-se adequado um índice de 10 m2 a 13 m2 de área verde/habitante. Mais importante que o índice, entretanto, é a distribuição dessas áreas verdes e as suas características e as da região onde elas se inserem.

3. IMPORTÂNCIA A existência de áreas verdes junto aos centros urbanos (parques, praças, lagos e ruas arborizadas) proporciona uma sensação de bem-estar aos usuários destes espaços. As plantas utilizadas no paisagismo urbano, tão importantes na caracterização ambiental destas áreas, promovem inúmeros benefícios estéticos e funcionais ao homem e estão muito além dos seus custos de implantação e manejo.

Alguns dos efeitos causados pela vegetação no meio urbano estão relacionados com a melhoria da qualidade do ar e do conforto térmico. A qualidade do ar é melhorada pela interceptação de partículas e absorção de gases poluentes pelas plantas, enquanto que a redução da temperatura ocorre pela absorção de calor no processo de transpiração, redução da radiação e reflexão dos raios solares.

Larissa Leandro Pires – Paisagismo e Floricultura 4

Outros benefícios proporcionados pela presença planejada das plantas na paisagem urbana são a proteção contra ventos e redução da poluição sonora. O vento pode ser agradável, desconfortável ou ate mesmo destruidor, dependendo de sua velocidade. As plantas modificam os ventos pela obstrução, deflexão, condução ou filtragem do seu fluxo.

As plantas também podem ser úteis quando dispostas com o objetivo de sinalização, arranjadas a fim de indicar direção a pedestres e veículos, melhorando a aparência de estradas e rodovias.

Contudo, os maiores efeitos proporcionados pela utilização de plantas nos espaços urbanos são os estéticos e psicológicos. Os efeitos estéticos, evidenciados pelas propriedades ornamentais de cada espécie, têm o poder de modificar os ambientes visualmente, tornando-os mais agradáveis aos seus usuários. Já os benefícios psicológicos são capazes de melhorar o desempenho e o humor de trabalhadores, reduzir o tempo de internação e uso de remédios em pacientes e melhorar a relação de empresas com a comunidade. Outro fato importante é a redução da criminalidade e da violência nos centros urbanos onde o uso de plantas é adequado.

4. DIVISÃO DO PAISAGISMO 4.1. MICROPAISAGISMO

Consiste no trabalho de paisagismo realizado em pequenos espaços. Na maioria dos casos, o micropaisagismo pode ser desenvolvido por um só profissional, por ser, predominantemente, criação artística, envolvendo soluções técnicas simples. Assim, apresenta, normalmente, como características:

Escala visual pequena (pequenas áreas); Preocupação principal é a estética; Visualizado em jardins internos, vasos, jardineiras ou floreiras, arborização em vias públicas, jardins particulares, praças públicas, jardins de vizinhança, campos esportivos, etc.; Na representação gráfica desse tipo de projeto, a escala está entre 1:50 e 1:1000; Áreas menores do que 1.000m2 ???

4.2. MACROPAISAGISMO

Consiste no trabalho realizado em grandes espaços. Quase sempre, é um trabalho de equipe, porque envolve problemas técnicos complexos e multidisciplinares. Assim, apresenta, normalmente, como características:

Escala visual maior (áreas extensas); Preocupação principal é a preservação da natureza;

Larissa Leandro Pires – Paisagismo e Floricultura 5

Visualizado em parques metropolitanos e distritais, reservas naturais e afins, proteção de mananciais, revestimento vegetal em obras de terraplanagem, controle à erosão urbana, proteção contra ventos, recuperação de paisagens danificadas, etc.; Nas representações gráficas, a escala adequada é menor do 1:1.0, sendo, em geral, de

5. FORMAÇÃO DE PROFISSIONAIS EM PAISAGISMO

Dentre as diversas finalidades de um paisagista, estão: Reconhecer os aspectos essenciais do complexo de elementos e fatores que conferem a aparência e a ecologia da paisagem; Avaliar as conseqüências de formas de evolução na paisagem, produto da participação do homem.

O paisagista precisa possuir algumas características específicas: Ter habilidade, destreza, perícia e arte na tomada de decisões; Conhecimento técnico; Compreensão estética da aparência.

São atribuições do paisagista: Jardim; Arborização urbana; Preservação da natureza; Reabilitação de áreas degradadas (estradas, desmatamento, matas ciliares, áreas de mineração).

IPLANEJAMENTO PAISAGÍSTICO

O Planejamento Paisagístico refere-se ao processo contínuo que se empenha em fazer o melhor uso, para a população, de uma área limitada da superfície terrestre, conservando sua produtividade e beleza, e considerando os aspectos ambientais. Este planejamento desenvolve-se, normalmente, em espaços externos às construções e abrange duas realizações: a arte de criar (atividade individual), e a ciência, técnica e arte de organizar (atividade individual ou em equipe).

(Parte 1 de 8)

Comentários