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Teoria da burocracia

A teoria da burocracia foi formalizada por Max Weber que, partindo da premissa de que o traço mais relevante da sociedade ocidental, no século XX, era o agrupamento social em organizações, procurou fazer um mapeamento de como se estabelece o poder nessas entidades. Construiu um modelo ideal, no qual as organizações são caracterizadas por cargos formalmente bem definidos, ordem hierárquica com linhas de autoridade e responsabilidades bem delimitadas. Assim, Weber cunhou a expressão burocrática para representar esse tipo ideal de organização, porém ao fazê-lo, não estava pensando se o fenômeno burocrático era bom ou mau. Weber descreve a organização dos sistemas sociais ou burocracia, num sentido que vai além do significado pejorativo que por vezes tem. Burocracia é a organização eficiente por excelência. E para conseguir essa eficiência, a burocracia precisa detalhar antecipadamente e minuciosamente como as coisas deverão ser feitas.mas acaba se esquecendo dos aspectos váriaveis que se devem ser considerados, o que na sua negligencia acaba trazendo diversas disfunções na realização de ações especificas Segundo Weber, a burocracia tem os seguintes princípios fundamentais:

  • Formalização: existem regras definidas e protegidas da alteração arbitrária ao serem formalizadas por escrito.

  • Divisão do trabalho: cada elemento do grupo tem uma função específica, de forma a evitar conflitos na atribuição de competências.

  • Hierarquia: o sistema está organizado em pirâmide, sendo as funções subalternas controladas pelas funções de chefia, de forma a permitir a coesão do funcionamento do sistema.

  • Impessoalidade: as pessoas, enquanto elementos da organização, limitam-se a cumprir as suas tarefas, podendo sempre serem substituídas por outras - o sistema, como está formalizado, funcionará tanto com uma pessoa como com outra.

  • Competência técnica e Meritocracia: a escolha dos funcionários e cargos depende exclusivamente do seu mérito e capacidades - havendo necessidade da existência de formas de avaliação objetivas.

  • Separação entre propriedade e administração: os burocratas limitam-se a administrar os meios de produção - não os possuem.

  • Profissionalização dos funcionários.

  • Completa previsibilidade do funcionamento: todos os funcionários deverão comportar-se de acordo com as normas e regulamentos da organização a fim de que esta atinja a máxima eficiência possível.

Disfunções da Burocracia:

  • Internalização das regras: Elas passam a de "meios para os fins", ou seja, às regras são dadas mais importância do que às metas.

  • Excesso de Formalismo e papelatório: Torna os processos mais lentos.

  • Resistências às Mudanças.

  • Despersonalização: Os funcionários se conhecem pelos cargos que ocupam.

  • Categorização como base no processo decisorial: O que tem um cargo maior, toma decisões, independentemente do que conhece sobre o assunto.

  • Superconformidade as Rotinas: Traz muita dificuldade de inovação e crescimento.

  • Exibição de poderes de autoridade e pouca comunicação dentro da empresa.

  • Dificuldade com os clientes: o funcionário está voltado para o interior da organização, torna dificil realizar as necessidades dos clientes tendo que seguir as normas internas.

  • A Burocracia não leva em conta a organização informal e nem a variabilidade humana.

Uma dada empresa tem sempre um maior ou menor grau de burocratização, dependendo da maior ou menor observância destes princípios que são formulados para atender à máxima racionalização e eficiência do sistema social (por exemplo, a empresa) organizado.

O ESTRUTURALISMO E A BUROCRACIA

ALESSANDRO PORPORATTI ARBAGE

A palavra estrutura tem sido usada há algum tempo tanto nas ciências físicas quanto no campo social. Segundo Ferreira, estrutura significa disposição e ordem das partes dum todo, ou ainda, um todo, considerado a forma por que se dispõem as suas partes (1993: p.234). Já estruturalismo, segundo este mesmo dicionário da língua portuguesa, é interpretado como sendo uma teoria e metodologia do estudo da língua como um sistema de elementos relacionados entre si (1993: p.234).

