O perigo da radiação nos aeroportos

O perigo da radiação nos aeroportos

Matéria assinada por: Dr. Christiano Alvernaz (Diretor Geral de Ensino - Grupo Medicina1).

Rio de Janeiro, 14/07/2010. Em 13/07/2010, por volta das 13 horas (horário de Brasília), uma palestra foi ministrada em um auditório do Aeroporto Internacional Tom Jobim/RJ por uma competente Radiologista da Universidade Federal do Rio de Janeiro/UFRJ. Os interessados alunos eram membros da Polícia Federal, e o conteúdo apresentado se referia a utilização de uma tecnologia recém adquirida que, resumidamente, permitirá identificar a presença de armas / drogas junto a superfície ou interior do corpo de passageiros antes do embarque nas aeronaves. Seu custo: aproximadamente 1 milhão e 300 mil dólares por cada aparelho ('scanner').

Com o tempo, o projeto prevê a aquisição de mais aparelhos, que deverão ser utilizados em aeroportos do país considerados estratégicos no combate internacional ao tráfico de drogas.

Para os que desconhecem o assunto, este aparelho utiliza um tipo de radiação ionizante (raios X) para identificar a presença destes materiais "estranhos", exigindo que o passageiro seja submetido a uma dose possivelmente excessiva de radiação, nociva à saúde.

Talvez, o principal problema da radiação ionizante seja o desconhecimento, por parte da grande maioria da população, dos seus graves efeitos potenciais a saúde. Outro aspecto a ser levado em consideração, e não menos importante que o primeiro, refere-se a dificuldade de reconhecimento do perigo, uma vez que este tipo de material é imperceptível aos sentidos humanos. Isto significa dizer que não somos capazes de visualizar, cheirar, tocar, sentir ou ouvir a radiação, mesmo que uma fonte radioativa esteja suficientemente próxima de um indivíduo.

No Brasil, a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), autarquia federal vinculada ao Ministério de Ciência e Tecnologia, é o órgão responsável pelo licenciamento, fiscalização e controle de instalações radioativas. Em sua Norma CNEN-NE-3.01, estabelece o limite máximo de dose anual de radiação absorvida, que é de 1 miliSievert (mSv) para o indivíduo do público e de 50 miliSievert para um trabalhador ocupacional.

Em termos de comparação de dose, isto significa dizer que um indivíduo do público poderia submeter-se anualmente a cerca de cinco estudos radiográficos do tórax (radiografia do tórax em posição pósteroanterior + perfil - figura 1) ou a metade de um estudo completo do crânio por tomografia computadorizada, atingindo, assim, o limite máximo de radiação. Convém mencionar que ambas técnicas radiológicas utilizam a mesma radiação X para obtenção das imagens.

Exposto estes aspectos relevantes, alguns questionamentos devem ser feitos por todos neste momento: (1) Qual a dose de radiação absorvida por um passageiro submetido ao 'scaneamento' de corpo inteiro neste aparelho do aeroporto? Ela está regulamentada pelo órgão responsável - CNEN? (2) Quem se responsabilizará caso, algum tempo depois de receber uma dose de radiação, um passageiro desenvolver uma doença comprovadamente relacionada à exposição a radiação, como a leucemia? (3) E se um passageiro tiver que ser 'scaneado' mais de uma vez por ano, recebendo doses muito superiores às recomendadas? Quem se responsabilizará pelos danos ocorridos por efeito das doses excessivas? (3) O passageiro que se recusar a receber a dose de radiação, ou seja, recusar-se a ser 'scaneado', ficará impedido de viajar?

Matéria assinada por: Dr. Christiano Alvernaz (Diretor Geral de Ensino - Grupo Medicina1).

Alguém se arrisca a responder algumas dessas questões?

Bem, sem saber estamos prestes a ser obrigados a nos expor a doses de radiação ionizante possivelmente maior que a recomendada pela CNEN, e pior, desnecessariamente (ao menos para nós, cidadãos de bem); Mas, será que os benefícios para a sociedade superarão os riscos individuais?

Nos Estados Unidos da América, por exemplo, estes aparelhos foram retirados dos aeroportos por se verificar que as doses recebidas pela população eram superiores às recomendadas pelas autoridades competentes. Naquele país, esta tecnologia foi substituída por outra, isenta de riscos: a energia magnética - a mesma utilizada na medicina, nos aparelhos de ressonância nuclear magnética, isenta de radiação ionizante.

Atualmente, esta 'tecnologia revolucionária' vem trazendo um outro tipo de problema: Por permitir a reconstrução em detalhes da superfície corporal de qualquer indivíduo estudado, há quem se recuse a ser 'scaneado' pelo método, pois assim suas "partes íntimas" poderiam ser visualizadas pelos operadores do equipamento.

aérea) 'pra' ver

Como podemos observar, as autoridades estão cientes do risco que estamos prestes a nos submeter! E agora, será que os responsáveis pela implementação do sistema de 'scaneamento' (empresa detentora da tecnologia e responsável pela venda dos equipamentos), certamente cientes dos riscos e se fiando na ignorância da população e descaso das autoridades competentes, conseguirão arbitrariamente expor parte da população brasileira a este procedimento nocivo a nossa saúde? É pagar (a passagem

Nós do Medicina1 estamos alertando este fato aos principais meios de comunicação e órgãos competentes, para que maiores esclarecimentos sejam prestados à população e uma ampla discussão seja aberta sobre o tema.

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