Com relação mais propriamente às ciências humanas o Estruturalismo surgiu para permitir o desenvolvimento e a aplicação de métodos específicos no estudo dos seus objetos analíticos, em uma perspectiva diferente das explicações mecânicas e fundamentadas nas relações de causa e efeito até então desenvolvidas predominantemente. Segundo Chauí, a concepção Estruturalista veio mostrar que os fatos humanos assumem a forma de estruturas, isto é, de sistemas que criam seus próprios elementos, dando a estes sentido pela posição e pela função que ocupam no todo (1999: p.274).

Desta forma, pode-se dizer que as estruturas terminam por formar totalidades sendo que o todo assume uma dinâmica diferente da simples soma de suas partes constitutivas. O todo passa a ter um princípio orientador e organizador, dotado portanto de um sentido próprio, e o modo como cada estrutura se organiza e se relaciona com as demais acaba definindo a estrutura geral de seu conjunto, que pode assim ser compreendido e explicado sob preceitos científicos.

Contudo, cabe uma ressalva importante nesta questão metodológica e que vincula-se ao surgimento da fenomenologia. Coube a esta, a garantia às ciências humanas de especificidade de seus objetos de estudo. Anteriormente, cada uma das ciências humanas desfazia seus objetos analíticos em seus agregados constitutivos, estudava as relações de causa e efeito do fenômeno e as apresentava como explicação e, muitas vezes, como lei do objeto de investigação. A fenomenologia, que teve seu apogeu em meados do século XX, altera e garante às ciências humanas a especifidade metodológica em seu campo analítico.

De qualquer sorte, no âmbito das ciências administrativas a escola Estruturalista surge como um esforço de síntese das perspectivas de estudo da estrutura da organização até então existentes. A Administração Científica – mais centrada nos aspectos formais da organização - e a escola de Relações Humanas – preocupada com os aspectos informais. Coube então a esta terceira perspectiva a ligação entre os dois conceitos de organização formal e informal e a apresentação de um quadro teórico mais complexo da organização e o fornecimento de elementos essenciais para a análise comparativa, fundamental neste campo do conhecimento.

Os Estruturalistas ao ampliarem o escopo dos estudos para organizações de procedência cultural, sem fins lucrativos, presídios e hospitais perceberam o inevitável conflito de interesses entre as necessidades da organização e as dos indivíduos. Nesta perspectiva os conflitos podem ser minimizados mas não desconhecidos e jamais totalmente eliminados, e mais, podem inclusive ser utilizados para o crescimento e a resolução de determinados tipos de problemas organizacionais, tendo em vista as chamadas funções sociais do conflito. Assim, introduzem a lógica integrativa ao invés da lógica dicotômica, abrindo campos importantes de estudo na teoria organizacional como as questões do poder, dos próprios conflitos e da alienação.

Dentre o universo de pesquisadores que se enquadram na escola Estruturalista optamos por apresentar, ainda que bastante resumidamente, algumas das contribuições e idéias desenvolvidas por dois dos seus principais representantes: Max Weber e Amitai Etzioni.

Nas ciências sociais há algumas tradições Estruturalistas importantes e que possuem nuanças que as fazem diferir em sua essência. Weber, por exemplo, enquadra-se no chamado Estruturalismo Fenomenológico, pois parte do princípio de que as estruturas proporcionam pontos focais e de apoio para as análises teóricas, mas nunca podem ser encaradas como reproduções fiéis da realidade, porquanto esta, está em constante mutação e em permanente intercâmbio com o ambiente. Na visão Weberiana nenhum sistema conceitual pode reproduzir fielmente a realidade, bem como, nenhum conceito tem a capacidade de captar totalmente a diversidade presente em um fenômeno particular. O tipo ideal Weberiano ilustra esta questão claramente pois é uma construção instrumental criada para ser usada pelo cientista como uma espécie de guia, através das diversas situações e para permitir a comparação do modelo com a realidade empírica, e não como uma representação fotográfica da realidade.

Para Etzioni o principal diálogo do Estruturalismo foi com a escola de Relações Humanas, e foi um diálogo crítico, pois os Estruturalistas (...) vêem a organização como uma unidade social grande e complexa, onde interagem muitos grupos sociais. Embora esses grupos compartilhem alguns interesses tem outros incompatíveis(...). Os diversos grupos poderiam cooperar em certas esferas e competir em outras, mas dificilmente são ou podem tornar-se uma grande família feliz, como frequentemente dão a entender os autores de Relações Humanas ( 1980: pp. 68-69). A questão da existência de grupos com interesses muitas vezes divergentes enseja importantes campos de estudo na perspectiva Weberiana: o estudo do poder, da legitimidade, da autoridade e da dominação. Para Etzioni, Max Weber utilizou o poder para designar a capacidade de provocar a aceitação de ordens; a legitimidade para designar a aceitação do exercício do poder, porque corresponde aos valores dos subordinados; e autoridade para designar a combinação do dois - o chamado poder legítimo – (Etzioni, 1980: p.83). Weber entende que nas sociedades ocidentais há uma tendência geral à racionalização e um dos meios através dos quais essa tendência se materializa, sobretudo nestas sociedades, é a burocracia. A burocracia é estudada à luz de um modelo universal e eficaz de racionalidade e de dominação. A realidade social aparece como um complexo de estruturas de dominação – carismática, burocrática e tradicional -, onde a possibilidade de dominar é a de dar aos valores - conteúdos das relações sociais – o sentido que interessa aos agentes em luta, ou seja, impor valores. Para Weber a dominação adquire um papel fundamental nas sociedades ocidentais pois é verdadeiramente o fator mantenedor da coesão social. A burocracia então é vista como o melhor modo de organizar a dominação racional por intermédio de uma incomparável superioridade técnica com outras formas organizacionais, devido à especialização de funções, redução de atritos, redução dos custos e padronização de tarefas, entre outros aspectos.

Finalmente, talvez caiba uma colocação não sob forma de crítica aos Estruturalistas mas sim como ponto para reflexão. Utilizando a própria figura ilustrativa Weberiana do tipo ideal podemos compreender a burocracia como talvez o tipo mais adequado de unidade social para a organização racional moderna, sobretudo em uma perspectiva industrial pós-guerra, onde a produção fordista era basilar e a soberania claramente estava nas mãos dos industriais. O lema era redução de custos, padronização, uniformização e standartização dos produtos. A questão colocada, pois, é a seguinte: como fica o Estruturalismo na moderna economia, na chamada era do conhecimento, e em um período em que por conta do acirramento da competição o consumidor está colocando-se mais ao centro dos processos decisórios? E em um momento em que as palavras atuais mais utilizadas nos processos de produção parecem ser flexibilização, desburocratização e desregulamentação?

TGA : Escola Burocrática

Origem: A Escola Burocrática teve sua origem com na obra sociológica - política do alemão Max Weber, que emprestou a administração uma conceituação lógica e formal para dirigir, um sistema social, ou seja, uma empresa...OrigemA Escola Burocrática teve sua origem com na obra sociológica - política do alemão Max Weber, que emprestou a administração uma conceituação lógica e formal para dirigir, um sistema social, ou seja, uma empresa.Características* É um Poder Racional: Por poder entende-se a imposição de normas; obediência e influência sobre as pessoas, por racional aquilo que é coerente, prático de baixo custo, adequado a maior produtividade do trabalho alcançando os objetivos apenas pelos meios que dispõe;* Formalidade: As burocracias são essencialmente sistemas de normas. A figura da autoridade é definida pela lei;* Impessoalidade: Na burocracia os seguidores obedecem a lei. As figuras da autoridade são obedecidas porque representam a lei;* Profissionalismo: As burocracias são formadas por funcionários. Obtém os meios para sua subsistência. As burocracias operam como sistema de subsistência para os funcionários;* Autoridade Racional: Um empregado deve aceitar melhor a autoridade e proporcionar mais cooperação se entender que o chefe ocupa o cargo por competência e por estar legalmente instituído neste cargo;* Outra característica é que a empresa deve estar ligada por Normas escritas, evita-se a dupla interpretação de ordens, economiza-se esforços e possibilita-se a padronização de processos;* Estipula o desempenho do empregado; através do estabelecimento de limites mínimo de produção, o empregado se vê obrigado a realizar mais do que deseja;* Escolhe os ocupantes dos cargos com base na competência técnica destes;* Promove a departamentalização, uma vez que propõe a divisão do trabalho;* Prevê o comportamento das pessoas, se tudo está regulamentado por normas, o desempenho, as ações e as reações dos empregados podem ser previstos pelos chefes. Assim, o empregado é pago para comportar-se conforme os interesses e objetivos da empresa;* Não reconhece o poder do grupo informal. Se tudo é definido por normas e programado para ser racional, não existe lugar para insatisfação dos empregados.Vantagens da burocracia:* A cobrança de responsabilidade é mais eficiente, uma vez que o desempenho da função é definido com precisão;* Existe maior rapidez nas ordens;* Existe maior disciplina em função da hierarquia formalizada;* Permite a substituição do pessoal “incompetente” e a substituição é mais rápida e fácil;* A autoridade decorre da competência dos indivíduos;* Evita ação autoritária e arbitrária da chefia sobre subordinados, já que ambos se orientam por uma só norma;* Proporciona maior e melhor controle nas grandes empresas;* Redução de custos devido a padronizaçãoConseqüências do modelo burocrático:* O modelo puro e racional confundiu a Burocracia com ineficiência, serviço público, papelada, carimbo, protocolos e outras denominações não menos imprópria;* Caracterizou o homem como sendo um elemento de comportamento único , parecendo desconsiderar que as pessoas agem e reagem de maneira diferenciada;* Relacionamento Informal: Praticamente impossível a amizade entre os membros ocupantes dos vários cargos na empresa;* Excesso de Normas: As normas são tantas que os empregados se entregam a elas esquecendo-se dos objetivos;* Excesso de papelada: O formalismo e o controle cerrado levam o indivíduo a ler, assinar, protocolar ou criar novos controles;* Conflitos entre Cliente e Empresa: As normas, a papelada, os controles, o formalismo costumam levar o empregado a construir um “mundinho” particular esquecendo que a empresa foi criada para atender clientes;* Supervalorização do Empregado: De modo geral o empregado busca valorizar-se ao extremo em busca de crescimento na hierarquia;* Incapacidade Treinada: A devoção aos regulamentos, ao controle e a disciplina levam o empregado a se sentir despersonalizado;* Vigiar e Punir: Para muitos empregados a Burocracia não oferece motivação alguma, a não ser a coerção decorrente do controle;* O Crescimento Pessoal: Não tem sido favorecido na Burocracia, cedendo ligar ao conformismo, o homem fica condicionado psicologicamente (bitolado) a produzir apenas aquilo que foi planejado;* Resistência a Mudança: Num sistema altamente burocratizado, as novas tecnologias embora necessárias, não são bem aceitas, já que podem trazer conseqüências imprevisíveis, contrariando a filosofia do controle e do comportamento programado.Crítica a burocracia:* Lei da Multiplicação do Subordinado: Um chefe deseja sempre aumentar o número de subordinados, desde que estes não sejam seus rivais;* Lei da Multiplicação do Trabalho: O chefe sempre inventa trabalho aos seus subordinados;* Hipótese da Paralisia das Organizações: Se os chefes não são dos melhores ele tratará de cercar-se de empregados também medíocres;* Na visão do empresário: De um modo geral a expressão Burocracia soa como sinônimo de empresa pública, para o empresário, e como tal, presta-se as estatais e não a iniciativa privada. Por essa razão a maioria do empresariado não se dispõe a discutir sobre o assunto. Por outro lado os poucos que conhecem o modelo burocrático tem dele se utilizado para editar os códigos ou manuais de normas em suas empresas;* Na visão do empregado: A formalidade decorrente da Burocracia, para o empregado, constitui sério obstáculo para o seu crescimento pessoal, uma vez que o inibe e o reprime em sua concepção de liberdade. Faz o empregado tornar-se pouco espontâneo inibido e extremamente programado (bitolado).Autor: Mariah T. N. Pereira

BUROCRACIA

 

 INTRODUÇÃO

 Uma das primeiras aplicações do termo Burocracia data do século XVIII , onde o termo era carregado de forte conotação negativa, designando aspectos de poder dos funcionários de uma administração estatal aos quais eram atribuídas funções especializadas, sob uma monarquia absoluta. Essa definição se encaixa de forma muito próxima àquela hoje utilizada na linguagem comum: a Burocracia como sinônimo de excesso de normas e regulamentos, limitação da iniciativa, desperdício de recursos e ineficiência generalizada dos organismos estatais e privados.

Há uma influência recíproca entre capitalismo e burocracia. Sem a organização burocrática, a produção capitalista nunca teria sido realizada. Por outro lado, a base econômica capitalista é essencial para o desenvolvimento da administração burocrática.

Portanto, a palavra "burocracia" tem, no nosso dia-a-dia, um sentido pejorativo. Chamamos de burocracia o exagero de normas e regulamentos, a ineficiência administrativa, o desperdício de recursos. No entanto, para a sociologia, esse termo tem um sentido especial. Desde que passou a ser usado por Max Weber (1864 –1920), designa um modelo específico de organização administrativa.

  ORIGEM

A burocracia teve a sua origem nas mudanças religiosas verificadas após o Renascimento. O sistema de produção, eminentemente racional e capitalista originou de um novo conjunto de normas sociais morais, denominada de "ética protestante". Weber verificou que o capitalismo e a ciência moderna constituem três formas de racionalidade que surgiram a partir dessas mudanças religiosas ocorridas inicialmente nos países protestantes ( Inglaterra e Holanda).

  CONCEITO

Burocracia é um sistema de controle social baseado na racionalidade ( adequação dos meios para se alcançar os fins) tendo em vista a eficiência na obtenção dos resultados esperados.

 MAX WEBER

Sociólogo alemão considerado o fundador da Teoria da Burocracia.

Considerou a burocracia como um tipo de poder; para estudar as sociedades. Partiu que os seus tipos de poder e de autoridade vem das pessoas, é inerente; que implica força, imposição de normas e arbítrios.

Tipos de poder, conforme Weber :

-tradicional : onde predominam características patriarcais e patrimonialistas;

-carismático : predominam características místicas e personalísticas; há seguidores, devoção, autenticidade;

-legal ou burocrático: predominam normas impessoais e hierárquicas, como no exército, repartições públicas etc.

O tipo ideal de burocracia, segundo Weber, apresenta sete dimensões principais:

 Formalização

Divisão do Trabalho

Princípio da Hierarquia

Impessoalidade

Competência técnica

Separação entre Propriedade e Administração

Profissionalização do Funcionário

 TEORIA BUROCRÁTICA

A Teoria da Burocracia concebida por Max Weber, é imediatamente posterior às teorias Clássica e das Relações Humanas, teve como ponto forte de origem a necessidade de uma abordagem generalista e integrada das organizações, fator praticamente não considerado pelas teorias anteriores. De um lado, a Teoria Clássica, com suas suposições extremamente negativas em relação à natureza humana, pregava uma administração centralizadora, total e exclusivamente responsável pela organização e uso dos recursos da empresa, padronizando as atividades e controlando-as através da persuasão, coação, punições e recompensas marginais. De outro, a Teoria das Relações Humanas considerava o homem como sendo o maior patrimônio das organizações, sendo motivado a produzir por sua própria natureza, pregando a descentralização e a delegação, a auto-avaliação e a administração participativa.

Weber, baseado em princípios protestantes, foi quem primeiro definiu a Burocracia não como um sistema social, mas como um tipo de poder suficiente para a funcionalidade eficaz das estruturas organizacionais, sejam estas pertencentes ao Governo ou de domínio econômico privado. A característica principal da Burocracia, segundo Weber, reside na racionalidade do ponto de vista das atividades desempenhadas na organização. A Teoria Clássica já abordava certa racionalidade, porém esta se manifestava apenas na mecanização dos processos e não na mecanização das atividades dos indivíduos. Na Burocracia a liderança se dá tipicamente calcada em regras impessoais e escritas e através de uma estrutura hierárquica; o poder é legítimo e depende exclusivamente do grau de especialidade e competência técnica de quem o detém.

 ELEMENTOS BÁSICOS

 Autoridade

  • Poder

  • Hierarquia

  • Disciplina

  • Ordem

  • Controle

 

CARACTERISTÍCAS DA TEORIA BUROCRÁTICA

Weber concebeu a teoria da Burocracia como algo que tornasse a organização eficiente e eficaz, garantindo com ela: rapidez; racionalidade; homogeneidade de interpretação das normas; redução dos atritos, discriminações e subjetividades internos; padronização da liderança (decisões iguais em situações iguais) e, mais importante, o alcance dos objetivos. A Burocracia, em síntese, busca amenizar as conseqüências das influências externas à organização e harmonizar a especialização dos seus colaboradores e o controle das suas atividades de modo a se atingir os objetivos organizacionais através da competência e eficiência, sem considerações pessoais.

São características da burocracia:

Caráter legal das normas e regulamentos: A organização é baseada em uma espécie de legislação própria que define antecipadamente como a organização burocrática deverá funcionar. Essas normas e regulamentos são previamente estabelecidos por escrito.

Caráter formal das comunicações: Todas as ações e procedimentos são feitos para proporcionar comprovação e documentos adequados.

Caráter racional e divisão do trabalho: A divisão do trabalho atende a uma racionalidade, isto é, ela é adequada aos objetivos a serem atingidos: a eficiência da organização. Há uma divisão sistemática do trabalho, do direito e do poder, estabelecendo as atribuições de cada participante, os meios de obrigatoriedade e as condições necessárias.

Impessoalidade nas relações: A distribuição de atividades é feita em termos de cargos e funções e não de pessoas envolvidas, daí o caráter impessoal da burocracia.

Hierarquia da autoridade: Fixa a chefia nos diversos escalotes de autoridade. Esses escalões proporciarão a estrutura hierárquica da organização. A hierarquia é a ordem e subordinação, a graduação de autoridade correspondente ás diversas categorias de participantes, funcionários, classes, etc.

Rotinas e procedimentos padronizados: A disciplina no trabalho e o desempenho no cargo são assegurados por um conjunto de regras e normas que tentam ajudar completamente o funcionário às exigências do cargo e as da organização ( a máxima produtividade).

Técnica e meritocrata: A burocracia é uma organização da qual a escolha das pessoas é baseada no mérito e na competência técnica e não em prefer6encias pessoais. A admissão, transferência e a promoção dos funcionários são baseadas levando em consideração dos em critérios, válidos para toda a organização, de avaliação e de classificação, levando em consideração a competência, mérito, e a capacidade.

Especulação da administração: O burocrata é uma organização que se baseia na separação entre a propriedade e a administração. O administrador não é necessariamente o dono do negócio ou um grande acionista da organização, mas um profissional especializado na administração. O funcionário não pode vender, comprar ou herdar sua posição ou cargo, também não podem ser apropriados e integrados ao seu patrimônio privado. Esta separação entre os rendimentos e os bens privados e os públicos é a característica específica da burocracia.

Profissionalização da administração (separação patrimonial) e dos participantes: Cada funcionário da burocracia é um profissional pelas seguintes razões:

  • É um especialista

  • É assalariado

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